Emprego na indústria de SP encerra o ano com 36,5 mil vagas a menos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria paulista demitiu 36,5 mil funcionários em 2013, refletindo uma frustração da expectativa do empresariado com condições econômicas melhores no ano passado. Apesar de negativo, o resultado é melhor do que a perda apurada em 2012, com o fechamento de 54,6 mil vagas de trabalho, avaliou o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Guilherme Moreira.

“Foi um resultado que frustrou a expectativa que a Fiesp e o Ciesp tinham de ter pelo menos um saldo positivo no final do ano”, afirmou Moreira.

Ele lembrou que as expectativas das entidades chegaram a flertar com um saldo positivo de 30 mil empregos. A projeção foi revista para baixo ao longo do ano para 20 mil vagas criadas. “Depois admitimos que seria negativo”.

As entidades previam a demissão de 15 mil empregados da indústria. “Fechou mais negativo que isso, mas ainda é um resultado melhor que 2012”, reiterou Moreira. Em termos percentuais, 2013 registrou variação negativa de 1,4%. Já em 2012, o índice apurou queda de 2,08%, o pior patamar com exceção de 2009, ano da crise, quando caiu 4,59%.

O gerente do Depecon afirmou que, embora a produção industrial cresça, o comportamento do mercado de trabalho do setor deve permanecer estável

A Fiesp e o Ciesp revisaram para baixo a estimativa para a Produção Física do Brasil (PIM), medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que deve apresentar ganhos de 1,5% em 2013 e de 2% em 2014.

“Havia expectativas de crescimento  mais forte da produção [para 2013]. Conforme foi chegando o segundo semestre, essa expectativa de elevação da produção foi se frustrando”, explicou Moreira.

De acordo com o gerente, a mão de obra estava sendo retida pelo empresário com a expectativa de que a produção cresceria e ele precisaria do empregado para cumprir as entregas, mas com um crescimento de 2% da produção, os industriais não conseguiram manter o robusto quadro de funcionários para dar conta dessa expansão.

“Um crescimento de 2% em cima de um ano em que ela [indústria] cresceu 1,5%, e do ano anterior em que ela perdeu mais de 2%, não é suficiente para a expansão do emprego”, afirmou. Em 2012, a PIM-Brasil caiu 2,6%.

Para emprego crescer, o Brasil precisa de um crescimento vigoroso, enquanto parte do mercado de consumo aquecido fruto dessa expansão precisa ser absorvida pelas empresas brasileiras e não somente por produtos importados, defende o gerente.

“A gente aposta no crescimento porque a indústria deve ser beneficiada pelo câmbio e pelo aumento da demanda externa”, disse. Ele pondera, no entanto, que a trajetória de alta da taxa básica de juros, Selic, já está “refreando o consumo”.

Demissões em dezembro

Somente em dezembro, a indústria paulista demitiu 60,5 mil funcionários. Segundo Moreira, as demissões só não foram maiores porque algumas usinas de açúcar e álcool estão mantendo trabalhadores nos campos por conta da colheita prolongada. Ele explicou que as demissões foram generalizadas. Com exceção de uma região estável, todas as demais regiões consultadas pela pesquisa apuraram saldo negativo no mês.

O setor açúcar e álcool foi responsável por 22.289 demissões do total registrado no mês passado. A indústria de transformação demitiu outros 38.211. No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira fechou 584 postos de trabalho, enquanto o setor manufatureiro encerrou 35.916 vagas.

Ano da indústria

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa de emprego da Fiesp e do Ciesp, 12 apresentaram queda no emprego, nove anotaram alta e um ficou estável. O setor de Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos demitiu 9.718 funcionários em 2013.

Já o setor de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias fechou 6.779 vagas no ano, com destaque para um forte volume de demissões nos últimos três meses do ano nas montadoras.

No campo dos ganhos, a indústria de Máquinas e Equipamentos se destacou ao contratar 6.174 novos funcionários durante o ano, puxada principalmente por fabricantes de maquinários agrícolas. O segmento de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos abriu 2.114 novas vagas em 2013.

De 36 regiões consultadas, 26 computaram queda e 10 registraram alta no quadro de funcionários durante o ano.

Santa Barbara D´Oeste registrou crescimento de 6,6% em 2013, puxado pelo aumento do emprego nas indústrias de Produtos Alimentícios (63%) e de Produtos Têxteis (7,48%).

No âmbito das perdas, Jaú registrou queda de 9,34%, conduzida pelo declínio nos setores de Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos (-36,36%) e Artefatos de Couro e Calçados (-24,05%), com o fechamento de ao menos quatro empresas ao longo de 2013.

Fiesp e Ciesp divulgam resultados do Indicador de Nível de Atividade Industrial de maio

Agência Indusnet Fiesp,

O diretor adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Walter Sacca,  divulgará os resultados do Indicador de Nível de Atividade (INA), referentes ao comportamento da indústria no mês de maio. A coletiva será nesta quinta-feira, 27 de junho, às 11h.

Durante a coletiva será apresentado também, o Sensor e os resultados deste mês, que aponta a percepção dos empresários a respeito das perspectivas econômicas do período.

Divulgação do INA – Indicador do Nível de Atividade Industrial e Levantamento de Conjuntura
Local: Av. Paulista, 1313 – 10º andar.
Data e Hora: 27 de junho de 2013 – 11h

Leia ‘O ganho fiscal do governo com o estímulo do crescimento industrial’, artigo de diretor do Decomtec no DCI

Agência Indusnet Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho, diretor-titular do Decomtec da Fiesp

Em texto publicado no Jornal do Commercio (RJ) nesta sexta-feira (27/07), o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da entidade, José Ricardo Roriz Coelho, reforça a necessidade de recuperar a competitividade da indústria brasileira.

Roriz destaca em seu artigo que a indústria de transformação tem alta capacidade de impulsionar o crescimento econômico: “R$ 1,00 de aumento da sua produção gera R$ 2,22 em expansão do PIB”, afirma.

Para ler o artigo publicado no jornal, clique aqui.

Produção industrial recua 0,9% de abril para maio, informa IBGE

Estudo anunciado na terça-feira (03/07), em entrevista coletiva, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a produção industrial recuou 0,9% na passagem de abril para maio, na série livre de influências sazonais, terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando nesse período perda de 2,0%.

Em comparação com o mês de maio de 2011, o total da indústria apontou queda de 4,3% em maio de 2012 – é o nono resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e a mais forte queda desde setembro de 2009 (-7,6%), revelam os Indicadores de Produção Industrial do IBGE.

Ainda de acordo com o IBGE, o setor industrial acumulou perda de 3,4% nos cinco primeiros meses de 2012. A taxa anualizada – indicador acumulado nos últimos 12 meses –, ao recuar 1,8% em maio de 2012, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%) e assinalou a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%).

Veja mais informações no site do IBGE: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2172&id_pagina=1

Economista de Cambridge explica por que o Brasil precisa de uma sólida política industrial

Agência Indusnet Fiesp

O especialista em desenvolvimento econômico Ha-Joon Chang se encontra nesta terça-feira (08/05) com empresários e diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para debater, entre outros temas, a necessidade de uma sólida política industrial para estimular o desenvolvimento do Brasil.

Para Chang, autor do livro Chutando a Escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectivas históricas, embora o Brasil tenha realizado conquistas na área econômica, o desenvolvimento industrial do país desacelerou significativamente desde a década de 1980, principalmente em relação a outros países emergentes.

Leia abaixo a entrevista de Ha-Joon Chang  concedida à jornalista Raquel Landim, do jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (07/05).


‘Dilma deveria ser mais rápida e agressiva’


Um dos mais famosos economistas heterodoxos, Chang diz que Dilma está “cautelosamente” abandonando a política de Lula

Um dos economistas heterodoxos mais famosos do mundo, o sul-coreano Ha-Joon Chang diz que a presidente Dilma Rousseff está “cautelosamente” abandonando a política macroeconômica de Lula. “Ela está se movendo na direção correta, mas as mudanças deveriam ser mais rápidas e agressivas”, disse Ha-Joon ao Estado.

Professor da Universidade de Cambridge, ele é autor do livro “Chutando a escada: estratégias de desenvolvimento em uma perspectiva histórica”. Amanhã, o economista dará uma palestra a empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A seguir trechos da entrevista.

O senhor vai se encontrar com empresários brasileiros. Qual será a sua mensagem?

Nas duas últimas décadas, o Brasil experimentou uma desindustrialização dramática. A participação da indústria na economia mergulhou do pico de 27,2% em meados da década de 80 para 14,6% em 2011. Esse fato é muito preocupante. Também é um imenso desperdício de potencial, pois o País é certamente capaz de competir na “primeira divisão” da manufatura mundial, como foi evidenciado pela Embraer. Para reverter essa tendência, o Brasil precisa de uma nova estratégia industrial. Sem isso, corre o risco de se transformar numa economia que vive de exportar matérias-primas para a China.

A indústria brasileira não cresce e perde mercado para outros países. O que o governo deveria fazer para ajudar?

O governo brasileiro precisa reformar suas políticas macroeconômicas. A indústria brasileira sofreu muito por conta de uma das maiores taxas de juros do mundo, que dificulta os investimentos, e de uma taxa de câmbio sobrevalorizada, que prejudica a competitividade internacional. Essas duas coisas precisam desaparecer. No entanto, não é suficiente. O Brasil também precisa de uma estratégia industrial. A experiência da Coreia do Sul – que tinha uma renda equivalente a apenas dois terços da brasileira em 1961 e hoje é 2,5 vezes mais rica que o Brasil – e de muitos outros países mostram que, sem uma política industrial coerente, o desenvolvimento econômico nos países emergentes como o Brasil não vai muito longe.

Qual é a sua impressão da política econômica da presidente Dilma Rousseff?

A presidente Dilma está deixando cautelosamente a política de Lula, que era uma mistura de política macroeconômica muito ortodoxa – focada no controle da inflação através de taxas de juros altas – e uma política industrial heterodoxa, mas pouco ambiciosa. Desde que assumiu o cargo, Dilma começou a relaxar a política macroeconômica e parece haver uma grande vontade de impulsionar uma política industrial mais pró-ativa. Acredito que ela está movendo as políticas na direção correta, mas as mudanças deveriam ser mais rápidas e mais agressivas. As condições econômicas atuais das economias brasileira e mundial tornam uma mudança mais radical não só essencial, mas também plausível. É essencial porque o declínio da indústria chegou a um ponto que não pode mais ser ignorado. Além disso, a ascensão de novos competidores, especialmente a China, significa que, se o Brasil atrasar mais seu renascimento industrial, não há caminho de volta. Uma mudança mais radical na política se tornou possível por várias razões. Primeiro, a política macroeconômica do governo Lula – apesar de o Brasil ter pago um preço alto em termos de declínio da produção industrial – convenceu o mundo que o País está determinando a não ter outra hiperinflação. Logo, uma mudança agora não provocará pânico no mercado financeiro. Segundo, depois da crise financeira de 2008, o domínio da ideologia neoliberal, que enfatiza o controle da inflação e rejeita a política industrial, diminuiu. As críticas à mudança de curso no Brasil não serão tão barulhentas quanto em 2002 ou até mesmo em 2006. Terceiro, o sucesso econômico de outros países latino-americanos, especialmente a Argentina, com políticas heterodoxas na última década aumentou a credibilidade dessas políticas.

A presidente Dilma gostaria de deixar o governo com taxas de juros reais de 2%. É possível?

Certamente. Os juros nos países ricos devem continuar muito baixos. 2% é a taxa real de juros que você precisa se quiser investimento alto e rápido crescimento. Não estou dizendo que baixas taxas de juros automaticamente levam a investimento e crescimento, mas são pré-condição. E 2% é a taxa de juros real que economias mais bem sucedidas tiveram em seu período de alto crescimento. Durante a maior parte do “milagre econômico” dos anos 60 e 70, os juros na Coreia do Sul foram negativos. Em seu período de alto crescimento, todos os países europeus tiveram taxas de juros reais entre 1% e 3%. Uma taxa de juros real de 2% é uma meta muito sensata.

O real está artificialmente valorizado? O Brasil deveria adotar controle de capitais?

Taxas de juros excessivamente altas atraem capital especulativo, o que aumenta a demanda pelo real e eleva seu valor. O problema se tornou mais sério desde a crise financeira de 2008, quando os países ricos baixaram seus juros para níveis historicamente baixos, enquanto despejavam imensos montantes de liquidez. O Brasil deveria baixar os juros, mas algum nível de controle de capitais pode também ser necessário, porque teria efeitos imediatos. O Brasil introduziu medidas de controle de capital, mas não foram fortes o suficiente. Hoje até o FMI apoia algum nível de controle de capital para países como o Brasil. Não acredito que seria um grande problema se o País fortalecesse essas medidas.

2012 começa ruim para a produção industrial brasileira

Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

Depois de um 2011 decepcionante para o setor produtivo, com a indústria de transformação estagnada e crescimento de 1,6% da indústria em geral – de acordo com o PIB divulgado, nesta terça-feira (6), pelo IBGE –, 2012 começa confirmando tendência negativa e ainda não ensaia melhora.

O resultado do levantamento da Produção Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (7) pelo IBGE, trouxe mais um resultado péssimo para a Indústria brasileira: -2,1% na comparação de janeiro (2012) contra dezembro (2011).

“Todas as pesquisas, incluindo as do IBGE, mostram exatamente o que temos falado há bastante tempo sobre o processo de desindustrialização que o país está vivendo. Agora só falta o governo tomar as medidas corretas para enfrentá-la. Hoje, o governo demonstra descaso com setor produtivo brasileiro”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Skaf cita o câmbio, os juros, o preço da energia elétrica, o spread bancário, a carga tributária, a infraestrutura deficiente e os incentivos fiscais a produtos importados (“Guerra dos Portos”) como fatores decisivos para o fraco desempenho da Indústria Brasileira. A Fiesp e o Ciesp projetam crescimento de 2,6% para o PIB do país e 0,0% para a indústria de transformação em 2012. “Mas não devemos nos conformar com isso”, diz Skaf.

“Há notícias de novas medidas sendo planejadas pelo governo. Não podemos aceitar medidas semelhantes às tomadas até aqui. Precisamos de uma ruptura com esse de política econômica e industrial. Quem quer resultados diferentes, precisa tomar atitudes diferentes”, conclui.