Produtos importados perdem espaço no mercado interno, mas índices continuam altos

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação de mercadorias importadas no consumo da indústria brasileira recuou, ao fechar o terceiro trimestre do ano em 22,3%, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta segunda-feira (12/11). Na comparação com o mesmo período de 2011, a retração foi de um ponto percentual. Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral apresenta queda de 1,7 p.p..

A análise, realizada trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, mostra que, devido à queda do consumo aparente em um ritmo maior do que a retração da produção para o mercado interno, os produtos importados perderam espaço na demanda interna nos meses entre julho e setembro.

Segundo o diretor do Derex, Roberto Giannetti, “apesar da queda do CI no terceiro trimestre deste ano, o coeficiente continua em nível elevado, acima da média histórica de 19,8%. O aumento persistente das importações nos últimos dois anos diminuiu as oportunidades de crescimento da indústria brasileira tanto na produção de bens finais quanto de insumos”.

O Coeficiente de Importação para a indústria de transformação também apresentou queda, passando de 22,3% no terceiro trimestre de 2011 para 21,2% no mesmo período deste ano. Já na comparação com os três meses anteriores de 2012, a variação foi negativa em 1,4 p.p..

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total da indústria geral apresentou leve crescimento, de 20,2% para 20,3%, na comparação entre o período de julho a setembro de 2011 e de 2012. Na mesma base de comparação, o Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação cresceu 0,4 p.p., atingindo a marca de 17,4%

“A retração da produção da indústria para o mercado interno foi mais intensa do que a redução da quantidade exportada. Portanto, a fatia enviada ao exterior ficou proporcionalmente maior em relação ao total produzido”, explicou Giannetti. “Enquanto a quantidade exportada apresentou queda interanual de 2,4% no terceiro trimestre, a produção da indústria contraiu 2,7% na mesma base de comparação.”

Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 16 dos 33 setores analisados. Destaque para o acréscimo de 12,9 p.p. no CI do setor de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção, cuja participação dos importados cresceu de 38,8% no terceiro trimestre de 2011 para 51,7% no mesmo período de 2012. Outro setor de destaque foi o de tratores e máquinas para a agricultura, cujo índice passou de 45,7% para 55% na mesma base de comparação.

“Na abertura setorial, chamou atenção as fortes altas do CI de máquinas e equipamentos para a agricultura, extração mineral e construção dando prosseguimento a altas consecutivas do CI desde 2010. Este movimento merece atenção, pois enfraquece setores relevantes para a economia brasileira.”

Dos 17 setores que mostraram retração, refino de petróleo e produção de álcool e material eletrônico e aparelhos de comunicação registraram as maiores quedas ante o mesmo período de 2011: 10,3 p.p. e 7,7 p.p., respectivamente. Vale destacar que o CI do setor de autopeças registrou a quarta redução interanual consecutiva, fato indicador de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor esteja produzindo efeito.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 14 apresentaram alta em relação a 2011.  Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de preparações e artefatos de couro, cujos coeficientes de exportação se elevaram 16 p.p. e 10,6 p.p., respectivamente. Na comparação entre os terceiros trimestres, o setor de produtos têxteis manteve a trajetória de alta do CE, passando de 18% para 18,7%, após consecutivas reduções do coeficiente.

Já entre os 19 setores que apresentaram queda no CE, o setor de metalurgia de metais não ferrosos registrou a maior baixa em bases anuais (6,6 p.p.), seguido pelo setor de aeronaves, o qual atingiu o menor nível do coeficiente na comparação entre os terceiros trimestres (37,6%).