‘As inovações radicais são as que trazem resultados excepcionais e isso às vezes não tem nada a ver com novas tecnologias’, afirma diretor da Fiesp em workshop

Graciliano Toni e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de discutir a inovação, debatendo como abrir caminhos no mercado. Com esse foco, foi realizado, na tarde desta quinta-feira (29/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, o workshop “Casos Reais de Aplicação da Indústria 4.0 no Brasil”. O evento reuniu representantes do mercado, da academia e de entidades de classe. A abertura ficou a cargo do vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Rafael Cervone.

“Estamos trabalhando para aumentar a produtividade das empresas e ampliar a competitividade do país”, disse. “Reconhecemos o caráter disruptivo da quarta revolução industrial”.

Segundo ele, “todos os portes de empresas serão impactados”. “Nesse cenário, o Senai-SP é parceiro estratégico desse movimento de mudança”.

Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira lembrou que a Indústria ainda responde por 30% ou mais dos impostos arrecadados pelo Governo Federal. “Ou a inovação faz parte do desenvolvimento da indústria ou ficaremos de fora da manufatura 4.0”, destacou.

Para o diretor executivo da International Chamber of Commerce (ICC), Gabriel Petrus, “a inovação precisa estar no centro da agenda de inovação do país”.

Inovação horizontal

A primeira palestra do workshop foi feita pelo diretor financeiro e diretor adjunto do Departamento de Economia, Tecnologia e Competitividade (Decomtec) da Fiesp, Antonio Carlos Teixeira Alvares. Ele falou sobre inovação horizontal e indústria 4.0.

“As inovações radicais são as que trazem resultados excepcionais e isso às vezes não tem nada a ver com novas tecnologias”, disse.

Alvares citou alguns exemplos que provam o que ele diz. “A companhia aérea Southwest Airlines tinha um serviço similar ao das outras”, disse. “Até o dia em que começou a vender passagens por US$ 69 o trecho”.

No México, a fabricante de cimento Cemex conseguiu fazer a diferença em um mercado aparentemente sem muitas novidades, como é a indústria de cimento. “Eles inovaram na gestão”, disse. “Criaram uma rede ao estilo GPS que monitorava todo o trânsito da Cidade do México muito antes do o aplicativo waze existir”, contou. “Com isso, sempre garantiu a entrega de uma betoneira de cimento em meia hora em qualquer ponto da capital mexicana, onde o trânsito é tão pesado”.

Para Alvares, a inovação “deve ser de todos, não de responsabilidade de pequenos grupos de cientistas nas empresas”. “A prática deve se infiltrar por toda uma organização: isso é inovação horizontal”.

Competitividade

Gustavo Bonini, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Scania, destacou, no segundo painel do workshop, que, para ser sustentável, um produto precisa ser competitivo. A sustentabilidade começa no chão de fábrica, disse. Foi uma questão de sobrevivência fazer a interconexão de tudo na produção da fábrica, declarou, mencionando a possibilidade de mais de 3 milhões de combinações na fabricação, que só começa depois do pedido fechado.

A Indústria 4.0, afirmou Bonini, traz qualificação e demanda treinamento. Ela substitui o que chamou de novas atividades que poderiam afetar a segurança das pessoas. E, além disso, incentiva a criação de empregos de qualidade.

Entre os exemplos do que é feito na Scania, citou os AGVs, veículos autoguiados, criados na própria fábrica à razão atual de um por mês e responsáveis pelo transporte no setor de produção de chassis, em diferentes rotas. Há, explicou, uma “fábrica dentro da fábrica” para os AGVs. Bonini fez palestra intitulada “Aplicação das tecnologias da Indústria 4.0 e a capacitação da mão de obra”, apresentando o case da Scania, em painel que teve também a participação de Manuel Cardoso, professor da Ufam, Bruno Di Clemente dos Santos, coordenador de Marketing Business da Schneider Electric, e Fernando Pimentel, presidente da Abit.

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Cervone, ao centro: mais produtividade em nome de um país mais competitivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Painel 2: Aplicações reais nos setores de aeronáutica e tecnologia assistiva (laboral)

Bruno Jorge Soares, coordenador da Indústria 4.0 da ABDI, conduziu o painel e ressaltou que os cases apresentados desfilam tecnologias e processos que já podem ser aplicados. Ilustram quanto custa essa tecnologia e quanto ela custa na prática.

João Zerbini, gerente sênior de Tecnologia de Manufatura e Engenharia Digital da Embraer, destacou que a empresa é a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo, em mercado altamente competitivo, o que a obriga a ter muita eficiência.

Altamente complexo, um avião, para ser bem-sucedido, precisa da conjugação de vários aspectos atendidos pela Indústria 4.0. Com mais de 200 computadores, 55 km de fiação e mais de 3.000 sensores, um avião pronto, em operação, usa também conceitos da Indústria 4.0.

No projeto de uma aeronave já há a preocupação com a forma como será feita a automação da produção.

Na empresa a tecnologia é chamada de Manufatura Embraer 4.0, baseada nos pilares engenharia digital, automação de chão de fábrica e inteligência de manufatura.

São feitas simulações intensivas em todas as disciplinas de desenvolvimento, porque não é possível fabricar rapidamente um protótipo de avião. Com o design virtual se acelera muito a maturidade do projeto. Diminui o tempo de chegada ao mercado e se aceleram o atendimento e o gerenciamento dos requisitos. No design generativo, outra característica da indústria aeronáutica, há destaque para a manufatura aditiva, que permite redução de peso, elimina ferramentas, reduz o tempo de desenvolvimento, fabricação e entrega.

A fábrica digital permite simulação de processos, gestão de informações do chão de fábrica e integração disso à engenharia. As informações em tempo real ficam disponíveis para todos os stakeholders envolvidos no processo produtivo. E não se usa mais papel.

Com automação intensiva há flexibilidade nas mudanças, aumento da qualidade e possibilidade de reuso de recursos.

Há algum tempo a Embraer trabalha com realidade aumentada. Também aplica inteligência artificial. Há, explicou, trabalho muito forte no mestrado profissional de engenharia da Embraer com tecnologias de manufatura. Para gestão do conhecimento há uma comunidade de prática de Indústria 4.0 e um programa de mentorias sobre o tema.

Thiago Rotta, diretor de Inovação e Transformação Digital da Microsoft Brasil, explicou o uso de sensores em motores aeronáuticos produzidos pela Rolls-Royce. Graças a eles e à análise dos dados coletados, foi possível reduzir o consumo de combustível em aviões.

Outro caso apresentado por Rotta foi da Thyssen-Krupp, em manutenção preditiva e realidade aumentada. O tempo de manutenção de elevadores foi reduzido à metade. O sistema, disse, está disponível em cerca de 100 elevadores no Brasil.

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Painel 3: Aplicações reais nas pequenas e médias empresas

Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, apresentou o tema e procurou tranquilizar as pequenas empresas, dizendo que há luz no fim do túnel em relação à tecnologia da Indústria 4.0, que já encontra aplicações nas indústrias de menor porte.

Destacou que o capital humano tem enorme importância na quarta revolução industrial, ao lado do comprometimento da direção e da adoção de tecnologia, que deve também ser ferramenta de alavancagem da venda do produto.

Maia citou conclusões interessantes da Sondagem da Indústria 4.0, realizada pela Fiesp. Há predisposição de industriais de pequeno porte de adotar a Indústria 4.0, mesmo que isso não seja feito atualmente.

Maia explicou a metodologia do Senai-SP (Rumo à Indústria 4.0), que, frisou, deve começar pelo lean manufacturing (manufatura enxuta). Apresentou caso de indústria de médio porte, a 3A, em que houve a adoção de sensores, painel digital de controle e etiquetagem, destacando que respeitada a escala, a aplicação é a mesma. “A filosofia é a mesma.” Há controle do produto e de quem produziu, o que é essencial para a rastreabilidade, afirmou. Ponto importante, segundo Maia, é a manutenção preditiva.

Há diversas aplicações da Indústria 4.0 para pequenas e médias empresas, possibilitando melhor gestão da produção, aumento da produtividade e melhoria de aspectos de manutenção industrial. É preciso, alertou, qualificar os funcionários.

Maia destacou que sem a colaboração e a visão dos empresários nada é possível. “Tem que ter energia, coragem.”

Marcos Andrade, CEO da EXPOR Manequins, que há 50 anos produz manequins, explicou que ao iniciar a exportação de seus produtos, a empresa se deu conta do desafio de adotar tecnologia para ser competitiva. A fábrica adota manufatura aditiva e laboratório 3D, por exemplo.

O primeiro passo foi o controle da produção, segundo Andrade. Deu exemplos de adoção de tecnologia vinda da indústria aeronáutica (na tinta para os manequins) e da indústria automobilística (digitalização 3D).

A migração digital permitiu melhora da qualidade, produção de moldes melhores, maior controle e processo mais rápido.

A Expor tem até um aplicativo para que as lojas, graças à realidade aumentada, saibam como ficarão os manequins em suas vitrines. A empresa analisa a maturidade das tecnologias, para que o investimento seja rentável. É muito importante, alertou, decidir quando fazer os investimentos. A Extor faz medições objetivas e subjetivas e também procura envolver toda a equipe e garantir o comprometimento da alta gestão. “Estou envolvido em todo o desenvolvimento”, disse.

Guido Ganassali, diretor de Indústria 4.0 da empresa Cecil S/A  Laminação de Metais, empresa familiar com 57 anos de existência, explicou o que chamou de espiral de desenvolvimento, criada para atingir os objetivos da indústria. A solução para a Cecil foi buscar a tecnologia do Senai, que Ganassali considera muito interessante. O processo, iniciado em 2017, deve ser encerrado em 2022. A produtividade deve aumentar em 30%, afirmou. Nossa fábrica não é moderna, disse. “Vamos fazer isso com uma fábrica rodando.” A maneira de conduzir o processo vai permitir adotar tecnologia como a de sensores. O lean manufacturing é fundamental, destacou.

Os estoques serão reduzidos, o time-to-market cairá 89%, e o ebitda crescerá acima da média nacional. O projeto deve custar R$ 40 milhões, com payback conservadoramente previsto de 33 meses.

Há, lembrou, fontes de financiamento público com juros muito interessantes quando é feita parceria com institutos de ciência e tecnologia (ICTs), como o Senai-SP.

Waldir Bianco, diretor da empresa Engedom Artefatos de Metais, explicou mudanças feitas a partir de 2017, com coisas básicas como organizar caixas de ferramentas. A base foi o programa Brasil Mais Produtivo. Houve ganho de 237,5% na produtividade, com retorno do investimento em 35 dias. Isso, e depois o contato com o Senai-SP, levou à decisão de mirar a Indústria 4.0. Um primeiro desafio encontrado foi o envio de dados coletados.

Deixou como sugestões conscientizar a diretoria e envolver a equipe; fazer uma avaliação interna e “chamar o pessoal do Senai-SP”.

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“Mudanças estruturais são fundamentais para o Brasil sair desta crise”, diz Roriz no Ciesp Sorocaba

Carla Acquaviva, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã de 14 de setembro, o presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, participou da reunião plenária do Ciesp Sorocaba e palestrou sobre o “Cenário econômico recente, perspectivas e macrotendências mundiais”.

Segundo o presidente em exercício das entidades, o país tem hoje dois grandes desafios para voltar a crescer: fazer as reformas da Previdência e tributária e reduzir a taxa de desemprego. “As reformas são sim bastante necessárias, mas não adianta fazer as reformas e continuar com quase 13 milhões de pessoas desempregadas. É importante criar um ambiente de negócios favorável para que o país volte a crescer”, disse.

Roriz ressaltou também que o atual ciclo de recuperação está sendo um dos mais lentos da história da economia brasileira. “Alguns fatores estão contribuindo para que a recuperação seja lenta, tais como: as incertezas políticas acerca das eleições e das reformas, o tímido aumento da oferta de crédito, a pequena redução das taxas de juros, sendo que os spreads continuam altos, e a geração de emprego com baixa remuneração e vínculo informal”, pontuou.

O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp observou que o desempenho econômico do país depende de seu grau de competitividade. “Um estudo realizado entre 43 países que representam 90% do PIB mundial identificou que o Brasil está em primeiro lugar em taxas de juros, spread bancário e volatilidade cambial. Na outra ponta, estamos nas piores posições em taxa de investimento e escolaridade”, resumiu.

Ele alertou para a necessidade de o Brasil fazer mudanças estruturais. “Temos que fazer o dever de casa diminuindo a carga tributária e a burocracia, que afetam a produtividade e a competitividade das empresas nacionais. As ações que tomarmos hoje terão reflexos daqui a alguns anos. Precisamos preparar as pessoas para terem empregabilidade no futuro, tendo em vista que o mundo passa por grandes transformações – que vão do crescimento da renda e das populações à mudanças no modo de produzir, consumir, se locomover e se relacionar”, disse.

Megatendências

Neste contexto, Roriz destacou oito megatendências mundiais que irão moldar a indústria e a sociedade em longo prazo e que se apresentam como oportunidades para as empresas brasileiras crescerem.

“No futuro teremos maior demanda por alimentos, uma vez que a população mundial está crescendo, e a renda em alguns países está aumentando. Também teremos uma maior demanda por energia, o que para nós é uma grande oportunidade, uma vez que o Brasil é uma dos países mais ricos do mundo em potencial energético de fontes renováveis e está entre os dez maiores produtores mundiais de energia eólica”, ressaltou.

Outras áreas que terão grande expansão no futuro são a de entretenimento e o turismo. “O setor de bens e serviços já representa uma parcela importante da economia brasileira, com aproximadamente 1 milhão de ocupações formais. Além disso, o aumento do consumo pode estimular a chamada economia criativa, com destaque para as áreas de cultura, software e games, mídia audiovisual, design, moda, arquitetura e publicidade. A impressora 3D, por exemplo, está mudando significativamente a indústria da moda”, explicou Roriz.

Outra megatendência é a mudança no padrão de produção, que no futuro terá que ter maior eficiência energética, ou seja, será necessário produzir mais com menor consumo de energia e redução da emissão de poluentes, visando o equilíbrio ambiental.

No âmbito urbano, serão necessárias novas formas de transporte, com gestão do trânsito por meio de “big data” (termo usado na área de tecnologia da informação que refere-se a um grande conjunto de dados armazenados), transporte público interconectado, além de veículos elétricos ou híbridos. “Serão investidos mais de US$ 230 bilhões em sistemas de saúde digitalmente interligados com diagnósticos remotos e monitoramento das pessoas; cerca de US$ 240 bilhões em plataformas de educação à distância, além de US$ 8 trilhões em casas modulares ou pré-fabricadas.  Outra demanda será a urbanização em áreas públicas e de lazer”, destaca Roriz, complementando que essas necessidades serão procedentes do surgimento de megacidades que exigirão infraestrutura mais moderna e competitiva para atender o crescimento e envelhecimento da população.

Roriz durante reunião plenária do Ciesp de Sorocaba. Foto: Kika Damasceno

Roriz durante reunião plenária do Ciesp de Sorocaba. Foto: Kika Damasceno

Sorocaba e região

Para o diretor titular do Ciesp Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, independentemente de problemas políticos e da crise que afetou o setor industrial, Sorocaba está mais preparada para aproveitar as oportunidades.

“Hoje a cidade está em uma situação diferente de outras partes do país, primeiro porque temos mão de obra qualificada. Além disso, alguns segmentos, como os setores automotivo e de autopeças, que são fortes aqui, estão mostrando sinais de recuperação. Outro diferencial da região metropolitana de Sorocaba é a produção de equipamentos para um setor que está em franca expansão, que é o de energia eólica”, afirmou Erly.

Segundo ele, o cenário é fruto de um trabalho que já vem sendo realizado há alguns anos pelo Ciesp aliado ao poder público e às universidades. “Mas somente isso não basta, precisamos estar antenados com as tendências do futuro e como as empresas vão se preparar para a indústria 4.0, que é uma nova revolução industrias e para atender as demandas de mercado apresentadas pelo presidente em exercício”, completa o diretor titular do Ciesp Sorocaba.

Para Roriz, Brasil deve estar pronto para enfrentar mudanças

Agência Indusnet Fiesp

Diante da velocidade dos avanços da indústria no mundo todo, o Brasil deve estar pronto para enfrentar mudanças que já atingiram modelos de negócios no exterior, afirmou o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, em encontro promovido pelo Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar no Estado de São Paulo (Sindratar) na manhã desta sexta-feira (15 de junho), em São Paulo.

Para Roriz, o futuro da regulação e tributação desses novos mercados e de novas plataformas de produção está em formação, e o país deve acompanhar essas discussões, que afetarão a competitividade e a concorrência dos setores industriais. “A Fiesp trabalha diariamente para que essas novas tecnologias e que as mudanças esperadas pela indústria 4.0 estejam próximas da indústria brasileira, de olho em produtos de maior valor agregado e alta tecnologia”, disse.

Na ocasião, o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, falou sobre a criação da cultura exportadora brasileira e como os ciclos econômicos locais afetaram a indústria do país.

O presidente do Sindratar, Carlos Trombini, relatou o objetivo do setor de produtos da área de climatização de inverter a lógica de importador para exportador, por meio da criação de uma política industrial adequada. De acordo com ele, o mercado de climatização movimenta US$ 600 milhões por ano, além de empregar 200 mil profissionais em todo o Brasil. “Nossa fatia ainda é pequena para um país tropical onde apenas 7% dos domicílios possuem aparelho de climatização. Ainda temos muito que trabalhar para preencher esse mercado, que é uma grande oportunidade”, defendeu.

Também participaram do evento do Sindratar o diretor da Iurisgal, Blas Rivas, o presidente do conselho de Câmaras de Comércio das Américas, José Francisco Marcondes Neto, diretor executivo da ICC (Câmara de Comércio Internacional), e o gerente do Departamento Jurídico da Fiesp, Jorge Khauaja.

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Roriz durante reunião do Sindratar, realizada no prédio da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp discute aprimoramento da agenda brasileira para a indústria 4.0

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta quinta-feira (24 de maio) seminário para análise da agenda brasileira para a indústria 4.0, o 2º vice-presidente da Fiesp, Ricardo Roriz Coelho, explicou que o objetivo da agenda é chegar à modernização da indústria brasileira, levando ao aumento da inovação, a maior produtividade e a uma indústria mais competitiva.

Roriz destacou a presença constante da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) na Fiesp e a excelente interlocução com o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Rafael Moreira, assessor do MDIC, lembrou que depois do contorno inicial de tecnologia e inovação dado ao tema da indústria 4.0, percebeu-se que se trata de assunto muito mais de economia. Ele defendeu a reforma tributária, que considera essencial para o setor industrial, responsável por mais de 30% dos impostos arrecadados, apesar de seu peso no PIB ser próximo a 12%.

Há uma grande oportunidade, com o tema sendo pensado pela sociedade e estando presente no programa de governo de candidatos a presidente, destacou.

O seminário teve também a participação de Bruno Jorge, coordenador da indústria 4.0 da ABDI.

Ricardo Terra, diretor técnico do Senai-SP, destacou o desenvolvimento de um demonstrador de indústria 4.0 pela instituição. E na educação já foram criadas duas pós-graduações. Além disso, lembrou, na Fiesp se tenta articular um ecossistema de inovação, com o estímulo a startups, caminhando com elas em toda sua trajetória de desenvolvimento.

“Vamos ter a primeira escola móvel de indústria 4.0, para levar o tema a todo o Estado de São Paulo, e estamos trabalhando numa estratégia para desenvolver ferramenta de educação à distância, para desmistificar a indústria 4.0”, revelou. Isso será seguido pelo lançamento de diversos cursos.

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Seminário na Fiesp em que foi apresentada e discutida a agenda brasileira para a indústria 4.0. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Agenda brasileira

“Recebemos do alfinete ao foguete”, disse Rafael Moreira, assessor do MDIC, sobre as contribuições dadas pelas empresas, destacando as excepcionais sugestões da Fiesp.

A visão da agenda, explicou, é focada em deployment, para que a indústria siga uma jornada de modernização, empregando tecnologia na produção e em outros aspectos, como distribuição.

Está sendo muito rápida a adoção de tecnologias da indústria 4.0, afirmou, e um dos desafios para o Brasil é que ainda é preciso em muitos casos chegar à terceira revolução industrial.

O custo de implantação é cada vez mais baixo, ressaltou. Como tirar proveito disso? Como apoiar a indústria existente e ao mesmo tempo criar a indústria do futuro?

A partir dos desafios identificados, chegou-se a um cenário de redução de custos industriais de R$ 73 bilhões por ano em cálculo conservador.

Frisou a importância da Fiesp e do Senai-SP em divulgação, mobilização, consultoria, capacitação, que é extremamente relevante para este novo mundo. “E para a indústria, crédito, crédito, crédito”, defendeu.

A modernização industrial tem impacto grande inclusive no PIB potencial de longo prazo, e por isso o tema foi incluído na agenda. A opção foi por horizontalizar, em vez de eleger setores.

São dez passos para chegar à indústria 4.0, com medidas de curto prazo. Há uma lógica nos passos, que nem todas as indústrias vão seguir, mas a estratégia serve como framework, afirmou.

No final de junho será anunciado o Hub 4.0, para constituir um projeto para a criação de autoridade. A ideia é que seja possível ver casos de uso e saber seu custo. O governo oferece o ecossistema e o setup, mas o setor privado executa, É um marketplace, para equilibrar oferta e demanda.

Em 2018 será aplicado em 600 empresas o programa Brasil mais produtivo 4.0, para implantação de manufatura enxuta.

Usar startups para apoiar as indústrias no processo de modernização é outra ação. Serão cerca de 100 startups para apoiar 50 empresas.

Em relação à educação, requalificação será palavra de ordem, tornando importantíssimo o trabalho do Senai-SP, que em curto e médio prazo precisará formar mão de obra para a indústria 4.0.

E a agenda inclui reformas legais e infralegais, incluindo novas regras para robôs colaborativos, para acelerar sua adoção, Zona Franca de Manaus e Privacidade e proteção de dados.

Em relação a financiamento, há linhas específicas para indústria 4.0, disse. Houve discussões sobre crédito direcionado e crédito livre, além da análise de fintechs, mas nelas a oferta para pessoas jurídicas é baixo.

Foi zerado o imposto de importação de alguns bens importantes, reduzindo o custo de transação.

Desafios

Na avaliação de Roriz, a velocidade para cumprir a agenda será diretamente proporcional às condições dadas às empresas para investir. É preciso criar condições para o investimento.

Carga tributária sobre a indústria torna difícil sua modernização, disse. Outro desafio está nas taxas de juros, que nos financiamentos não acompanharam a queda da Selic.

Relatou o que viu durante recente viagem aos Estados Unidos. Há uma área muito grande de médias e pequenas empresas conectadas às grandes no setor de petróleo e gás. E os equipamentos todos são interligados. No setor de plásticos também se verifica isso, com máquinas interconectadas. Nos dois setores houve aumento de produtividade, de 20% a 25%, e as empresas continuam inovando no dia a dia. Houve avanços bastante representativos na indústria dos EUA, que hoje está bastante competitiva. O país reduziu de 35% para 23% a tributação das empresas, e a depreciação caiu para um ano.

E há concorrência entre as empresas, além de ter havido aumento do preço do petróleo.

Roriz resumiu pesquisa feita pela Fiesp, ouvindo 227 empresas de diversos setores e portes. Destacou três pontos: os resultados da pesquisa feita para conhecer o estágio da indústria; a comparação das ações de Fiesp, Ciesp e Senai-SP com as de outras entidades; em que medida a Agenda Brasileira da Indústria 4.0 atende à demanda pesquisada.

A pesquisa mostra que 41% das empresas já utilizam ou utilizaram lean manufacturing, passo básico de modernização que, destacou Roriz, em alguns casos pode ser feita sem investimento. Elogiou programa coordenado pelo MDIC que já atendeu 2.977 empresas, com aumento médio de produtividade de 52% no Brasil e de 77% em São Paulo, graças ao Senai-SP. Roriz defendeu ampliação do número de empresas atendidas.

Das empresas entrevistadas, 32% disseram que não tinham ouvido falar de indústria 4.0, e entre as que ouviram há equilíbrio entre as empresas pouco otimistas e muito otimistas em relação a sua implementação em seu setor.

Roriz listou ações da Fiesp para informar as empresas sobre o tema, como o Congresso da Indústria 4.0, criação de hotsite, lançamento de cadernos explicativos, palestras, criação de cursos de pós-graduação no Senai São Caetano.

A Fiesp sugere considerar na capacitação as áreas de desconhecimento reveladas na pesquisa. Também propõe reduzir a complexidade do formulário de auto-avaliação do grau de maturidade da adoção da indústria 4.0.

Em relação ao Hub 4.0 a sugestão é formar consultores para dar escala ao atendimento de empresas por meio de parcerias com Senai-SP, escolas técnicas e universidades.

O levantamento apurou obstáculos à implantação da indústria 4.0, como a falta de recursos (32% das entrevistadas), estratégia (29%), gestão (17%), tecnologia e mão de obra (11% cada).

Em relação aos recursos, não está claro para as empresas qual é o custo-benefício (29%).

Pequenas empresas não veem claramente como será a adaptação à indústria 4.0.

Em tecnologia, há desafios como a integração de dados de diferentes fontes, a complexidade das tecnologias e a infraestrutura deficitária da internet.

Boa notícia trazida pela pesquisa é a expectativa de benefícios, com destaque para a produção (55%).

As empresas esperam do profissional do futuro conhecimento sobre automação (63%) e cibersegurança (61%).

A Fiesp, disse Roriz, considera que em relação à governança se deve buscar a convergência entre as políticas ministeriais que estão no âmbito da indústria 4.0 e que seja feita a articulação com os Estados e suas respectivas agências para que as iniciativas sejam homogêneas no país. E a Fiesp compartilha suas ações com todos os interessados, destacou.

Fiesp identifica desafios da Indústria 4.0 no Brasil e apresenta propostas

Agência Indusnet Fiesp

Atenta à importância da Quarta Revolução Industrial na realidade das empresas brasileiras, a Fiesp realizou uma pesquisa identificando o grau de conhecimento a respeito do conceito de Indústria 4.0 e os desafios a serem enfrentado para sua adoção, o que serviu de subsídio para uma série de propostas apresentadas.

Como a discussão sobre a Industria 4.0 é recente no Brasil, uma das preocupações da pesquisa foi identificar o nível de conhecimento das empresas. Assim, uma das primeiras perguntas era se a empresa já cumpria um pré-requisito importante para a Indústria 4.0, que é utilizar o lean manufacturing, ou sistema de produção enxuta.

Segundo a pesquisa, realizada pela Fiesp em parceria com o Senai-SP, somente 41% das indústrias utilizam o lean manufacturing, ou sistema de produção enxuta. E 32% dos entrevistados não tinham ouvido falar em quarta revolução industrial, Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada, nomes diferentes para a mesma mudança na forma de produzir, com base em tecnologia e dispositivos autônomos que se comunicam entre si ao longo da cadeia de valor. Assim, a disseminação de conhecimento sobre Industria 4.0 mostrou-se um ponto importante.

Participaram da pesquisa 227 empresas, sendo 55% pequenas, 30% médias e 15% grandes.

Para as 68%, ou 154 empresas, que já ouviram falar em Industria 4.0, os principais resultados da pesquisa foram:

  • 90% concordam que a Indústria 4.0 “aumentará a produtividade” e que “é uma oportunidade ao invés de um risco”
  • 67% esperam sentir um impacto mediano com a implementação da Indústria 4.0;
  • 30% estão “muito otimistas” quanto à implementação da Indústria 4.0 na própria empresa, e apenas 17% estão “muito otimistas” quanto a essa implementação no setor de atuação da empresa.
  • 5% se sentem “muito preparadas” para enfrentar os desafios da Indústria 4.0, enquanto 23% se sentem “nem um pouco preparadas”.
  • As áreas com maior potencial para se beneficiar da Indústria 4.0 são: produção (55%), controle da produção (50%), rastreabilidade (38%), controle de qualidade (32%), planejamento (31%), e engenharia de desenvolvimento de novos produtos (31%). As grandes destacaram manutenção (34%) e suporte a clientes (31%).

O próximo passo foi conhecer quais são os desafios para a Indústria 4.0, tendo como resultado que Recursos (relação custo benefício; investimento necessário) e Estratégia (ser empresa pequena e não saber como se adaptará à Ind. 4.0; espera pela movimentação do mercado) foram apontados como principais desafios. Outros desafios também foram apresentados, como Gestão, Tecnologia e Mão de Obra.

A pesquisa também buscou identificar empresas que já estavam concretizando, ou planejando, ações para a Indústria 4.0. Nesse sentido, 30% já deram início a esse processo, e 25% estão planejando. Para 52%, o progresso dessas iniciativas tem sido “limitado” e para 35% “substancial”.  As tecnologias-alvo apontadas pelas empresas foram análise de big data (21%), monitoramento e controle remoto da produção (15%), digitalização (12%) e robótica (11%). Quanto ao investimento, em 2017, 38% desse grupo de empresas investiu até 0,5% do faturamento. Para 2018, espera-se que 28% delas se mantenham nesta faixa (até 0,5%) e outras 19% invistam na faixa entre 0,5% e 1% do faturamento.

O tema da cibersegurança também fez parte da pesquisa, uma vez que indústrias cada vez mais conectadas elevam o risco de segurança da informação e de paradas não programadas. A pesquisa mostrou que 31% já sofreram ataques cibernético. Destas, 16% são pequenas, 8% médias e 7% grandes. Sinalizou também que 92% estão cientes da importância de investir em cibersegurança, e apenas 18% disseram que a sua infraestrutura de tecnologia da informação “está adequada” para suportar as tecnologias da Indústria 4.0. Por fim, 82% atualizam com frequência softwares, hardwares, equipamentos, ferramentas e sistemas operacionais.

Emprego e formação de mão de obra é uma das questões mais recorrentes quando o assunto é Indústria 4. Assim, a pesquisa tentou identificar quais as qualificações esperadas do profissional do futuro. Houve certo consenso entre as empresas no tocante aos primeiros colocados, que foram: automação, cibersegurança e (capacidade) analítica e preditiva. As principais variações foram quanto à habilidade de “programação” (eleita pelas pequenas) e “gerenciamento de dados” (destacada pelas médias e grandes), e também Data Science (priorizada pelas grandes).

“Estamos na quarta revolução industrial e a transformação será grande. As mudanças assustam num primeiro momento, já que inúmeras profissões vão sumir, mas não podemos esquecer que o mundo abrirá outras novas oportunidades. Não podemos ficar para trás. Precisamos nos preparar, ter coragem e visão do futuro”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Futuro e perspectivas

“O Brasil chegou tardiamente na discussão da Indústria 4.0, que data de 2011 nos países desenvolvidos, e foi prejudicado pelo momento de crise econômica, que desviou a atenção para questões de curto prazo e conjunturais, mas acreditamos que ainda há tempo das empresas brasileiras se inserirem na 4ª revolução industrial”, enfatiza o 2º vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

Segundo ele, o desconhecimento sobre a 4ª Revolução Industrial apontado na pesquisa mostra a importância de disseminar em nível introdutório o que ela significa (tecnologias, expectativas e riscos) para que as empresas possam seguir os próximos passos rumo à implementação. E o mesmo se aplica ao lean manufacturing, que deve estar presente em 100% das empresas.

Trabalhos de capacitação pela Fiesp, Senai-SP, Sebrae e agências de fomento, serão primordiais para melhorar o senso de urgência das empresas com relação à Indústria 4.0, e principalmente no enfrentamento dos desafios.

Torna-se claro também a importância de incentivar investimentos na infraestrutura de tecnologia da informação uma vez que apenas 18% das empresas consideram que estão adequadas para as tecnologias da Indústria 4.0. Isso é particularmente preocupante para as grandes empresas, pois são os maiores alvos de ataques cibernéticos.

E em relação às qualificações mais esperadas do profissional do futuro a pesquisa também pode auxiliar na priorização dos cursos de capacitação de mão de obra nas áreas de automação, cibersegurança, gerenciamento de dados, capacidade analítica e preditiva, programação, gerenciamento de dados, capacidade analítica e preditiva e Data Science. “A empresa que não buscar formas para ampliar este conhecimento certamente terá dificuldades para uma inserção competitiva no mercado”, finaliza Roriz.

Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp reforça necessidade de política industrial

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Dentro da série Repensando o Brasil, o Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea) teve como tema de reunião nesta segunda-feira (19 de março) “Redesenhando políticas industriais para crescimento da produtividade e dos empregos sustentáveis”. A apresentação ficou a cargo de José Ricardo Roriz Coelho, 2º vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia.

Ao abrir a reunião, o presidente do Consea, Ruy Altenfelder, destacou que se mira o futuro ao discutir o tema. Compuseram também a mesa o desembargador Fabio Prieto de Souza e a professora Ivete Senise Ferreira, vice-presidente do Consea.

Estudos do Banco Mundial sobre o Brasil quase não mencionam a indústria e o agronegócio, destacou Roriz ao iniciar sua apresentação. É como se lidar com a microeconomia e melhorar o ambiente de negócios fosse suficiente. Responsável por 60% do PIB brasileiro, o setor privado precisa se modernizar, mas o governo está muito mais defasado, com atraso de 30 ou 40 anos em termos de gestão. Há formas de melhorá-la, gastando melhor os recursos e investindo em tecnologia. Também a infraestrutura precisa ser modernizada, facilitando a produção.

A indústria é responsável por 70% do investimento em pesquisa e desenvolvimento, mas sua fatia no PIB encolheu para 11%. Não há como aumentar a produtividade nesse cenário, afirmou Roriz. O crescimento econômico do Brasil tem sido muito baixo, inferior ao dos países emergentes, independentemente de haver ou não política industrial.

Roriz relembrou a posição da Fiesp desde o primeiro momento a favor do ajuste fiscal. Para recuperar o desenvolvimento sustentado, a entidade propõe e apoia as reformas estruturais. Isso inclui a reforma da Previdência, a tributária, a modernização administrativa do Estado. As reformas devem corrigir as principais distorções da economia brasileira. O Brasil é campeão de burocracia tributária e de spread bancário, tem a segunda mais alta taxa real de juros, é o quinto em volatilidade cambial e o sexto em sobrevalorização cambial.

É muito caro produzir no Brasil. O chamado custo Brasil, de 26%, se soma a mais de 10% de supervalorização cambial. Isso torna o produto brasileiro em média 30,4% mais caro que o produto importado dos principais países parceiros comerciais. Usando dados da OCDE, Roriz explicou que o coeficiente de penetração de importação de bens e serviços é semelhante ao de outros países. O Brasil não é um país fechado, afirmou.

O ambiente brasileiro torna pouco atraente o nível de rentabilidade do investimento industrial. O efeito é que caiu pela metade a participação da indústria brasileira na indústria mundial.

Citando a Unctad, da ONU, Roriz destacou que a expansão da manufatura gera emprego, renda e demanda e acelera o aumento da produtividade, o que acelera o crescimento.

Roriz explicou que há dois fatores em comum nos países que dobraram sua renda per capita: elevada taxa de investimento e significativa participação da indústria de transformação na economia. E os dados mais recentes mostram que a indústria continua a ser importante para o crescimento econômico. O Brasil, em 39 anos, não conseguiu dobrar seu PIB, com investimento de 20,5% do PIB e indústria representando 15%. No Japão, que dobrou o PIB em 13 anos, a indústria representava 27% do PIB.

Há várias características do setor industrial que o tornam mais importante, como a maior massa de salários e a maior produtividade.

Ambiente sistêmico é necessário para o setor, mas não suficiente, e por isso os países adotam políticas industriais. Em maior ou menor grau, os principais países industrializados adotaram ou continuam adotando tarifas, incentivos fiscais, subsídios, financiamento a custo competitivo, conteúdo local e compras governamentais. Segundo a OCDE, o interesse em políticas voltadas à indústria de transformação cresceu na última década.

Precisando criar empregos, a China comprou no último ano o dobro de robôs que o Japão e a Coreia do Sul, países que mais os usam. Atividades repetitivas são substituídas, liberando trabalhadores para atividades de maior valor agregado.

Vamos ter que modernizar nossa indústria, ser muito mais competitivos, afirmou Roriz, devido à Indústria 4.0. O Brasil está ficando para trás.

Tanto EUA quanto União Europeia incentivam a indústria, com subsídios e subvenções a P&D e inovação, conteúdo local e margem de preferência nas compras públicas e outras políticas. Roriz citou também ações da China, Índia e Arábia Saudita.

No Brasil, as políticas industriais recentes foram tentativas de minimizar os efeitos do Custo Brasil e sobrevalorização cambial. Não tiveram visão de longo prazo, diferentemente do que ocorreu em relação ao agronegócio. Suas metas não eram realistas e havia poucas contrapartidas. Roriz ressaltou que política industrial não se presta a corrigir deficiências do ambiente sistêmico.

Roriz mostrou características da política para o agronegócio, de longo prazo. Definido em lei, há planejamento anual, por meio do Plano Safra. Há R$ 141,9 bilhões em crédito direcionado para o agronegócio, contra R$ 28,6 bilhões para a indústria.

Desafios

É preciso, disse Roriz, reduzir a distância em relação a países que desde 2011 investem na quarta revolução industrial e reverter a tendência de redução dos investimentos no Brasil – em 2017 ficou em 15,6% do PIB, o valor mais baixo em 20 anos.

É preciso fazer isso agora, porque ainda são difusas as lideranças mundiais, e os modelos fabris mais completos de indústria 4.0 são esperados para 2025.

O Brasil tem que qualificar sua mão de obra, que precisa de novas competências e ser flexível no aprendizado. Tem que investir em infraestrutura física e tecnológica. Engajar as empresas no investimento em modernização de suas fábricas, para fomentar o ciclo virtuoso de geração de empregos, investimentos e inovação.

O Brasil está na contramão do caminho da Indústria 4.0, incentivada nos EUA desde 2011, na União Europeia desde 2012, na Alemanha, 2013, na China e no Japão desde 2015.

EUA, União Europeia e Ásia aplicam políticas para fortalecer sua indústria. Buscam, em contexto de crise econômica, aproveitar os efeitos positivos que a atividade manufatureira tem, entre eles a geração de empregos de qualidade e elevados efeitos de encadeamento com outras atividades. Para resumir, a reindustrialização é uma estratégia de retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico. Deixou uma questão: se os países com economia avançada defendem e fomentam o desenvolvimento da manufatura de forma ativa, inclusive por meio de política industrial, o que estamos esperando?

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Política industrial foi tema da reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Roriz listou as recomendações comuns de OCDE e Unctad para a política industrial, entre elas estar inserida num pacote de políticas integradas e interconectadas, incluindo entre outras políticas macroeconômicas e de comércio. As taxas de juros precisam estar em nível que estimule o investimento público, e a taxa de câmbio precisa ser relativamente estável e não sobrevalorizada.

Em sua elaboração deve haver visão de longo prazo, ser adaptável, ter metas e contrapartidas, contar com avaliação periódica de resultados. E deve haver marco regulatório adequado à segurança jurídica dos diversos agentes do sistema.

Tem que haver dinamização de P&D e inovação, viabilizando a formação de capital humano qualificado. É necessário incentivar a absorção das novas tecnologias na estrutura produtiva e usar incentivos e o poder de compra do Estado, fomentando o desenvolvimento e a difusão das tecnologias-chave. “Não adianta”, disse Roriz, “falar que é preciso aumentar a produtividade se isso não for feito”.

O presidente do Consea, Ruy Altenfelder, destacou, citando a fala de Roriz, o grave problema da insegurança jurídica. A invasão das atribuições dos Poderes fere a Constituição e gera grande insegurança jurídica.

Há insegurança judiciária no Brasil, afirmou Fabio Prieto de Souza. Ivete Senise Ferreira disse que o mais importante em qualquer problema brasileiro é a educação. “Temos que olhar, sim, para a educação”, disse Roriz, “e temos que fazer com que chegue para mais pessoas. Tem que ser mais barata.”


Participantes do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0 visitam exposição no Senai-SP

Agência Indusnet Fiesp

Participantes do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0, realizado por Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP e ABDI, visitaram nesta quarta-feira (6 de dezembro) exposição tecnológica na Escola do Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul.

Osvaldo Maia, gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, fez no local a palestra A Quarta Revolução industrial, a empresa digital e o futuro do emprego.

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Visita ao Senai-SP por participantes do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0. Foto: Everton Amaro/Fiesp

‘Muitas indústrias ainda estão na era 2.0’, afirma diretor presidente do Conselho Técnico da Fapesp no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O apoio às empresas e a construção de vantagens competitivas  no contexto da indústria 4.0 foram debatidos, na tarde desta terça-feira (05/12), no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0, aberto hoje no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento segue até esta quarta-feira (06/12), com uma visita à Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A unidade é uma referência em pesquisa dos rumos da manufatura mundo afora.

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 envolve o aumento da informatização na indústria de transformação, com máquinas e equipamentos totalmente integrados em redes de internet.  Como resultado, tudo pode ser gerenciado em tempo real, até mesmo a partir de locais diferentes.

“Precisamos considerar fatores como mercado, infraestrutura e regulação”, afirmou o diretor presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Américo Pacheco. “Muitas indústrias ainda estão na era 2.0, faltam políticas de fomento e subsídios”.

Ele destacou ainda a coordenação de várias instituições para apoiar as empresas. “O foco da Fapesp está na pesquisa e no conhecimento tanto com viés acadêmico como tecnológico”, disse.

Nessa linha, Jorge Almeida Guimarães, diretor presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Emprapii), lembrou que a instituição presta serviços de fomento entre grupos de pesquisa aplicada e empresas no Brasil, com 42 unidades no país. “Um terço dessas unidades tem pesquisas sobre manufatura avançada”, disse.

Analista da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo foi outro participante do debate. E destacou a importância de avaliar a maturidade tecnológica das empresas. Prototipar, validar e multiplicar são passos seguidos pela ABDI em suas atividades com as empresas. “Para isso contamos com parceiros como a Fiesp”, disse.

A ABDI organiza workshops com o título “Rumo à Indústria 4.0” em diferentes cidades. Até hoje, 120 empresas já participaram da iniciativa.

Investimento privado

Para o superintendente regional da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Oswaldo Massambani, é importante estimular o aumento do investimento privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Isso é fundamental para o país”, disse. “O governo já faz muitos aportes, mas sem o investimento privado não vamos conseguir avançar muito”.

O painel foi mediado pelo vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Ele também fez o encerramento do primeiro dia do congresso. “Está muito mais perto do que a gente imagina”, disse, em relação à Indústria 4.0, ao arrematar as atividades, após a mesa 4 do evento (Como Preparar sua Empresa para a Quarta Revolução Industrial? Passo a Passo e Lições Aprendidas).

Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, fez a moderação da mesa 4. Ele explicou que o convite às empresas foi feito para que mostrassem como a coisa é feita na prática.

Marcos Pinto do Amaral, gerente de Planejamento Powertrain da Volkswagen, disse que várias empresas podem trilhar o mesmo caminho. A Indústria 4.0, uma revolução, precisa estar na cultura da empresa. É necessário mudar o “mindset” das pessoas, sensibilizando todos na empresa, além de qualificar e requalificar todos seus níveis.

Há, explicou, ganhos também em células manuais de montagem. Indústria 4.0 não é sinônimo de robôs.

A Internet das Coisas (IoT) é ponto muito discutido na Volkswagen, afirmou. Destacou que apenas 27% dos projetos de IoT têm sucesso. Deu como receita redefinir o mindset, começar pequeno e adotar uma estratégia de longo prazo, selecionar parceiros que vão ajudar na pavimentação dessa estrada, reavaliar o negócio, inovar, pôr em foco um número limitado de tecnologias de IoT, daí construindo o próprio caminho.

Há, destacou, redução do custo das tecnologias disponíveis para a Indústria 4.0. Tanto grandes quanto pequenas empresas se beneficiam disso, afirmou. A renovação natural e o uso inteligente dessas tecnologias ajudam a pavimentar o caminho para a Indústria 4.0. Isso é feito a cada processo novo na Volkswagen, para depois tudo isso ser interligado.

A empresa espera atingir a produção autônoma interligada com o mundo todo em 2030, passando antes por soluções de manufatura inteligente, fábricas inteligentes, controle em rede de toda a linha, fábricas auto-otimizáveis.

Maia destacou que o Senai-SP acredita que vai haver no Brasil uma Indústria 4.0 verde-amarela, com a cara do Brasil, respeitando o que já está instalado nas fábricas.

Eduardo Almeida, vice-presidente para a América Latina da Unisys, disse que o software para permitir a interoperabilidade da cadeia de produção deixa de ser industrial. Há tendência cada vez maior de fim dos protocolos próprios e adoção de protocolos abertos, para permitir a interoperabilidade. A segurança precisa permear tudo, mas a superfície de ataque cibernético é muito maior, afirmou. As empresas precisam de colaboração entre equipes, de conhecimento, da criação de forças-tarefa para estudar vulnerabilidades. A segurança deve fazer parte de tudo que uma empresa faz, e é preciso ter em mente que ela sempre estará sob risco, deixou como recomendação.

Marcos Giorjiani, diretor geral da Beckhoff, explicou que o que interessa para uma empresa é fabricar bem. Lembrou que o caminho não poder ser complicado, demorado e caro para chegar à Indústria 4.0. A automação, disse, tem que estar integrada à tecnologia da informação. A Indústria 4.0 requer o mais alto desempenho, o mais alto grau de funcionalidade integrada, a melhor integração com TI, a plataforma de automação mais aberta, o mais alto grau de liberdade de engenharia.



‘Temos que enfrentar e tirar proveito dos avanços’, diz Skaf na abertura do 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0 na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de encarar as mudanças e entender a velocidade dos processos. Um debate que ganhou força no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0, aberto na manhã desta terça-feira (5 de dezembro), no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento segue até esta quarta-feira (6/12), com uma visita à Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A unidade é uma referência em pesquisa dos rumos da manufatura mundo afora. O congresso foi aberto pelo presidente da Fiesp, do Ciesp e do Senai-SP, Paulo Skaf.

“Fiquei uma semana no Vale do Silício (EUA) recentemente. E fiquei impressionado com o que está acontecendo”, contou Skaf. “Vi a indústria brasileira tão longe do que está acontecendo no exterior, a transformação é grande, a exemplo de outras revoluções industriais”, disse. “A mudança assusta no primeiro momento, mas temos que enfrentar e tirar proveito dos avanços”.

Segundo Skaf, é agir ou “ficar para trás”. “As coisas estão acontecendo: ou nos preparamos para que as empresas se fortaleçam e o empreendedorismo cresça no Brasil ou ficaremos para trás”, afirmou.

Sobre ficar para trás, o presidente da Fiesp disse ter lido uma pesquisa a respeito do ritmo das mudanças no futuro que afirmava que, em breve, 100 anos vão valer por 20 mil anos de transformação no passado. “Os jovens que estão hoje na escola não imaginam as profissões que vão existir daqui a dez anos”, disse.

Para Skaf, acima de tudo é preciso ter coragem e visão do futuro. “Só assim vamos conseguir tirar as pedras do caminho”.

Ouça boletim sobre esta notícia

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Skaf: coragem e visão de futuro para entrar na era da indústria 4.0. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 envolve o aumento da informatização na indústria de transformação, com máquinas e equipamentos totalmente integrados em redes de internet.  Como resultado, tudo pode ser gerenciado em tempo real, até mesmo a partir de locais diferentes.

Também presente na abertura do congresso, o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, destacou a importância de olhar para as mudanças. “As empresas que já estão se preparando, não recuem. Qualquer indústria pode se inserir nesse processo, entrar na era da indústria 4.0”, disse.

Outro convidado, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto de Souza Ferreira explicou que “a indústria 4.0 traz uma completa transformação nas formas como entendemos os produtos, revê o conceito de competitividade”. E reforçou a importância do debate do tema na Fiesp. “Que possamos ter no evento um marco da revolução 4.0 no Brasil”, disse.

Também presente, Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, destacou a necessidade de começar a agir. “O Brasil está atrasado, temos que reconhecer e  recuperar o que é preciso, acho que já estamos tentando chegar lá”, disse. “A indústria do futuro depende da indústria do presente”.

Para conferir a programação completa do congresso, é só clicar aqui.

Workshop de Inovação Tecnológica: Finep, Desenvolve SP e FAPESP celebram Dia Nacional da Inovação na FIESP

Foi realizado no último dia 19 de outubro na FIESP o Workshop de Inovação Tecnológica na FIESP   A Finep, a Desenvolve SP e a FAPESP trouxeram suas equipes de especialistas à Fiesp que apresentaram as linhas de ação e programas a empresas paulistas interessadas em construir Planos Estratégicos de Inovação.

O objetivo do evento foi celebrar o Dia Nacional da Inovação na Fiesp com o setor industrial e fortalecer ainda mais o Sistema Paulista de Inovação além de impulsionar investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) neste momento em que a economia brasileira começa a dar sinais de retomada do crescimento. A Finep possui recursos de R$ 7 bilhões disponíveis para projetos privados na área.

Neste encontro foi apresentado o recém-lançado programa Finep Conecta vai além: o prazo de retorno do empréstimo chega a 16 anos. Ao todo, esta iniciativa vai disponibilizar R$ 500 milhões para projetos desenvolvidos em parceria entre empresas e Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs). Ocorreu também a Assinatura do acordo de cooperação FINEP e FAPESP O presente Acordo destina-se a estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes para promover a atuação conjunta destas instituições com vistas ao desenvolvimento tecnológico, científico e socioeconômico do Estado de São Paulo e do país

Além das linhas de financiamento correntes a FINEP ainda apresentou três novas ações, que serão detalhadas durante o evento: o Finep Startup (cuja primeira chamada vai destinar até R$ 50 milhões a 50 empresas em estágio inicial), o novo programa de telecomunicações (linha de financiamento exclusiva para aquisição de equipamentos de 100% nacionais) e o seguro garantia financeira (alternativa menos custosa para operações de crédito: até 60% inferior ao custo da fiança bancária).

Veja as apresentações Abaixo:

caf fiesp leonardo roriz

decomtec roriz

fapesp_19out2017_pacheco

finep – diretor ronaldo

finep – diretoria de inovacao 2

finep – diretoria inovacao 1

finep conecta – marcos cintra

 

Fiesp lança site com informações sobre a Indústria 4.0

Agência Indusnet Fiesp

Já está no ar o site do 1º Congresso de Indústria 4.0, uma iniciativa da Fiesp, do Ciesp, do Senai-SP e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial para compartilhar conteúdos relevantes a respeito da Indústria 4.0 e disponibilizar informações sobre o congresso (que acontecerá nos dias 5 e 6 de dezembro). O site também dá acesso a uma série de cadernos elaborados sobre o tema, a vídeos e ao Programa Rumo à Indústria 4.0, que promove workshops regionais de capacitação.

O congresso vai discutir as novas tecnologias, os impactos que elas trazem para os negócios e como preparar as empresas para este novo desafio.

Fiesp, Ciesp, Senai-SP e ABDI lançam programa Rumo à Indústria 4.0

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento da Indústria 4.0 é elemento central das estratégias de empresas e da política industrial das principais potências do mundo, e o Brasil não poderia ficar fora desse movimento. Para difundir o conhecimento sobre o conceito de Indústria 4.0 e sua importância para a competitividade, Fiesp, Ciesp, Senai-SP e ABDI lançaram o programa Rumo à Indústria 4.0, nesta sexta-feira, 29 de setembro, na sede da Fiesp, com um seminário apresentando as práticas da Indústria 4.0 e explicando como construir uma vantagem competitiva para as empresas.

O programa é formado por um conjunto de ações estratégicas para promover a implantação da Indústria 4.0 e a difusão de tecnologias ao longo das cadeias produtivas e para criar oportunidades de desenvolvimento e melhoria da gestão do processo produtivo. Um dos destaques do projeto é o 1º Congresso Brasileiro de Manufatura Avançada, que acontecerá nos dias 5 e 6 de dezembro, no Teatro do Sesi-SP.

Além de palestras nacionais e internacionais, o evento terá expositores com apresentação de soluções para a indústria e balcões de atendimento. No dia 6, será realizada uma visita técnica na escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A escola tem um demonstrador de Manufatura Avançada equipado com robôs, célula de soldagem, sensores, gravadores a laser e centros de usinagens, e seu projeto arquitetônico recebeu 6 prêmios, entre eles, o Prêmio Os Melhores das Artes em 2016, obra vencedora na categoria arquitetura, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

O programa Rumo à Indústria 4.0 também irá realizar quatro workshops regionais, entre os meses de outubro e novembro, envolvendo 200 empresas atendidas pelo Programa Brasil Mais Produtivo. Os eventos ocorrem serão na Região Metropolitana de São Paulo, Região do Grande ABC, Região de Campinas e Região de Ribeirão Preto. Para dezembro, está previsto um congresso na capital paulista.

De acordo com o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, a Indústria 4.0 abrange várias tecnologias e soluções que se integram na organização da empresa, desde o chão de fábrica até o administrativo, e também na cadeia de fornecimento. “Alguns exemplos são big data, digitalização, inteligência artificial, internet das coisas, manufatura aditiva, realidade aumentada, robótica, sensores inteligentes e simulações virtuais.”

Segundo Luiz Augusto de Souza Ferreira, presidente da ABDI, os parâmetros da Indústria 4.0 começam a ser implementados no setor industrial, mas chegarão a outras áreas, como serviços, comércio e commodities. “Não é abandonar commodities, mas o Brasil deve aproveitar a oportunidade e entrar na indústria de transformação”, afirmou.

Rafael Moreira, assessor do MDIC, defende uma grande ação de disseminação na sociedade e pede para que as próprias empresas tomem a frente na mudança, considerada a quarta revolução industrial. “Ela vai impactar comportamento, demanda de consumo, formas de consumir, de distribuir. Temos que ancorar com o setor privado.”

Eduardo Zancul, professor da Universidade de São Paulo (USP), estudou experiências internacionais, como a implementação do conceito na Alemanha. Para ele, o país lançou uma plataforma para a Indústria 4.0 em 2013, envolvendo associações, empresas e a academia. A Alemanha optou pelo modelo clássico, com automação, processos e robotização. “A própria indústria tem participação muito importante para criar a base dessa plataforma. O foco maior é na exportação, manutenção de empregos e competitividade de pequenas e médias empresas”, explica.

“Você tem um modelo de negócios que está mudando completamente, e por isso temos que ter a percepção do que está acontecendo no setor e pensar em atender à indústria do futuro”, finalizou Roriz.

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Evento de lançamento do programa Indústria 4.0 na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Brasil precisa acelerar o passo para implementar a Indústria 4.0, diz professor da USP

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Dando continuidade à proposta de elaborar um plano estratégico nacional para a implementação no Brasil da Indústria 4.0, a chamada Quarta Revolução Industrial, e da Manufatura Avançada, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) realizou em sua sede o 2º encontro do Grupo de Trabalho da Indústria 4.0 (o GTI 4.), criado em julho e coordenado pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Enquanto em países como a Alemanha, onde o conceito 4.0 nasceu, e nos Estados Unidos a quarta revolução industrial já é uma realidade, o Brasil ainda caminha a passos lentos em direção a essa transformação, na opinião do professor Eduardo Zancul, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e convidado do MDIC e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para apresentar as experiências da Indústria 4.0 em outros países como uma forma de agregar esforços e mover a roda da indústria 4.0 no Brasil, diz.

“O objetivo é trazer para a mesa de discussão exemplos de medidas já adotadas em outros países que possam ser olhadas pelo Brasil não como um diagnóstico, mas como uma provocação, para que resultem em um inventário de iniciativas e se transformem em uma agenda”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

É justamente olhando para as experiências internacionais que o Brasil, segundo o professor Zancul, está atrasado na adoção de melhorias inerentes ao conceito de indústria 4.0. Um exemplo está na Manufatura Digital, um dos pilares da 4.0 que permite às empresas aumentar a eficiência e a lucratividade do negócio, mas ainda novidade no Brasil e assim com baixa adesão das empresas. Com ela, produtos, processos e recursos são modelados a partir de dados reais, mas em uma fábrica virtual, reduzindo-se com isso custos e o ciclo de desenvolvimento de um produto, além de melhor qualidade do produto.

Mais produtividade

Zancul explica que o estudo sobre as experiências alemã e estadunidense, elaborado pela ABDI e apresentado na Fiesp durante o 2° encontro do GTI 4, identificou que os programas de manufatura avançada têm um papel prioritário hoje naqueles dois países.  “O foco nesses mercados é elevar a produtividade e atrair investimentos externos, além de manter os empregos qualificados usando a infraestrutura de pesquisa e conhecimento para impulsionar a manufatura e reter o conhecimento ligado à produção de bens de alto valor agregado”, diz o professor.  Ele reforça o fato de que, nesses dois países, os programas de manufatura avançada ocupam posição prioritária nas políticas governamentais. Na Alemanha o programa está sob a responsabilidade do governo, batizado de Plataforma Industry 4.0. Nos EUA, se está montando uma rede de centros de pesquisa e manufatura.

Segundo Ricardo Roriz, do Decomtec, a discussão de uma proposta brasileira deve ser elaborada em cima de três eixos tidos como fundamentais nesse processo: o eixo da geração de tecnologia, o eixo do mercado de trabalho e eixo da regulação.  “O aumento da produtividade é o benefício mais esperado com adoção da Indústria 4 .0 pelas empresas brasileiras”, diz Roriz. Ele ressaltou, no entanto, como um dos entraves a serem resolvidos o problema do financiamento para as empresas. “As alternativas de financiamento aqui praticamente secaram e a troca agora da TJLP (a Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje usada para corrigir os empréstimos liberados pelo BNDES, pela TLP (Taxa de Longo Prazo) deixará o crédito ainda mais caro”, diz.

Para o diretor do Decomtec, há, hoje, no Brasil, total desconexão com a realidade de outros países, onde o custo do crédito é inferior ao custo do mercado financeiro, fator que incentiva as empresas a investir dentro de sua produção em detrimento do mercado de capitais, situação, lembra o executivo, inversa ao que se vê no Brasil, onde muitas empresas preterem o capital produtivo ao investimento no mercado financeiro. “O mercado financeiro suga os recursos que poderiam estar sendo aplicados na indústria, no seu crescimento”, diz. “Somos cobrados pelo aumento de produtividade, mas aumento de produtividade exige investimento em infraestrutura, em máquinas, equipamentos e principalmente em modernização”, diz Roriz.

Na mesma linha de pensamento, Sergio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom, Associação Brasileira das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, diz que, hoje, “o Brasil tem  um problema de funding que precisa ser resolvido com urgência e o papel do MDIC é fundamental nessa travessia”. O conceito 4.0, assim como a Manufatura Digital, exigem tecnologias avançadas, que demandam investimentos por parte das empresas. Está aí, na opinião de Gallindo, um dos entraves. “Sem investimento em tecnologia, o país vive hoje uma desorganização do tecido produtivo”. Mas sem crédito, as empresas não têm como investir mais, avaliou. E sem o investimento em inovação, o país não terá a chance de desenvolver a Indústria 4.0, completou.

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Experiência de outros países pode servir para Brasil montar sua agenda para a Indústria 4.0. Foto: Helvio Nagamine/Fiesp

Adaptações

Rafael Moreira, assessor especial para a Indústria 4.0 do MDIC, são necessárias várias adaptações para que o Brasil adote a quarta revolução industrial. Dentro da proposta do governo federal no âmbito da quarta revolução industrial, diz Moreira, há uma enorme preocupação em relação à informática, além das questões envolvendo a tributação.

Carlos Eduardo, da Aliança Brasileira da Empresa Inovadora em Saúde (ABIIS) falou da necessidade de se ter um monitoramento completo de quais centros de tecnologia brasileiros podem ser capacitados para aderir a essa onda da indústria 4.0. Também citou a regulação que se está preparando para essa nova realidade das empresas. a insegurança jurídica foi outro ponto abordado no encontro como prioridade de solução para que empresas invistam em novas tecnologias. “Quando se fala em avançar em manufatura é preciso lembrar que temos uma série histórica de 30 anos que, a cada crise, declinamos no faturamento, no emprego e na retomada do crescimento.

Atenta ao problema, a Fiesp, em parceria com o Senai-SP, levará o conceito para discussão em dezembro  durante o 1º Congresso Brasileiro de Manufatura Avançada, com a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros, informou Roriz. Além de palestras e exposição de tecnologias que possam servir de parâmetro para as discussões em torno da implementação do conceito no Brasil de forma mais efetiva, vários workshops regionais sobre o tema serão realizados em parceria com a ABDI e o Senai.

Com o intuito de provocar a discussão sobre o tema, cadernos sobre a quarta revolução industrial serão divulgados, assim como vídeos educativos que estarão disponíveis em um hotsite da Fiesp. “Com estas iniciativas esperamos contribuir para a retomada da indústria brasileira no contexto da quarta revolução industrial”, explica Roriz. O GTI 4.0 tem ainda a participação do MEC, do MCTIC, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Trabalho e Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, além do BNDES, do Finep, do Embrapii, CNPq e CAPES. Pelo setor privado participam a CNI, o Senai e o Sebrae.

Senai-SP está engajado na Indústria 4.0, afirma Skaf em São Caetano

Agência Indusnet Fiesp 

“O que o Senai São Paulo está fazendo aqui é referência para o Brasil e para o mundo”, disse nesta sexta-feira (25 de agosto) o presidente da Fiesp e do Senai-SP, Paulo Skaf, ao inaugurar em São Caetano do Sul a Escola Senai Armando de Arruda Pereira, considerada centro de excelência e referência no ensino de Mecatrônica. “E não é só esta aqui. Todas as nossas escolas são centros de excelência.”

Com ênfase na Indústria 4.0, caracterizada pela integração e controle à distância da produção, a partir de sensores e equipamentos conectados em rede, a escola de São Caetano do Sul trabalha integrada com outras unidades do Senai-SP, explicou Skaf. “Muitos projetos são parte daqui, parte de outras escolas. A rede Senai São Paulo está realmente engajada na quarta revolução industrial, na Indústria 4.0, neste momento de inovação pelo qual o mundo está passando.”

O investimento na nova escola de São Caetano do Sul foi de R$ 63,2 milhões. O novo prédio conta com 36 laboratórios, 9 salas de aulas e 2 oficinas de práticas profissionais. Também há biblioteca com acervo técnico atualizado, quadra poliesportiva e auditório para 150 pessoas. O projeto arquitetônico recebeu 6 prêmios, entre eles, o Prêmio Os Melhores das Artes em 2016, obra vencedora na categoria arquitetura, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

Além dos modernos laboratórios, a escola tem o primeiro UpLab, espaço para o desenvolvimento de projetos e criação de “Startups”, respondendo a uma demanda mundial.

E seu Demonstrador de Manufatura Avançada – Indústria 4.0 – está equipado com robôs, célula de soldagem, sensores, gravadores a laser e centros de usinagens, resultado de parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), 20 empresas, 6 startups e 2 institutos de ensino. Ele se insere no conceito de “OpenLab”, que possibilita às empresas testar tecnologias e aos alunos aprender, na prática, a manufatura avançada.

A nova unidade do Senai-SP em São Caetano oferece os cursos Técnicos de Mecatrônica e Tecnologia em Mecatrônica Industrial. Em nível superior, há oferta do Curso Superior de Tecnologia em Mecatrônica Industrial e pós-graduação nas áreas de Automação Industrial; Indústria 4.0; Robótica Integrada às células de Manufatura; Gestão de Projetos e da Produção; Projeto, Manufatura e Análise de Engenharia Auxiliados por Computador (CAD/CAM/CAE); e Eficiência Energética.

Os cursos de Formação Inicial e Continuada abrangem as áreas tecnológicas da Metalmecânica, Eletroeletrônica, Automação, Segurança, Logística, Tecnologia da Informação, Gestão e Design.

Em 2016 a unidade realizou 5.607 matrículas nas modalidades de ensino oferecidas.

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Paulo Skaf na nova escola do Senai em São Caetano do Sul. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


“A Indústria 4.0 lança mudanças significativas na forma de pensar das empresas, na busca por conhecimentos e estratégias de produção e vendas. Cada vez mais, as empresas precisam estar preparadas para conviver com tecnologias como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia”, afirmou Skaf. E o Senai-SP tem papel importante em sua implantação no país.

No mês de abril, um dos mais renomados especialistas em Indústria 4.0 do mundo desembarcou pela primeira vez no Brasil, para discutir, na Fiesp, estratégias para a indústria na era digital. O guru do Marketing Digital é diretor do programa de gestão geral da Harvard Business School. Além de falar a empresários, autoridades e empreendedores, em evento da Fiesp, Sunil Gupta teve a oportunidade de conhecer a escola do Senai-SP em São Caetano do Sul.

Em sua visita, Gupta ficou impressionado com a planta da Indústria 4.0 e a maneira como a entidade lida com o tema. “O que vocês fazem aqui é realmente incrível. Vocês estão em contato com o que está acontecendo e treinando as pessoas do jeito certo”, afirmou o especialista. Ele também disse que a educação prática, um dos pilares do ensino no Senai-SP, é o futuro da educação.

Skaf destaca em Araçatuba importância da Indústria 4.0

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, Paulo Skaf, destacou em Araçatuba a importância da chamada Indústria 4.0, a quarta revolução industrial, tema de apresentação no Senai-SP da cidade. “Muitas profissões serão substituídas por computadores, muitos setores vão desaparecer, mas vão surgir novos. E temos que nos preparar para isso.”

Skaf esteve em Araçatuba e Birigui, para uma série de atividades do Sesi-SP e do Senai-SP, além de reunião com empresários da região. Esteve na Escola Senai Duque de Caxias, que foi aberta para a visita de moradores de Araçatuba, que puderam conhecer os modernos ambientes de ensino formados por seus inúmeros laboratórios e oficinas. Os cursos nela oferecidos incluem Aprendizagem Industrial, Formação Inicial e Continuada e Técnicos.

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Paulo Skaf na Escola Senai Duque de Caxias, em Araçatuba. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Skaf também assinou com as prefeituras de Araçatuba, Santo Antonio do Aracanguá e Nova Luzitânia convênio do programa Sesi-SP Atleta do Futuro, que vai beneficiar 1.345 crianças e adolescentes. “O esporte educa é dá saúde”, destacou o presidente das entidades da indústria paulista. Serão atendidos 760 alunos de Araçatuba com a prática de atletismo, basquete, futsal e natação. Em Santo Antonio do Aracanguá são 420 vagas para as modalidades de atletismo, damas, futebol, futsal e voleibol. E em Nova Luzitânia o Atleta do Futuro terá 165 participantes praticando voleibol. São parceiros das prefeituras para a implantação do programa as empresas Color Visão do Brasil (Araçatuba) e Physicus Indústria de Aparelhos Esportivos (Santo Antonio do Aracanguá e Nova Luzitânia).

Criado para estimular a prática esportiva e a cidadania, o programa Sesi-SP Atleta do Futuro está presente em 201 municípios e contempla 84 mil crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos.

Além da prática esportiva, os alunos recebem orientação em temas transversais como saúde, trabalho, consumo consciente, meio ambiente e pluralidade cultural, dentre outros. Os instrutores trabalham para difundir valores como ética, superação, autoestima e socialização, com o intuito de ajudar o aluno a se desenvolver de modo pleno.

Natação

Além da assinatura do programa Atleta do Futuro, houve uma Clínica de Natação com o técnico Mirco Cevalles, na piscina do Centro de Lazer e Esportes do Sesi de Araçatuba. Os nadadores e técnicos do Sesi-SP participaram de uma tarde de trabalhos e treinamentos fora e dentro d’água, com palestras, apresentações técnicas e analises mais especificas de nado.

A clínica consiste em um trabalho de motivação, correção técnica e incremento de conceitos que o Sesi-SP utiliza durante todo seu trabalho de formação. Além das atividades voltadas para os jovens atletas, o programa ainda conta com a capacitação da equipe técnica e o alinhamento do trabalho entre as unidades. A atividade também serviu para troca de experiência entre os profissionais da unidade e o técnico Mirco Cevalles.

Técnico olímpico com o melhor resultado do Brasil nos Jogos Rio 2016, Mirco Cevalles teve entre seus atletas um quinto lugar na prova dos 100 metros peito e um quinto lugar no revezamento 4x100m medley. Larissa Oliveira nadou os 200m livre e 100m livre, e Jhennyfer Conceição competiu nos 100m peito e 4x100m medley.

Senai-SP

Quem visitou a Escola Senai Duque de Caxias pôde conhecer diferentes áreas que retratam o dia a dia na indústria, tais como oficinas de Eletricidade, Mecânica de Usinagem, Mecânica Diesel e Mecânica de Automóveis. A unidade também tem oficinas de Costura Industrial, de Instalações Elétricas, Mecânica de Usinagem, Mecânica Diesel, de Mecânica de Automóveis, de Marcenaria e uma oficina de Soldagem.

Outros ambientes pedagógicos da escola incluem biblioteca com acervo técnico e os modernos laboratórios de Máquinas Elétricas, de Comandos Eletroeletrônicos, de Hidráulica e Pneumática, de CLP, de Eletrônica, de Instrumentação e de Automação Predial.

Alunos e professores do Senai-SP explicaram aos visitantes o perfil dos profissionais mais requisitados pelo mercado e ofereceram orientação profissional gratuita.

A programação incluiu a palestra O futuro do emprego e a 4ª Revolução Industrial, voltada a empresários, profissionais da indústria e estudantes. A Manufatura Avançada, ou Indústria 4.0, é caracterizada pela integração e controle à distância da produção, a partir de sensores e equipamentos conectados em rede, e pela personalização do produto final, o que vem mudando o perfil profissional e as exigências do mercado de trabalho.

A unidade realizou 2.229 matrículas nas três modalidades de ensino profissionalizante em 2016. Oferece ensino profissionalizante em nível técnico para o curso de Eletroeletrônica. Os cursos de Aprendizagem Industrial incluem as formações de Eletricista de Manutenção Eletroeletrônica, Marcenaria, Mecânica de Usinagem, Mecânico de Automóveis Leves, Assistente Administrativo e Auxiliar de Linha de Produção.

Os cursos de Formação Inicial e Continuada atendem diversas áreas tecnológicas da indústria, tais como Automação, Automotiva, Eletroeletrônica, Madeira e Mobiliário, Metalmecânica, Saúde e Segurança no Trabalho e Têxtil e Vestuário.

Presidente do INSS visita Senai de São Caetano

Agência Indusnet Fiesp

A convite da Fiesp, o presidente do INSS, Leonardo Gadelha, visitou na sexta-feira (11 de agosto) o Senai de São Caetano do Sul, com vista a possíveis parcerias. Gadelha e sua comitiva foram recepcionados por Sylvio de Barros, diretor da Fiesp, pelo gerente regional Adelmo Belisário, pelo diretor da área de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia, e pelo diretor da Escola Senai Armando de Arruda Pereira, Osvaldo Luis Padovan.

Durante o encontro, Maia apresentou a palestra A 4.ª Revolução Industrial, cuja tendência é a automatização total das fábricas. Apesar de ser uma preocupação, a automatização é, ao mesmo tempo, necessária. “O Senai pensa muito na questão do impacto disso nas novas profissões que surgirão com esse movimento e outras que serão extintas, mas a gente vai ter que balancear essa equação”, disse Maia.

“O Senai está bem alinhado com o movimento da indústria 4.0, focando inovação e tecnologia”, destacou Sylvio de Barros. “Surgirão novas ocupações no mercado. O presidente Gadelha, que já discute o tema na esfera pública, aceitou o convite para visitar a Escola Senai de São Caetano, vocacionada para este tema. Esta aproximação poderá gerar parcerias com o setor público e privado”, afirmou.

Adelmo Belisário, que abriu a reunião, explicou o conceito de atuação do Senai-SP na educação: “Hoje nós acreditamos que sem tecnologia não teremos um futuro promissor no Brasil. E a nossa missão é justamente essa, proporcionar aos jovens a oportunidade de ter tecnologia de ponta, e de graça, aqui no Senai-SP”. Já o diretor da escola Senai Armando de Arruda Pereira, professor Osvaldo Luiz Padovan, ressaltou a importância da visita a sua unidade: “O presidente Gadelha nos trouxe informações relevantes do que está acontecendo no INSS”. Segundo Padovan, há alinhamento entre o que o Senai-SP faz e o que o INSS pretende fazer.

Gadelha apresentou sua análise sobre os gastos com sistema previdenciário e suas consequências. Além disso, o presidente teve a oportunidade de andar pela escola e conhecer in loco o trabalho desenvolvido na unidade. Ele agradeceu a receptividade e saiu satisfeito com os conhecimentos adquiridos. “Ter vindo aqui me proporcionou uma verdadeira aula”, disse Ao final da visita, Gadelha foi presenteado com um amplificador de áudio para smartphone celular customizado, produzido em alguns minutos no sistema  do Demonstrador da indústria 4.0  projetado e construído na própria escola.

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Leonardo Gadelha, presidente do INSS, visitou o Senai de São Caetano do Sul, a convite da Fiesp. Foto: DIvulgação/Senai-SP

O desafio das máquinas conectadas na era da indústria 4.0

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Os rumos da indústria 4.0 estiveram no centro dos debates da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, realizada na tarde desta terça-feira (20/06), na sede da federação. O encontro foi coordenado pelo diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad.

Da produção artesanal ao chão de fábrica, o assessor técnico do Senai-SP Clecios Vinicius Batista e Silva mostrou como o advento da tecnologia fez mudar tudo. Do conceito que pregava “eu posso entregar qualquer carro desde que seja preto” à noção atual de customização em massa, com o máximo de individualização dos produtos. Ideias envolvidas também no conceito de indústria 4.0, com a integração dos sistemas de produção pela internet.

“Assim, 4.0 é um conjunto de tecnologias que alinha as áreas de automação, controle e informática na produção em série, com a customização em massa sem a perda da competitividade dos preços”, explicou Silva.

Para tanto, conforme Silva, a chamada Internet das coisas (IOT) e o uso de sistemas cyber-físicos são essenciais.

Entre os exemplos práticos da indústria 4.0, a feira Fispal, a principal de alimentos do país, a ser realizada ainda em junho de 2017, terá uma ala inteira dedicada ao assunto.

O assunto é alvo permanente de estudos na unidade do Senai-SP dedicada à indústria têxtil, no Brás, na capital paulista. E lembrou que a nova unidade da rede em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi totalmente pensada para atender as demandas dos empresários nesse sentido.

“É possível fazer essas mudanças de forma escalonada, gradual”, disse Silva. “O grande desafio técnico não é comprar a máquina A ou B, mas fazer com que os dois equipamentos conversem”.

Como definiu Haddad, trata-se de “um futuro presente”.

Quatro megatendências

O debate a respeito do que está por vir continuou com a apresentação de quatro tendências para a indústria “que não podem ser ignoradas” pela diretora da consultoria Lectra, Adriana Papavero. A Lectra trabalha com o desenvolvimento de soluções e tecnologia para as empresas de vestuário, automotivas e de móveis, tendo sede na França e presença em 110 países.

A primeira dessas tendências envolve o peso dos chamados millennials para a economia. Está se falando aqui de todos os nascidos entre os anos 1980 e 2000, num total de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo ou 35% da população brasileira e 30% da chinesa. “Por que temos que prestar atenção aos millennials? Porque eles são a maior geração de trabalhadores da história”, explicou. “Em 15 anos, eles vão representar 75% da mão de obra no mercado de trabalho”.

De acordo com Adriana, trata-se de um grupo de consumidores conectados e impacientes, interessados mais no compartilhamento que na aquisição de bens em si.

Outro item valorizado por esse grupo é a customização: “40% são atraídos por produtos assim, querem se sentir únicos”. “As empresas precisam contar a história das marcas, investir no chamado ‘storytellling’”.

Segundo Adriana, mais importante do que o ter é a vivência, a experiência. “Nesse grupo, 75% preferem gastar dinheiro com uma experiência muito desejada do que com a compra de bens materiais”, disse.

A segunda tendência envolve a digitalização. E isso, de acordo com Adriana, passa por quatro pontos: o fator nuvem, guardar informações ali; a mobilidade dos smartphones; a internet das coisas, conectando pessoas com máquinas, e a inteligência artificial a unir todos os esses pontos, permitindo a economia de recursos e a autonomia dos sistemas.

A terceira tendência é a quarta revolução industrial, justamente a indústria 4.0.

A quarta? O fator China, as mudanças pelas quais passa o país da Grande Muralha, principalmente no que se refere ao consumo interno. “As marcas precisam mudar a sua relação com os clientes, os chineses são fieis às marcas”, disse.

Conforme a diretora da Lectra, o e-commerce é forte entre os chineses, representando 51% das vendas do comércio local. “Isso tem impactos no mundo todo”.

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Reunião do Comtextil da Fiesp, com apresentações sobre o futuro da indústria. Foto: DIvulgação/Fiesp


Fiesp debate manufatura avançada e digitalização de indústrias

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, falou nesta sexta-feira (9 de junho) em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) sobre a criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia em Manufatura Avançada.

Segundo Pacheco, a Fapesp tem o objetivo de promover o avanço tecnológico em São Paulo para que o Estado possa se tornar cada vez mais competitivo. “Queremos criar o centro para fortalecer ainda mais a inovação. Precisamos de empresas que consigam competir”, enfatizou.

“Ninguém inova só pela necessidade. É a emergência do mercado que faz as empresas se mobilizarem para a inovação”, afirmou José Borges Frias Junior, head of strategy, Market Intelligence & Business Excellence – Digital Factory and Process Industries and Drives- Siemens, em sua apresentação.

“De que forma a tecnologia pode te ajudar a chegar mais próximo dos resultados?”, questionou Borges. Segundo ele, é preciso mudar os modelos negócios e entender qual o potencial que as tecnologias têm para trazer ao mercado.

Pensando no processo, ele apresentou a seguinte linha de pensamento: eficiência; flexibilidade; qualidade e tempo de mercado. “Este é o percurso que a digitalização promove de forma positiva nas empresas.”

Ele também explicou os ciclos quando uma empresa inova por meio da digitalização. São eles: produto, planejamento de produção, engenharia de produção, evolução da produção e serviços. “Com a programação deste ciclo fechado de manufatura, é possível saber previamente e de forma organizada tecnologicamente quanto tempo leva a produção e entrega de um projeto/produto customizado.”

Na apresentação, Borges mostrou que é possível, com a digitalização, ter em uma mesma linha de produção, vários modelos e marcas de carros fabricados.

Ao final, ele alertou que não existe uma receita igual para todos. “Não adianta fazer um processo de digitalização sem ter o plano diretor, o horizonte a seguir e um nível de maturidade.”

Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, destacou os temas de interesse do conselho e também abordou os eventos programados para este ano, entre eles o “Bioeconomia Steering Committee”.

Também participaram da reunião o conselheiro do Conic e do Conjur, Paulo Roberto Barreto Bornhausen; o vice-presidente do Conic, Antonio Carlos Teixeira Álvares; a conselheira do Conic Andrea Matarazzo e o vice-presidente do Ciesp, José Eduardo Camargo.

Skaf visita planta de manufatura avançada do Senai-SP na Expomafe

Alex de Souza, Agência Indusnet FIesp

O presidente da Fiesp e do Senai-SP, Paulo Skaf, visitou na tarde da quinta-feira (11 de maio) o estande do Senai-SP na Expomafe 2017, onde conheceu a planta da Indústria 4.0 montada pela entidade. Além de ouvir a explicação sobre o funcionamento dos equipamentos, ele recebeu uma peça produzida no local.

“A máquina escaneou meu aparelho celular, analisou suas dimensões e me entregou um produto customizado em menos de sete minutos”, disse Skaf, ao receber uma caixa acústica que amplifica o som do celular. “Essa é a quarta revolução industrial”, completou.

Um pouco antes da visita, o presidente se reuniu com empresários da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), falando sobre a importância da regulamentação da terceirização, da reforma da Previdência e da modernização das leis trabalhistas.

A Expomafe (Feira Internacional de Máquinas-ferramenta e Automação Industrial) fica aberta até este sábado (13 de maio) no São Paulo Expo.

Paulo Skaf na planta de Indústria 4.0 montada pelo Senai-SP em seu estande na Expomafe. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Paulo Skaf na planta de Indústria 4.0 montada pelo Senai-SP em seu estande na Expomafe. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Sunil Gupta: ‘O mundo se desenvolve numa velocidade nunca vista antes’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ele vive com um olho no presente e o outro no futuro. Professor de Administração de Negócios da Escola de Negócios de Harvard (Estados Unidos), Sunil Gupta defende que estejamos todos, pessoas físicas ou jurídicas, em desenvolvimento constante. Em visita ao Brasil a convite da Fiesp, ele lotou o auditório do Teatro do Sesi-SP, no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na Avenida Paulista, na última quarta-feira (05/04). Na entrevista abaixo, ele fala sobre temas como tecnologia, indústria 4.0, marketing digital e redes sociais.

É a sua primeira vez no Brasil? O senhor conhecia o trabalho do Senai-SP?

Sim, é a minha primeira vez. Eu não conhecia o trabalho do Senai-SP e achei fabuloso. Fiquei impressionado com a quantidade de jovens que têm a sua formação profissional oferecida pela rede.

O senhor conhece a indústria brasileira?

Convivo com muitos brasileiros no programa de estudos que desenvolvo em Harvard e por isso me sinto familiarizado com alguns temas nacionais. A indústria brasileira é forte, tem grande potencial de desenvolvimento, mas também enfrenta problemas. O Brasil é bom em muitas áreas, como a petroquímica e o setor bancário, por exemplo, mas é importante lembrar que o mundo se desenvolve numa velocidade nunca vista antes. É preciso acompanhar esse movimento.

A indústria brasileira já entrou na era 4.0, guiada pela internet, pela interligação dos processos e pelo aumento da produtividade?

Eu diria que sim, mas num estágio inicial. Na verdade, poucos países estão avançados nesse campo, como a Alemanha, que sempre foi forte quando o assunto envolve manufatura. Lá, eles são focados em pontos como o controle de qualidade da produção e na produtividade, por exemplo.

Na Europa, de modo geral, essa discussão é mais presente, como no caso do Reino Unido. Os Estados Unidos, na América do Norte, vão na mesma direção.

Quais as mudanças mais importantes trazidas pela indústria 4.0?

A melhora na produtividade e na eficiência é sem dúvida o primeiro efeito da indústria 4.0 nas empresas. Com tecnologia e sistemas interligados, é possível agir mais rapidamente em caso de emergência, salvar vidas se for preciso e ainda reduzir custos.

Os próprios modelos de negócios devem mudar. Veja o caso da Amazon. Estabelecida como uma loja virtual, a empresa agora está testando um modelo de loja física, a Amazon Go, na qual os consumidores fazem as suas compras sem ter que passar pelo caixa, já que a empresa tem todas as informações sobre os clientes, como o número do cartão de crédito. É um novo conceito.

E com relação aos trabalhadores, como o emprego vai mudar diante de todas essas transformações?

Haverá mudanças significativas na força de trabalho. Desde os anos 1970 não faz sentido que seres humanos façam trabalhos mecânicos, repetitivos, que robôs podem fazer melhor.

Em tese, trabalhos intelectuais estão preservados, mas o que o ocorre é que, aquilo que eu faço, dar aulas, por exemplo, passa a não fazer sentido se eu fizer sempre as mesmas coisas, se falar sempre as mesmas coisas. Nesse caso, uma máquina pode me substituir. Temos que nos reinventar o tempo todo, dar o nosso melhor, ter abertura para aprender.

Que recomendações o senhor faria aos empresários brasileiros sobre o marketing digital?

Antes, as empresas anunciavam na televisão e todo mundo via. Agora não é tão simples: é preciso ir até o consumidor de diferentes formas. Os próprios consumidores vão em buscar dos produtos, entram no Google, escrevem o nome daquilo que procuram. Ou seja, vão atrás das empresas eles também. Sem falar que uma pessoa fala para a outra de determinado produto nas redes sociais. São muitas as formas de acesso à informação. Isso significa que as marcas precisam ser muito mais transparentes hoje do que eram no passado.

Principalmente em relação ao que divulgam nas redes sociais?

Sim. As redes sociais são uma faca de dois gumes. É muito fácil para mim viajar por uma companhia aérea e postar que fui maltratado durante o voo, as consequências são imediatas para as empresas. É como colocar fogo numa floresta, o incêndio precisa ser apagado rapidamente para que não se espalhe.

As redes sociais permitem que os consumidores provoquem esses incêndios, a questão é como as empresas vão lidar com essas situações. É preciso responder imediatamente, em minutos, e ser transparente, não dá para dizer que a empresa não tem nada a ver com o problema. É preciso cuidar da própria floresta, evitar que ela esteja seca, facilitando a propagação de incêndios.

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Gupta: "Os próprios modelos de negócios devem mudar". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp