Brasil tem condição de crescer 3,5%, em média, nos próximos 10 anos, avalia economista-chefe do Bradesco

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ainda que o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 e de 2014 deva ficar entre 2% e 2,5%, em mais um sinal de que a economia brasileira vem apresentando evolução abaixo do seu potencial, o país tem condições de sustentar um crescimento médio anual de 3% a 3,5% num horizonte de 10 anos, de acordo com o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

“É uma projeção conceitual. Não é para ser levada a ferro e fogo. É isso que eu acredito que as empresas estejam usando no planejamento para médio e longo prazo. Nenhuma empresa séria desse país olha o PIB de determinado ano e projeta o futuro. Só um analista muito ingênuo para achar que empresas projetam a partir do que acontece num determinado ano”, alertou Barros nesta segunda-feira (12/08) ao participar da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do qual é membro.

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Economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros: estimativa de crescimento da indústria brasileira para 2014 deve continuar em torno de 2,7%. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A projeção do Bradesco para o crescimento do PIB em 2013 é de 2,3%. Para 2014, o percentual sobe para 2,5%. Segundo Barros, a previsão do banco para o crescimento da indústria este ano foi “ligeiramente” revisada para cima, uma vez que os níveis de estoque do setor estão próximos do ideal, embora não haja crescimento expressivo da atividade.

“Tínhamos 2,5%; agora, estamos com 2,6%. E para o ano que vem a gente acha que o crescimento da indústria brasileira deve continuar em torno de 2,7%, desde que mantenhamos esse nível atual de estoques que estamos observando”, afirmou.

Desde o segundo semestre de 2012, a ociosidade da indústria vem diminuindo gradualmente, explicou o economista.  “A demanda vem melhorando. Fomos consumindo estoques e não crescemos nada industrialmente”.

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Octavio de Barros: país não soube lidar com salto de demanda interna. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Vítima do próprio sucesso

Na visão de Barros, 70% da desaceleração econômica brasileira dialoga com a retração da economia global. Os outros 30% “são problemas só nossos”.

De acordo com o economista, o Brasil foi “vítima do seu próprio sucesso”. O país não estava preparado para lidar com a inclusão de 50 milhões de pessoas nas classes A, B e C nos últimos 10 anos e o aumento significativo do padrão salarial.

“Isso é sucesso, ninguém vai discordar”, disse Barros. “Mas não basta ter demanda. Tem que ter marco regulatório, previsibilidade, uma série de ingredientes que são determinantes no processo decisório de infraestrutura. O Brasil não avançou e talvez tenha sido o pecado mortal maior”, explicou.

Segundo ele, desde 2001 foram abertas quase 100 milhões de contas bancárias inéditas, enquanto a frota de automóveis e comerciais leves aumentou em 23 milhões de unidades de 2003 a 2013. Mas o país não soube lidar com esse salto de demanda.

“O aumento do consumo foi ótimo, deu popularidade a governos de plantão, mas insuperáveis custos por falta de competitividade, com gargalos de infraestrutura em grande medida devido a essa imensa inclusão social”, afirmou Barros. “Isso tornou nossa indústria com ainda maiores dificuldades de competição”, acrescentou.

Se fraco dinamismo continuar, participação industrial no PIB pode chegar a 9,3% em 2029

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto (PIB) caiu pela metade em menos de 30 anos e pode diminuir ainda mais, chegando a 9,3% em 2029, se a competitividade da indústria doméstica continuar baixa, avaliou nesta segunda-feira (26/11) o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Roriz.

Um ranking elaborado pelo Departamento de Competitividade da Fiesp aponta que a participação industrial no PIB caiu de 27,2% em 1985 para 13,6% em 2012.

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Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

“Se não for feito nada, a participação no PIB vai chegar a isso [9,3%]”, acrescentou Roriz ao divulgar um ranking com o nível de competitividade de 43 países, elaborado pelo Departamento de Competitividade (Decomtec) da entidade.

Segundo ele, medidas do governo, como a redução dos juros para níveis históricos e a aplicação de incentivos fiscais a exemplo da diminuição do IPI para diversos setores, são ações “corajosas” e importantes para retomar a competitividade da indústria brasileira.

O diretor-titular do Decomtec/Fiesp considera, no entanto, que o câmbio e a alta carga tributária para a indústria são fatores que ainda travam a competitividade.

De acordo com cálculos da Fiesp, 33,9% da carga tributária são gerados na indústria de transformação.

“A direção [das medidas] está certa. Agora, eu acredito que o câmbio está numa posição ainda muito elevada”, afirmou Roriz. “O governo tem de atrair investimento, e a melhor maneira de atrair investimento é melhorar juros e carga tributária”, concluiu.

O Índice de Competitividade Fiesp 2012 calcula que, para alcançar um crescimento econômico consistente, o investimento precisa chegar a 25% do PIB em 2025.

Em 2011, o investimento do Brasil era de 19,28% do PIB, ante taxas de 45,63% na China, 32% na Indonésia, 29,52% na Índia e 27,44% na Coreia do Sul, apurou o ranking mundial da Fiesp. No mesmo ano, os Estados Unidos investiram 15,59% do seu PIB, enquanto a Alemanha investiu 18,16%.

Clique aqui e veja ranking na íntegra.

Excesso de tributos prejudica desenvolvimento da indústria de telecomunicações, apontam especialistas

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Telecom - Sérgio Quiroga. Foto: Everton Amaro

Sérgio Quiroga, presidente da Ericsson para a América Latina

Custo Brasil e falta de incentivos para capacitação da mão de obra especializada no setor de telecomunicações foram alguns dos temas abordados durante o painel “Competitividade da indústria brasileira no setor de telecomunicações: desoneração tributária, incentivos à produção nacional, no VI Seminário de Telecomunicações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizado nesta terça-feira (25/09), na sede da entidade.

O presidente da Ericsson para a América Latina, Sérgio Quiroga, destacou que as despesas com logística correspondem a 15% dos custos das importações. Em sua avaliação, isso representa um nicho de mercado para a indústria brasileira. Mas que, para ser aproveitado, depende de política governamental de estímulo à produção industrial, além de projetos de capacitação de mão de obra. “A falta de competitividade da indústria não pode ser confundida com a falta de competência dos profissionais brasileiros”, enfatizou Quiroga.

O representante da Nokia Siemens Networks para América Latina, Aluízio Bretas Byrro mostrou-se pouco otimista quanto à discussão da carga tributária brasileira que, a seu ver, é um problema muito mais político do que econômico.

Tecom - Raul Antonio Del Fiol. Foto: Everton Amaro

Raul Antônio Del Fiol, do Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia

“Com a redução da carga tributária, registraremos um aumento no número de empregos, mas, para isso, vamos precisar de governantes lúcidos e corajosos”, afirmou.

Raul Antônio Del Fiol, do Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia (Gente), considera o setor de telecomunicações estratégico para a construção da sociedade do conhecimento: “Não há uma sensibilidade do governo para importância do setor de telecomunicações. Com isso, a carga tributária continua sendo um grande opressor para os clientes e também para nós [empresários]”, pontuou o executivo.

Incentivos

Telecom - Laerte Cleto. Foto: Everton Amaro

Laerte Cleto, do Ministério das Comunicações

O gerente de Projetos do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, Laerte Cleto, apresentou ações desenvolvidas pelo governo para estimular o crescimento do setor de telecomunicações. Entre elas, o Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), que oferece linhas de créditos, subsidiadas pelo governo federal, a juros que não chegam a 4% ao ano, voltado a empresa e instituições de ensino que desenvolvam projetos inovadores na área de tecnologia e telecomunicações.

“O Funttel sempre tem privilegiado projetos e instituições de pesquisas que trabalhem em parceria com empresas no sentido de facilitar a transferência tecnologia para indústria”, finalizou.

Importância do design é tema de debate na Bienal do Livro

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Na foto, da esquerda para a direita, professor Eddy, Lincoln Seragini, Silvia Grilli, Luis Emiliano Avendaño, Fausto Longo e Sheila Brabo.

Momentos antes do lançamento de dois volumes do livro Aspectos do design em seu estande na Bienal do Livro, a Senai-SP Editora promoveu na noite desta quarta-feira (15/08), a mesa-redonda “A importância do design”, que tratou da relação entre os designers e o empresariado e de conceitos de inovação e criatividade.

A discussão, moderada pela gerente de design do Senai-SP, Sheila Brabo, contou com a presença de professor Luis Emiliano Costa Avendaño; a designer Silvia Grilli; o gerente do Depar da Fiesp, Fausto Guilherme Longo; o consultor Lincoln Seragini; e o professor  Auresnede Pires Stephan, o professor Eddy.

Papel de transformador

Lincoln Seragini, presidente da agência Seragini/Farne Desgin de Ideias, ressaltou que o design tem papel importante na sociedade por ser capaz de transformar conceitos e até pessoas, como o design thinking, por exemplo, que é a inovação do pensamento. “O design é capaz de resolver os problemas da humanidade.”

Na visão de Seragini, as empresas precisam aprender duas coisas: a criar marcas e o design criativo, pois “o mais importante para elas é ter identidade”.

O consultor disse que a economia criativa – aquela em que a riqueza provém do talento individual – é um nicho que tem muito a ser explorado no Brasil. “A economia criativa representa 10% do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro, mas pode chegar a 30%. O grande problema é que o Brasil é desorganizado e indisciplinado. Precisa modernizar a visão”, afirmou.

Segundo Silvia Grilli, designer titular do Stedesign Projetos, o empresariado contrata um designer com o intuito de vender mais, mas a maioria desconhece o que esse profissional realmente faz. “De todas as dificuldades da nossa profissão, o fato de o empresariado não entendê-la é a maior delas”, ressaltou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545077458Para Grilli, é importante que haja um trabalho para ensinar a importância do desenho industrial. “Faz parte do trabalho do Senai, não só formar o profissional, mas também educar o empresariado para saber como brifar o produto desejado.”

A designer alertou que não basta limitar-se a copiar e fazer o que os outros já fazem. “A contribuição do Senai, ao lançar esses livros e colocar esse assunto em pauta, é essencial para atingir o empresariado, público mais interessado no assunto.”

O gerente do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Fausto Guilherme Longo, disse que o designer deve se adequar às necessidades da indústria, pois o empresário não pode mudar o processo de produção para favorecer a criatividade do designer. “Ele [o empresário] quer algo que atenda às expectativas da sua indústria”, explicou, lembrando a falta de competitividade da indústria brasileira.

Segundo Longo, formam-se no Brasil, a cada ano, 31 mil designers em todas as categorias. Mas 84% das indústrias brasileiras são de pequeno porte com menos de sete funcionários, o que não dá espaço para contratação de especialistas em desenho industrial.

“É preciso criar alternativas para o mercado de trabalho em diversos modelos de atuação, como consultoria de estilo, direção artística etc.”, explicou, aproveitando para elogiar os lançamentos da Senai-SP Editora. “Essas publicações são fantásticas e preenchem uma lacuna de publicações na área.”

Luis Emiliano Avendaño, professor nas Belas Artes, Oswaldo Cruz e Faculdade Bandeirantes, disse que os cursos de design no Brasil são carentes em matérias como sociologia, filosofia e poesia. “A capacidade de observar para gerar inovação tem a ver com talento, alma e, principalmente, paixão”, explicou.

Auresnede Pires Stephan, o professor Eddy, que leciona design na Faap, ESPM, IED e Faculdade Santa Marcelina, também participou do debate.

Os livros Aspectos do design I e Aspectos do design II, ambos da Senai-SP Editora, trazem uma coletânea de artigos de diversos autores, incluindo os debatedores.

É primordial dar urgência à política industrial para retomar crescimento, diz diretor da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec da Fiesp, fala aos conselheiros durante reunião do Cosec


A medida crucial para retomada do desenvolvimento da indústria a brasileira é dar sentido de urgência às políticas para o setor e pressionar para que elas sejam mais efetivas, afirmou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, na segunda-feira (13/08), durante a reunião mensal do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.

Roriz Coelho falou aos conselheiros da federação sobre a competitividade brasileira da indústria brasileira e as oportunidades que o setor produtivo do país pode aproveitar para retomar o fôlego.

“Com o bom desenvolvimento demográfico e o aumento da população de classe média aumentando, você tem muita oportunidade aqui no Brasil, principalmente a partir de uma renda de US$ 8 mil per capta até US$ 20 mil por ano”, apontou o diretor. “É exatamente nessa faixa de renda que a população quer comprar carro, moto, geladeira, bens duráveis, não duráveis, bugigangas eletrônicas, não eletrônicas.” Ele projetou que 57% da população brasileira terá elevada propensão ao consumo de bens industriais em 2014.

Na avaliação de Roriz Coelho, não só o consumo será capaz de resgatar a indústria, mas uma política econômica menos moderada com relação à indústria, cujo principal objetivo são as metas anuais de crescimento da produção física, da taxa de investimento e do nível de emprego na indústria de transformação.

“Tem de ser urgente. No contexto atual, não há justificativa para gradualismos”, enfatizou o diretor da Fiesp.

Crise pode ser superada com mais facilidade que em 2008, diz Mantega em entrevista

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Guido Mantega, ministro da Fazenda e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante entrevista coletiva

Em entrevista coletiva logo após o “Seminário Econômico Fiesp e Lide – Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, na Fiesp, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo federal vem tomando medidas para tornar a economia brasileira mais competitiva.

“Mudamos o mix da política fiscal, monetária e cambial, e isso tem um impacto muito grande na produção da indústria e em todos os setores da economia brasileira. A redução dos juros e do custo financeiro é fundamental, e este é um dos maiores ônus que o Brasil tem”, destacou Mantega, que declarou estar aberto à inclusão de novos setores na desoneração da folha de pagamentos para impulsionar a competitividade na indústria brasileira.

De acordo com o ministro da Fazenda, a crise atual se aproxima da ocorrida em 2008 na extensão das consequências sobre todos os países. “A redução da economia mundial e dos mercados atinge principalmente a indústria mundial. Não podemos menosprezar essa crise. Desde o ano passado vimos dizendo que esta crise é grave, e mostramos que nós temos condições de superá-la, aqui no Brasil, com mais condições do que em 2008.”

Ousadia de todos

Na avaliação de Guido Mantega, embora as empresas estejam em melhor situação e o governo tenha mais reservas do que em 2008, é preciso ousadia de todos os agentes para superar o atual cenário. “O governo tem que ser o mais ousado para tomar medidas na área tributária e nos custos de infraestrutura. E o setor privado tem que acreditar que vamos reverter este quadro; assim o Brasil pode crescer 4%, 5% perfeitamente nos próximos anos”, ressaltou, acrescentando que empresariado, setor financeiro e governo devem manter uma colaboração conjunta.

O ministro prevê para o segundo semestre um crescimento 3,5% a 4%, fator que ele reconhece depender muito da atitude dos três atores. “O governo federal está tomando todas as medidas necessárias para que isso aconteça, até com medidas adicionais, de longo, médio e curto prazo”, sublinhou o ministro, e emendou que é preciso ação do setor empresarial, com aumento de investimentos.

“Temos um mercado, o emprego continua crescendo no país. É preciso que haja mais crédito com spread caindo e que o setor empresarial crie coragem de fazer investimentos antes mesmo de as condições serem dadas, quem sai na frente tem vantagem depois”, analisou.

Dilma determina medidas urgentes para apoiar a indústria brasileira

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, se reuniu nesta quinta-feira (22), em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff e um grupo de líderes dos maiores grupos empresariais do país. A reunião ocorreu no Palácio do Planalto e contou com também com as presenças dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

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Presidente Dilma Rousseff recebe o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, e líderes empresariais de todo o país no Palácio do Planalto



“A presidente saiu sensibilizada com a situação da indústria de transformação. Ela entendeu que o setor industrial precisa de uma atenção especial neste momento, por questões conjunturais que roubam a competitividade brasileira, como câmbio, juros altos, custo de energia, entre outros”, declarou Skaf ao fim da reunião.

Skaf informou que a presidente determinou aos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) que tomem medidas de curto prazo para compensar a perda de competitividade do país. As medidas serão anunciadas na volta da viagem que a presidente fará para a Índia, na próxima semana.

Observatório europeu busca apoio da indústria brasileira para telescópio no Chile

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A principal organização intergovernamental da Europa para pesquisas em astronomia está de volta ao Brasil em busca de investimentos e negócios que viabilizem seus projetos de telescópio no Chile.

O Observatório Europeu Sul (ESO na sigla em inglês) participa de uma série de reuniões na sede da Fiesp, nesta terça-feira (23), com o objetivo de apresentar seu ambicioso projeto de telescópio de enorme dimensão, o European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Em maio deste ano, a delegação da ESO, acompanhada por empresários chilenos, esteve na Fiesp com o mesmo intuito de discutir a adesão brasileira ao projeto.

“Eu diria que o grande negócio para o ESO é construir o maior olho no céu”, disse Alistair McPherson, responsável pelo projeto do E-ELT. Com 42 metros de diâmetro, o telescópio será construído no topo de uma montanha de 3.000 metros no deserto do Chile. As operações devem começar a partir de 2018.

Representantes do ESO apresentaram os planos da organização para executivos de empresas do setor de construção civil, como as construtoras OAS e Queiroz Galvão, e instituições de tecnologia, como a Rede Paulista de Inovação e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. O Grupo Gerdau também participou do encontro.

“Nós temos cientistas para desenharem o projeto, mas é a indústria que entrará com a manufatura”, acrescentou McPherson.

Negócios

Ainda segundo McPherson, o projeto E-ELT oferece oportunidades de negócios para empresas de tecnologia, no desenvolvimento de softwares, hardwares, detectores e dispositivos de segurança para garantir a operação do maior telescópio do mundo.

Já a indústria de infraestrutura pode fechar negócios para a geração de energia ao projeto e revestimento das instalações. Empresas de construção civil ganham espaço na construção de estradas e de estruturas do telescópio como a cúpula.

Adesão ao ESO

Desde 2010 tramita um processo de entrada do Brasil no ESO, organização que hoje conta com 15 países-membros e opera telescópios principalmente na Cordilheira dos Andes, no Chile.

A adesão brasileira tem, no entanto, divido opiniões desde então. De um lado, especialistas temem o País competir em desigualdade com os europeus. Na outra ponta estão os argumentos favoráveis de que a entrada do Brasil na organização seria a melhor maneira de desenvolver a astronomia do País.

Indústria brasileira está em processo de reinvenção, avalia Octavio Barros

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco e membro do Cosec/Fiesp, durante reunião do Conselho

Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco, segundo maior banco privado do Brasil, afirmou que o setor industrial vive um momento difícil e de reinvenção.

O economista, que é membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, apresentou sua análise nesta segunda-feira (13), durante reunião do Cosec, ressaltando que a indústria brasileira enfrenta um período delicado, com investimentos menos sensíveis no curto prazo do que no passado.

Barros, porém, se diz otimista com o os primeiros sinais do “potencial governo reformista” da presidente Dilma Rousseff, citando o recente anúncio da concessão de três aeroportos à iniciativa privada. Para o economista, a gestão atual  está mais focada nos interesses do setor produtivo e é muito diferente da do governo precedente.

Inflação

O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira, apontou que o mercado projeta uma inflação de 6,19% neste ano, contra estimativa anterior de 6,22%. O prognóstico ainda está acima do centro da meta de inflação, a 4,50%.

A principal fonte da pressão inflacionária, na opinião de Octavio Barros, é o ciclo de investimentos em curso. O economista argumenta que qualquer governo vai optar por conter os gastos de outras fontes a refrear investimentos no Brasil, que já alcançou grau de investimento classificado como BBB-. “Você vai falar para um governante reduzir depois de 20 anos sem investimentos? A opção preferencial neste momento é segurar os gastos das famílias.”

China

Durante sua apresentação, Barros avaliou a China como um forte exportador de capitais e pontuou que o país asiático considera o Brasil como fornecedor fixo de commodities. “O Brasil tornou-se confiável para a China, que precisa de segurança alimentar e segurança energética.”