UpLab: incubadora do Senai-SP prepara empresas e abre as portas para o mercado em São Caetano do Sul

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Incubadoras de empresas existem muitas. De todos os tipos. Mas incubadora na qual o canal com a indústria está sempre aberto e onde é possível desenvolver o negócio a partir de uma infraestrutura completa à disposição dos empresários só no Senai-SP. É assim no Uplab, espaço de inovação e empreendedorismo instalado na escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.  A iniciativa teve início em agosto de 2017 e conta hoje com duas empresas que desenvolvem os seus produtos e modelos de negócios na unidade.

“São projetos de negócios voltados para a indústria, um trabalho com viés de aceleração”, explica o supervisor de Inovação do Senai – SP, Carlos Coelho. “Questionamos todos os pontos dos projetos das empresas, em seis meses é estabelecido um modelo de negócios e definido um produto”.

Após esse prazo, as empresas podem ficar até dois anos tendo o suporte do Senai-SP. “Pode ser um tempo para ganhar mercado, vender, fazer networking”, diz Coelho.

Segundo ele, o Senai-SP “abre portas”. “Os empresários contam com a experiência dos profissionais da instituição em gestão, design, tecnologia”, conta. “Além de usar toda a nossa infraestrutura de laboratórios e máquinas para desenvolver seus produtos: temos um playground caprichado à disposição”.

O UpLab na escola do Senai-SP em São Caetano do Sul: espaço de empreendedorismo e inovação. Foto: Divulgação

Isso com direito à fabricação do primeiro lote de produtos da empresa na própria escola do Senai-SP. “Depois a empresa paga um pequeno percentual sobre as vendas desses produtos, quando começar a vender”.

Em breve, a incubadora terá mais empreendedores em suas instalações. Os 15 mais bem classificados do Acelera, concurso de empreendedorismo da Fiesp, serão convidados a receber suporte por quatro meses no local.

No futuro, está prevista a ampliação do projeto Uplab para outras unidades do Senai-SP. E a oferta de atendimento virtual para interessados que moram longe da Grande São Paulo.

Totalmente conectados

Trabalhando ao lado dos empreendedores em São Caetano do Sul, o especialista técnico do Senai-SP Paulo Inoue explica que, na incubadora, a conexão dos participantes do Uplab com as empresas já estabelecidas no mercado é um dos pontos fortes do trabalho. “Eles estão totalmente conectados conosco e recebem todo o suporte para fechar negócios com as indústrias da região”, diz.

De acordo com ele, outro diferencial do trabalho de incubação oferecido é a qualidade dos laboratórios da escola. “Outras incubadoras não conseguem oferecer infraestrutura igual para que eles desenvolvam seus produtos”.

Diante desse ambiente de apoio à inovação, um dos empresários participantes do Uplab, Elias Aoad Neto, se diz apoiado para desenvolver seu negócio e se relacionar com a indústria. “Ter o carimbo do Senai-SP faz toda a diferença”, afirma. “Essa divulgação do nosso produto é muito importante para entrar no mercado”.

A empresa de Neto é a AutomatSmart, de desenvolvimento de soluções de gestão de manutenção industrial a partir de inteligência artificial. Ou seja, faz a análise da manutenção com foco na redução de custos e aumento da produtividade de modo diferenciado, já atraindo a atenção do mercado. “Uma empresa grande de manutenção industrial procurava exatamente uma solução com inteligência artificial e já entrou em contato conosco”, diz Inoue.

 

Agilidade das startups dá vantagem na crise, afirma diretor durante abertura do Acelera Startup

Agência Indusnet Fiesp

Na abertura, nesta segunda-feira (16/11), da fase final do 7º Acelera Startup, concurso de empreendedorismo da Fiesp, Bruno Ghizoni, diretor do Comitê Acelera Fiesp (CAF), disse que “por incrível que pareça”, o momento no Brasil é bom para as startups. “Vocês são mais ágeis, pensam fora da caixa.” Lembrou que os finalistas da sétima edição do Acelera Startup foram escolhidos entre cerca de 5.000 empresas e “já são mais que vencedores”.

Participam 316 empreendedores que tiveram projetos ou startups selecionados na primeira fase de avaliação. São dois dias de um exclusivo processo de aceleração, com palestras, workshops, mentorias e avaliações classificatórias. As categorias desta edição são Geral; Agronegócio; Educação; Saúde e Bem-estar.

Sylvio Gomide, diretor titular do CAF, fez um paralelo entre os atentados na França e a crise enfrentada pelo Brasil. No nosso caso, afirmou, parte da solução vem da educação e do trabalho. “O momento de reflexão é importante para nós”, disse. “Não podemos fingir que nada está acontecendo. A primeira resposta é educação, e a segunda é trabalho, a geração de renda, de emprego.”

Gomide explicou a importância da campanha “Não Vou Pagar o Pato”, com participação ativa da Fiesp, e pediu a participação do público.

Também elogiou a presença dos empreendedores no Acelera Startups. “É importante contar com a participação de todos vocês. Na última edição, 17 Estados participaram deste concurso.”

Os 12 mais bem avaliados (sendo oito operacionais e quatro pré-operacionais) chegarão como finalistas do evento, podendo apresentar seu negócio, no modelo de elevator pitch (até 3 minutos), à banca de investidores mais seleta do mercado. Dois deles serão os grandes vencedores, sendo um operacional e outro pré-operacional, independentemente da categoria. Pela primeira vez, serão premiados projetos e empresas inovadoras tanto em fase pré-operacional quanto operacional.

O público pôde participar das palestras sobre inovação, investimento e empreendedorismo, também transmitidas ao vivo pela Internet. Na terça-feira (17/11) poderá acompanhar as apresentações dos pitches (apresentações) dos finalistas aos investidores

Sylvio Gomide, diretor titular do CAF, durante a abertura do 7º Acelera Startup. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Ambiente empreendedor

A primeira palestra, sob o título Inovação – O case da Agência Africa, teve como moderadora Daniela Saad, diretora do CAF e da área comercial dos canais pagos da Band. Em sua apresentação, Sérgio Gordilho, sócio da agência Africa, ressaltou o ambiente favorável ao empreendedorismo na Fiesp, que estimula as startups. Na Bahia, há condição semelhante para a criatividade, disse, como explicação para a grande presença de publicitários e especialistas em marketing em seu Estado.

Gordilho disse que “crise é inovação. Isso é o ponto. Tire o esse, e crise vira crie”. Numa crise, explicou, é preciso olhar de forma diferente tudo que se faz. “Porque isso é inovação – tentar fazer melhor. É alterar a forma de fazer. O que é o bom da crise? Crise é um grande momento de inovar.”

O sócio da agência Africa deu também conselhos práticos sobre comunicação ao público. “Para saber a melhor mídia é preciso conhecer seu consumidor. A melhor mídia é onde ele está. Você sabe para quem sua empresa foi feita? Vivemos um mundo de oportunidade nas mídias, porque o brasileiro é conectado. Primeiro entenda seu consumidor – a partir daí fica fácil.”

Gordilho encerrou sua apresentação estimulando os empreendedores: “Trabalhem, foquem, cresçam”.

Sergio Gordilho, sócio da Agência Africa, durante palestra no Acelera Startup. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Investimentos

O primeiro painel do dia, O mercado faz o pitch aos empreendedores – O que existe para ajudar minha startup?. teve intensa participação do público. O moderador do painel, Bruno Ghizoni, explicou que a ideia das apresentações foi mostrar o outro lado para o empreendedor.

Leonardo Pereira, chefe do departamento de capital empreendedor do BNDES, classificou como “impressionante como o empreendedorismo se desenvolve no Brasil, e mais especificamente em São Paulo, e como o ecossistema favorece isso.”

O BNDES, explicou, tenta criar produtos para dinamizar o ecossistema de inovação. Citou como problema no Brasil a remuneração dos títulos do Governo. “Dão 14% a 15% ao ano, e os investidores querem mais do que isso” na hora de escolher empreendimentos. Além desse retorno, o empreendedor precisa ficar de olho nos concorrentes. “Investidor quer ver capacidade do gestor e quer ver resultados.”

Fernanda Bordin, gerente da área de inovação e negócios da Mercedes-Benz, disse que a empresa tem abertura para startups, mas os empreendedores têm que ir preparados – “é preciso convencer muitas pessoas pelo caminho”. Disse que o LinkedIn funciona como canal para apresentar a startup à Mercedes – “mas não aquele pedido padrão de ‘adicionar’”. É preciso pensar como se fosse um pitch de elevador, contar o que a empresa tem a oferecer.

Fábio Kiyan, coordenador de Estratégia Tecnológica da Embraer, disse que a empresa toma ações focadas em fortalecer ecossistema de inovação. Parte importante do que a Embraer vai precisar, explicou, virá de startups. “O Acelera é programa muito importante para a Embraer.” Eventos como ele ajudam a Embraer a identificar fornecedores e encontrar soluções para problemas de curto prazo.

Sérgio Risola, diretor-executivo do Centro de Inovação, Empreendimento e Tecnologia (Cietec), frisou o tamanho – “é o maior do Brasil” – e a qualidade do Acelera Startup. Sobre a incubadora em que trabalha, disse que procuro “tornar simples, segura e escalável a inovação”. Cietec ajuda a criar asas, mas voa junto.

Também participaram do painel Rodrigo Comazzetto, gestor regional de São Paulo do Fundo Criatec 2, Anderson Borille, coordenador da Divisão de Engenharia Mecânica do ITA, e Alexandre Barros, coordenador da Incubadora de Negócios do Cecompi. Borille e Barros destacaram o ambiente favorável à inovação no Vale do Paraíba, com a presença de indústria aeronáutica, aeroespacial e de defesa.

Labs

O segundo painel do Acelera, A nova onda do mercado: Labs – O que são? O que minha startup ganha com isso?, foi mediado por Marcos Moraes, diretor do CAF. José Cláudio Cyrineu Terra, diretor de Inovação do Hospital Israelita Albert Einstein, lembrou que inovação precisa de uma visão diferente. Disse que o hospital quer impactar o ecossistema de inovação da saúde no Brasil. Para acelerar startups da área de saúde, ajuda em pontos como a área científica. “Sem ecossistema de inovação extremamente forte, nossos problemas na área de saúde não serão resolvidos”, afirmou. O hospital criou uma “garagem” para projetos, e contratou 15 engenheiros, de áreas como mecatrônica. Conseguiu montar portfólio de 30 projetos num ano.

Patrick Teyssonneyre, diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, alertou os participantes que o modelo de negócios tem sido a deficiência nos pitches (mais de 70) que acompanhou. “Precisa evoluir nisso”, afirmou. Célio Antunes, presidente da Impacta Tecnologia, citou projeto de plataforma de e-learning desenvolvida por seus alunos. Ele comprou 20% da empresa, e a solução virou comercial.

Sobre o Acelera

Uma boa ideia na cabeça e a chance de encontrar seu potencial investidor, no elevador, e convencê-lo em prazo recorde: esta é uma das propostas do dinâmico Concurso Acelera Startup. O Acelera Startup incentiva o empreendedorismo inovador e aproxima projetos e empresas de investidores.

Cerca de 50 investidores, com potencial de investimento de R$ 500 bilhões, formarão a maior banca do país. Trata-se da maior arena de aceleração do Brasil, que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo e a inovação, atraindo o maior número de empreendedores e de investidores para a geração de negócios. Somando as seis edições anteriores, o evento já gerou investimentos de mais de R$ 3 milhões.

Confira toda programação no site http://hotsite.fiesp.com.br/acelera/