Retrospectiva 2013 – Fiesp defendeu hidrelétricas com reservatório

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

“A opção mais recente por hidrelétricas sem reservatórios, decorrente de políticas ambientais cada vez mais irracionais e erradas, e também de uma blindagem de áreas indígenas, que entendemos equivocadas, pode ser notada nos 42 projetos hidroelétricos leiloados nos últimos 12 anos, com potência instalada de 29 mil MW. Desses, apenas 10 pequenos projetos apresentam reservatórios, correspondendo a 7% da potência total”. A afirmação foi feita pelo diretor do Departamento de Infraestrutura  (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, durante seu discurso de abertura do 14º Encontro Internacional de Energia, em agosto deste ano.

Motivo de um dos pleitos do Deinfra, a energia hidrelétrica com reservatório é mais barata, já que, depois de amortizado o investimento inicial, o que fica são custos menos significativos de operação e manutenção. O método ainda dispensa os custos com utilização de combustível, defende o Deinfra.

“A Fiesp defende as hidrelétricas com reservatórios, dentre  as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, pois é a única fonte que combina segurança, preço módico e baixa emissão de gases de efeito estufa. E o Brasil domina a tecnologia”, reafirmava Cavalcanti em seu discurso na ocasião.

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp, durante a abertura do 14o. Encontro de Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Carlos Cavalcanti na abertura do 14o. Encontro de Energia, em agosto de 2013. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Para enfatizar a necessidade de estabelecimento de regras específicas para o comércio do setor energético, a Fiesp lançou ainda o estudo A Regulação do Comércio Internacional de Energia: combustíveis e energia elétrica, também durante o 14º Encontro Internacional de Energia da entidade.

Autor do trabalho, o Deinfra avaliou, entre outros aspectos, o investimento no setor energético, o mercado de energias renováveis e o quadro atual da regulação no mundo.

A publicação informou que 22,5% dos bens comercializados entre os países são energéticos, segundo cálculos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda em agosto, a área de Infraestrutura da Fiesp realizou a quinta edição do Encontro de Telecomunicações. Durante o evento, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, confirmou que a carga tributária em serviços de telecomunicações pode ser reduzida em até sete anos. “Não dá para falar aos estados que vamos reduzir o imposto pela metade, mas podemos fazer um plano para reduzir gradativamente em cinco ou sete anos”, disse o ministro na ocasião.

Conta de luz

Ainda no âmbito de energia, em fevereiro deste ano, a Fiesp lançou uma ferramenta online que permite ao consumidor de São Paulo verificar o desconto na conta de luz decorrente da adoção da Lei 12.783, aprovada em 11 de janeiro de 2013.

A redução do preço é resultado de uma campanha lançada em 2011 pela Fiesp  (“Energia a Preço Justo”), que mobilizou a sociedade em prol da queda de preço nas contas de luz, tanto das famílias quanto das empresas. O lançamento da ferramenta foi mais uma ação da campanha “Energia a Preço Justo”.

Com a ferramenta, disponível em versão para mobile ou tablet (por meio do http://m.fiesp.com.br/calculadora-energia/), o consumidor pôde conhecer o valor em reais que pagava antes e o que passou há pagar todo mês com a adoção da lei. Pôde ainda verificar o percentual de desconto.

Em março, uma campanha da Fiesp foi ao ar sobre a ferramenta. Um filme de 30 segundos, com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apresentou ao consumidor a ferramenta.

Saiba aqui mais informações sobre o campanha.

Infraestrutura de transportes

Lançado em maio deste ano pelo Deinfra, o Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transportes (IDT) apurou que, em relação à infraestrutura de transportes, o desempenho de regiões metropolitanas do Brasil apresenta defasagem de 67% em comparação com as regiões mais avançados do mundo.

O IDT/Fiesp comparou o desempenho de 18 indicadores de logística do Brasil em relação a líderes do setor no mundo. Entre os componentes de logística foram avaliados a disponibilidade de rodovias, número médio de pousos e decolagens, quilômetros de ferrovias e hidrovias, número de óbitos em rodovias, porcentagem de rodovias pavimentadas.

O índice concluiu, por exemplo, que comparado aos países com melhores práticas de infraestrutura de transportes, o Brasil está defasado em 70% em evitar acidentes em rodovias.

A cada 10 mil habitantes, dois morrem em rodovias no Brasil, considerando as federais estaduais e municipais, enquanto o grupo de países com melhores práticas logísticas apresenta uma taxa de 0,6  óbitos para 10 mil habitantes.

O indicador também apontou que a oferta brasileira de rodovias, incluindo federais, estaduais e municipais, é defasada em 47% em relação à melhor prática de infraestrutura de transporte do mundo, ou seja, está a 53% do topo do ranking mundial.

Clique aqui para ver o estudo.

O levantamento foi divulgado no encerramento do 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. Na abertura da edição de 2013, o diretor do Deinfra, Carlos Cavalcanti, defendeu o fim das restrições às operações de cargas de terceiros em terminais privados, a recilicitação de contratos vencidos e menor tarifa e maior movimentos nos portos.

Cavalcanti reiterou na ocasião que a Medida Provisória dos Portos acaba com a distinção entre carga própria e carga de terceiros e prevê “um amplo choque de oferta de serviços portuários, promovendo concorrência entre armazéns e terminais, que é exatamente o que o Brasil precisa”.

A MP dos Portos foi aprovada em 16 de maio. Em nota oficial, a Fiesp afirmou que aprovação abriria caminho para um “choque de competição” que o Brasil precisava.

Saneamento em debate

Em outubro deste ano, o Deinfra organizou o 3º Encontro de Saneamento Básico – Recuperar o Tempo Perdido. Em seu discurso de abertura, Cavalcanti afirmou que “saneamento é primordial para o desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, apenas 37,5% do esgoto no Brasil é tratado. “Tudo isso repercute na saúde da população, traz severas implicações para a saúde e para o meio ambiente”, completou.