Atividade industrial cai 0,5% em março;medidas do governo não causam efeito no curto prazo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista apontou desaceleração de 0,5% em março sobre fevereiro, na série com ajuste sazonal. No primeiro trimestre do ano, a indústria de transformação recuou 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando o quarto trimestre consecutivo de queda. O resultado mensal surpreendeu a Fiesp e o Ciesp, já que março, normalmente, é um mês de crescimento.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539927514Apesar das recentes medidas tomadas pelo governo quanto ao câmbio, taxa de juros e Guerra dos Portos, os efeitos dessas ações na recuperação da atividade só surtirão efeito no longo prazo, avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas da Fiesp e do Ciesp.

“Estão acontecendo coisas que apontam para uma certa recuperação da atividade industrial, mas isso não se dará no curto prazo. Não se percebe, no desempenho do primeiro trimestre, viés de melhora para a indústria de transformação, pois ele está perdido. Eventualmente enxergamos uma trajetória de melhora, mas só para o segundo semestre deste ano”, enfatizou Francini.

Diante desse cenário, a previsão da entidade para o Produto Interno Bruto (PIB) do país foi mantida em uma taxa de crescimento de 2,6% no ano de 2012. Para a indústria em geral, a Fiesp prevê um crescimento de 1,4%, já para a indústria de transformação a taxa é de 0%.

Francini reconhece que o câmbio – principal influência para o desempenho da indústria no mercado externo e doméstico – melhorou. Mas a recuperação da competitividade do setor de transformação ante os importados “é uma questão que leva tempo.”

Sem o ajuste, o INA avançou 10% na comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi negativo em 1,8%. De janeiro a março de 2012, o indicador também acumula variação negativa de 6,1% em relação ao mesmo período de 2011, descontando o ajuste à sazonalidade.

 

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou um ponto percentual: de 79,8% em fevereiro para 80,8% em março deste ano. Na leitura com ajuste sazonal, o componente ficou em 81,4% no mês passado contra 82,1% em fevereiro de 2012.

Dos 17 setores avaliados pela pesquisa em março, destacam-se as perdas nos setores de Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos, com queda expressiva de 7,5% na leitura mensal considerando os efeitos sazonais. E o segmento de Celulose, Papel e Produtos de Papel, com queda de 1,1% sobre fevereiro, em termos ajustados.

“A indústria de transformação apresenta um comportamento muito homogêneo entre os vários setores. Ela está próxima do zero. Sem força para grandes pioras ou para grandes melhoras”, afirmou Francini.

Já o indicador de Veículos Automotores foi destaque de alta em março com variação positiva de 5,9%, com ajuste, na comparação com fevereiro.

Fim Guerra dos Portos

Francini elogiou a aprovação da Resolução 72, pelo Senado. A medida acaba com a chamada Guerra dos Portos. O mecanismo vem sendo usado por diversos Estados brasileiros para conceder incentivos fiscais a produtos importados por meio de descontos no ICMS.

“A decisão do Senado foi positiva para a indústria. A Fiesp lutou muito para que isso acontecesse.” No entanto, a medida, que deve entrar em vigor em 2013, “também não tem efeito imediato sobre a recuperação da indústria.”

 

Expectativa

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente, medida pelo Sensor Fiesp, caiu mais de quatro pontos em abril ante março e ficou em 47,2.

O item mercado se manteve estável em 52 pontos em abril contra março. O indicador de Estoque ficou em 41,5 em abril ante 51,4 em março, indicando aumento dos estoques da indústria. Já o item Vendas recuou para 47,5, versus 51,6 em março. No segmento de Emprego, o Sensor anotou queda para 48,3 em abril contra 49,5 em março.