TV Globo: Fiesp aponta que produto brasileiro é um terço mais caro do que os importados

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Reportagem do Bom Dia Brasil mostra percentual de diferença entre produtos brasileiros e estrangeiros.

A edição de hoje do noticiário “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre os resultados apontados pelo estudo “Custo Brasil e a Taxa de Câmbio na Competitividade da Indústria de Transformação Brasileira”, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Um estudo feito pela Fiesp mostra que o produto industrializado no Brasil custa em média 34% mais que um similar importado”, narra a repórter Carla Modena.

“O levantamento lista uma série de fatores que encarecem o produto brasileiro. O primeiro é o dólar baixo, que deixa os importados mais baratos. Depois vêm os impostos. E itens como deficiência de transportes, juros altos e custo dos serviços, que subiram muito com o aumento dos salários”, acrescenta a repórter.

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'Produzir no Brasil ficou muito caro', diz Paulo Skaf na reportagem.

Além de outros dois entrevistados, um industrial e um economista, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é ouvido. “[O] Brasil passou a perder a sua competitividade. O custo no Brasil subiu muito. Produzir no Brasil ficou muito caro”, afirma Skaf.

Carla Modena informa que no ano de 2012, segundo estudo da Fiesp, a produção recuou enquanto o varejo cresceu 8,4%. “A indústria local não se beneficiou do aumento do consumo brasileiro. Quem lucrou foi a indústria estrangeira”, explica.

Decomtec

O estudo foi desenvolvido pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

‘Governo precisa fazer muito mais – e mais rápido’, diz Skaf ao programa Jogo de Poder

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, em entrevista ao programa Jogo de Poder SP, da Rede CNT

A velocidade do governo federal não é a mesma de que o Brasil precisa, de acordo com o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, ao participar do programa Jogo de Poder São Paulo, exibido na noite de domingo (24/02) na Rede CNT.

“O governo está no caminho de tentar fazer. Precisa fazer muito mais – e mais rápido. Caso contrário, põe em risco a indústria da transformação, que é o maior patrimônio [do Brasil]”, assinalou Skaf no quarto bloco do programa, destacando que o setor emprega mais de 10 milhões de pessoas, paga os melhores salários e desenvolve as regiões.

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Skaf reconheceu que o governo adotou medidas positivas, citando a desoneração da folha de pagamento de alguns setores, a queda na taxa básica de juros e a redução nas tarifas de energia. Mas ressaltou que o Brasil ainda sofre com a falta de competitividade.

“Nós ainda não temos isonomia. Nosso custo é muito mais alto que nos outros países que tem o melhor. O brasileiro é criativo, eficiente, talentoso. Temos que ter as mesmas condições para realmente gerar as riquezas aqui e não ficar importando. Nos últimos 10 anos, enquanto a indústria cresceu 19%, o comércio cresceu 102% – essa diferença foi de produtos importados”, explicou.

Juros

De acordo com Paulo Skaf, o Brasil não pode ser um país que vive exclusivamente de commodities. “É interessante (…) que você tenha as matérias-primas e (…) transforme dentro do Brasil, empregando intensivamente, dando bom emprego para o povo brasileiro, desenvolvendo o Brasil e criando condições para o desenvolvimento da economia.”

O presidente da Fiesp e Ciesp disse que ainda há muitos desafios. “Os juros baixaram. O suficiente? Ainda não. Os juros reais, acima da inflação, ainda são muito elevados. Espero que não venha essa história de subir os juros de novo. Isso é ruim para o Brasil”, alertou.

“A energia vai baixar, mas não significa que não possa continuar baixando. O gás no Brasil é muito caro. O custo de logística é caro, por deficiência nas estradas, portos, aeroportos, ferrovias. Precisamos investir na infraestrutura. A carga tributária no Brasil é muito alta”, completou.