PIB da indústria cai 4% em 2016, mostra nova previsão da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

A revisão feita pela Fiesp em janeiro de 2016 das previsões para o PIB divulgadas em dezembro do ano passado mostra números ainda piores. A queda no PIB da indústria deve ser de 4%. Para a indústria de transformação, a baixa deve ficar em 7%. A previsão para o PIB brasileiro é de retração de 3%.

Segundo Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, a perda de credibilidade do governo afeta muito a economia. “Sem confiança, sem credibilidade, não há investimentos, e o consumo se retrai”, explicou Skaf em entrevista à rádio CBN nesta terça-feira (12/1). Com isso, “a economia não roda”, e não há empregos, crescimento nem desenvolvimento.

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A Fiesp também revisou as previsões relativas a 2015. O PIB geral deve encolher 3,8% (contra -3,5% na estimativa anterior), e o da indústria, 7% (antes, -6%). Para a indústria de transformação, a nova previsão é de queda de 10,5% (contra -9,5%).

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Indústria deve encerrar 2013 com a criação de até 15 mil empregos, mas não recupera perdas do ano de 2012

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon). Foto: Julia Moraes/Fiesp

A indústria paulista encerrou o mês de julho com 5,5 mil empregos a menos em comparação com o quadro de funcionários em junho, o equivalente a uma variação negativa de 0,36% na comparação com junho, com ajuste sazonal.  Este é o pior desempenho para o mês da série histórica da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado foi mais pressionado por um fato isolado do que pela conjuntura econômica, explicou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.

No mês passado, uma indústria do setor de couro e calçados da cidade de Franca foi encerrada por ordem judicial. Cerca de mil funcionários foram demitidos.

“É um fator episódico, e não daria destaque a isso dentro de uma conjuntura econômica. Se não fosse por isso, os 0,36% negativo não ganharia essa medalha de pior julho de todos os anos”, afirmou Francini, diretor do Depecon.

Segundo o levantamento, o emprego na indústria de Franca com queda de 5,89%, foi pressionado pelo segmento de Artefatos de Couro e Calçado, que anotou baixa de 10,86% em seu quadro de funcionários.

Francini manteve a previsão de ganho de 10 a 15 mil empregos para a indústria ao final de 2013. “Recuperar é bom, mas para quem perdeu 53 mil vagas o ano passado, isso não dá tanta alegria”, ponderou.

A Fiesp e o Ciesp projetam um crescimento de 0,4% do emprego industrial em 2013, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar o ano com crescimento de 1,9%, antes a entidade previa uma expansão de 2,5%, e a atividade industrial deve chegar ao final de 2013 com variação positiva de 3,2%.

Câmbio

Francini avaliou que a valorização do dólar ante o real é favorável para a indústria, mas os resultados positivos disso só serão percebidos em 2014.

“Devemos retomar certa competitividade em função da taxa de câmbio que nos abre uma perspectiva para 2014, mas necessitamos de tempo para que isso se estabeleça melhor, do que 2013”, afirmou o diretor.

Para ele, o câmbio de R$2,30 a R$2,40 deve se firmar como o patamar mais adequado para a competitividade da indústria brasileira, mas para promover os esperados efeitos positivos é necessário que essa taxa “seja crível como sendo algo que veio para ficar”, explicou.

 Pesquisa

De janeiro a julho deste ano foi gerado pela indústria paulista 53,5 mil empregos, com variação positiva de 2,08%. Mas a pesquisa também revelou que nos últimos 12 meses foram fechados 34,5 mil postos de trabalho, o equivalente a uma queda de 1,29% no mês passado em relação a julho de 2012.


Do total de demissões no mês passado, a indústria de açúcar e álcool foi responsável pelo fechamento de 2.403 vagas, enquanto os setores da indústria de transformação demitiram 3.097 trabalhadores.

No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 30.096 vagas. Já os outros segmentos do setor manufatureiro criaram 23.404 novos empregos desde janeiro até o mês passado. Segundo Francini, o setor deve devolver até o final os 30 mil empregos gerados para temporada de colheita da cana-de-açúcar, enquanto a indústria devolverá cerca de 10 mil vagas em 2013, o que chegaria a saldo de 10 a 15 mil postos de trabalho criados neste ano.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 11 computaram queda, 10 fecharam o mês em alta e uma ficou estável. O emprego no setor de Artefatos de Couro, Calçados e Artigos para Viagem registrou a maior queda do mês com 3,8%, o que representa a demissão de 2.913 empregados. Outro desempenho negativo foi o da indústria de Produtos Minerais Não-Metálicos, que encerrou o mês com perdas de 0,9% ao fechar 1.003 vagas em junho.

Indústria deve encerrar 2012 com 60 mil empregos a menos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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'Pequena queda pode ser prenúncio de melhoria em 2013', segundo Paulo Francini. Foto: Julia Moraes

A indústria paulista perdeu 8.500 postos de trabalho em novembro na comparação com o quadro de funcionários verificado em outubro, de acordo com pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo divulgada pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), nesta quinta-feira (13/12). O levantamento aponta, no entanto, uma variação positiva para o emprego no mês em 0,53%, com ajuste sazonal.

A Fiesp estima que a indústria deva encerrar 2012 com 60 mil vagas de trabalho a menos. “O emprego não vai terminar bem, considerando o ano de 2012”,  disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini.

Na avaliação de Francini, a variação positiva do mês de novembro se deve ao fato de usinas produtoras de açúcar e álcool retardarem a devolução de empregos por questões climáticas. O mesmo comportamento foi sentido nos demais setores da indústria, que registraram uma redução menor de seu quadro de funcionários em comparação com outros novembros.

Em novembro de 2011, a variação do emprego na indústria ficou negativa em 1,77% na comparação mensal, o equivalente ao fechamento de 47.500 vagas.

“O setor de açúcar e álcool em 2012 apresentou certa anormalidade porque começou a colheita tardiamente em relação aos mesmos anos anteriores, ou seja, demorou mais tempo do que de costume”, explicou o diretor.

Segundo Francini, em novembro do ano passado, a indústria de açúcar e álcool devolveu 28 mil postos de trabalho, contra 2.407 em igual período deste ano. No caso dos setores da indústria de transformação, em novembro de 2011 foram fechadas 18 mil vagas, comparado a 6.093 mil no mesmo período de 2012.

“A pequena queda neste mês, comparativamente aos outros anos, pode ser o princípio de um sinal positivo. Isso pode ser um prenúncio de melhoria em 2013 na trajetória de recuperação da indústria de transformação”, afirmou Francini. No entanto, ele pondera: “Os meses que virão a seguir nos confirmarão ou não”.

Apesar de perspectivas mais otimistas, o diretor reitera que 2012 “não vai terminar bem para o emprego na indústria” e que a devolução de empregos não ocorrida em novembro poderá acontecer em dezembro A federação estima uma queda de 2,4% do PIB da indústria brasileira neste ano.

A pesquisa

from Fiesp

No acumulado do ano, a indústria paulista gerou 13 mil empregos, com variação positiva de 0,49%. Apesar de positiva, a taxa de criação de vagas do mês continua apresentando o menor desempenho desde 2006 – início da pesquisa –, com exceção da crise de 2009, quando o índice apurou perdas de 1,02% no acumulado daquele ano.

Nos últimos 12 meses foram fechados 23,5 mil postos de trabalho – um recuo de 0,91% em relação ao mesmo período imediatamente anterior.

Do total de demissões ocorridas em novembro, o setor de açúcar e álcool contribuiu com o fechamento de 2.407 postos no mês, o equivalente a uma taxa negativa de 0,09% para o mês na comparação com outubro.

Já no acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 39.181 vagas enquanto os outros segmentos da produção brasileira fecharam 26.181, deixando um saldo de 13 mil empregos gerados entre janeiro e novembro deste ano.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 15 apresentaram efeitos negativos, quatro fecharam o mês em alta e três ficaram estáveis. O emprego no setor de Fabricação de Coque de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis registrou a maior queda, com 2,6% em novembro versus outubro, seguido pelo desempenho ruim na indústria de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que encerrou o mês com queda de 1,7%.

Já os segmentos de Bebidas e Produtos Farmacoquímico e Farmacêuticos apuraram ganhos no mês de 0,8% e 0,5%, respectivamente. A pesquisa da Fiesp mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 22 apresentaram quadro negativo, nove ficaram positivas e cinco regiões encerraram o mês estáveis.

Santo André foi a cidade que mostrou a maior alta, com taxa de 1,21% em novembro, impulsionada por Produtos Alimentícios (6,61%) e Máquinas e Equipamentos (4,31%). A região de Matão registrou ganho de 1,07%, sob influência positiva dos setores de Confecção de Artigos do Vestuário (1,96%) e Produtos Alimentícios (1,40%). Enquanto Santos subiu 0,75%, influenciado por Produtos Alimentícios (2,04%) e Produtos Químicos (1,49%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Presidente Prudente, que computou a queda mais expressiva do mês com 1,78%, abatida pelas perdas em Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-11,10%) e Confecções de Artigos do Vestuário (-2,24%). Araçatuba fechou o mês com baixa de 1,77%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Celulose, Papel e Produtos de Papel (-4,86%) e Artefatos de Couro e Calçados (-3,10%). O emprego em Jundiaí caiu 1,25%, com perdas mais expressivas em Móveis (-4,03%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-1,61%).

Skaf: “Toda desoneração é sempre bem-vinda”

Nota Oficial

A desoneração da folha de pagamento para mais 25 setores da economia demonstra, mais uma vez, que o governo está preocupado em remover os entraves ao crescimento da produção e promover o aumento da competividade brasileira. A Indústria de transformação brasileira arca com 34% da carga tributária total, apesar de responder por menos de 15% do Produto Interno Bruto (PIB).

Nesse cenário, o conjunto de medidas adotadas recentemente é positivo e vai na correta direção da redução do custo Brasil: proposta de redução das tarifas de energia elétrica; série de queda da taxa básica de juros, manutenção da taxa de câmbio acima de R$ 2,00 e as desonerações sobre a folha.

Entretanto, o desafio de superar a falta de competitividade é amplo e exige empenho por parte do governo na adoção de medidas abrangentes e eficientes, com agilidade e constância. A desoneração da folha deve ser, portanto, generalizada, estendida para todo o setor produtivo, sem compensação com aumento de alíquota sobre o faturamento.

Melhor seria se essas medidas anunciadas aos poucos fossem concluídas de uma única vez, e novas medidas pudessem ser planejadas e implementadas ao longo do tempo.

“O governo acerta na ideia, mas erra na velocidade de implementação”, afirma o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “Se já tivesse adotado a redução do imposto sobre folha para todos os setores no ano passado, quando foi feita a desoneração para os primeiros quatro setores, poderia agora estar anunciando novas medidas tão necessárias e urgentes, como a ampliação do prazo de recolhimento de impostos das empresas, por exemplo”, conclui Skaf.

Indústria cria 500 vagas em julho, mas o ano não deve ser positivo para o emprego

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp, comenta dados do emprego de julho

Embora tenha registrado 500 vagas a mais em julho com relação a junho, o nível de emprego da indústria paulista apurou queda de 0,16% na comparação mensal com ajuste sazonal. O emprego industrial é o último item da cadeia a sentir a retração do setor produtivo, mesmo assim houve uma redução de 89 mil postos em 12 meses versus o período imediatamente anterior, o que significa que 2012 também não será um bom ano para o mercado de trabalho da indústria.

A avaliação foi feita por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), ao divulgar na manhã desta terça-feira (14/08) os números da Pesquisa do Nível de Emprego da Indústria Paulista de Transformação – Estado e Regiões.

No acumulado do ano foram gerados pela indústria paulista 32 mil empregos, com uma variação positiva de 1,23% para o período. Mesmo assim esta é a variação percentual mais baixa com exceção de 2009, ano da crise, quando o indicador registrou queda de 2,06% no acumulado daquele ano.

“A indústria de transformação no ano de 2012 tem apresentado mau desempenho.  Mas você tem uma situação na qual o emprego não acompanha a queda da indústria. Isso é, de certa forma, normal porque os industriais têm uma atitude de preservação do emprego dada a circunstância de que sempre com aceno de melhora há grande temor em reduzir o quadro de seus trabalhadores e, eventualmente, ter que necessitá-los novamente, o que envolve custos bastantes grandes”, explicou Francini.

Na leitura dos 12 meses, o índice apurou o fechamento de 89 mil postos de trabalho, um recuo de 3,28% em relação ao mesmo período imediatamente anterior. A previsão da Fiesp é que o emprego industrial encerre o ano de 2012 com 80 a 90 mil vagas a menos.

“A nossa sensação é de que as indústrias estão hoje com seu quadro maior do que a necessidade atual. Portanto, ainda teremos um processo de absorção desta folga antes que venha a ocorrer um crescimento”, acrescentou Francini.

 Recuperação

A Fiesp espera sinais de um começo da recuperação da atividade industrial no final deste ano, mas ainda há dúvidas quanto ao vigor desse movimento.

“Ainda acreditamos que teremos no terceiro e no quarto trimestre um desempenho melhor do que tivemos no primeiro semestre [deste ano]. Se tivemos quedas sucessivas, nós estamos esperando que venhamos a ter dois trimestres de crescimento comparativamente ao trimestre anterior, porém não com a violência e força para fazer com que o desempenho do ano seja positivo nem para indústria de São Paulo, nem para a geração de empregos”, avaliou Francini.

Setores e regiões

A queda no emprego do setor de açúcar e álcool equivale a uma variação negativa de 0,06%. Já os demais setores, incluindo a indústria de transformação, foram responsáveis pela criação de 1.419 postos de trabalho no mês passado, com variação positiva de 0,09% em relação ao mês anterior.

Nível de Emprego – Julho 2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Das atividades analisadas no levantamento, 10 apresentaram efeitos negativos, nove fecharam o mês em alta e três ficaram estáveis.

Os setores de Confecção de Vestuários e Acessórios, Metalurgia e de Produtos de Minerais Não Metálicos computaram a maior queda com 0,6% em julho. O segmento de Produtos diversos apurou ganho de 2,2% no mês, enquanto o índice de emprego na indústria de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Viagem e Calçados registrou alta de 1,8%.

A pesquisa mostra ainda que das 36 regiões analisadas, 14 apresentaram quadro negativo, 14 ficaram positivas e oito regiões encerraram o mês estáveis. Matão foi a cidade que teve a maior alta, com taxa de 1,88% em julho, impulsionada por Produtos Alimentícios (7,62%). A região de Franca registrou ganho de 1,37%, sob influência positiva dos setores de Artefatos de Couro e Calçados (2,94%) e Produtos Diversos (0,34%). E Jaú subiu 1,24%, influenciado por Artefatos de Couro e Calçados (3,81%) e Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (1,03%).

Entre as regiões com desempenho negativo, destaque para Santa Bárbara d´Oeste que computou a queda mais expressiva do mês com 2,87%, abatida pelas perdas em Máquinas e Equipamentos (-12,17%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-4,62%).

O emprego na indústria de Indaiatuba fechou o mês com baixa de 1,16%, pressionado pelo desempenho ruim dos setores de Confecção de Artigos do Vestuário (-5,61%) e Produtos de Metal Exceto Máquinas e Equipamentos, (-0,81%). Cubatão encerrou julho também com queda de 1,16%, com perdas em Celulose, Papel e Produtos de Papel (-37,88) e Metalúrgica (-0,63%).

Participação de produtos importados no consumo volta a atingir nível recorde na série histórica

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro voltou a atingir o nível recorde da série história, ao fechar o segundo trimestre do ano em 24%, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta segunda-feira (13/08).

Patamar semelhante foi apontado, pela primeira vez, no quarto trimestre do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2011, o aumento foi de 1,2 p.p. Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral apresenta alta de 1,5 p.p..

A análise, realizada trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, tem mostrado constantes altas no nível de participação dos importados no consumo doméstico, indicando a persistente perda de oportunidade para o crescimento da indústria.

Segundo o diretor do Derex, Roberto Giannetti, “o aumento consistente das importações ocorre tanto em bens finais quanto em insumos, enfraquecendo a agregação de valor na indústria”.

O Coeficiente de Importação (CI) para a indústria de transformação também apresentou alta (de 1,1 p.p), passando de 21,5% no segundo trimestre de 2011 para 22,6% no mesmo período deste ano. Já na comparação com os três primeiros meses de 2012, a variação foi positiva em um ponto percentual.

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total da indústria geral cresceu de 19,9% para 20,5%, na comparação entre os segundos trimestres de 2011 e 2012. O Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação cresceu 0,7 p.p atingindo as marcas de 17,7%

Apesar da leve alta do CE no segundo trimestre, houve queda na quantidade de produtos brasileiros enviados para o exterior. Giannetti explica que, com a retração mais intensa da produção física da indústria no período, a quantidade exportada permaneceu a mesma, à medida que a fatia enviada ao mercado internacional ficou, proporcionalmente, maior em relação ao total produzido.

“A diminuição da indústria dá uma falsa impressão de que estamos exportando mais. Apesar do acréscimo na parcela exportada da produção industrial no segundo trimestre, houve queda da quantidade exportada”, conta. “Por outro lado, a contração ainda mais forte da produção industrial no período puxou o coeficiente para cima. O que aconteceu neste trimestre foi que tanto o bolo como a fatia dele destinada ao mercado externo diminuíram, só que o bolo contraiu mais intensamente.”

De acordo com os dados do Derex, a produção industrial caiu 3,8% ante ao primeiro semestre de 2011. O índice acumulado nos últimos doze meses mostrou retração de 2,3% em junho de 2012, a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010.

Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 21 dos 33 setores analisados. Destaque para o setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, cuja participação dos importados atingiu o terceiro maior nível da série histórica, crescendo de 46,1% no segundo trimestre de 2011 para 54% no mesmo período de 2012.

Dos 12 setores que mostraram retração, peças e acessórios para veículos automotores e outros equipamentos de transporte registraram as maiores quedas ante ao mesmo período de 2011 (2,7 p.p. e 2,5 p.p., respectivamente). Vale destacar que o CI do setor de autopeças vem apresentando redução trimestral interanual desde o início deste ano.

“Na abertura setorial, chamou atenção o fato de o setor de autopeças ter apresentado a segunda queda consecutiva do seu Coeficiente de Importação, inclusive com maior intensidade no segundo trimestre”, destaca o diretor do Derex. “Isto pode ser um sinal positivo de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor – que exige 65% de conteúdo regional nos veículos para evitar majoração da alíquota do IPI –, concedido pelo governo no final de 2011, esteja produzindo efeito”.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 12 apresentaram alta em relação a 2011. Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de aeronaves, cujos coeficientes de exportação se elevaram 14,6 p.p. e 10,8 p.p., respectivamente. Na comparação entre os segundos trimestres, o setor de produtos têxteis também se destacou por registrar alta de 4,9 p.p. no CE, passando de 6,5% para 11,5%, após consecutivas reduções do coeficiente.

Já entre os 21 setores que apresentaram queda no CE, o setor de outros equipamentos de transporte – que envolve embarcações, veículos ferroviários, motocicletas, motociclos, carrocerias e reboques – registrou a maior baixa em bases anuais (24,2 p.p.), atingindo o segundo menor nível da série histórica. O setor de fundição e tubos de ferro e aço vem logo em seguida, com recuo de 3,9 p.p. na mesma base de comparação.

Estadão destaca estudo da Fiesp sobre gastos com mão de obra e produtividade da indústria

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540027071O jornal Estado de S. Paulo desta quarta-feira (25/07) destaca estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre gastos com mão de obra e produtividade da indústria.

Elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da entidade, o levantamento aponta que a produtividade do trabalho na indústria de transformação ficou negativa em 0,8% nos 12 meses terminados em maio de 2012 na comparação com o período anterior, enquanto a folha de pagamento do trabalhador teve alta de 3,4%.

Ainda conforme a pesquisa, a produtividade diminuiu em 10 dos 17 setores da indústria de transformação no acumulado 12 meses, abatida principalmente pela queda mais acentuada da produção física (-1,1%). As horas pagas também diminuíram (-0,6).

Em 2011, a produtividade da indústria também registrou queda, de 0,2% na comparação anual. A produtividade é medida pela relação entre a produção física e o número de horas pagas.

Leia íntegra da matéria sobre produtividade e salários: Salário sobe mais que desempenho indústria.

Clique aqui e veja estudo completo.

Fiesp quer prazo de 60 dias para pagamento de impostos das indústrias

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou esta semana o estudo “Necessidade de Capital de Giro para Recolhimento de Tributos e o seu Custo Financeiro para a Indústria de Transformação”.

O levantamento mostra que há um descasamento médio de mais de 50 dias entre o prazo de pagamento dos impostos realizado pelas empresas industriais e o recebimento dos valores provenientes das vendas.

A proposta de ampliação dos prazos de recolhimento foi feita pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao Secretário da Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi, durante evento realizado na sede da entidade.

Esse descompasso traz a necessidade de utilização de linhas de crédito de Capital de Giro, com alto custo para as companhias, dinheiro que poderia ser utilizado para investir, gerando emprego, renda, consumo e produção – aumentando a competitividade brasileira.

O estudo traz ainda a conclusão de que o descasamento desses prazos também gera despesa adicional de R$ 7,5 bilhões para as empresas industriais, somente com pagamento de juros das operações de Capital de Giro.

Assim, a Fiesp propõe uma ampliação de 60 dias de forma definitiva no prazo vigente de recolhimento, o que liberaria R$ 140 bilhões para investimento. “Essa solução seria eficiente, prática e democrática. Dessa forma, haveria mais liquidez para todas as empresas e isso estimularia a economia como um todo”, avalia o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

O descompasso de prazos é herança dos tempos da hiperinflação, quando os governos federal e estadual antecipavam ao máximo o recebimento dos impostos das empresas para que o dinheiro não perdesse valor. Com a inflação baixa e sob controle, a medida passou a onerar desnecessariamente as empresas, podendo ser revista sem prejuízos aos governos e com grandes benefícios para os setores produtivos.

Veja aqui a íntegra do estudo da Fiesp.

Leia nota oficial da Fiesp/Ciesp sobre o pacote de estímulos do governo federal

Nota oficial Fiesp e Ciesp

Para a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), as medidas de estímulo anunciadas nesta quarta-feira (27/06) pelo governo federal são positivas, mas insuficientes frente à necessidade de reanimar a economia brasileira, que deverá crescer menos de 2% em 2012, como já alertávamos desde o início do ano.

O pacote de estímulos de R$ 8,4 bilhões contempla compras governamentais que terão ainda de passar por processo de licitação, e portanto não serão suficientemente rápidas para  aplacar os efeitos do baixo crescimento que precisa ser combatido agora. Além disso, corre-se o risco de parte dessas aquisições virar importação.

O Brasil precisa recuperar a sua competitividade por meio de medidas adicionais, que ajudem a reduzir os custos de produção no país.

Produzir no Brasil é mais caro que nos Estados Unidos, em muitos países da Europa e nos nossos vizinhos da América do Sul. Para corrigir essa distorção, são necessárias ações efetivas que reduzam a carga tributária, diminuam o custo da energia elétrica e do gás, melhorem a infraestrutura e a logística e eliminem o excesso de burocracia.

As empresas recolhem os impostos, em média, 49 dias antes de receber dos seus clientes. Segundo estudos da Fiesp, cada 10 dias a mais no prazo de recolhimento de impostos equivale a injetar um volume de capital de giro superior a R$ 2 bilhões ao longo da cadeia produtiva da Indústria de Transformação.

“No curto prazo, uma solução eficiente, prática e democrática é alongar os prazos de recolhimento de impostos federais e estaduais”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp. “Dessa forma, haveria mais liquidez para todas as empresas e isso estimularia a economia como um todo.”

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

Nível de emprego da indústria de transformação sobe 0,29% em maio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp 

O nível de emprego na indústria de transformação paulista em maio registrou alta de 0,29% em relação a abril, na leitura com ajuste sazonal. No mês passado foram criados 21 mil postos de trabalho e, de janeiro a maio, a indústria gerou 38,5 mil empregos. A Fiesp e o Ciesp divulgaram os números em coletiva nesta terça-feira (15/06).

No acumulado dos 12 meses, no entanto, a pesquisa registrou fechamento de 79,5 mil vagas, o que indica uma queda de 2,94% comparativamente ao período anterior.

Do total de vagas criadas em maio, 16.773 são do setor de açúcar e álcool, o equivalente a uma taxa positiva de 0,64% no mês. Já a indústria de transformação foi responsável pela geração de 4.227 postos de trabalho no mês passado, com variação também positiva de 0,16%.

Com exceção dos anos da crise (2008 e 2009), este é o melhor maio para o emprego na indústria desde 2007, quando o índice apontou um ganho de 0,63%.

Setores e regiões

Das 22 atividades analisadas no levantamento, 11 apresentaram efeitos negativos, nove computaram variação positiva e duas ficaram estáveis. O setor de Impressão e Reprodução de Gravações apresentou a maior queda, com 0,7% em maio, seguido por Metalurgia e Móveis, com recuo de 0,7% e 0,6%, respectivamente.

O segmento de Produtos Alimentícios subiu 5,4%, enquanto o índice de emprego na indústria de Fabricação de Coque, Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis apurou ganho de 3,5% no mês passado.

A pesquisa mostra ainda que das 36 regiões analisadas, 22 apresentaram quadro positivo, 10 variação negativa e quatro regiões fecharam o mês estáveis.

A cidade de Jaú anotou a alta mais expressiva do mês, com variação positiva de 5,70%, impulsionada pelos ganhos em Produtos Alimentícios (15,44%) e Produtos de Borracha e Materiais Plásticos (1,20%).

O emprego na indústria de Araçatuba também fechou o mês com alta de 4,93%, estimulada pelo bom desempenho dos setores de Produtos Alimentícios (15,46%) e Confecções de Artigos do Vestuário, (4,65%).

Americana foi a cidade que apresentou a maior queda com taxa de 1,24% em maio, pressionada por Máquinas e Equipamentos (-2,51%) e Produtos Têxteis (-2,20%). A região de Taubaté registrou queda de 1%, sob influência negativa dos setores de Produtos de Metal Exceto Máquinas e Equipamentos (-5,47%) e Produtos de Borracha e Plástico (-2,04%). 

Setor produtivo será ouvido em Brasília nos próximos dias

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em encontro na sede da federação



A indústria de transformação está sofrendo muito com os efeitos do real sobrevalorizado, do dólar barato e das importações intensas. O alerta foi dado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, após reunião com o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O encontro ocorreu na manhã desta terça-feira (16) na sede da entidade, em São Paulo.

Na avaliação de Skaf, o ministro entendeu o momento sensível vivido pela indústria e se comprometeu a conversar mais de perto, já na próxima semana, com os setores que tiveram a folha de pagamento desonerada recentemente. O ministro prometeu, ainda, levar as demandas dos empresários ao Ministério da Fazenda.

No plano Brasil Maior, anunciado pelo Governo Federal, os benefícios alcançaram quatro setores: calçados, móveis, confecções e software. Para Pimentel, é natural que se faça uma calibragem das medidas no momento de sua regulamentação, já que, segundo ele, elas ainda não têm formato final. “É o momento de recolher opiniões e discutir com os setores. E há um trabalho próximo com a Fiesp”, afirmou.

Pimentel descartou, por enquanto, a ampliação da lista dos contemplados pelo plano do governo. Skaf, porém, pediu atenção a outros setores com mão de obra intensiva, como o de fundição, por exemplo.

Na mesa de debates estiveram presentes temas como medidas para agilização da defesa comercial – como preços de referência – para produtos com importação aquecida nos últimos meses, como armações de óculos, escova de cabelo e pisos laminados. E, ainda, o Reintegra – devolução de parte do valor exportado às empresas.

Paulo Skaf pediu que o Reintegra fique na casa dos 3%. O porcentual definido no plano pode variar de 0,5% a 3%. “Considerando o dólar a menos de R$ 1,60, devolver 3% não resolve, mas ajuda. Mas menos de 3% ajuda pouco”, avaliou.

Cenário econômico pode comprometer desempenho da indústria

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Segundo o diretor-titular adjunto de Economia da Fiesp/Ciesp, Walter Sacca, as previsões do mercado para a taxa de câmbio e a taxa básica de juros (Selic) até o final de 2011 não animam, e podem comprometer o desempenho da indústria de transformação.

A opinião predominante é a de que o câmbio não deverá passar por uma mudança significativa, e a cotação do dólar pode até cair do atual R$ 1,67 para R$ 1,62. A possível elevação da Selic para 12,5% ao ano também aumenta o custo do dinheiro e restringe o crédito.

A Fiesp, com isso, revisou a projeção para o Indicador de Nível de Atividade (INA), que era de 4% a 4,5% no ano. Agora, a previsão é de 3,5% com viés de baixa. Ainda assim, para sustentar essa taxa, a indústria paulista precisaria crescer 0,5% nos 11 meses seguintes, o que, segundo Walter Sacca, significa tarefa difícil.

“Isso só aconteceu em épocas muito favoráveis da economia, como em 2006. Mas naquela época não existiam no horizonte as mesmas nuvens negras que hoje vemos no panorama da indústria”, comparou.

Caso se confirme a previsão da Fiesp para o INA, a indústria de transformação paulista deverá encerrar o ano com crescimento abaixo do esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, cuja projeção está em torno de 4% a 4,5%. “O receio é de que nesse ano acabemos tendo saudade do ano passado”, frisou Sacca.

Indústria busca prazo maior para pagar imposto

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp produziu estudo que mostra a necessidade de capital de giro para recolhimento de tributos e o seu custo financeiro para a indústria de transformação.

A análise profunda mostra, por exemplo, que o descompasso de 49 dias entre os prazos para recolhimento de tributos (federais e estaduais) e para recebimento das vendas ao longo da cadeia produtiva da indústria de transformação gerou custo financeiro estimado em R$ 9,52 bilhões ao setor em 2007, equivalente a 0,36% do PIB brasileiro.

O material, que está disponível aqui, também serviu de base para a reportagem abaixo, publicada no dia 7 de fevereiro, jornal Valor Econômico.

Indústria de transformação convive com pesada carga tributária

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A carga tributária do País é similar à da Alemanha, mas incompatível com a renda per capita do brasileiro, fato que afeta a competitividade como um todo. O alerta foi feito nesta terça-feira (7) por José Ricardo Roriz, diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, ao abrir o segundo painel de debates do Seminário de Tributação, Desenvolvimento Econômico e Cidadania. Educação Fiscal no Contexto Social, sediado na Fiesp.

Roriz apontou alguns entraves da carga: distorções do sistema tributário nacional, burocracia e forte tributação para o setor industrial. Os tributos sobre bens e serviços, somados aos que incidem sobre mão de obra, têm peso de 70% sobre a carga tributária (dados relativos a 2007), penalizando a produção, o consumo e consequentemente o emprego, informou o diretor do Decomtec.

Segundo pesquisa realizada pelo Decomtec sobre a “A Carga Tributária no Brasil”, 65% dos empresários entrevistados citam que a maior barreira ao crescimento é a tributação, seguido da alta dos juros e do crédito (14%).

“Fatores como esses contribuem para o encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) industrial quando o grande atrativo do país é o seu crescimento”, disse. Além do mais, a cada 26 minutos a Receita Federal cria uma nova regra (Fonte: Brasil Econômico, 2010) e o Brasil convive com 85 tributações diferentes.

Os resultados apontaram que a carga tributária na indústria de transformação é a mais alta entre os doze setores de atividade econômica no Brasil. Entre 2005 e 2009, a carga tributária média da indústria de transformação foi de 59,8% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Essa relação é 2,24 vezes mais elevada que a carga tributária média dos setores, da ordem de 26,7%.

Saídas

Entre as soluções indicadas por Roriz, a unificação de tributos, a harmonização das legislações tributárias do Estado e a desoneração da folha de pagamento e de máquinas e equipamentos. Também foi cobrada a isonomia, no combate à guerra fiscal, e transparência de ações.

Ainda de acordo com a pesquisa, uma parcela significativa da população desconhece o quanto paga de impostos e não cobra seus direitos efetivos como cidadão.

Décio Rui Pielarissi, co-fundador do Observatório Social de Maringá (PR), criticou o que nomeou “analfabetismo fiscal”. Para ele, o controle social tem relação estreita com os gastos públicos. O cidadão deve ser auxiliar no controle dos gastos públicos.

Também participaram das discussões o auditor Marcus Yassuyuki Del Mastro e Isaias Coelho, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Cosec avalia participação da indústria de transformação no PIB

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Pautada nas pesquisas e estudos realizados pelos Departamentos de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) e de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, a reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) debateu na segunda-feira (13) fatores que afetam a competitividade da indústria brasileira.

A indústria de transformação, por exemplo, vem sofrendo perda de espaço e redução precoce de participação no Produto Interno Bruto (PIB). Em 1985, quando atingiu o nível mais alto da história, chegou a representar 27,5% do PIB. Hoje, encontra-se no patamar de 14,5%, indicando baixo desempenho se comparado aos índices de países que se encontram em estágios similares.

Na avaliação de Paulo Francini, diretor do Depecon, a evolução vivida até então pelo Brasil foi interrompida antes que se completasse um ciclo virtuoso e a indústria “carregasse” a economia. “A curva ascendente geralmente começa a declinar diante de uma renda per capita de US$ 12 a 13 mil. No cenário brasileiro, o movimento de redução se dá bem antes”, explicou Francini.

O diretor também assinalou que em outros países industrializados, como Reino Unido e Estados Unidos, a participação da indústria no PIB é da ordem de 14%, em 2007. Já no Mercado Comum Europeu, somando a Alemanha, o índice alcança 23%, na Coréia, 29%, na China, expressivos 39%.

No mesmo contexto, José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, apontou alguns fatores agressivos que atrapalharam o crescimento da indústria: carga tributária, custo de capital e taxa de câmbio. Elevada em relação à renda média da população, em 2008, os tributos deveriam girar em torno de 28% do PIB ao invés dos 34,9%.

Além de não condizer com a renda per capita dos brasileiros, os impostos não geraram reflexos positivos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Entre 1994 e 2007, o IDH cresceu 10,7% e a carga tributária, 24,4%.

Segundo explicou Roriz, a indústria de transformação paga 2,24% a mais do que a média dos outros setores. De 2005 a 2009, contribuiu com 37,4% do total de tributos arrecadados entre os 12 setores de atividade da economia. A incidência sobre as exportações é outro fator que pesa negativamente para a competitividade brasileira

Os impostos embutidos nas compras de insumos das empresas representam 22,9%:

  • 5,8% não-recuperáveis: INSS, IPTU, IOF, taxas municipais etc.;
  • 17,1% que podem ser compensados no caso das exportações (ICMS, IPI, PIS, COFINS).