Michael Porter e o Índice de Progresso Social

Agência Indusnet Fiesp (com colaboração de Karen Pegorari Silveira)

O Índice de Progresso Social (IPS), medição que avalia o progresso social dos países associado ao crescimento econômico, foi lançado oficialmente no Brasil durante a 15º Conferência Ethos, que ocorreu em São Paulo entre os dias 3 e 5 de setembro. Esse indicador tem como objetivo mostrar aos formuladores de políticas, organismos internacionais de desenvolvimento, empresas e organizações da sociedade civil que, para medir o progresso social de uma nação, é preciso ir além dos indicadores econômicos, é necessário ter uma visão holística e muito rigorosa.

No lugar de analisar indicadores econômicos, em especial o PIB, para medir o progresso de um país, o índice criado por pesquisadores da Harvard avaliou dados de 52 indicadores sociais e ambientais, agrupados em três categorias principais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos de Bem-estar e Oportunidades. O Brasil ocupa o 18º lugar entre os 50 países do ranking.

Sobre o assunto, o especialista em competitividade e professor da Harvard Business School Michael Porter comentou, durante entrevista coletiva na conferência, que o Brasil tem um desempenho melhor do que os outros países do Brics e que essa liderança chama a atenção. “O Brasil é relativamente mais eficiente em transformar crescimento econômico em progresso social. Ele está comprometido com esta agenda há algum tempo”. No entanto, em comparação com todos os países do mundo, o desempenho do Brasil em relação ao seu PIB está apenas na média, o que sugere que há espaço para o país melhorar seu desempenho em desenvolvimento social, explicou ele.

Porter: transformar crescimento econômico em progresso social. Foto: Divulgação

Porter: o desafio de transformar crescimento econômico em progresso social. Foto: Divulgação


Para o Brasil, o índice aponta ainda os principais desafios a serem tratados com urgência. São eles: segurança pública, acesso ao ensino superior, necessidades básicas, como água, saneamento, alimentação, moradias a preços acessíveis, poluição do ar, direitos da mulher e a sustentabilidade do ecossistema.

Ainda na entrevista coletiva, Porter reforçou que empresas privadas têm um papel essencial na questão de desenvolvimento social. “Sei que muitos dos senhores são céticos sobre a iniciativa privada e a questão do lucro. Mas é preciso abrir suas cabeças. As empresas podem e devem participar deste processo. Se uma empresa tem uma boa solução para avançar no progresso social, por que não usá-la? O Brasil tem tudo para ser protagonista”, destacou o professor.

Desenvolvimento social e econômico

Quando questionado sobre os desafios e oportunidades identificadas após a análise da realidade econômica de hoje, Porter afirmou: “Se não atingirmos o desenvolvimento da sociedade, não atingiremos o desenvolvimento econômico”. E citou o exemplo de uma empresa na Índia que criou um sistema de irrigação que reduziu em 40% a utilização de água e hoje pode atender 40 milhões de agricultores, suprindo uma necessidade social e aumentando o potencial do seu negócio.

Com relação ao IPS, Porter acredita que ele poderá ajudar a sociedade, o governo e empresas a terem um norte das áreas mais carentes e das áreas a investir, desenvolvendo socialmente o país. “O IPS deve servir para catalisar mudanças, estimular melhoras e para mobilizar”, diz o especialista. Ainda segundo ele, a Costa Rica e o Paraguai já sinalizaram que o ranking será adotado.

Porter contou também que um novo ranking global de Progresso Social será divulgado em 2014 e irá classificar 100 países. Alguns itens a mais, como mobilidade urbana, poderão ser incluídos. E para o próximo ano serão formados comitês parceiros locais que irão analisar os dados e propor ações para melhorar as condições sociais de cada país.

Sobre o Índice de Progresso Social

Para o cálculo do índice de cada local, é realizado um diagnóstico detalhado com informações disponíveis sobre a região. Ele se diferencia de outros índices que medem apenas indicadores de desempenho e não medidas de esforço, pois busca oferecer uma visão clara sobre o nível de bem-estar em cada país e não o esforço que é feito para atingi-lo. ”Nos concentramos nos resultados, não no gasto ou na criação de leis. Pensamos no desfecho”, diz Michael Porter.

Para saber mais: www.socialprogressimperative.org