2014 será de desafios e oportunidades para a indústria têxtil

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Um ano novo com menos ameaça dos importados e diante do desafio de fazer diferente e investir na identidade e na originalidade dos produtos. Para o membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), Marcelo Prado, os empresários do setor de vestuário têm tudo para acreditar que 2014 será melhor do que 2013. Mesmo que ainda falte muito para recuperar os bons resultados de outros tempos.

As perspectivas para o setor daqui por diante e a conjuntura atual foram discutidas, na tarde desta terça-feira (03/12), na reunião plenária do Comtextil, na sede da Fiesp, na capital paulista. O debate foi conduzido pelo coordenador do Comitê, Elias Haddad.

“A ameaça dos importados desacelerou por conta do câmbio”, explicou Marcelo Prado. “Em 2014, vamos parar de cair e estagnar, diferentemente do que aconteceu nos últimos anos”, disse.

De acordo com o membro do Comtextil e diretor do IEMI, daqui por diante “quanto mais do mesmo se produzir, menores serão as chances de lucro”. “É preciso pensar em novos modelos de criação, com mais originalidade, brasilidade e identidade”, afirmou. “Não funciona mais viajar para a Europa, fotografar as vitrines e copiar as peças”.

A reunião do Comtextil: perspectiva é de que indústria pare de cair em 2014. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A reunião do Comtextil: perspectiva é de que indústria pare de cair em 2014. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Prado explicou que o setor têxtil cresceu até 2010, desacelerando depois disso. “Nos últimos três anos, a produção cresceu 4% em volume de peças e 7,6% em valores, descontada a inflação”, disse.

Para 2013, a perspectiva para a indústria têxtil é de queda de 2,9% no volume de peças produzidas e aumento de 2,4% em valores nominais.

Segundo Prado, o consumo de vestuário no Brasil deve ter queda de 1,9% em 2013, com alta de 3,6% em faturamento. “A participação dos importados no mix de peças comercializadas é hoje de 12%”.

Varejo que mexe com a indústria

Além da necessidade de fazer a diferença, a indústria precisa estar atenta às mudanças observadas no varejo. “Vivemos uma transformação no varejo que vai mudar a indústria”, disse Prado. “E a indústria têxtil brasileira depende basicamente do mercado interno”.

Entre essas mudanças está a maior força das lojas independentes de roupas, daquelas que ocupam amplos espaços de vendas. Um grupo que respondeu por 37% das vendas de vestuário no Brasil. “É preciso criar novas formas de comercialização, buscar novos canais de distribuição”, orientou.

Outras transformações nas lojas a serem observadas pela indústria são a maior velocidade de inovação, com trocas cada vez mais rápidas de coleções, e a oferta de um mix de peças mais qualificado, com destaque para a moda feminina. “Hoje as lojas oferecem looks completos, com roupas, acessórios, calçados e até perfume”, disse Prado. “Não existe mais o manequim de casaco, echarpe e pés descalços”.

As chamadas coleções assinadas são outra tendência. “É o modelo de loja dentro da loja”, explicou.

Nessa linha, mais do que marca própria, as empresas precisam vender “marca valorizada” e “encantar os clientes”. “Cerca de 75% das compras de roupas são feitas por puro encantamento com a peça no ponto de venda”, afirmou Prado. “Por isso é preciso se diferenciar, ser único e inigualável”.

Agenda positiva

Segundo Elias Haddad, o Comtextil terá uma “agenda positiva” em 2014. “Cumprimos a nossa obrigação em 2013, tivemos uma pauta extensa”, disse o coordenador do Comitê. “E vamos fazer melhor ainda em 2014”.

Assim, conforme Haddad, a meta é oferecer ainda mais ações voltadas para o desenvolvimento para os empresários e “ser um centro de oportunidades”. “Teremos ações nas áreas de marketing, inovação, novas tecnologias, matérias-primas, eficiência, produtividade e bancos de dados comparativos”, explicou. “E trazer mais empresários de sucesso e especialistas de todas as áreas para apresentar seus cases”.

Importados vão abocanhar um terço do consumo de produtos têxteis no Brasil em 2013, prevê especialista

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo Prado: varejo de vestuário movimentou R$ 161,4 bilhões em 2012. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Em 2013, cerca de um terço dos produtos têxteis consumidos no Brasil será de importados. A informação é do diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), Marcelo Prado, que apresentou nesta terça-feira (16/04) uma série de dados de desempenho e  do setor têxtil nos anos de 2012-13 – e as perspectivas para o ano de 2013.

A palestra aconteceu durante a reunião mensal do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na 3ª edição da Feira de Tecnologias para a Indústria Têxtil (Tecnotêxtil Brasil), no centro de exposições e convenções Expo Center Norte.

De acordo com Marcelo Prado, em 2012 o varejo de vestuário movimentou R$ 161,4 bilhões em 2012, com o crescimento de 2,4% na fabricação de peças. Segundo ele, a perspectiva para 2013 é de um aumento de 3,3% no número de peças. Apesar do resultado positivo, Prado enfatizou que o crescimento do varejo têxtil brasileiro em 2012 foi pequeno se comparado ao de outros setores, que registram elevação de 8,4%.

“O crescimento [varejo têxtil] foi aquém quando comparado ao do comércio varejista em geral, como, por exemplo, os setores de automóveis e de produtos da linha branca e marrom [eletrodomésticos], que receberam incentivos fiscais.  Nosso setor não recebeu nenhum tipo de benefício [fiscal] e, mesmo assim, não aumentou os preços, apesar do crescimento dos produtos importados”, enfatizou o diretor do IEMI.

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Reunião do Comtextil aconteceu na feira Tecnotextil. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Parcerias comerciais

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Carlos Pereira. Foto: Julia Moraes/Fiesp

No encontro, Carlos Pereira, gerente de projetos da empresa Nord France Innovation Développement, e sua comitiva, formada por representantes de indústrias têxteis da Espanha, França e Portugal, apresentaram oportunidades de negócios e parcerias comerciais na produção de produtos têxteis avançados, com destaque para os setores automotivos, aeronáutico e hospitalar.

“As empresas precisam trabalhar com produtos de mais valor. E este produto muitas vezes é para atender necessidades de outros setores. E isso inclui a criação de produtos têxteis avançados”, salientou.

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Rafael Cervone. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Opinião compartilhada 1º vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto,  para quem a parceria entre a cadeia produtiva têxtil e os centros de inovação da Europa impulsionará o setor de produtos têxteis avançados.

“Buscamos no nosso dia a dia interagir com estes institutos. Alguns países europeus têm o centro de inovação com tecnologia de ponta, mas não têm mais a indústria. O momento é propicio para a integração entre os centros de tecnologia [europeus] e as indústrias brasileiras”, avaliou Cervone.

Sobre a Tecnotêxtil Brasil

Considerada a principal feira de tecnologias têxteis da Região Sudeste, a Tecnotêxtil Brasil 2013 apresenta os lançamentos de 300 marcas de empresas nacionais e internacionais. Entre os países expositores, podemos destacar fabricantes da Alemanha, China, Eslováquia, Estados Unidos, Índia, Itália, Peru, Reino Unido, Suíça e Turquia.

Paralelo ao evento, acontece a XXV Congresso Nacional de Técnicos Têxteis e o 1º Congresso Científico Têxtil e de Moda, promovidos pela Associação Brasileira de Técnicos Têxteis (ABTT), que reúne cerca de 1,5 mil profissionais, docentes e estudantes que participaram de palestras e apresentações de trabalhos acadêmicos que contemplam todos os elos da cadeia têxtil.

Emprego na indústria do vestuário deve encerrar o ano negativo em 7,1%, mostram dados do IEMI

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo Prado, diretor do IEMI, durante reunião do Comtêxtil.Foto: Júlia Moraes

A produção da indústria de vestuário deve cair 5,5% ao final de 2012, na comparação com 2012, chegando a seis bilhões de peças produzidas, enquanto o consumo aparente, apesar de uma provável queda de 2,5%, deve chegar aos 6,7 bilhões de peças.

O número de empregados demitidos pelo setor também deve crescer em relação ao anterior. Segundo estimativas do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), a previsão é que o mercado de trabalho no segmento encerre o ano com queda de 7,1%, na leitura anual, registrando um pessoal ocupado na casa do 1,1 milhão.

Os números foram divulgados na quinta-feira (5/12), durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ainda segundo pesquisa do IEMI, entre 2007 e 2011, a produção da indústria de vestuário cresceu 15% em peças. Em valores nominais, houve crescimento de 48%.

“No ano passado, a indústria demorou a desaquecer e sobrou peça no varejo. Mas para este ano a projeção é inversa: vão faltar peças”, afirmou Marcelo Prado, diretor do IEMI.

O cenário projetado para 2013 é mais otimista, segundo Prado, já que a produção da indústria de vestuário em volumes deve crescer 2% em volume de peças.

Importados

As vendas em volumes físicos devem apresentar um ganho de 4,7% em 2012 ante 2011, o equivalente a 6,8 bilhões de peças. Boa parte desse volume deve ter sido suprida pela oferta de mercadorias importadas, que pode encerrar o ano absorvendo 26% do mercado doméstico, alcançando os 804 milhões de peças.

De acordo com os números da pesquisa do IEMI, a perspectiva é que a participação dos importados no consumo interno de produtos têxteis em geral seja de 32% em 2012.

Produtos importados ainda são nó que falta desatar para competitividade, diz Roriz

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

Se um novo modelo econômico de crescimento não privilegiar a competitividade da indústria, o setor manufatureiro não será capaz de aproveitar o aumento da renda no Brasil, avaliou nesta segunda-feira (26/11) José Ricardo Roriz, diretor-titular do Departamento de Competitividade (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Quando aumenta a renda, o brasileiro quer comprar um carro, uma casa, um celular, uma roupa de melhor qualidade. Se nós não tivermos condição de produzir isso de maneira competitiva, quem vai capturar esse crescimento da nossa renda serão os produtos importados. Então, esse é um grande nó que temos de desatar”, afirmou Roriz ao divulgar um ranking anual da Fiesp sobre competitividade dos países.

De acordo com apurações do Índice de Competitividade da Fiesp (IC-Fiesp 2012), o Brasil subiu uma posição em 2011 para a 37ª colocação em um ranking com 43 países, os quais representam mais de 90% do PIB mundial.

“Em um balanço geral da nossa situação competitiva, nós melhoramos, mas não de uma maneira tão acelerada como a de outros países que concorrem com a gente”, avaliou Roriz sobre países como a China e a Coreia do Sul.

O ranking de competitividade da Fiesp mostra que os Estados Unidos estão em primeiro lugar, com 91,8 pontos, a região chinesa de Hong Kong em segundo, com 75,3 pontos, e a Coreia do Sul, em quinto, com 74,2 pontos.

Crise internacional

Apesar de reconhecer que o cenário internacional não ajuda o Brasil a escoar suas exportações, Roriz acredita que o maior problema é a grande disparidade entre as modestas exportações brasileiras de produto com valor agregado e a robusta importação de produtos manufaturados.

“O problema que aconteceu é que nós aumentamos muito as importações e diminuímos as exportações. Além disso, dentro da nossa matriz de exportações há produtos de baixo valor agregado, e isso pesa desfavoravelmente para o Brasil”, afirmou.

“Alguns países que melhoraram o ranking, embora estejam exportando menos em volume, estão exportando em produtos de maior valor agregado. A China passou a ser o maior exportador de produtos de alta tecnologia. Há dez anos, você nunca imaginaria isso”, analisou o diretor do Decomtec/Fiesp.

Clique aqui e veja ranking na íntegra.

Queda no consumo de produtos industrializados não inibe entrada dos importados

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O primeiro trimestre de 2012 apresentou queda de 3,1% do consumo aparente comparado ao mesmo período do ano anterior, mostrou a análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados nesta segunda-feira (14). A produção industrial para o mercado interno acompanhou o movimento de baixa com queda ainda maior de 4,2%. As importações, no entanto, apresentaram alta de 1,2%.

Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, Roberto Giannetti, os dados são provas das dificuldades da indústria nacional em competir com os importados e também registram a tendência observada de maior entrada dos produtos industriais estrangeiros no mercado doméstico. “É natural que a produção acompanhe o ritmo do consumo aparente, mas essa queda aguda é sinal da fragilidade da indústria ante a competição externa”, explicou.

Essa queda mais intensa da produção nacional para o mercado interno abre espaço para a entrada de importados e puxa para cima o Coeficiente de Importação (CI). O índice para a indústria geral cresceu um ponto percentual, saltando de 21,6% para 22,6% na comparação interanual. A indústria de transformação acompanhou o ritmo, saindo de 20,4% no primeiro trimestre de 2011 para 21,6% no mesmo período deste ano.


Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total do setor cresceu de 17,5% para 19% na comparação entre os três primeiros meses de 2011 e os de 2012. Apesar da alta, o índice continua abaixo dos patamares de 2007, quando atingiu 21,1%. O Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação e para indústria geral cresceram 1,4 p.p e 1,5 p.p, atingindo as marcas de 16,1% e 19%, respectivamente.

Performance positiva

De acordo com a análise da Fiesp, a performance positiva do índice se deve à alta de 6% no valor do câmbio médio no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Com a desvalorização do real ainda em curso, a expectativa é que o CE continue a apresentar alta em termos anuais, mantendo a tendência de crescimento das exportações na participação da produção industrial doméstica.

Entretanto, este movimento, somado ao fraco desempenho da indústria, seguiria abrindo passagem para a penetração dos importados. “Apesar de não termos retomado os maiores níveis da série histórica, a evolução do Coeficiente de Exportação pode ter continuidade com a manutenção de um câmbio mais favorável”, afirmou Giannetti.


Setores
O coeficiente de importação apresentou alta em 22 dos 33 setores analisados. Destaque para os seguintes segmentos:

  • Tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, cuja participação dos importados cresceu de 37,3% no primeiro trimestre de 2011 para 45,7% no mesmo período de 2012;
  • Máquinas e equipamentos para extração mineral e construção, com alta de 6,7 p.p. na comparação interanual:
  • Artigos do vestuário e acessórios, que expandiu de 12,1% para 18%.Entre os setores que registraram retração no CI, na comparação com 2011, vale destacar o de preparação e artefatos de couro (21,1%) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalares (53,8%) que apontaram queda de 9,6 p.p. e 6,9 p.p., respectivamente.

Dos 33 segmentos analisados pelo coeficiente de exportação, 15 apresentaram alta em relação a 2011. Dos que registraram elevação nas variáveis produção industrial e exportação, o de aeronave se sobressaiu com índices de 8,7% e 30,3%, respectivamente, na comparação entre trimestres.

Entre os setores que apresentaram queda na produção e elevação das exportações, destacam-se na seguinte ordem: produtos têxteis (-8,0% e +54,6%); máquinas e equipamentos para extração mineral e construção (-8,4% e 22,5%); ferro-gusa e ferroligas (-10,9% e 4,4%); e automóveis, caminhões e ônibus (-22,9% e 2,1%).

Já dentre os setores que registraram queda no CE, chama atenção o de fundição e tubos de ferro e aço, que saiu de 20,3% nos três primeiros meses de 2011, para 11,7% no período atual, apresentando retração de 8,6 p.p.

Consumo de importados é o maior em nove anos e preocupa Fiesp

Agência Indusnet Fiesp  

A indústria nacional vem registrando perdas significativas de participação no mercado interno, mostraram os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados nesta terça-feira (7).

O coeficiente de importação (CI) da indústria geral atingiu 23,1%, maior índice já registrado na série histórica, iniciada em 2003 – o recorde anterior era de 21,8%, apurado em 2010. O mesmo ocorreu com a indústria de transformação, que chegou a 21,9% no fechamento anual, também apontando um novo recorde – o anterior era de 20,4%, registrado igualmente em 2010.

No ano passado, o consumo aparente no Brasil cresceu 1,2% e a maior fatia desse crescimento foi aproveitada pelos importados (54,5% do total). A indústria doméstica ficou com o percentual remanescente, 45,5%. Os números indicam a inversão do cenário encontrado em 2010, quando a maior parte (53,2%) dos produtos consumidos internamente foi produzida pela indústria brasileira.O estudo, realizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), apontou que a participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro, no quarto trimestre de 2011, aumentou 0,6 ponto percentual, chegando a 24%. No mesmo período de 2010, o nível de participação dos importados no consumo doméstico era inferior em 1,5 p.p. (22,5%).

“Isso significa que de cada três produtos consumidos no nosso país, um é importado. Em 2005, essa proporção era de 15%, hoje temos um recorde histórico”, afirmou o diretor do Derex, Roberto Giannetti da Fonseca.

Segundo ele, para reverter a situação é preciso trabalhar as questões de câmbio, eficiência logística e desoneração de tributos “para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros tanto para concorrer no mercado interno, com os importados, quanto na exportação, com produtos do mundo todo”.

Os coeficientes de exportação (CE) das indústrias geral e de transformação apresentaram alta de 0,6 p.p – fechando em 19,5% e 16,4% respectivamente – na comparação anual, embora tenham permanecido estagnados nos três últimos trimestres de 2011. “A desvalorização cambial de 10% proporcionou melhora na competitividade dos produtos brasileiros no exterior, garantindo a elevação do CE”, explicou Giannetti.

O diretor alerta para um cenário de movimento de substituição de produtos nacionais no consumo interno brasileiro que, caso seja mantido pelos próximos anos, levará o Brasil a aprofundar a atual conjuntura de perda de participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB).

“A maior preocupação dos industriais é que o crescimento do consumo no Brasil não está beneficiando a indústria nacional. Ele está sendo capturado, quase que completamente, pelos produtos importados e isso, ao invés de criar emprego e renda aqui, cria lá fora.” Dessa forma há uma ruptura no círculo “consumo-produção –renda –consumo”, uma vez que o dinheiro que incrementaria a economia do Brasil vai para o exterior.


Os dados também mostram que a taxa de crescimento das exportações foi superior a da produção. A indústria geral apresentou elevação de 3,4% nas exportações sobre 2010, enquanto o crescimento da produção no mesmo período foi de apenas 0,3%.

“Houve crescimento da economia brasileira, mas a indústria não contribuiu para isso. Os responsáveis foram a agricultura, comércio e serviços. Tanto que o setor produtivo apontou queda de 1,6% no último trimestre de 2011 e manteve os patamares se considerada a média anual”, finalizou Giannetti.


Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 27 dos 33 setores analisados, sendo que 23 atingiram patamares recordes na série. Destaque para o setor de produtos têxteis, cuja participação dos importados cresceu de 19,6% em 2010 para 24,1% em 2011; setor de artigos do vestuário e acessórios, com alta de 3,2 p.p. no mesmo período e setor de máquinas que expandiu de 47,2% para 52%.

Entre os setores que registraram retração no CI, em 2011, vale destacar o de siderurgia (12,9%) e aeronaves (45,4%) que apontaram queda de 3,9 p.p. e 1,8 p.p., respectivamente.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 16 apresentaram alta em relação a 2010, sendo que apenas o setor de produtos farmacêuticos registrou recorde na série histórica (8,2%, com aumento de 1 p.p.). O setor de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção foi o único que registrou elevação nas variáveis produção industrial (9,8%) e exportações (24,2%) na comparação com o ano anterior.

Todos os demais apresentaram o cenário de queda na produção e elevação das exportações, respectivamente: ferro-gusa e ferroliga (-3,0% e +23,4%); tratores e máquinas e equipamentos para agricultura (-5,2% e 10,6%); siderurgia (-0,3% e 20,2%); e produtos têxteis (-14,4% e 11,0%).

Entre os setores que mais apresentaram queda no CE, o de calçados merece destaque, já que mantém trajetória decrescente desde o início da série em 2003. Em 2011, com uma participação de 17%, o setor atingiu o menor nível histórico do coeficiente.

Centrais sindicais discutem na Fiesp ações contra invasão de importados, juros e câmbio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor produtivo nacional enfrenta um descaso por parte do governo no que diz respeito a medidas para recuperar a indústria castigada pelas importações predatórias, analisou nesta quinta-feira (26) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

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Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante encontro na sede da entidade

A avaliação do dirigente foi feita após encontro com líderes sindicais, na sede da entidade, para debater estratégias contra a forte entrada de mercadoria importada e a consequente perda de renda do trabalhador brasileiro.

Skaf recebeu presidentes de centrais sindicais, entre eles Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores.

“O que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os setores produtivos brasileiros. O setor produtivo [trabalhadores e empresários] está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste país”, disse Paulo Skaf a jornalistas ao final da reunião com sindicalistas.

Ele ainda informou que um comitê técnico, formado por representantes das centrais sindicais e da Fiesp, deve se reunir nesta segunda-feira (30) para debater as “orientações discutidas hoje”. O grupo volta a se encontrar com Skaf no dia 6 de fevereiro, para definir que tipo de manifestação será feita.

“O que está definido é que realmente todos nós estamos muito preocupados com essa situação. No dia 6 deve ser definido o que vamos fazer para que o governo comece a ouvir”, acrescentou o presidente da Fiesp.

O deputado Paulinho da Força também expressou sua preocupação com a situação econômica do país e classificou a penetração de importados no mercado nacional como “extremamente grave” para a indústria.

“A impressão que nós temos é que o governo está importando a crise para o Brasil. Já tem empresa demitindo, já tem setores com dificuldades, essa questão da importação praticamente está quebrando parte da indústria brasileira”, disse o deputado. “Ficou claro nessa conversa de hoje que nós estamos de acordo com o diagnóstico: a importação é uma coisa vergonhosa e desenfreada.”

Ele negou rumores de greve e disse que a ideia é fazer manifestações que contribuam para uma proposta de recuperação do setor produtivo. “Não sei nem de onde tiraram essa ideia de greve.”

Fase difícil
Somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal, segundo pesquisa da Fiesp divulgada em janeiro deste ano.

A principal cauda da quebra da indústria se deve ao robusto consumo de bens importados, que entraram com força no país ao longo de 2011 graças à desvalorização cambial.

No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo brasileiro chegou a um patamar de 23,4%, indicando a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. No mesmo período de 2010, o nível dos importados no consumo doméstico era de 22,7%.

5ª maior do mundo, indústria têxtil brasileira é enfraquecida por importados asiáticos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Embora seja o quinto maior do mundo e o segundo maior empregador da indústria de transformação nacional, o setor têxtil e de confecções do Brasil não tem conseguido fazer frente à penetração de importados asiáticos. A constatação é de Raíssa Santiago, membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Fiesp.

Segundo ela, o setor emprega mais de 1,7 milhão de trabalhadores diretamente e faturou US$ 55 bilhões no ano passado. Ainda assim, no mesmo ano de 2010, o Brasil importou mais de US$ 2 bilhões em produtos têxteis e confeccionados da China.

“A China, Índia e Indonésia são os principais exportadores de produtos têxteis para o Brasil. Com custo de produção muito menor, a pressão das importações desses países tem sido sentida ao longo de toda a cadeia produtiva, da indústria de tecidos até as confecções”, informou Raíssa, ao palestrar durante reunião do Comtextil.

Ela acrescentou que as indústrias têxteis chinesas são modernas e contrariam a ideia de ambientes “macabros”. Como exemplo, citou a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, feira que reuniu 2.500 fornecedores de tecidos em Xangai, e a Feira de Canton em Guangzhou, maior evento de negócios do mundo, com 55 mil estandes em um milhão de metros quadrados, composta por 48 delegações de comércio, incluindo mais de 20 mil companhias de comércio externo.

De acordo com Raíssa, a indústria têxtil brasileira praticamente não registrou vendas para a China. “A não ser alguma coisa de matéria-prima como fibra de algodão.”

Os membros do Comtextil se reuniram nesta terça-feira (6) para debater o tema “Brasil X China no mercado da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário”. Atualmente, a indústria têxtil nacional congrega mais de 30 mil empresas.

Consumo de produtos importados atinge nível de 23,4% no 3º tri de 2011

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Giannetti, diretor do Derex/Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

A participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro aumentou 0,5 ponto percentual e chegou a um patamar de 23,4% no terceiro trimestre de 2011, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta quinta-feira (10). Isso indica a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. As exportações também registraram alta no período.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o nível de participação dos importados no consumo doméstico era de 22,7%, inferior em 0,7 ponto percentual.

Este movimento mostra que os importados, embora cresçam agora em menor ritmo dado o arrefecimento da economia, continuam se expandindo em ritmo superior em relação à produção industrial destinada ao mercado interno no Brasil e ao consumo aparente – que neste trimestre apresentou retração de 0,3% em relação ao mesmo período de 2010.

Já a participação das exportações sobre o total da produção industrial brasileira registrou elevação tanto para indústria geral quanto para a de transformação. A primeira (que compreende a indústria extrativa) expandiu-se de forma mais significativa em relação ao terceiro trimestre de 2010, com alta de 1,0%, enquanto a elevação da indústria de transformação foi de apenas 0,6%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o crescimento das exportações da indústria geral foi de 5,3%; a produção, por sua vez, aumentou apenas 0,1%. Em resumo, os dados do CEI mostram que a produção industrial para o mercado externo tem avançado, mas estagnado ou até recuado quando direcionadas ao mercado interno do país.

Setores

Dos 33 setores analisados pela Fiesp, 16 apresentaram alta em seu coeficiente de exportação, com destaque para indústrias extrativas, tratores e máquinas para agricultura, e máquinas para fins industriais e comerciais, que, neste terceiro trimestre, tiveram alta de 10%, 5,9% e 4,9%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O estudo também mostrou que a participação dos importados no consumo aparente cresceu em 29 setores. As principais alta aconteceram nos setores de tratores e máquinas e equipamentos para agricultura (9%), metalurgia de metais não-ferrosos (4,6%), produtos diversos (3,9%) e artigos do vestuário (3,7%).

Os setores que apresentaram maior queda no coeficiente de importação foram siderurgia (3,6%) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (2,1%).

Skaf pede à Receita que endureça fiscalização de importados

Agência Indusnet Fiesp

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Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita Federal (à esquerda), e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em reunião na sede da federação

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu nesta segunda-feira (6) o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto para reforçar os pleitos da federação com relação ao que classificou de “tsunami” de importações de produtos manufaturados no Brasil.

Skaf lembrou que o real sobrevalorizado e o yuan, a moeda chinesa, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar, geram uma distorção de aproximadamente 40% no câmbio. Para o dirigente, a questão cambial levará a um prejuízo de cerca de US$ 100 bilhões na balança comercial brasileira de manufaturas ao final do ano.

“É preciso que a Receita Federal endureça a fiscalização de importados, evitando práticas de comércio desleais e ilegais, subfaturamento, descaminhos”, cobrou Skaf. “O secretário Barreto está de acordo com isso. Estamos pregando a legalidade, não tem como não concordar”, disse o presidente da Fiesp.

Filho doente

Paulo Skaf também defendeu compensações à indústria, setor que mais sofre os efeitos do câmbio, com a proposta de desoneração do INSS em 20% sobre a folha de pagamento – 10% neste ano e outros 10% em 2012.

“Hoje a indústria é o filho doente, está sendo injustiçada. Da porta para dentro, as fábricas são competitivas”, argumentou. Segundo Skaf, a desoneração para o setor industrial custaria R$ 18 bilhões aos cofres do governo.

Importados batem recorde e já respondem por 21,8% do consumo do País

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Giannetti, diretor do Derex, apresenta o resultado do Coeficiente de Exportação e Importação

A forte retomada do consumo doméstico marcou o ano de 2010, mas não foi acompanhada, na mesma magnitude, pelo crescimento da produção industrial. Desta forma, a expansão da demanda interna do ano passado se tornou mais intensiva em importações, concluiu a Fiesp ao divulgar os resultados do Coeficiente de Exportação e Importação (CEI), nesta segunda-feira (14).

As importações totais da indústria sobre o consumo aparente do País (Coeficiente de Importação – CI) atingiram o maior patamar histórico: 21,8%. Este valor superou em 3,5 pontos percentuais o CI de 2009, sendo também a maior variação histórica entre os anos analisados. Na comparação com 2008, a alta foi de 1,7 ponto percentual, ou seja, o CI recuperou e até ultrapassou o nível pré-crise.

Por outro lado, de acordo com o levantamento da Fiesp, o total exportado em relação a toda produção industrial do País (Coeficiente de Exportação – CE) apresentou tímida alta comparada a 2009, de apenas 0,9 ponto percentual, atingindo 18,9%. Valor este inferior ao registrado em 2008, quando 19,6% da produção foi exportada, o que representa queda de 0,7 ponto percentual.

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Avanço das importações

No caso do CI, a expansão da economia brasileira, em conjunto com outras variáveis que ferem a competitividade da indústria nacional, como o câmbio valorizado e os benefícios fiscais concedidos por alguns Estados para os bens importados, explica o ganho de competitividade e consequente avanço das importações sobre a produção doméstica.

“O câmbio ainda é um dos principais vilões do aumento da penetração dos importados no País. De cada cinco  produtos têxteis vendidos no Brasil, pelo menos um é importado”, explicou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539648555Segundo o dirigente da Fiesp, a ligeira alta de 0,9 ponto percentual sobre 2009 se deve ao fato de o ano anterior ter sido marcado pela crise internacional, portanto de fraco crescimento dos principais parceiros do Brasil, como Estados Unidos e Argentina, e com a produção concentrada no mercado doméstico.

A retomada do crescimento, em especial do vizinho sul-americano, permitiu um fôlego exportador um pouco maior de alguns setores, como o automotivo. No entanto, o setor de indústrias extrativas, que amplia consistentemente sua parcela exportada, é o grande destaque do aumento do CE.

“A constante elevada demanda dos chineses por minério de ferro garante o aumento da exportação do produto ano após ano, tornando a pauta exportadora também cada vez mais dependente deste bem”, concluiu Giannetti.

Veja aqui o estudo completo.