“Brasil está redescobrindo o valor da cana”, afirma o vice-presidente da Cogen

Agência Indusnet Fiesp

O crescimento de 200% da biomassa na geração de energia no Estado de São Paulo está ampliando o valor da cana.

A constatação foi apresentada nesta quarta-feira (12), durante o seminário Redução do Consumo Energético e Utilização de Energias Renováveis: Situação Atual e Perspectivas.

O evento foi realizado pelo Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado de São Paulo (Sindratar-SP), com apoio do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp.

De acordo com Carlos Silvestrin, o Brasil está “sujando” sua matriz energética por falta de planejamento. Atualmente, ela é composta por 3.485 MWe hídrica, 10.228 MWe térmica e 1.250 MWe bioeletricidade.

Segundo Silvestrin, o leilão das novas usinas termelétricas baixou de 79% para 71% o uso de energia hidrelétrica. “Por outro lado, tivemos um aumento de 340% de uso do óleo combustível. Precisamos de fontes complementares de energia, e não de fontes alternativas. E estas virão da agroenergia”, enfatizou.

Ele informou que no ano passado a produção de cana registrou 562 milhões de toneladas, e para 2020, é possível projetar 1.038 milhões de toneladas. “Com este valor poderemos produzir a mesma que quantidade da energia gerada hoje em Itaipu”, comparou.

Entretanto, para isso seriam necessários investimentos da ordem de 40 bilhões de dólares. “A indústria nacional tem condições de atender a esta demanda e o Brasil tem uma área de 25 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas”, complementou o executivo.


Reflexão

Na abertura do seminário, o presidente do Sindratar-SP e diretor do DMA, José Medela, lembrou que o evento é destinado a pensar o meio ambiente e o futuro. “Temos nos pautado com a preocupação em todos os setores da economia e estamos comprometidos com o futuro do País e da humanidade”, refletiu.

O diretor do DMA, Marco Antonio Barbieri, acrescentou que a Fiesp tem provocado questionamentos em busca de soluções de sustentabilidade. “As questões ambientais são sempre complexas, pois envolvem a sociedade de maneira sensível”, pontuou.

O seminário contou também com a participação dos seguintes profissionais: Ennio Peres da Silva, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp; Marcelo de Andrade Romero, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; Lauro Fiúza Júnior, presidente do grupo Servtec; Alessandro da Silva, coordenador da Bitzer do Brasil; Ricardo Suppion, da Tour & Andersson; e Celso Simões Alexandre, da Trox do Brasil.