Magalhães Junior explica o desenvolvimento de app vencedor do Hackathon/Fiesp

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Foi um final de semana inesquecível para a equipe PoliMoto. Em um domingo nublado (21/09), depois de praticamente 24 horas de trabalho intenso, o grupo conquistou o primeiro lugar na categoria “Indústria Eletrônica” da terceira edição do Hackathon, competição que incentiva o desenvolvimento de aplicativos inovadores, iniciativa do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Comentamos durante o Hackathon que o tempo parecia sempre estar correndo contra nós e que, com todos trabalhando, era difícil perceber as horas passando”, relembra o designer de Interação Gilmar Magalhães Junior, um dos integrantes da PoliMoto.

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Magalhães Junior: "Para ter uma grande ideia, precisamos a todo momento considerar todos os aspectos que passam despercebidos durante nosso dia a dia". Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Magalhães Junior participou do processo de desenvolvimento do LiveCube – o projeto permite que pais possam interagir de forma privada com seus filhos, trocando mensagens, passando tarefas e até monitorando sua localização e seu humor.

O trabalho foi realizado em conjunto com mais quatro jovens estudantes de Ciência da Computação: Mario de Castro, Rafael Macito, o técnico em Informática Humberto Vieira e o técnico em Mecatrônica Ezequiel França.

Eles se conheceram em um workshop no Centro Universitário Senac, onde, ao lado de outros estudantes, foram desafiados a criar projetos visando um campus mais interativo e informacional numa maratona de cinco dias.

Foi por meio de França, participante do 2o Hackathon/Fiesp, que os demais integrantes do grupo souberam do evento. “Como todos haviam tido uma grande experiência durante o workshop, queríamos manter contato e produzir novos projetos. O Hackathon apareceu como grande oportunidade para isso”, explica Magalhães Junior.

Nessa entrevista, o designer detalha como foi originado o LiveCube, revela os próximos passos da equipe e elogia o Hackathon/Fiesp. “De todos os diversos aprendizados que tivemos, o mais importante é que nunca devemos nos manter em nossa zona de conforto.”

Leia a entrevista feita por e-mail.

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O LiveCube permite que pais possam interagir de forma privada com seus filhos. Na visão de vocês, qual o potencial de aceitação no mercado desse aplicativo diante de redes sociais como o Facebook e de comunicadores como o Whatsapp?

Gilmar Magalhães Junior – A não ser que seu filho seja maior de 14 anos, consideramos que redes sociais e ferramentas como Whatsapp e Facebook não remetem ao vínculo de afetividade com o qual estamos dispostos a trabalhar. E enviar mensagens por essas ferramentas nos parece algo frio. Para uma criança, não faz sentido, uma vez que a tecnologia móvel, ao invés de aproximar, pode distanciar ainda mais a criança de aproveitar seu desenvolvimento. Queremos criar um objeto que seja um símbolo de sua família para uma criança. E que, para o pai ou mãe, represente a certeza de que poderá sempre estar conectado ao seu filho. E que com esse objeto possa ser ampliado o sentimento de afeto entre a família. Essa, na nossa visão, é a garantia de aceitação do LiveCube diante das outras ferramentas de comunicação.

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Aplicativo, de acordo com Magalhães Junior, surgiu de uma questão: como a tecnologia pode, além de conectar, ampliar o sentimento de afeto entre pais e filhos? Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Como foi tomada a decisão de desenvolver um aplicativo com essa finalidade?

Gilmar Magalhães Junior – Queríamos que a ideia surgisse completamente dentro do Hackathon e a decisão de desenvolver o LiveCube foi tomada quando percebemos a presença de um dos organizadores do evento com a filha. Isso nos motivou a pensar em alguma solução para que esse e outros pais pudessem sentir a presença de seus filhos, mesmo não podendo estar com eles durante todo seu dia. E vice-versa. Enfim, como a tecnologia poderia agregar afetividade.

No sábado, quando o Hackathon efetivamente foi aberto, como foi o início do trabalho em equipe?

Gilmar Magalhães Junior – Como metodologia, inicialmente definimos que cada integrante do grupo iria pesquisar ideias individualmente em um curto período de tempo. E, então, todos apresentariam essas ideias para definirmos qual projeto pensávamos ser mais motivador, divertido de construir e em qual direção seguir. Quando deparamos com a oportunidade de desenvolver algo a partir de uma ocasião do Hackathon – dada a presença de um pai e sua família –, todos tiveram a certeza de que nossa melhor opção seria desenvolver o que finalmente se tornaria o LiveCube.

Que tipo de sensações vive uma equipe que tem o desafio de desenvolver e apresentar uma solução em 24h? 

Gilmar Magalhães Junior – São diversas: agitação, ansiedade, exaustão, felicidade e muitas outras. Comentamos durante o Hackathon que o tempo parecia sempre estar correndo contra nós e que, com todos trabalhando, era difícil perceber as horas passando. Porém, nosso grupo conseguiu ter uma harmonia muito grande e principalmente manteve o que tínhamos planejado durante a gestão do projeto.

Foi possível dormir durante o evento?

Gilmar Magalhães Junior – Não conseguimos dormir e nem queríamos. Todos estavam sempre se divertindo muito durante os tempos de pausa e desenvolvimento, além de registrar os momentos de descontração da equipe.

Quando vocês efetivamente ficaram confiantes de que tinham um bom projeto em mãos?

Gilmar Magalhães Junior – Talvez possa afirmar que todos se viram muito confiantes desde o surgimento da ideia. Entretanto, essa confiança cresceu muito quando percebemos que todos os mentores que nos orientaram se sensibilizaram com a ideia e nos motivaram positivamente, indicando que esse poderia ser um projeto que realmente poderia chegar a ser algo que pudesse causar um impacto na vida das pessoas e famílias.

A privacidade proposta pelo aplicativo é um valor essencial na atratividade do projeto? 

Gilmar Magalhães Junior – Talvez não. A nossa questão central é: “como a tecnologia pode, além de conectar, ampliar o sentimento de afeto entre pais e filhos?” Se um filho quiser compartilhar em alguma rede social que fez alguma atividade que o deixou feliz com seu pai, por que isso seria ruim? Acreditamos que o valor essencial do projeto é cumprir esse nosso objetivo inserido nessa pergunta.

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Os vencedores na categoria "Indústria Eletrônica" com o projeto LiveCube, com o diretor titular do CJE, Sylvio Gomide (ao centro). Da esquerda para a direita, os integrantes Gilmar Junior (terceiro), Mario de Castro (quinto) e Rafael Macito (sétimo). Agachados (da esquerda para a direita): Humberto Vieira e Ezequiel França. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Na visão de vocês, quais são os diferenciais do projeto determinantes para que o PoliMoto obtivesse o primeiro lugar?

Gilmar Magalhães Junior – Para nós, o ponto crucial foi que não pensamos somente em um projeto de eletrônica, pensamos em um projeto para pessoas. Identificamos uma oportunidade que envolve as motivações, necessidades e sentimentos primários de qualquer ser humano, que é conviver em família e sentir essa família presente. As pessoas hoje em dia estão esquecendo esses valores. Pensamos em nos locomover mais rápido, em metodologias para trabalhar cada vez mais e, por isso, torna-se algo difícil enxergar oportunidades como essa que nos fez ganhar o Hackathon.

Para a equipe, qual foi o aprendizado obtido com a experiência de ter participado desse evento?

Gilmar Magalhães Junior – De todos os diversos aprendizados que tivemos, o mais importante é que nunca devemos nos manter em nossa zona de conforto. E que, para ter uma grande ideia, precisamos a todo momento considerar todos os aspectos que passam despercebidos durante nosso dia a dia.

Já é possível avaliar  a importância de ter participado do Hackathon?

Gilmar Magalhães Junior – Com toda certeza, já pode ser considerada uma das maiores experiências profissionais de todos os integrantes, considerando que, diferentemente do perfil da maioria dos participantes, todos nós somos estudantes. Mesmo já estando no mercado e trabalhando em centros de inovação, é muito motivador saber que participamos de tudo isso junto a ótimos profissionais e conseguimos nos sair muito bem.

Depois do Hackathon, quais os próximos passos?

Gilmar Magalhães Junior – Materializar o projeto e conseguir, com muito trabalho e apoio, trazer a solução para a pergunta que lançamos junto a ele: “como a tecnologia pode, além de conectar, ampliar o sentimento de afeto entre pais e filhos?”

Qual é a expectativa com relação ao futuro desse projeto?

Gilmar Magalhães Junior – A expectativa de todos é muito grande. Durante a semana discutimos muito o que queremos fazer para viabilizar o projeto e, inclusive, já conseguimos apresentar o projeto durante o Intel Innovation Week, onde tivemos muitos contatos e feedbacks positivos e inspiradores. O Centro Universitário Senac reconheceu nosso trabalho como vencedores da Hackathon e irá nos auxiliar divulgando o case. Além disso, estamos trabalhando no processo de patente, um dos prêmios que também ganhamos.

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Magalhães Junior: equipe agora vai investir no processo de patente do projeto. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Qual o valor de ter ganhado a possibilidade de obter um registro/patente da Associação Nacional dos Inventores?

Gilmar Magalhães Junior – Tendo em vista que nossa proposta é um projeto disruptivo, ou seja, que consideramos inovador dentro do mercado brasileiro e internacional, ter essa oportunidade do registro/patente através da Associação é crucial para garantir nossa segurança em relação ao desenvolvimento da ideia, preservando sua originalidade.

E que mensagem vocês deixam para outros jovens interessados em participar de uma quarta edição do Hackathon?

Gilmar Magalhães Junior – Simplesmente, participem. Como foi para nós, tenho certeza que será uma das melhores experiências que terão em suas carreiras. Gostaria de agradecer, em nome da equipe, a todos os parceiros, mentores e todo o pessoal do CJE/Fiesp. Enfim, pelo que experimentamos, este evento provavelmente não deixa nada a perder para Hackathons que ocorrem no Vale do Silício ou fora do Brasil.