Importações e exportações vão desacelerar em 2012, afirma economista do IPEA

O economista Fernando Ribeiro, membro do grupo de análise e previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresentou na manhã desta terça-feira (08/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o estudo Atualidade e Desafios do Comércio Exterior Brasileiro, durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex).

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Thomaz Zanotto (diretor-titular-adjunto do Derex), Rubens Barbosa (presidente do Coscex) e Fernando Ribeiro (economista do IPEA)

No debate mediado pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, Ribeiro mostrou os dados que comprovam um panorama de dificuldades para o comércio exterior ao longo deste ano.

“Até abril, tivemos queda de 1/3 do saldo comercial, e ainda teremos também uma desaceleração simultânea de exportações e importações”, apontou Ribeiro, que, no entanto, destacou um dado positivo – o crescimento do volume de exportações frente ao de importações. “O quantum exportado cresceu mais rápido do que o importado: uma alta de 5,5% na exportação contra 3% na importação. E isso não ocorria desde 2005”.

Para o economista do IPEA, outro ponto importante que explica o momento complicado é a falta de estrutura nacional. Este seria o motivo que acarreta gastos maiores e que não acompanham a produção. A exportação de manufaturados, assinalou Ribeiro, apresenta baixo dinamismo desde 2006, quando houve algum crescimento mais significativo. Desde então, o volume tem sido de 3% a 4% ao ano.

“[O crescimento] caiu bastante em 2009, melhorou um pouco, mas ainda está ruim”, analisou o economista, explicando que os custos de produção do setor são afetados por fatores já bastante conhecidos pelo brasileiro – “e jamais resolvidos”–, como valorização do câmbio, aumento real de salário acima da produtividade e os problemas de infraestrutura.

Para comparar, Ribeiro citou o crescimento da China no cenário internacional e ressaltou que o método é conhecido pelo Brasil, apenas não mais aplicado. “O que a China faz hoje a respeito de política industrial é o que fazíamos tempos atrás. Eles fazem o certo e normal. Nós é que paramos no tempo. A questão industrial atrapalha muito. É preciso atacar esse lado que dificulta o Brasil de avançar”, completou.

Finalizando, o economista mencionou o problema dos impostos cobrados no Brasil como entrave para o crescimento e progresso, além de dificultar o comércio nacional e internacional. “A estrutura de impostos dificulta muito a produção. A reforma tributária é um pântano, e o governo quer apenas arrecadar. No ponto de vista privado, a prioridade é ter uma estrutura mais leve e menos extorsiva. Do lado do governo, o incentivo é um só: arrecadação. E ele não se importa se depois for questionado”, concluiu.