Retrospectiva 2013 – Ano de mais união para a cadeia produtiva de papel, gráfica e embalagem

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em 2013, a cadeia produtiva gráfica brasileira navegou contra fortes inimigos: o alto custo de produção, a instabilidade cambial, a pesada carga tributária, os juros elevados, a burocracia e a entrada de concorrentes internacionais.

Mas o ano trouxe algo bom: a maior percepção das entidades do setor sobre a força das ações conjuntas. Durante o ano, “brotaram ações inerentes ao associativismo, evidenciando a importância do engajamento e a mobilização dos setores produtivos em torno de suas entidades de classe”, avaliou o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Fabio Mortara.

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Reunião inaugural do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem


No mês de abril, a criação do Copagrem, fórum dedicado a buscar soluções para setores que compõem a cadeia produtiva, demonstrou ser fruto dessa nova visão. A iniciativa foi elogiada pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que destacou a necessidade de estimular as sinergias para se conseguir o crescimento e o desenvolvimento das indústrias.

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Página dedicada aos temas relacionadas a indústria gráfica, de papel e embalagem

A cadeia produtiva do papel, gráfica e embalagem ganhou, no mês de dezembro, um novo canal de comunicação e informação: uma área dedicada ao tema no portal da Fiesp. A página reúne notícias, material multimídia, conteúdos de referência e a agenda de eventos relacionados a esses segmentos.

Valorização do papel

O crescente consumo de produtos em plataformas digitais é uma preocupação dos setores de papel e gráfica. Em entrevista ao portal da Fiesp, Fabio Mortara, avaliou essa situação e afirmou que a cadeia produtiva unida vai fazer frente a esse desafio de maneira mais eficiente.

Ações com enfoque ambiental para os setores da cadeia produtiva foram avaliadas. Em abril, foi discutido um acordo setorial de embalagens e o panorama da reciclagem no Brasil, durante a reunião do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp, com a participação da organização do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).

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Iniciativas para valorização do papel são apresentadas na reunião de dezembro

Outra iniciativa é uma campanha promovida pela Abigraf, nos moldes do movimento internacional Two Sides, com foco na disseminação do conceito de sustentabilidade e valorização do papel e da comunicação impressa.

A Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) apresentou na reunião do Copagrem, no mês de dezembro, uma campanha para incentivar o uso do Vale-Cultura, do Ministério da Cultura, para consumo de revistas impressas.

Desoneração e incentivos

O novo modelo tributário para o chamado papel imune também fez parte das discussões do Copagrem durante o ano.

Em julho a indústria gráfica foi um dos setores beneficiados pela Lei nº 12.844, que atendeu a pleitos importantes da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) relativos à desoneração da folha de pagamento de diversos setores.

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A consultora econômica Zeina Latif apresenta os reflexos da conjuntura econômica

Em 2013, o setor gráfico ingressou com pedido de margem de preferência para impressos editoriais e cadernos nacionais nas compras do Governo Federal.

Desaceleração da economia e a necessidade de investimentos para o setor foram discutidos na terceira reunião do Copagrem, realizada no mês de setembro.  Na ocasião, Fabio Mortara alertou sobre o “erro de insistir em políticas de estímulo da demanda quando o problema está na oferta, na falta de infraestrutura e nos gargalos encontrados no país”.

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Especialista do Dejur da Fiesp explica detalhes da aplicação da Norma NR12

Um tema que tem forte impacto nas indústrias do setor – a aplicação da NR 12 (norma regulamentadora que trata da proteção de máquinas e equipamentos) – tem sido acompanhado com atenção pela Fiesp. Representantes da indústria reivindicam a ampliação de prazo, considerando que há um alto custo para adequação técnica de todos os equipamentos, especialmente os mais antigos.


Inovação para o setor

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Investimentos em tecnologia e capacitação de mão de obra continuam a ser fortes preocupações do setor. A contribuição do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) nesse quesito foi verificada em vários momentos do ano.

Em junho, a Feira Internacional de Embalagens, Processos e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas (Fispal Tecnologia), contou com a participação da Fiesp e do Senai-SP.

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Durante reunião do Copagrem, no mês de setembro, o diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, apresentou os diversos serviços e cursos oferecidos para a cadeia produtiva do papel, gráfica e embalagem.

Professores e estudantes da Escola Senai Theobaldo de Nigris, na Mooca, em São Paulo, desenvolveram um Simulador de Mecânica Gráfica, que conquistou o primeiro lugar no Prêmio Inova Senai, no dia 30 de outubro.

Mercado editorial

Em 2013, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) completou 35 anos de existência, fato relembrado em reunião do Copagrem.

As editoras Sesi-SP e Senai-SP deram sua contribuição ao mercado editorial, promovendo eventos de incentivo à leitura, como a Semana do Livro em Jaú e duas Feiras do Livro, na sede da Fiesp, realizadas nos meses de maio e dezembro.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540321702Juntas, as duas editoras tiveram cinco livros entre os finalistas do Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileiro do Livro.

Em outubro a Editora Senai-SP lançou o livro “Celulose”, da série Informações Tecnológicas, voltado a estudantes de nível técnico. Também foram lançados os livros “Caderno Joias – Tradução e Inspiração” e “Segredos do Design Automotivo”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540321702A  Sesi-SP Editora contemplou um vasta temática em seus lançamentos no ano, desde o infantil ao culinário; da tecnologia ao esporte. O livro “Nanoarte” foi destaque no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica.

A série “150 anos de futebol” e o livro “Olhar a toda prova” – foram outros destaques da Sesi-SP editora, ao longo do ano.


Perspectivas para o próximo ano

2014, ano de Copa do Mundo e de eleições, promete ser um ano benéfico para o setor.

Por conta desses eventos, a expectativa é ampliar a demanda de impressos relativos a produtos e marcas licenciados, folhetos, tabelas e uma infinidade de peças de marketing; e as eleições é, tradicionalmente, um período de movimento extra para as gráficas.

Independentemente desses fatores sazonais, a cadeia produtiva do papel, gráfica e embalagem espera que o Brasil faça as reformas necessárias e retome um ritmo mais acentuado de crescimento. 

Autor fala sobre ‘Manual do Gestor da Indústria Gráfica’, lançamento da Senai-SP Editora

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Flávio Botana, professor de graduação e pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

As transformações na indústria gráfica mudaram a essência dos negócios, segundo Flávio Botana, professor da graduação e pós-​graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica desde 1999.

Durante o lançamento do livro de sua autoria Manual do Gestor da Indústria Gráfica, publicado pela Senai-SP editora, Botana explicou que as empresas hoje têm gestão e produtos diferentes dos existentes quinze anos atrás.

Entre dedicatórias e assinaturas no estande do Senai-SP na 22ª Bienal Internacional do Livro, nesta quarta-feira (15/08), Botana falou com a reportagem sobre o volume.

“Durante esses anos, percebi que existia uma carência não de livros de gestão, mas de gestão focada para a indústria gráfica. Escrevi artigos para algumas publicações e notei através dos alunos ou dos empresários, de uma forma geral, que boa parte dos administradores deste segmento não são pessoas com grande formação acadêmica, eles têm muito conhecimento prático e baixo conhecimento de gestão”, ilustrou Botana.

Convicto de que havia um espaço a ser preenchido com informações e treinamento, decidiu escrever o livro. “E isso inclui um direcionamento dos alunos que estão se formando agora, para aspectos de gestão focados na indústria gráfica. Então, a ideia é cobrir essa carência que existe no mercado fornecendo um material com boa base teórica, para ajudar tanto no conhecimento dos empresários como dos alunos”, explicou o autor do livro.

Segundo Botana, no Brasil existem 20 mil gráficas, das quais 99% têm menos de 20 funcionários. E esse foi um dos pontos que o motivou a escrever o livro. “Como são pequenas indústrias, a administração fica muito focada no aprendizado prático. Então usamos no título o termo “manual” para que o livro seja fonte de consulta desses empresários para quando eles tiverem uma dúvida que envolve administração de pessoas e novas tecnologias e assim poderem trabalhar melhor.”

Estratégia, talento e gestão

O gestor da área gráfica, segundo Flavio Botana, deve ter a visão estratégica de que sempre existirão nichos diferentes, responsáveis por novos produtos e novos meios. “A indústria gráfica não vai acabar, mas precisará ser mais bem gerida. O repensar deve passar por modelos de gestão e aplicar conceitos básicos em sua essência”, afirmou o professor do Senai-SP.

Segundo Botana, estratégia, talento e inteligência de gestão configuram três tópicos importantes para as empresas gráficas. “Estrategicamente, a evolução não está somente na compra de novas máquinas. Como as mudanças acontecem rápido, o retorno dos investimentos tem que ser também mais acelerados.”

Indústria gráfica ainda existirá por muito tempo, afirmam profissionais do segmento

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Manoel Manteigas, Fábio Mortara, Flávio Botana e Cláudio Baronni.

Para discutir sobre os aspectos atuais e futuros do tema “A Indústria Gráfica”, a Senai-SP editora recebeu nesta quarta-feira (15/08) profissionais e empresários do setor em seu estande na 22ª Bienal Internacional do Livro, que acontece até o dia 19 de agosto no Anhembi, em São Paulo.

Participaram da mesa-redonda Fábio Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) e do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo (Sindigraf); Cláudio Baronni, presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG); Flávio Botana, professor de graduação e pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica; e Manoel Manteigas, diretor da Escola Senai Theobaldo de Nigris e diretor técnico da ABTG.

Os convidados concordaram que não morrerá tão cedo o produto impresso, seja livro, jornal ou revista. Entretanto, na opinião de Fábio Mortara, falta arrojo, empolgação e percepção geral de que a comunicação impressa se sobressai às demais. “A mensagem eletrônica pode durar alguns anos, mas o livro dura séculos. A publicação impressa é portadora da mensagem e da memória”, afirmou o presidente da Abigraf e do Sindigraf.

Para Cláudio Baronni, da ABTG, a competição entre o papel e o digital terá efeitos diferentes de produção para produção e de região para região. “A mídia impressa nunca vai acabar. Mas qual foi a última vez em que vocês consultaram uma lista telefônica?”, perguntou aos espectadores, que empunhavam seus smarphones e tablets.

“A era digital veio e não acabou com as empresas, que vivem essencialmente de publicidade; é a ‘vaca leiteira’ de qualquer veículo de qualquer editora ou meio de comunicação”, analisou Baronni, ao falar que as publicações convivem com outras mídias e se complementam em muitos casos.

Baronni considera que as agências digitais estão “arrancando”, mas se valendo de papel para transmitirem suas mensagens, principalmente institucionais. “O papel admite inúmeras inovações, e gestão é a palavra-chave”, argumentou o diretor do conselho da ABTG.

A título de informação, Baronni citou que a produção de livros digitais (e-books) nos Estados Unidos já se igualou à do impresso, enquanto no Brasil representa apenas 2%. “As gráficas ainda continuarão funcionando por muito tempo”, arrematou.

Boa impressão

Ao contrário do que se possa imaginar, a produção correta de livros ajuda na preservação do meio ambiente, na visão de Manoel Manteigas, diretor da Escola Senai Thebaldo De Nigris.

“A celulose utilizada na impressão de livros provém de florestas plantadas. E quanto mais papel produzido com manejo controlado, existirão mais áreas com árvores sequestrando gases de efeito estufa”, explicou Manteigas.

Com relação à administração das gráficas como negócio, o diretor da Escola Thebaldo De Nigris ressaltou que a gestão amadora não tem mais espaço no segmento. “Muitas gráficas são empresas de família, tradicionais de geração para geração que amam o que fazem, mas faltam profissionalismo e visão estratégica”, acredita.