Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

Leia também:

>> Meir Pugatch: Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia

>> Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia