Pré-sal já mobiliza indústrias da região de Franca

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

Até 2020, o setor de petróleo e gás deverá investir cerca de US$ 400 bilhões na produção e exploração de óleo e gás na costa brasileira. Só a Petrobras responde por mais da metade desses recursos, na compra de sondas, turbinas e construção de plataformas. A indústria naval deve construir 12 estaleiros, seis dos quais de grande porte.

“É um volume espantoso de recursos, que vai movimentar não apenas a extensa cadeia de petróleo e gás, mas todos os demais setores econômicos”, assinalou Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp, em reunião nesta quinta-feira (10) no Hotel Mauad, em São Joaquim da Barra, SP. O encontro foi promovido pela Diretoria Regional de Franca e acompanhado por representantes de cerca de 60 empresas da região.

Diaz apresentou os planos de investimento da Petrobras, da Organização Nacional do Petróleo (Onip) – que congrega 11 petrolíferas – e da Associação Brasileira da Indústria Naval e Offshore (Abenav). “Esse volume de investimento dependerá de uma cadeia de fornecedores fortalecida. Isso significa desde parafusos, gaxetas e válvulas, até botas, luvas e solados especiais usados pelos operários nas plataformas”, enfatizou o diretor do Ciesp. “Uma plataforma é uma cidade flutuante”, complementou.

A lista de bens e serviços tem mais de mil itens e pode ser conferida na página do Prominp. “Todo mundo tem como participar. Seja como fornecedor direto, inscrito no cadastro da Petrobras, seja como fornecedor indireto”, afirmou Diaz.

A prefeita Maria Helena Borges Vannuchi lembrou que a região já fornece alguns itens para a cadeia de P&G. “Mas há ainda muito espaço e oportunidades para as empresas da região”, observou. “Parabéns ao Ciesp por trazer informações tão úteis à nossa região.”

Fornecedores da Petrobras

Algumas empresas já se apresentam como fortes candidatas a fazer parte do concorrido cadastro de fornecedores da Petrobras. É o caso da metalúrgica e siderúrgica Venturoso Valentini, VV. Com mais 500 funcionários, a empresa já atende a setores também exigentes como o sucroalcooleiro e o de implementos agrícolas.

“A VV tem condições e know-how para fornecer para a Petrobras. Já exportamos, para Estados Unidos e Japão, uma linha de produtos de alta tecnologia, como carcaças de motores para aspiração de esgotos”, assinalou o empresário Pedro Nardelli. Segundo ele, esse know-how inclui o agronegócio. “Da linha de montagem das colheitadeiras utilizadas no campo, muitos itens são produzidos por nós. E também atendemos a cadeia automotiva”, enfatizou.

Oportunidades para todos os segmentos

O diretor-titular do Ciesp Franca, Saulo Pucci Bueno, destacou o papel de São Joaquim da Barra, Guará e Ituverava como polos microrregionais da indústria metalmecânica. “Todo este projeto da Petrobras tem a ver com esta região. Há empresas preparadas para atender a esse mercado que se encontra em franca expansão”, afirmou o diretor.

As empresas brasileiras não devem atuar isoladamente, observou Saulo Pucci. Para alguns setores, os consórcios são bem-vindos, diz ele. “A nossa região não é só calçado. Muito embora até essa indústria possa participar como fornecedora de materiais e itens de segurança, como solados especiais”, destacou o empresário.

O êxito do evento mostra o acerto da política do Ciesp em interiorizar-se cada vez mais até os municípios menores. “Onde está a indústria, o Ciesp deve estar presente”, finalizou Pucci.