Intensificação da produtividade pecuária pode liberar até 70 mi hectares para agricultura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (no destaque), durante reunião do Cosag/Fiesp

A atividade pecuária é o último setor produtivo a passar pela transformação e inovação tecnológica, afirmou Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nesta segunda-feira (1º). Este redesenho da produção pode liberar mais de 70 milhões de hectares para a agricultura, incluindo a indústria de floresta plantada, principal fonte de celulose e carvão vegetal.

“Setor que vive hoje enorme transformação é a pecuária, e vai disponibilizar território para novos investimentos”, disse Carneiro Filho durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, nesta manhã na sede da Federação.

Ele citou a meta do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC) de aumentar o rebanho bovino de 193 para 220 milhões de cabeças, com uma redução da área de pastagem de 220 para 150 milhões de hectares no curto prazo, deixando 70 milhões de hectares para a produção agrícola do País.

“Todo o esforço recai sobre a pecuária, que vive um processo de intensificação. Temos uma sobra de terras que é colossal no Brasil”, avaliou o assessor sobre promover o rearranjo de terras para incrementar produção de outras importantes culturas no País, como soja e grãos, cana de açúcar e florestas plantadas.

Indústrial Florestal

A intensificação da produtivididade pecuária é a aposta para evitar novos desperdícios de terra e estimular a indústria florestal, que, segundo Carneiro Filho, vive um apagão atualmente.

De acordo com a publicação Florestas Independentes no Brasil, a demanda potencial por produtos da indústria de florestal, como celulose e carvão vegetal, vai aumentar a área de 716,3 mil hectares em 2010 para 1,6 milhão de hectares em 2020.

“Somos hoje o país que tem a melhor tecnologia para floresta plantada e, curiosamente, temos um apagão florestal. Nova atividade hoje se traduz em floresta, pelo excedente de terras. Onde há forte presença da indústria é onde há os melhores indicadores de produtividade”, explicou Carneiro Filho.

Para gerir o gargalo da indústria florestal, o assessor informou que Secretaria tem trabalhado em diretrizes para estruturar uma política nacional de florestas plantadas. O objetivo é criar o projeto “até o final do ano.”

Radiografia territorial

A modelagem espacial desenvolvida pela Secretaria de Assuntos Estratégicos vai mapear o território brasileiro e as áreas produtoras. O modelo tem como objetivo reproduzir a vida real da produção agropecuária e vai priorizar as culturas com mais rentabilidade.

Carneiro Filho acrescentou que as sugestões de rearranjo produtivo propostas pelo modelo “buscam uma aproximação com a indústria porque ela é que rege as condições para o mercado.”