‘BC erra e cria impedimento à retomada do crescimento’, diz Skaf

Agência Indusnet Fiesp 

Nesta terça-feira, 28/6, o Banco Central do Brasil divulgou o Relatório Trimestral de Inflação, no qual  afirma: “Dessa forma, o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias”, deixando clara a intenção de manter a taxa de juros nos atuais 14,25% por mais tempo. Um erro, na opinião da Fiesp.

A inflação de 2015 foi de 10,7%. Este ano, projeta-se algo próximo a 7,3% e 5,5% para 2017. Fica claro que a inflação está caminhando para a meta e que a demora do Banco Central em iniciar um ciclo de redução da taxa Selic é uma decisão equivocada.

“Temos de lembrar que o PIB caiu 3,8% em 2015 e que, neste ano, sofrerá nova queda de mais de 3%. O Brasil precisa retomar rapidamente a rota do crescimento econômico. Já temos mais de 11 milhões de desempregados. Ao propor a manutenção da Selic no patamar atual, o BC erra e cria mais um impedimento à retomada do crescimento e à criação de empregos”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

“Mãe das reformas” é o teto para o crescimento dos gastos no Orçamento, diz economista-chefe do Bradesco

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, participou nesta quarta-feira (16/3) de reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), do qual é membro e é presidido por Delfim Netto. Em sua apresentação, Barros se mostrou otimista com a retomada da economia brasileira caso surja uma “senha”, uma mudança que permita a reversão do atual estado de falta de confiança. Vê guinada para 2017, porque acha que o gatilho da retomada da confiança virá rápido, caso se confirmem mudanças.

“Se não é tudo, é quase tudo”, disse Barros em relação à confiança. Destravado o problema provocado pela crise política, Barros prevê crescimento do PIB de 2% em 2017 e 3% em 2018. A inflação baixa para 6,5% em 2016 e 4,5% em 17. Também cai a taxa básica de juros (Selic), dos atuais 14,25% para abaixo de 10% no final de 2017. Haverá, nesse cenário positivo, quatro quedas de juros este ano (possivelmente a partir de julho) e duas ano que vem.

Segundo o economista, a “extraordinária diversificação da economia” permite a difusão muito rápida da retomada, mas ele alerta que deve demorar para se chegar novamente ao pico de atividade, registrado em março de 2014 (desde então, houve queda de 7%). Projeções do Bradesco dão como dezembro de 2019 a volta ao pico de atividade, e o PIB industrial volta ao seu pico, do final de 2013, no final de 2021.

Apesar do otimismo (condicional) para o curto prazo, Barros defende a necessidade de criar uma “agenda clara, firme, de agenda de médio e longo prazo, para dar ideia de sustentabilidade”.

Listou quatro agendas relevantes que, acredita, podem mudar a história econômica do Brasil em relativamente pouco tempo. A primeira é o que chama de governança orçamentária, com o estabelecimento de um teto para o crescimento de gastos. A segunda se refere à produtividade, com prioridade para a preservação do emprego. Outro ponto é o aumento da potência da política monetária. A quarta agenda é da infraestrutura, que permite a expansão da capacidade produtiva.

Previdência

Frisando que o Brasil precisa proteger e fortalecer seu estado de bem-estar social, melhorando muito a qualidade dos serviços na área, Barros disse que o custo da Previdência é problema grave. Lembrou que o Brasil já gasta com Previdência a mesma porcentagem do PIB que o Japão, país cuja população já envelheceu. Barros defende a separação entre previdência rural, não lastreada em contribuições e que deveria ser considerada assistência social, e a Previdência em si, especialmente urbana, baseada em contribuições e sujeita ao equilíbrio atuarial.

Reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp com apresentação a cargo de Octavio de Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Pesquisa da Fiesp e Ciesp confirma mudança de hábitos do consumidor causada pela inflação

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp,

Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), 81% dos entrevistados perceberam significativos aumentos de preços nos últimos seis meses e mudaram hábitos de consumo.

A alta de itens dos setores de alimentação e bebidas foi citada por 87% dos entrevistados. Em seguida vem energia elétrica, gás e água (59%), habitação (33%) e transporte (32%). Com o impacto dos aumentos, a maioria dos consumidores decidiu trocar produtos com os quais estavam acostumados por marcas mais baratas (51%) e produtos mais baratos (42%). Refeições fora de casa foram reduzidas (27%), assim como o uso de serviços pessoais (12%). Cinco por cento dos entrevistados trocaram o meio de transporte que utilizavam.

De acordo com o levantamento, a elevação das tarifas de energia elétrica também foi sentida pelas famílias, que reduziram o consumo, assim como a utilização de eletrodomésticos, por exemplo, para driblar as contas.

O estudo aponta também que a combinação do aumento dos preços, alta de juros e a percepção de que os salários não acompanharam a inflação influenciou negativamente na intenção das famílias em contrair novas dívidas, o que afeta diretamente o poder de compra.

A pesquisa foi encomendada pela Fiesp e pelo Ciesp ao Instituto  Ipsos. Foram entrevistadas 1.200 pessoas, em âmbito nacional, entre os dias 12 e 26 de maio de 2015.

Clique aqui para ler a pesquisa.

“Não ao aumento de impostos, não ao aumento de juros”, diz Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, disse nesta sexta-feira (12/6), durante reunião com empresários em Americana, que as duas principais bandeiras do setor no momento são a luta contra o aumento de juros e o repúdio ao aumento de impostos. “Precisamos ter uma postura muito firme contra essas duas coisas –aumento de juros e aumento de impostos”, afirmou Skaf, na sede da Diretoria Regional do Ciesp. “Postura muito firme, muito permanente e constante.”

“Não podemos continuar sem regulamentar a terceirização, sem reforma política, com a mentalidade do governo achar que pode aumentar imposto a toda hora. Tem que haver disciplina. As coisas têm que começar a acontecer”, disse. “A responsabilidade da sociedade é muito importante”, afirmou. “Entidades como as nossas, a Fiesp, o Ciesp, os sindicatos, são parte da sociedade.”

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Segundo Skaf, a colaboração dos empresários não pode se dar por meio do aumento de impostos. “O governo que se arrume”, afirmou. “Cada um com seus problemas. Nossa colaboração é com a nossa luta do dia a dia. Colaborar com aumento de imposto, não.”

 

Inflação de tarifas

 O presidente da Fiesp e do Ciesp afirmou que a questão de inflação é um problema de governo. “Quem está provocando inflação é o governo, com seus preços administrados. A inflação que estamos tendo é uma inflação dos preços de energia, aumento dos preços de combustível”, disse Skaf. “E a questão dos impostos, quem cobra é o governo também. Então a sociedade precisa se proteger do governo.”

Para Benjamin Steinbruch, falar de risco de recessão não é semear o pessimismo

Agência Indusnet Fiesp

No artigo “Mais Feliz!”, publicado no jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira (29/07), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, rebate a crítica de um leitor de que ele estaria no coro de pessimistas quanto à situação econômica do País.

Benjamin concordou que há pessimismo exagerado da opinião pública, porém, explica que o leitor talvez desconheça os dados que mostram que a economia, de fato, caminha para uma fase de crescimento negativo. “Alguns analistas já acham que o PIB poderá registrar queda no segundo e no terceiro trimestres, o que já indicaria um quadro de recessão técnica”.

Steinbruch  afirma, no entanto, que a recessão não é inevitável e que algumas medidas poderiam mudar essa tendência. E, segundo ele, isso será possível, ainda que o país necessite de reformas mais amplas para aumentar a competitividade geral da economia e permitir crescimento sustentável.

Para o empresário e presidente da Fiesp, tanto quanto a inflação, a recessão é uma doença que precisa ser combatida com todas as armas, inclusive as preventivas. E aponta duas medidas urgentes: “a redução da taxa básica de juros e o afrouxamento das restrições ao crédito -esta última já começou a ser ensaiada na semana passada”.

Para ler o artigo na íntegra, acesse o site do Jornal Folha de S.Paulo (acesso restrito para assinantes e cadastrados).

 

Para 69% dos brasileiros, aumentos de preços foram grandes, aponta pesquisa da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A inflação é um problema para a maioria dos brasileiros. Para 69% da população, houve grandes aumentos de preços nos últimos seis meses. A conclusão é de estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), realizada em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa e inteligência de mercado do mundo. O objetivo é levantar a opinião dos entrevistados a respeito de suas percepções quanto à inflação e suas possíveis causas e consequências. Foram ouvidas 1 mil pessoas em todas as regiões do país entre os dias 17 e 31 de maio.

Para o diretor titular do Depecon, Paulo Francini, além da “percepção ampla da presença da inflação”, revelada pela opinião de 69% dos entrevistados a respeito do tema, chama a atenção o fato de que essa análise é muito parecida entre as diferentes faixas de renda, grau de instrução e faixas etárias.

No item faixa de renda, a percepção de grandes aumentos de preços é apontada por 67% das pessoas ouvidas pelo estudo que se encontram na classe AB, com 67% compartilhando da mesma opinião na classe C e 70% na classe DE.

Segundo o critério do grau de instrução, 72% dos analfabetos ou com primário incompleto ou completo dizem sentir a inflação, com 68% pensando da mesma forma entre os que têm ginásio incompleto ou completo, 69% com colegial incompleto ou completo e 63% com curso superior incompleto, completo ou mais.

Na sondagem por faixa etária, a inflação está alta para 66% das pessoas com idades entre 16 e 24 anos, para 72% daquelas entre 25 e 34 anos, 69% entre 35 e 44 anos, 70% entre 45 e 59 e 65% para quem tem 60 anos ou mais.

“Praticamente não há diferenciação por faixa de renda, grau de instrução e faixa etária”, diz Francini.

Conforme o diretor titular do Depecon, a inflação “de cada um é diferente e depende de quanto e como cada um gasta o próprio orçamento”, mas que, por motivos variados, o aumento de preços se faz sentir entre todos. “Para os brasileiros com renda menor, a inflação de itens como alimentação pode se fazer sentir mais, enquanto os gastos com serviços podem pesar mais entre aqueles com renda maior”, disse. “De qualquer modo, todos sentem o aumento dos preços.”

Francini: “Não haveremos de ter redenção em 2014 referente a 2013”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Francini: “De qualquer modo, todos sentem o aumento dos preços.” Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo Francini, a taxa de inflação aplicada ao setor de serviços está em torno de 9,5% ao ano, com 6,5% para o índice geral.

Maiores variações

Entre os itens citados na pesquisa como os que mais sofreram variações de preços, alimentação e bebidas foi citado por 90% dos entrevistados, seguido por habitação (44%) e alimentação fora do domicílio (30%).

Ao mesmo tempo em que a alta dos preços é sentida, os reajustes no salário, conforme o estudo, não são suficientes para equilibrar as contas em casa. Assim, a maioria dos entrevistados, 87% do total, declarou que o salário “não tem compensado o aumento de preços”.

Política econômica

Para 73% das pessoas ouvidas no levantamento, a política econômica do governo é indicada como responsável pela elevação dos preços. Já para 10%, a responsável é a crise econômica internacional. Em seguida, aparecem as empresas (para 7%) e os próprios consumidores (3%). Os demais 9% ouvidos não sabem ou não responderam.

Perguntados a respeito de soluções para conter a inflação, os entrevistados citaram pontos como o controle dos gastos públicos (opinião de 38% do total), o congelamento de preços (para 37%), o controle dos aumentos contratuais de preços (14%) e o aumento da taxa de juros (3%). Para 1% das pessoas ouvidas, o governo não precisaria fazer nada. Outros 7% não sabem ou não responderam.

Juros, juros

Mesmo diante desse cenário, a maioria dos entrevistados (89%) não concorda com o aumento de juros como forma de controle da inflação. Entre aqueles com renda familiar superior a R$ 1,8 mil, essa proporção chega a 93% das pessoas ouvidas.

Em suas próprias vidas, 45% dos entrevistados acreditam que o principal impacto do aumento da taxa de juros é o desestímulo em contrair novas dívidas, enquanto 38% apontam a elevação do valor das dívidas contraídas como o principal impacto.

“A inflação é um tema de grande importância”, afirma Francini. “Existe uma opinião formada a respeito dessas responsabilidades. As pessoas sabem que a inflação é consequência do exercício de determinada política econômica.”

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

 

Nota oficial: Brasil precisa de um plano de longo prazo e menos juros

Nota oficial

Nesta quarta-feira (02/04), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu novo aumento para a taxa Selic. Com a alta de 0,25 pp, o novo valor da taxa Selic passa a ser de 11 % a.a.

Para a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), mais uma vez não existem fatores que justifiquem mais uma elevação dos juros.

“A economia segue em marcha lenta, e nova alta de juros só servirá para retardar ainda mais a retomada, com o agravante de que os juros estão subindo e as expectativas de inflação não caem”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

“O Brasil só trabalha no curto prazo, não há gestão, estratégia. O país precisa deixar de lado o improviso. Precisamos de um plano focado no crescimento econômico, controle dos gastos de custeio, investimento em infraestrutura, educação de qualidade e reforma tributária. O Brasil precisa de um plano de longo prazo e menos juros”, conclui Skaf.

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

Valorização do dólar beneficia indústria, mas antes estimula inflação, afirma diretor da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A desvalorização do real ante o dólar é inevitável e favorável para estimular a retomada de competitividade da indústria brasileira em 2014. Mas essa correção cambial deveria acontecer acompanhada da intenção de reduzir seu impacto na inflação.  A avaliação é do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Francini.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o último levantamento, ficou em 6,27% no acumulado de 12 meses. “Existe uma projeção de inflação para o final de 2013 que está em 5,8%, como o ocorrido no ano passado”, diz Francini. “A inflação foi mais aguda na questão de serviços e alimentação, quando o preço dos alimentos chegou a ter 15% de variação anual”, acrescenta.

O diretor do Depecon explica que a alta expressiva dos preços é um aspecto negativo da valorização do dólar versus o real no que seria um fenômeno conhecido como “pass-through”, ou seja, o repasse da desvalorização cambial para inflação.  No caso de uma desvalorização do dólar, os preços caem.  No passado, o governo manteve o dólar em baixa para reduzir a inflação. Na opinião de Francini essa manobra “foi usada de maneira até farta”.

Francini: “A inflação foi mais aguda na questão de serviços e alimentação”. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Paulo Francini: “A inflação foi mais aguda na questão de serviços e alimentação”. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“O benefício da indústria doméstica por uma desvalorização da moeda demora tempo, vamos eventualmente conviver com a causa negativa primeiro, ou seja, com o aumento ocorrido nos preços”, afirma Francini. “Eu diria que, para a importação que está recebendo no próximo mês, esse aumento de preço já ocorreu”, explica. “Agora, para a empresa brasileira ter uma reinserção do seu produto no mercado internacional ou aumento de participação leva mais tempo”, acrescenta.

A Fiesp e o Ciesp encomendaram um estudo específico para o calculo do pass-through. O levantamento deve ficar pronto em setembro. “Um dos objetivos é, diante das circunstâncias atuais, responder a pergunta: qual é o pass-through?”, diz Francini. “Saber identificar o pass-through não é tarefa simples, porque isso se refere muito aos canais de comunicação que existem entre os preços externos”, complementa.

Dólar em alta

Mesmo sem fixar a taxa de câmbio ideal para a indústria, Francini acredita o patamar de R$ 2 não era adequado, enquanto entre R$ 2,30 e R$ 2,40 parece oferecer condições melhores para o setor manufatureiro competir.

Ainda assim, o empresariado precisa estabelecer sua crença no novo patamar do dólar como algo que tem consistência e veio para ficar.  “Você precisa acreditar que é efetivamente essa a taxa e o maior inimigo para isso se chama volatilidade”, afirma.

Para Francini, a apreciação do dólar ante o real é, na verdade, um fenômeno que está acontecendo com as principais moedas do mundo em relação à divisa norte-americana e não uma iniciativa por parte do governo brasileiro em promover essa valorização.

“O governo tem um desejo de participação nessa desvalorização do real, mas não completou esse trabalho por causa da questão da inflação. Agora, sem que ele quisesse, outras coisas empurraram”, avalia Francini.

Recuperação norte-americana

Por sua vez, o dólar tem se valorizado graças a um primeiro sinal, “de certa forma inequívoco” de que a economia dos Estados Unidos está se recuperando,  e com ele a expectativa de que o Federal Reserve  (o banco central norte-americano) reduza até o final do ano as suas compras mensais de títulos privados e públicos.  Essa expectativa provocou aumento da taxa da taxa de juros de longo prazo nos EUA e o consequente reposicionamento dos fluxos de capitais dos países emergentes para a economia americana.

Embora reconheça que a alta da inflação é um efeito negativo da desvalorização cambial, Francini está mais otimista com a indústria e projeta uma recuperação com mais vigor no primeiro semestre de 2014. “No primeiro semestre do próximo ano vai dar para ver sinais relativos à melhoria do câmbio para efeito da produção doméstica”.

Apesar de ser esperado, o repasse da desvalorização cambial para os preços pode ter seu impacto mitigado para o bem do consumo doméstico, sobretudo, da própria indústria, defende Francini.

“Sempre houve a queixa de que os insumos, que estão no pé da indústria, não são competitivos, portando eu preciso cuidar dos insumos para que a indústria seja competitiva”, diz o diretor do Depecon. “Infelizmente esses insumos são os primeiros que saltam ao ter uma desvalorização porque eles são mais ligados ao preço internacional aplicado aqui dentro”, explica.  “Então seria o caso de fazer com que o pass-through seja menor e que efetivamente haja benefício para a indústria”.

Inflação vai cair no Brasil, afirma Guido Mantega

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Os preços vão cair no Brasil, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na noite desta quinta-feira (25/04) após encontro com empresários e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para avaliar o desempenho econômico do país.

Segundo Mantega, os problemas que impulsionaram a inflação vieram da quebra de safra e têm reflexos da mudança cambial ocorrida no ano passado.

“A inflação vai cair no Brasil. Nós tivemos seca nos Estados Unidos que elevou os preços dos grãos, tivemos seca aqui no Brasil, tivemos uma mudança cambial ano passado que criou uma inflação momentânea naquele ano”, explicou Mantega sobre os índices de preços divulgados no ano passado.

Mantega: 'Temos condições perfeitas para reduzir a inflação no país.' Foto: Junior Ruiz/Fiesp

 

O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), usado como base para as metas do governo, fechou 2012 a 5,84%. A variação mensal de dezembro ficou em 0,79%, a maior desde março 2011. Mantega, no entanto, afirma que o cenário de 2013 sugere queda dos preços.

“Nós temos condições perfeitas para reduzir a inflação no país. Este ano não está prevista seca nem nos Estados Unidos e no Brasil. O preço das commodities já estão caindo no atacado e o preço dos alimentos já caiu. Portanto, estamos com a  inflação descendente no país”, alentou.

Emprego

Mantega também demonstrou otimismo com a situação do emprego e informou que se comprometeu na reunião com empresários a analisar outros empecilhos de crescimento ao setor produtivo, entre eles o entrave de custos como o da mão de obra.

“Estamos quase com pleno emprego, os trabalhadores estão ganhando mais, mas isso significa um custo maior para alguns setores. Falta mão de obra em alguns setores, isso eleva o custo e nós estamos procurando equilibrar isso fazendo desoneração da folha de pagamento”, afirmou Mantega.  “Combinamos de analisar os vários problemas que persistem no setor produtivo para que juntos possamos dar soluções ou acelerar soluções que já foram tomadas”, garantiu.

Em março deste ano, o quadro de funcionários da indústria paulista aumentou em 13 mil vagas na comparação com fevereiro. Os dados são da pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, da Fiesp e do Ciesp. Apesar das contratações, o levantamento indicou um mês “morno” para o setor manufatureiro, enquanto as perspectivas entidade para 2013 ainda são de uma recuperação modesta.

A pesquisa apontou uma variação negativa para o emprego na indústria se considerado os últimos 12 meses. No período foram fechados 24,5 mil postos de trabalho, ou seja, um recuo de 0,93%. Já no acumulado do ano foram gerados pela indústria paulista 33,5 mil empregos, com uma variação positiva de 1,29%.

A Fiesp projeta para o ano de 2013 um aumento de 1,6% do emprego industrial no Estado de São Paulo.

Nota oficial: decisão do Copom de aumentar a taxa de juros é equivocada, afirma Paulo Skaf

Nota Oficial 

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, classificou como “equivocada” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar em 0,25 pp a taxa de juros, reajustando-a para 7,5% ao ano, conforme anunciado hoje (17/04). “Da mesma forma que ninguém quer o aumento da inflação, o Brasil não precisa de aumento de juros, mas de aumento de produção”, disse Skaf.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) teve crescimento de apenas 0,9%, com a Indústria caindo 2,5%. Os dados de 2013 não apontam retomada do crescimento – ao contrário, o indicador IBC-BR de fevereiro indicou queda de 0,5%.

Neste ambiente de letargia econômica, foi instalado um falso debate de juros versus inflação. “O Brasil não pode abrir mão do controle da inflação, mas devemos superar a política econômica do uso exclusivo da taxa de juros. A nova política econômica deve ousar no sentido de aumentar os investimentos públicos, controlar os gastos de custeio, criar um ambiente favorável ao investimento privado e, de forma corajosa, finalizar as reformas que promovam a desindexação da nossa economia”, afirmou Paulo Skaf.

Em 2013, os gastos federais em custeio, excluídos os referentes ao programa Minha Casa Minha Vida, apresentam crescimento real de 20%, enquanto os investimentos caem 1%.“Claramente, aqueles que neste momento e com essa conjuntura econômica buscam restringir o debate à taxa de juros estão defendendo seus próprios interesses e não o desenvolvimento do Brasil”, concluiu Skaf.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)

Francini lista ações promissoras do governo para estimular indústria em reportagem da Carta Capital

Agência Indusnet Fiesp

A reportagem “Investimento em câmera lenta. Por quê?”, da revista Carta Capital, edição nº  737, de 27/02, traz a análise de grandes empresários, economistas e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, sobre a economia e os empecilhos que limitam o crescimento do país.

Segundo a reportagem, é decisivo destravar o investimento para acelerar a inclusão social e espantar o “dragão da inflação”.

Um dos entrevistados, o diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, listou cinco ações recentes consideradas promissoras pelos empresários: o corte da taxa Selic, taxa de câmbio (que foi de RS 1,75 para a casa dos R$ 2), desoneração de tributos, maior capacidade de financiamento do BNDES e redução do custo das tarifas elétricas.

Na avaliação de Francini, no entanto, “a crise nos países desenvolvidos joga contra e deprime a demanda mundial por manufaturados”.

Clique aqui e veja reportagem na íntegra.

Uso do câmbio para controlar inflação é ‘grave equívoco’, afirma Giannetti

Agência Indusnet Fiesp

Usar o câmbio como instrumento para controlar a inflação pode ter resultados positivos no curto prazo, mas traz como consequência a desindustrialização, avaliou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Em entrevista concedida ao AE Broadcast Ao Vivo, serviço em tempo real da Agência Estado, Giannetti afirma que um valor entre R$ 2,20 e R$ 2,30 representa um patamar de dólar favorável para a indústria brasileira.

“A nossa instituição diz que um câmbio entre R$ 2,20 e R$ 2,30 seria muito mais adequado para representar a real competitividade e equilíbrio de mercado entre importação e exportação a economia brasileira”, afirmou Giannetti.

Leia aqui matéria na íntegra publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Copom reduz a taxa Selic para 8% ao ano

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou na noite desta quarta-feira (11/07), em Brasilia, a redução da taxa Selic para 8% a.a., sem viés.

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do BC, votaram pela redução da taxa Selic para 8,00%, de modo unânime, os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini, Presidente, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

Na nota, publicada no site do BC, o Copom afirma que dá seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias.

“O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”, diz a nota.

Fiesp quer prazo de 60 dias para pagamento de impostos das indústrias

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou esta semana o estudo “Necessidade de Capital de Giro para Recolhimento de Tributos e o seu Custo Financeiro para a Indústria de Transformação”.

O levantamento mostra que há um descasamento médio de mais de 50 dias entre o prazo de pagamento dos impostos realizado pelas empresas industriais e o recebimento dos valores provenientes das vendas.

A proposta de ampliação dos prazos de recolhimento foi feita pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao Secretário da Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi, durante evento realizado na sede da entidade.

Esse descompasso traz a necessidade de utilização de linhas de crédito de Capital de Giro, com alto custo para as companhias, dinheiro que poderia ser utilizado para investir, gerando emprego, renda, consumo e produção – aumentando a competitividade brasileira.

O estudo traz ainda a conclusão de que o descasamento desses prazos também gera despesa adicional de R$ 7,5 bilhões para as empresas industriais, somente com pagamento de juros das operações de Capital de Giro.

Assim, a Fiesp propõe uma ampliação de 60 dias de forma definitiva no prazo vigente de recolhimento, o que liberaria R$ 140 bilhões para investimento. “Essa solução seria eficiente, prática e democrática. Dessa forma, haveria mais liquidez para todas as empresas e isso estimularia a economia como um todo”, avalia o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

O descompasso de prazos é herança dos tempos da hiperinflação, quando os governos federal e estadual antecipavam ao máximo o recebimento dos impostos das empresas para que o dinheiro não perdesse valor. Com a inflação baixa e sob controle, a medida passou a onerar desnecessariamente as empresas, podendo ser revista sem prejuízos aos governos e com grandes benefícios para os setores produtivos.

Veja aqui a íntegra do estudo da Fiesp.

Mantega incentiva investimento e promete generalizar desoneração da folha de pagamento

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, com Paulo Skaf e João Guilherme Sabino Ometto (presidente e vice-presidente da Fiesp), em reunião na sede da entidade

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega esteve na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (03/10), onde almoçou com o presidente Paulo Skaf, diretores e conselheiros da entidade. Logo após o encontro, o ministro concedeu entrevista coletiva para detalhar os temas abordados no almoço e se mostrou confiante na posição do Brasil diante do cenário internacional.

Além de analisar a situação macroeconômica do país, o ministro falou dos planos do governo para generalizar a desoneração da folha de pagamento, com redução na contribuição previdenciária que seguirá priorizando o setor industrial.

Crise

Para Mantega, atualmente o que mais aflige as classes produtoras, a Fiesp e todos os brasileiros é a crise internacional. Segundo ele, existe o perigo de agravamento do ambiente externo em função da elevada dívida soberana de alguns países europeus. Mesmo assim, acredita que as economias desenvolvidas saberão lidar adequadamente com essa situação, até revertê-la. O ministro falou sobre o Fundo de Estabilização criado para socorrer os países mais afetados e abordou amplamente os problemas da Grécia e suas possíveis soluções.

Europa

Guido Mantega salientou que confia na disposição da Grécia em cumprir com as condicionantes estabelecidas para receber as parcelas do programa de apoio que ela possui e afirmou que o Brasil de hoje está muito mais bem preparado para um agravamento da crise do que em 2008, tanto do ponto de vista fiscal quanto monetário.

“Temos uma estrutura fiscal sólida, podemos inclusive reduzir impostos; um mercado consumidor dinâmico; juros ainda altos, que podem cair; depósitos compulsórios elevados (R$ 500 bi) e reserva em moeda estrangeira, que hoje é uma vez e meia maior que a de 2008 (US$ 350 bi) – ambas podem virar crédito ao mercado, caso falte.”

Mercado interno

Para o ministro, um ponto muito importante é preservar o dinamismo do nosso mercado interno e permitir que ele seja usufruído pela produção brasileira. Com mercado interno dinâmico, dependemos menos de exportações, o que nos ajuda, já que os países ricos estão com problemas. “Fortalecemos e vamos manter essa conduta fiscal até 2014 e estamos aumentamos o superávit primário.”

Investimento

“Falei para os empresários da Fiesp que continuem investindo, porque o governo está preparado para uma crise crônica e mais branda ou rápida e mais aguda. De qualquer forma, vamos implementar medidas estruturais para continuar reduzindo custos, como os custos de infraestrutura, de energia e de tributos, de modo que a indústria brasileira seja cada vez mais competitiva em um mundo econômico adverso”, informou o ministro da Fazenda.

Câmbio e Juros

Ele lembrou que não existe um patamar ideal para o dólar, considerando o câmbio flutuante vigente no país: “O que existe é câmbio subvalorizado e sobrevalorizado.” Mantega, entretanto, cravou aquilo que seriam os juros ideias para o Brasil, “entre 2% e 3% ao ano, em linha com outras economias emergentes”.

Além disso, o ministro citou que, em momentos de alta do dólar, como agora, a dívida brasileira diminui e as reservas aumentam, o que melhora a relação dívida X PIB do Brasil, uma vez que o país é credor líquido em moeda estrangeira. Isso faz com que o Brasil fique na contramão da maioria dos países e faz com que o Brasil seja visto como um país seguro e mais confiável.

Inflação

Guido Mantega afirmou que vê uma pressão inflacionária mundial e vislumbra uma queda no preço das commodities, o que já estaria em curso, segundo ele. E, nas próximas semanas, devem chegar aos preços dos alimentos e combustíveis. “A inflação está sob controle. A boa notícia é que aqui vemos um movimento de queda de preços. Isso ainda não deu tempo de ser captado pelos índices de inflação, mas será sentido logo.”

Ele comentou que a inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. Dessa forma, quando o Banco Central considerar que as condições são adequadas – e nós estamos ajudando a configurar essas condições, aumentando o superávit primário, reduzindo o crescimento das despesas correntes –, o banco central fará essa redução dos juros. Isso pode ser em um, dois ou três anos. Isso eu não sei e não quero saber.

Desoneração

“A Desoneração da Folha de Pagamentos é fundamental, já que a contribuição previdenciária é, talvez, um dos maiores tributos que nós temos hoje. São 20% sobre a folha. Nós iniciamos um processo de desoneração, começamos com quatro setores, não é fácil fazer isso, portanto foi um caso experimental.”

O ministro explicou que transferir parte disso para o faturamento foi um experimento inicial, a outra opção era passar para a PIS/Cofins. A ideia era transferir uma parcela inferior ao que se está desonerando na folha, mais ou menos um terço. “Nós vamos observar e aperfeiçoar o procedimento. Nossa ideia é generalizar a desoneração da folha, começando pelo setor industrial (manufatureiro). Vamos discutir com o setor, fazer cálculos juntos porque o que nós queremos não é desonerar totalmente. A gente não teria recurso para bancar desoneração de R$ 95 bilhões, se fosse o caso de simplesmente retirar todos os tributos da folha.”

Indústria brasileira está em processo de reinvenção, avalia Octavio Barros

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco e membro do Cosec/Fiesp, durante reunião do Conselho

Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco, segundo maior banco privado do Brasil, afirmou que o setor industrial vive um momento difícil e de reinvenção.

O economista, que é membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, apresentou sua análise nesta segunda-feira (13), durante reunião do Cosec, ressaltando que a indústria brasileira enfrenta um período delicado, com investimentos menos sensíveis no curto prazo do que no passado.

Barros, porém, se diz otimista com o os primeiros sinais do “potencial governo reformista” da presidente Dilma Rousseff, citando o recente anúncio da concessão de três aeroportos à iniciativa privada. Para o economista, a gestão atual  está mais focada nos interesses do setor produtivo e é muito diferente da do governo precedente.

Inflação

O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira, apontou que o mercado projeta uma inflação de 6,19% neste ano, contra estimativa anterior de 6,22%. O prognóstico ainda está acima do centro da meta de inflação, a 4,50%.

A principal fonte da pressão inflacionária, na opinião de Octavio Barros, é o ciclo de investimentos em curso. O economista argumenta que qualquer governo vai optar por conter os gastos de outras fontes a refrear investimentos no Brasil, que já alcançou grau de investimento classificado como BBB-. “Você vai falar para um governante reduzir depois de 20 anos sem investimentos? A opção preferencial neste momento é segurar os gastos das famílias.”

China

Durante sua apresentação, Barros avaliou a China como um forte exportador de capitais e pontuou que o país asiático considera o Brasil como fornecedor fixo de commodities. “O Brasil tornou-se confiável para a China, que precisa de segurança alimentar e segurança energética.”

Presidente do Banco Central prevê queda da inflação nos próximos meses

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

Alexandre Tombini e Paulo Skaf durante reunião na Fiesp

 

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu, nesta segunda-feira (23), a visita do ministro do Banco Central, Alexandre Tombini. Durante a reunião-almoço, os empresários se queixaram da supervalorização do real, que compromete a competitividade da indústria nacional.

“É a indústria que garante os melhores empregos para população e, também, paga os melhores salários. O Brasil não tem interesse de enfraquecer ou colocar em risco o setor industrial”, analisou o presidente da Fiesp, após o encontro.

Segundo Skaf, o ministro se mostrou bastante otimista com a queda da inflação. Tombini admitiu que a tendência inflacionária para os próximos meses deve ser de baixa. “A inflação está cedendo. Os dados revelam isso. Por isso, com esse cenário, não vejo sentido em aumentar os juros. Teria todo sentido começar a baixar”, afirmou Skaf.

Câmbio

Durante o encontro, Tombini e Skaf discutiram a valorização cambial e o impacto negativo sobre a produção nacional. Para o presidente da Fiesp, a valorização do real em detrimento da desvalorização do yuan (moeda chinesa) contribuirá com um déficit de US$ 100 bilhões na balança comercial de manufaturados, em 2011.

Outra preocupação é com o câmbio especulativo, que compromete a competitividade da indústria nacional. “Sugerimos ao ministro que o capital especulativo tenha um tempo de permanência mínima no Brasil. Isso vai fazer com o especulador pense duas vezes em investir no País”, destacou Skaf.

Redução do gasto fiscal atinge investimentos do governo, afirma Andrea Calabi

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Andrea Calabi, secretário da Fazenda do Estado de SP

A 57ª reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp recebeu o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, que fez uma análise do panorama atual da economia brasileira nesta quarta-feira (13), na sede da Fiesp.

De acordo com o secretário, o Brasil do século passado cresceu em média 5% ao ano e entre 1940 e 1980, 7%. “Isso significou um crescimento vigoroso, no qual uma das marcas do processo de desenvolvimento brasileiro é esta experiência de crescimento”, afirmou Calabi.

A dificuldade, segundo ele, é recuperar e manter estes padrões históricos de evolução no período mais recente, cujo crescimento médio nos últimos 20 anos foi de 2,5%. “Hoje enfrentamos uma inflação muito elevada e preocupante, de índices de preço ao atacado da ordem de 6%”.

Gasto fiscal

Conforme Andrea Calabi, com o enrijecimento orçamentário, a contração repentina do gasto fiscal atinge investimentos e programas do governo, o que vai à contramão do que seria necessário para sustentar o crescimento dos gastos em infraestrutura e nos programas de melhoria da qualidade de educação e serviços sociais (saúde, segurança etc).

“Com estes altos níveis de inflação, de 12% ao consumidor, as práticas de indexação, tão enraizadas no Brasil, se reacendem. E se considerarmos a política relativa ao salário mínimo, estaríamos embutindo um reajuste na ordem de 14%, que realimenta ainda mais os temores da retomada desta prática, que foi tão difícil de superar e de controlar”, sinalizou o secretário da Fazenda.

Investimentos

Calabi informou que o governador Geraldo Alckmin estabeleceu como meta em sua gestão investir, em termos reais, mais do que no último quadriênio, o que implica pelo menos R$ 80 bilhões em aportes nos próximos quatro anos. “Um desafio enorme, posto que parte dos recursos das fontes extraordinárias evidentemente não estarão disponíveis, mas possível dentro dos limites das Lei de Responsabilidade Fiscal”, ressaltou.

Ao classificar como “canibalismo” a guerra fiscal entre os estados, Calabi observou que são “todos contra o estado de São Paulo”. Explicou ainda que a guerra fiscal mostra descoordenação federativa entre as políticas federal, estadual e municipal,  causando, na base empresarial, uma carga tributária particularmente elevada.

Mantida taxa básica de juros, mantido equívoco que trava o País

Nota oficial

Após a decisão desta quarta-feira (1º) do Copom em manter a atual taxa Selic elevada para a realidade do Brasil, a pergunta que deve ser feita não é por que interrompeu a sua política de alta, mas, sim, por que em abril deste ano teve início a equivocada série de aumentos da taxa básica de juros no País.

Nada melhor para responder à pergunta acima do que ler a ata dessa específica reunião do Copom. No documento consta que a demanda doméstica exercia pressão sobre os preços e que o esgotamento da ociosidade das empresas estaria por determinar um descompasso entre a absorção doméstica e a expansão da oferta.

Naquele mesmo instante, vale lembrar, a Fiesp e o Ciesp apontavam que o aumento de inflação então ocorrido devia-se a fatores pontuais, em especial climáticos, e que não existiam riscos do lado da oferta e da capacidade produtiva. Também era lembrado pelas entidades o já anunciado fim dos incentivos tributários previstos para março.

Já estamos em setembro. A inflação dos três últimos meses, conforme IPCA-15, encontra-se próxima de zero. Nos últimos 12 meses é de 4,4%, portanto, dentro da meta estabelecida. A verdade é que a inflação era realmente pontual e os alimentos estão devolvendo, hoje, o forte aumento de preços ocorrido no início do ano.

Terminada a fase dos incentivos tributários, a demanda arrefeceu; e a produção industrial apresentou queda nos três meses do segundo trimestre. A utilização de capacidade produtiva está estável e, até mesmo, com sinal de queda em razão da alta de investimentos.

O que se observa? Mais uma vez errou o Copom no seu diagnóstico. “Tivemos uma desnecessária alta de juros e, agora, essa tendência é suspensa pelo organismo do Banco Central. Restam os ganhadores e os perdedores de sempre. Ganharam os que recebem rendimentos financeiros e perderam os consumidores e empresas que pagam mais pelo crédito utilizado para fazer o País crescer, gerando emprego e renda”, disse o empresário Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Perdem também o Governo e a sociedade, sua mantenedora, alguns bilhões pelo aumento do custo da dívida. A próxima ata do Copom, por justiça, deveria começar com a frase: “Desculpem, mas erramos”.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)