‘Recuo da indústria tradicional é indesejável’, afirma assessor da presidência do BNDES

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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'O recuo da indústria tradicional é indesejável', afirma assessor da presidência do BNDES

O assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor e pesquisador licenciado do grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), David Kupfer, participou nesta segunda–feira (10/09) da reunião mensal do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), presidido pelo ex-ministro da economia Antônio Delfim Neto.

No entendimento de Kupfer, setores da indústria que se dedicam à produção de bens muito comercializáveis, como o segmento têxtil, vestuário e calçado, entre outros pertencentes ao escopo da indústria tradicional, enfrentam um sério risco da perda da participação do mercado interno em decorrência do aumento das importações.

“O recuo da indústria tradicional é indesejável. A indústria tradicional é permeável à variedade de tamanhos, por isso abriga pequenas e médias empresas. Ela gera oportunidade empresarial importante, exige um perfil profissional mais simples e mais adequado à formação profissional brasileira, além de se espalhar pelo território, sendo um indutor de desenvolvimento social. Desta forma, a indústria tradicional está perdendo peso nesta visão de longo prazo”, alertou o especialista.

Inovação brasileira

De acordo com o assessor da presidência do BNDES, nos últimos anos o Brasil registrou um crescimento na produção científica e tecnológica, mas sem efeitos retro alimentadores. Para o palestrante, o país precisa investir na interação das áreas de ciência e tecnologia, buscando como inspiração as ideias adotadas pelos Estados Unidos.

“Nós não teremos inovação se a gente não tiver desenvolvimento científico e tecnológicos acoplado. A relação entre a capacitação em pesquisa e desenvolvimento e o resultado inovativo é fundamental, como vemos neste exemplo dos Estados Unidos. Isso é um indicador que a tecnologia tem cada vez mais componentes científicos. A relação entre a produção de conhecimento e o seu resultado do ponto de vista da produção de patentes é cada vez mais forte”, afirmou Kupfer.

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Reunião do Cosec. Foto: Everton Amaro