Diretor-presidente da Anvisa se reúne com Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa, esteve na Fiesp nesta quinta-feira (1º de setembro) para discutir temas relacionados à produção, importação e exportação de diversos tipos de produtos, incluindo os agropecuários e sanitários. A reunião teve a participação do presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

O coordenador titular do Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Ruy Baumer, disse que a Fiesp tem boa e longa relação com a Anvisa. Lembrou que o trabalho da Anvisa afeta vários setores, e os empresários tentam melhorar os procedimentos que os afetam. Há um alinhamento de pensamentos, disse, mas é preciso transformar em realidade essas ideias. Há questões de legislação, políticas e orçamentárias a superar.

Uma proposta é usar a força da casa para apoiar essas demandas em que há acordo, para ajudar sua tramitação no Congresso.

>> Ouça boletim sobre a reunião entre Anvisa e Fiesp

Uma questão é a descentralização de autorização de funcionamento, que a Anvisa não aceita, obrigando as empresas a, após a aprovação municipal ou estadual, passar também pelo seu crivo.

Nas importações sem registros, devido à judicialização, há dano à competitividade, lembrou Baumer.

Em relação a portos e aeroportos, os produtos regulados pela Anvisa são submetidos a uma inspeção adicional, estendendo o tempo necessário para a liberação. Alocação de técnicos é um dos entraves, porque não estão necessariamente nos aeroportos com maior movimentação de carga.

São questões burocráticas, que precisam ser enfrentadas, explicou Baumer. Produtos médicos são prioritários, e os atrasos representam custo adicional, e pode haver perda de produtos, pelo vencimento de sua validade.

O presidente da Anvisa tem a mesma visão. O corte de tempo nos procedimentos é importante, disse, porque insumos médicos, e até matérias-primas, são importados para virar produto final. Sem processo mais ágil, a produção pode ser prejudicada, afetando inclusive a exportação. É preciso agilizar os procedimentos em portos e aeroportos, que têm processos muito burocráticos.

Barbosa disse que o diálogo com a Fiesp é muito construtivo e produtivo. Reuniões como esta são excelente oportunidade para conversar com diferentes setores da indústria, com temas transversais, afirmou.

Ele defendeu a criação de uma agenda para fortalecer o ambiente regulatório brasileiro, de forma a que haja segurança para o consumidor em relação ao que é produzido. A adequação aos padrões internacionais, lembrou, ajuda também nas exportações.

Em relação à simplificação de processos, Barbosa destacou que a Anvisa foi o primeiro órgão a integrar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior. E a Anvisa permite o uso de petição eletrônica para a importação, evitando a intermediação de despachantes.

Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, participou de reunião na Fiesp com Paulo Skaf. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Balança comercial paulista tem superávit de US$ 823,3 milhões no primeiro semestre de 2016

Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

O saldo da Balança Comercial do Estado de São Paulo foi superavitário em US$ 823,3 milhões no acumulado do 1º semestre de 2016, de acordo com a pesquisa Ranking de Exportações da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), que também mede aparticipação das 39 regiões do Estado no total da balança comercial paulista.

As exportações do Estado de São Paulo somaram US$ 25,7 bilhões, registrando crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto as importações acumularam US$ 24,8 bilhões, uma queda de 26,8% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Para efeito de comparação, o saldo da Balança Comercial do Brasil no 1º semestre de 2016 foi superavitário em US$ 23,7 bilhões, ante um superávit de US$ 2,2 bilhões no mesmo período em 2015. As exportações brasileiras atingiram US$ 90,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho 2016, uma queda de 4,3% em relação ao mesmo período de 2015. Já as importações acumularam US$ 66,6 bilhões, uma queda de 27,7% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Análise do 1º semestre de 2016 por diretoria regional do Ciesp

As diretorias distritais de São Paulo obtiveram a 1ª colocação do Estado no volume de exportações, atingindo US$ 4,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016. Esse valor representou um crescimento de 26,9% em relação aos US$ 3,4 bilhões exportados no mesmo período de 2015. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de semente e grãos (22,8% da pauta) e de açúcar (22,7%). Já as importações das diretorias distritais de São Paulo totalizaram US$ 4,4 bilhões, 27,3% menor que no 1º semestre de 2015. A região também ficou em 1ª colocação no volume importado pelo Estado. Os aparelhos e instrumentos mecânicos aparecem como destaque, respondendo por 12,1% da pauta importada, seguido por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,9%). Com estes resultados, o saldo da balança comercial da diretoria regional (DR) de São Paulo foi o 9º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período um saldo negativo de US$ 124,9 milhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 2,92 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016, 1,1% superior ao acumulado no mesmo período de 2015, US$ 2,89 bilhões. O principal responsável foram as aeronaves, com 60,9% da pauta exportadora da região. Esta mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 2,2 bilhões, uma queda de 35,4% em relação ao importado no acumulado do 1º semestre de 2015. O setor de combustíveis foi responsável pela maioria dos desembarques do período (29,9% da pauta importadora). Assim, o saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 2º mais positivo dentre as diretorias, com superávit de US$ 708,2 milhões, ante déficit de US$ 538,2 milhões no acumulado de janeiro a junho de 2015.

A diretoria regional de Santos obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 2,0 bilhões no 1º semestre de 2016, 9,0% a mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 1,8 bilhão. O destaque foram as exportações de sementes e grãos (38,6% da pauta). Quanto às importações, a DR de Santos totalizou US$ 360,4 milhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 16,8% em relação aos US$ 433,1 milhões importados no mesmo período de 2015. O destaque foi a importação de combustíveis (49,6% da pauta). Essa diretoria teve o destaque em superávit da balança comercial de janeiro a junho de 2016, com US$ 1,6 bilhão de saldo positivo, 17,2% a mais que o superávit do mesmo período do ano passado.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações com US$ 3,7 bilhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 23,3% em relação ao mesmo período de 2015. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (32,0% da pauta) e de produtos químicos orgânicos (15,8%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 2,3 bilhões no 1º semestre de 2016.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o saldo comercial por município do Estado de São Paulo referente ao 1º semestre de 2016. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp fizeram uso dessa informação para elaborar uma análise do comércio exterior de cada uma das 39 Diretorias Regionais (DR) do Ciesp.

Clique aqui para ver a pesquisa completa. 

STJ mantém IPI sobre produtos importados, posição defendida pela Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (14/10), a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por maioria, que incide IPI (imposto sobre produtos industrializados) também na revenda de produtos industrializados importados.

Essa decisão reflete a posição em prol da indústria nacional defendida pela Fiesp, que ingressou no processo como amicus curiae (entidade interessada na causa), e promove a manutenção da isonomia tributária entre os produtos importados e os fabricados no Brasil.

Fundamentais para a manutenção da isonomia na tributação desse imposto, os argumentos apresentados pela Fiesp em sua sustentação oral no julgamento demostraram que o produto importado ficaria 4%, em média, mais barato que o mesmo produto feito no Brasil. A conclusão do processo impede a perda estimada de R$ 20 bilhões em vendas da indústria nacional e evita impactos diretos no emprego de 68 mil trabalhadores.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp

Representantes dos EUA apresentam práticas de conformidade, revenda e reexportação

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou nesta quarta-feira (4/3) o seminário Controle de Exportação e Importação dos Estados Unidos e Brasil.

No encontro, os representantes norte-americanos apresentaram aos empresários brasileiros materiais controlados utilizados pelas indústrias de defesa e civil. Também foram discutidas a reforma do controle de exportação, importação e reexportação dos produtos de defesa dos Estados Unidos.

Seminário da Fiesp discute práticas de revenda e conformidade na exportação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário contou com a participação do diretor-titular adjunto do Departamento de Defesa (Comdefesa) da Fiesp, Sérgio Vaquelli, do cônsul geral dos EUA, Dennis Hankins, do coordenador geral de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Sérgio Antônio Frazão Araujo, do diretor da Secretaria de Não-Proliferação e Observância dos Tratados, Alex Lopes e do secretário adjunto para a Administração de Exportação, Kevin Wolf.

Para Sérgio Vaquelli, o seminário é importante porque “traz novidades dos EUA, que é um grande parceiro”. Enquanto, o cônsul Hankins afirmou que é fundamental entender os principais problemas que a indústria brasileira enfrenta para importação de produtos.

Na avaliação de Alex Lopes, o encontro pode favorecer as conversações sobre exportação e importação de produtos entre os países.

“Esperamos que este seja um diálogo contínuo entre as agências, para que haja melhores práticas de comércio entre Brasil e EUA”, disse Lopes.

Os palestrantes concluíram o seminário mostrando as facilidades na exportação e importação. E o consulado dos EUA se colocou à disposição para eventuais dúvidas.

 

Vídeo: confira o INDestaque, resumo do que aconteceu na Fiesp entre 09/09/2013 e 20/09/2013

Agência Indusnet Fiesp,

Entre outros assuntos, o boletim da última quinzena destaca a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, que apurou o fechamento de 14,5 mil postos de trabalho da indústria paulista.  Outro destaque foi a análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CE e CI) elaborada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp. Segundo o levantamento, apesar de o coeficiente de exportação da indústria brasileira ter fechado o segundo trimestre do ano em 21%, a participação de produtos importados no consumo doméstico bateu novo recorde, atingindo 24,8%.

Na quinzena passada, a Fiesp recebeu ainda a visita da vice-secretária de Comércio dos Estados Unidos, Miriam Sapiro, do governador do Mississipi, Phil Bryan, e do Ministro dos Transportes, Cesar Augusto Rabello Borges.

Outros destaques do período foram a realização do 19o  Seminário de Operações de Comércio Exterior, e do Seminário Novo Decreto Antidumping.

Confira todos os acontecimentos de 09/09/2013 a 20/09/2013:

Exportação da indústria cresce, mas participação de importados bate novo recorde

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Os resultados da análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CE e CI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados nesta terça-feira (17/09), pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, mostram que apesar de o CE da indústria brasileira ter fechado o segundo trimestre do ano em 21%, a participação de produtos importados no consumo doméstico bateu novo recorde, atingindo 24,8%.

Na comparação com o mesmo período de 2012, o CE mostrou um acréscimo de 0,5 ponto percentual, registrando, assim, o quarto maior resultado da série histórica trimestral, que começou em 2006. O maior resultado para o CE foi o registrado no terceiro trimestre deste mesmo ano, com 22,3%. O CE para a indústria de transformação também atingiu um bom resultado, fechando o período entre abril e junho de 2013 em 18,8%.

Segundo a análise do Derex, o indicador referente às exportações brasileiras interrompeu a trajetória de arrefecimento do setor industrial, mas isso não significa que a indústria se recuperou totalmente do período difícil pelo qual está passando. “Essa elevação pode ter sido motivada pelo efeito cambial que, ao desvalorizar o Real, garantiu uma vantagem às exportações de produtos brasileiros”, explica o diretor do departamento, Roberto Giannetti. “Porém, a dificuldade da indústria doméstica continua bastante evidente. Basta notar o crescimento permanente – semestre por semestre – e de forma gradual do Coeficiente de Importação.”

Apesar de ter crescido apenas 0,8 p.p na comparação interanual, o CI já representa quase um quarto (24,8%) de tudo o que é consumido no Brasil. Ou seja, a cada quatro produtos vendidos em território brasileiro, um é produzido fora do país. O indicador para indústria geral bate, novamente, seu recorde na série história. Já o CI da indústria de transformação fechou o período em 23,4%, registrando aumento de 0,8 p.p..

“Isso é uma prova inconteste da desindustrialização do país. Não conseguimos competir com os produtos importados, seja por causa do dólar ou pelas dificuldades do Custo Brasil”, explica Giannetti que acrescenta à lista de dificuldades da indústria brasileira os “elevados custos com logística, impostos e oneradas taxas de juros no mercado financeiro”. “Com isso, o empresário não consegue competir de maneira e condições ideais com seus colegas do exterior.”

Setores

Dos 33 setores analisados, metade registrou aumento do Coeficiente de Importação no segundo trimestre de 2013 frente ao mesmo período do ano passado. O setor de outros equipamentos de transporte foi, novamente, o de maior destaque com alta de 7,4 p.p., seguidos pelos setores de produtos farmacêuticos (+ 7,36 p.p.) e autopeças (+ 3,3 p.p.).

Entre os segmentos que registraram redução do coeficiente, destaca-se, outra vez, o de aeronaves, com baixa de 12 p.p. em bases anuais. Segundo análise da Fiesp, tal resultado se alinha ao desempenho das exportações de aviões, uma vez que o setor é intensivo em insumos importados.

Já na análise do Coeficiente de Exportação, 14 apresentaram alta em relação a 2012, com destaque para equipamentos de transporte (+ 41 p.p.) e metalurgia de metais não ferrosos ( +7,8 p.p.). As reduções mais significativas do CE ocorreram na divisão de aeronaves (- 16,8 p.p.) e ferro-gusa e ferroligas (- 14 p.p.) na mesma base de comparação.

Veja o índice na íntegra abaixo ou acesse aqui.

 

Fiesp quer estimular vendas para a China, diz vice-presidente da entidade em reunião sobre a feira Chimport

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em vez de apenas importar produtos da China, o Brasil precisa vender mais para o gigante asiático, de acordo com o vice-presidente e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad.

“Queremos vender para a China”, resumiu Haddad em reunião realizada nesta terça-feira (13/06) na sede da entidade, convocada para apresentar a feira Chimport na cidade.

“A Fiesp quer estimular as vendas para termos superávit nas nossas relações comerciais e não para sermos invadidos por produtos da China e dos países asiáticos”, explicou.

Haddad: mais estímulo às exportações para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Haddad: Fiesp quer mais estímulo às exportações do Brasil para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A feira Chimport, programada para o período entre os dias 26 e 28 de setembro em Guangzou, tem por objetivo estimular as exportações de empresas do mundo inteiro para a terra da Grande Muralha.

A palestra “A Chimport e suas possibilidades de negócios para a indústria nacional” foi apresentada pelo CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. A empresa representa a feira chinesa no Brasil. “A China foi responsável por 16% das trocas comerciais brasileiras em 2012, é o nosso principal parceiro comercial”, afirmou Machado. “Temos que conhecer o mercado chinês, saber quem é quem e fazer tentativas de vendas. Precisamos conhecer os nomes dos nossos possíveis clientes”, disse. “Há muito desconhecimento dos dois lados.”

Machado destacou a intenção do governo chinês de abrir o mercado para a entrada de produtos importados. Isso porque os chineses são grandes consumidores de artigos feitos em todas as partes do mundo em suas viagens ao exterior. “O governo prefere que esses cidadãos comprem importados na China e deixem os impostos por essas compras dentro do país”, explicou. Assim, conforme o CEO da ChinaInvest, será possível ver, na etiqueta de muitos produtos, nos próximos anos, a expressão “Made for China”, ou feito para a China.

Bolachas portuguesas

De acordo com o CEO da ChinaInvest, a classe média e média alta na China é formada por 460 milhões de pessoas, para uma população total de 1,3 bilhão de habitantes. “Não é preciso vender para todo o país”, explicou. “Na China, muitas vezes, em algumas províncias se tem uma população de consumidores do tamanho do Brasil”.

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entre as nações que já conseguem bons resultados com o mercado chinês está Portugal. Na pauta de exportações lusitanas destinadas ao gigante asiático estão itens como azeite e até bolachas doces “do tipo Maria”. “Uma única empresa portuguesa tem 30% da sua produção de bolachas voltada para a China”, disse Machado. “Foram 50 milhões de bolachas vendidas para lá em dois anos. A China faz questão de importar alguns produtos, até por questões sanitárias.”

Plataforma de negócios

Segundo Machado, a Chimport é uma evento voltado para a importação, ou seja, para atrair importadores para a China. Nos dois primeiros dias de feira, circularão pelo Pazhou International Trade Expo Hall apenas representantes, importadores, investidores e distribuidores do país asiático, com abertura para o público em geral somente no terceiro dia. “Vamos criar uma plataforma de informação dizendo quem é quem no mercado chinês e expondo os produtos das empresas brasileiras para os chineses”, disse o executivo da ChinaInvest.

No caso da Chimport, são particularmente bem-vindas indústrias dos setores de alimentos, bebidas, agronegócio, moda, casa, construção, tecnologia e saúde.

Aos interessados, Machado lembra que, acima de tudo, é preciso investir em relacionamentos para vender para a China. “Toda negociação lá é fechada à mesa”, explicou. “Os chineses perguntam sobre características pessoais e família, por exemplo.”

Outra dica importante: nunca dispense a ajuda de um bom tradutor. “Certa vez, achando que já tinha mandarim fluente, decidi fazer uma apresentação sem o intermédio da minha tradutora”, contou Machado. “Em dado momento, em vez de dizer ‘eu gostaria de perguntar a vocês’, acabei falando ‘eu gostaria de beijar você’ por uma sutileza na pronúncia”, lembrou.

Professor da FEA/USP defende mudança estrutural na composição das exportações e importações

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Professor da FEA/USP, Gilberto Tadeu Lima. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

O Brasil pode elevar o crescimento de longo prazo se melhorar a composição setorial de suas exportações e importações. A tese é do PhD em economia Gilberto Tadeu Lima, professor-titular do departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

Lima participou nesta segunda-feira (11/03) da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp e apresentou aspectos do crescimento econômico brasileiro ao longo dos anos e as dimensões da taxa de câmbio real competitiva (TCRC).

De acordo com o docente da FEA-USP, a restrição de divisas decorrente da necessidade de equilíbrio de longo prazo do balanço de pagamentos costuma ser o fator mais relevante ao crescimento prolongado no Brasil.

Um desempenho adequado do setor exportador, segundo ele, não só serviria para aliviar a restrição externa ao crescimento econômico como também proporciona um círculo virtuoso da performance exportadora brasileira, fundamental para impulsionar esse movimento.

“A maneira consistente de elevar a taxa de crescimento compatível com o equilíbrio externo é a mudança estrutural no sentido de elevar a elasticidade-renda das exportações e reduzir a elasticidade-renda das importações”, explicou.

Substituir importações por um crescimento econômico local deve ter como desdobramento um aumento na produção de bens comercializáveis mundialmente.

Para exemplificar, Lima apresentou uma tabela em que mostra exemplos de contribuições positivas e negativas para a promoção de exportações [de commodities] a substituição das importações [produtos industrializados].

“Uma coisa que me conformou na sua exposição é de que não há, na verdade, nenhuma evidência de que a importação de bens de capital aumente o investimento”, comentou Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e presidente do
Cosec.

Câmbio competitivo

Lima explicou que entender a origem de uma taxa de câmbio real competitiva é necessário para avaliar sua sustentabilidade e a intensidade do seu impacto no crescimento econômico.

“Certas razões são mais sustentáveis que outras e certas formas de aumentar ou de tornar a taxa de câmbio real mais competitiva podem ter efeitos colaterais negativos em outros ramos da economia, minimizados”, afirmou o professor.

>> Veja em PDF a apresentação de Gilberto Tadeu Lima, professor-titular da FEA/USP 

Derex Fiesp/Ciesp informa indústrias sobre obrigatoriedade de registro junto ao Siscoserv no processo de exportação e importação

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Novidade para as empresas que realizam transações internacionais. Até o final deste ano será estendido de 30 para 180 dias o prazo para informar ao Sistema Integrado de Comercio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações (Siscoserv) as operações de venda ou aquisição internacional de serviços que produzam variações no patrimônio.

Entre os diversos serviços que deverão ser registrados no Sistema estão a contratação de fretes e seguros internacionais na exportação e na importação; despesas no exterior de funcionários a serviço de empresa domiciliada no Brasil; serviços de instalação de maquinário e equipamentos, industriais, cessão de direitos sobre patentes ou marcas, entre outros.

Na última segunda-feira (18/02) foi realizada na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) uma palestra  para esclarecer sobre os procedimentos. Para acessar o conteúdo da palestra, clique aqui.

A área de Apoio e Facilitação do Comércio Exterior da Fiesp e do Ciesp também elaborou um Comunicado detalhando todas as mudanças e  criou um serviço de atendimento e  esclarecimentos de dúvidas. As indústrias interessadas podem entrar em contato pelos telefones (11) 3549-3245, 3549-4833 e 3549-4360 ou pelos e-mails: apoiocomex@fiesp.org.br ou atendimento@ciesp.org.br.

Para acessar o Comunicado na íntegra, clique aqui.

Ainda não há certeza sobre retirada de embargo russo à carne brasileira, diz Michel Temer

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Temer: 'Vamos levar todas as medidas que foram tomadas, inclusive as sanitárias'

O governo brasileiro e o primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, vão se reunir nesta quarta-feira (20/02) com o objetivo de negociar o embargo russo às importações de carne brasileira e, segundo o vice-presidente da República, Michel Temer, há indícios de que a restrição seja revogada pelo lado russo.

“Vamos levar todas as medidas que foram tomadas, inclusive as sanitárias. E o nosso desejo é que se consiga fazer isso, ainda que parcialmente, em relação a frigoríficos de alguns Estados brasileiros”, afirmou Temer, nesta segunda-feira (18/02), após participar da reunião inaugural dos Conselhos Superiores Temáticos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na sede da entidade.

Michel Temer pondera, no entanto, que “ainda não há nenhuma certeza, vamos ter de esperar”.

Mendes Ribeiro: 'Todas as questões foram atendidas'

Em junho de 2011, a Rússia impôs um embargo às importações de carne do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso, os três maiores produtores do Brasil. O embargo foi suspenso, mas, para que as importações do produto brasileiro sejam retomadas, é necessário um certificado de autorização da compra emitido por autoridades sanitárias russas.

Também presente à reunião dos Conselhos da Fiesp, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, afirmou: “Todas as questões foram atendidas. Vamos aguardar e fazer com que essa reunião seja o mais produtiva possível”.

Fiesp estima importação recorde de insumos agropecuários no Brasil em 2012, de US$ 18,5 bi

Para dar conta de uma safra recorde de grãos, além de fibras e energia e para abastecer o segmento de proteínas animais, Brasil deve importar este ano o equivalente a US$ 18,5 bilhões FOB em insumos agropecuários. O prognóstico é da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que ressalta a falta de planejamento de longo prazo.

Pela primeira vez, a Fiesp desmembrou os números da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e calculou que as importações de insumos agropecuários devem crescer 10% para 2012, alcançando níveis recordes.

Importações de Insumos Agropecuários 

O Brasil é considerado pela Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo, o que confere ao país uma posição destacada no mercado agropecuário mundial.

Ao mesmo tempo, o país vivencia um crescimento da dependência das importações dos insumos necessários a esta produção. Em apenas cinco anos, as importações mais do que dobraram, passando de US$ 8,3 bi para US$ 18,5 bi de forma agregada, considerando as indústrias de fertilizantes, defensivos, máquinas, implementos e bens de capital, alimentação e saúde animal.

As compras de fertilizantes, por exemplo, saltaram 114,4% em valor no período avaliado: de US$ 4,8 bilhões FOB em 2007 para US$ 10,9 bilhões em 2012.

“O setor de insumos como um todo é importador e continuará sendo. Porém é importante sabermos as consequências do aumento da dependência externa e entendermos, através de um planejamento de longo prazo, o quanto desse valor é possível gerar no país. No caso de fertilizantes, por exemplo, o cenário é claro e positivo”, afirmou Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Costa refere-se às projeções da entidade, que apontam para uma redução da dependência externa de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), de 71%, como é atualmente, para 56% em dez anos, a partir dos investimentos das indústrias do segmento, com destaque para a Vale.

Estatísticas de Importação de Insumos Agropecuários from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

No caso dos defensivos agrícolas, o Brasil deve importar em 2012 o equivalente US$ 4,5 bilhões FOB, um crescimento de 10% com relação ao importado em 2011, US$ 4,1 bilhões de dólares.

Em Máquinas, Implementos Agrícolas e Bens de Capital, as importações brasileiras devem crescer 11,2% em 2012 contra 2011, chegando a U$ 1,8 bilhão FOB, enquanto compras em produtos de Saúde Animal devem aumentar 15% este ano com relação ao ano anterior, para US$ 333 milhões FOB.

As importações totais de insumos agropecuários devem apresentar em 2012 um incremento de 10% ante 2011. Ao final deste ano, o setor deverá importar US$ 18,5 bilhões FOB – valor recorde para série história desde 2007 –, sendo que o único segmento que deve apresentar decréscimo nas importações é o de Nutrição Animal, com queda de 3% na leitura anual, totalizando em US$ 986 milhões FOB. A queda é consequência da retração das margens em especial no setor de avicultura.

Dos insumos agropecuários importados em 2011, 58% correspondem a fertilizantes, 24% a defensivos agrícolas, 10% a Máquinas, Implementos Agrícolas e Bens de Capital, 6% a Nutrição Animal e 2% a Saúde Animal.

Segundo Costa, o objetivo da Fiesp com o levantamento desses números é jogar luz sobre a necessidade de planejamento de longo prazo com relação a dependência externa desse setor.

“É preciso que se estude a possibilidade de gerar parte desse valor no país, desde que isso se faça de forma natural e competitiva”, lembrou o gerente do Deagro.

Participação de produtos importados no consumo volta a atingir nível recorde na série histórica

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro voltou a atingir o nível recorde da série história, ao fechar o segundo trimestre do ano em 24%, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta segunda-feira (13/08).

Patamar semelhante foi apontado, pela primeira vez, no quarto trimestre do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2011, o aumento foi de 1,2 p.p. Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral apresenta alta de 1,5 p.p..

A análise, realizada trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, tem mostrado constantes altas no nível de participação dos importados no consumo doméstico, indicando a persistente perda de oportunidade para o crescimento da indústria.

Segundo o diretor do Derex, Roberto Giannetti, “o aumento consistente das importações ocorre tanto em bens finais quanto em insumos, enfraquecendo a agregação de valor na indústria”.

O Coeficiente de Importação (CI) para a indústria de transformação também apresentou alta (de 1,1 p.p), passando de 21,5% no segundo trimestre de 2011 para 22,6% no mesmo período deste ano. Já na comparação com os três primeiros meses de 2012, a variação foi positiva em um ponto percentual.

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total da indústria geral cresceu de 19,9% para 20,5%, na comparação entre os segundos trimestres de 2011 e 2012. O Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação cresceu 0,7 p.p atingindo as marcas de 17,7%

Apesar da leve alta do CE no segundo trimestre, houve queda na quantidade de produtos brasileiros enviados para o exterior. Giannetti explica que, com a retração mais intensa da produção física da indústria no período, a quantidade exportada permaneceu a mesma, à medida que a fatia enviada ao mercado internacional ficou, proporcionalmente, maior em relação ao total produzido.

“A diminuição da indústria dá uma falsa impressão de que estamos exportando mais. Apesar do acréscimo na parcela exportada da produção industrial no segundo trimestre, houve queda da quantidade exportada”, conta. “Por outro lado, a contração ainda mais forte da produção industrial no período puxou o coeficiente para cima. O que aconteceu neste trimestre foi que tanto o bolo como a fatia dele destinada ao mercado externo diminuíram, só que o bolo contraiu mais intensamente.”

De acordo com os dados do Derex, a produção industrial caiu 3,8% ante ao primeiro semestre de 2011. O índice acumulado nos últimos doze meses mostrou retração de 2,3% em junho de 2012, a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010.

Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 21 dos 33 setores analisados. Destaque para o setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, cuja participação dos importados atingiu o terceiro maior nível da série histórica, crescendo de 46,1% no segundo trimestre de 2011 para 54% no mesmo período de 2012.

Dos 12 setores que mostraram retração, peças e acessórios para veículos automotores e outros equipamentos de transporte registraram as maiores quedas ante ao mesmo período de 2011 (2,7 p.p. e 2,5 p.p., respectivamente). Vale destacar que o CI do setor de autopeças vem apresentando redução trimestral interanual desde o início deste ano.

“Na abertura setorial, chamou atenção o fato de o setor de autopeças ter apresentado a segunda queda consecutiva do seu Coeficiente de Importação, inclusive com maior intensidade no segundo trimestre”, destaca o diretor do Derex. “Isto pode ser um sinal positivo de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor – que exige 65% de conteúdo regional nos veículos para evitar majoração da alíquota do IPI –, concedido pelo governo no final de 2011, esteja produzindo efeito”.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 12 apresentaram alta em relação a 2011. Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de aeronaves, cujos coeficientes de exportação se elevaram 14,6 p.p. e 10,8 p.p., respectivamente. Na comparação entre os segundos trimestres, o setor de produtos têxteis também se destacou por registrar alta de 4,9 p.p. no CE, passando de 6,5% para 11,5%, após consecutivas reduções do coeficiente.

Já entre os 21 setores que apresentaram queda no CE, o setor de outros equipamentos de transporte – que envolve embarcações, veículos ferroviários, motocicletas, motociclos, carrocerias e reboques – registrou a maior baixa em bases anuais (24,2 p.p.), atingindo o segundo menor nível da série histórica. O setor de fundição e tubos de ferro e aço vem logo em seguida, com recuo de 3,9 p.p. na mesma base de comparação.

Palestras do X Seminário Fiesp de Operações de Comércio Exterior

No dia 14 de junho de 2012 foi realizado, na Fiesp, o X Seminário Fiesp de Operações de Comércio Exterior.

Objetivo do encontro foi  reunir empresários e especialistas em comércio exterior para debater contingenciamento, licença de importação, regime aduaneiro Drawback e implementação definitiva do Novo Módulo do Siscomex Exportação Web (Novoex).

Disponibilizamos no menu ao lado as apresentações das palestras:

  • Abertura: Apresentação do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic)
  • Palestra:  Licença de Importação
  • Palestra Secex: Drawback Integrado
  • Palestra Mdic:  Siscomex Exportação Web
  • Palestra Mdic:  Importacoes Sujeitas a Apuracao de Producao Nacional

 

 

Queda no consumo de produtos industrializados não inibe entrada dos importados

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O primeiro trimestre de 2012 apresentou queda de 3,1% do consumo aparente comparado ao mesmo período do ano anterior, mostrou a análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados nesta segunda-feira (14). A produção industrial para o mercado interno acompanhou o movimento de baixa com queda ainda maior de 4,2%. As importações, no entanto, apresentaram alta de 1,2%.

Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, Roberto Giannetti, os dados são provas das dificuldades da indústria nacional em competir com os importados e também registram a tendência observada de maior entrada dos produtos industriais estrangeiros no mercado doméstico. “É natural que a produção acompanhe o ritmo do consumo aparente, mas essa queda aguda é sinal da fragilidade da indústria ante a competição externa”, explicou.

Essa queda mais intensa da produção nacional para o mercado interno abre espaço para a entrada de importados e puxa para cima o Coeficiente de Importação (CI). O índice para a indústria geral cresceu um ponto percentual, saltando de 21,6% para 22,6% na comparação interanual. A indústria de transformação acompanhou o ritmo, saindo de 20,4% no primeiro trimestre de 2011 para 21,6% no mesmo período deste ano.

 

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total do setor cresceu de 17,5% para 19% na comparação entre os três primeiros meses de 2011 e os de 2012. Apesar da alta, o índice continua abaixo dos patamares de 2007, quando atingiu 21,1%. O Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação e para indústria geral cresceram 1,4 p.p e 1,5 p.p, atingindo as marcas de 16,1% e 19%, respectivamente.

Performance positiva

De acordo com a análise da Fiesp, a performance positiva do índice se deve à alta de 6% no valor do câmbio médio no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Com a desvalorização do real ainda em curso, a expectativa é que o CE continue a apresentar alta em termos anuais, mantendo a tendência de crescimento das exportações na participação da produção industrial doméstica.

Entretanto, este movimento, somado ao fraco desempenho da indústria, seguiria abrindo passagem para a penetração dos importados. “Apesar de não termos retomado os maiores níveis da série histórica, a evolução do Coeficiente de Exportação pode ter continuidade com a manutenção de um câmbio mais favorável”, afirmou Giannetti.

 

Setores
O coeficiente de importação apresentou alta em 22 dos 33 setores analisados. Destaque para os seguintes segmentos:

  • Tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, cuja participação dos importados cresceu de 37,3% no primeiro trimestre de 2011 para 45,7% no mesmo período de 2012;
  • Máquinas e equipamentos para extração mineral e construção, com alta de 6,7 p.p. na comparação interanual:
  • Artigos do vestuário e acessórios, que expandiu de 12,1% para 18%.Entre os setores que registraram retração no CI, na comparação com 2011, vale destacar o de preparação e artefatos de couro (21,1%) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalares (53,8%) que apontaram queda de 9,6 p.p. e 6,9 p.p., respectivamente.

 

Dos 33 segmentos analisados pelo coeficiente de exportação, 15 apresentaram alta em relação a 2011. Dos que registraram elevação nas variáveis produção industrial e exportação, o de aeronave se sobressaiu com índices de 8,7% e 30,3%, respectivamente, na comparação entre trimestres.

Entre os setores que apresentaram queda na produção e elevação das exportações, destacam-se na seguinte ordem: produtos têxteis (-8,0% e +54,6%); máquinas e equipamentos para extração mineral e construção (-8,4% e 22,5%); ferro-gusa e ferroligas (-10,9% e 4,4%); e automóveis, caminhões e ônibus (-22,9% e 2,1%).

Já dentre os setores que registraram queda no CE, chama atenção o de fundição e tubos de ferro e aço, que saiu de 20,3% nos três primeiros meses de 2011, para 11,7% no período atual, apresentando retração de 8,6 p.p.

Importação de peças de vestuário deve aumentar 42% em 2012, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Marcelo Prado, diretor do IEMI

A participação de produtos importados no consumo brasileiro de vestuário deve chegar a 12,5% até o final de 2012, estimou o diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), em sua primeira projeção para o ano, durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil (Comtêxtil) da Fiesp, na terça-feira (20).

Na comparação com 2011, as importações de vestuário em volume de peças devem crescer 42% este ano. “Isso quer dizer que uma em cada oito peças de roupa comercializadas no Brasil será importada em 2012”, previu Marcelo Prado, diretor do IEMI e membro do Comtextil/Fiesp.

A produção de vestuário movimentou R$ 88,5 bilhões em 2011, mas graças ao aumento de 7% em valores. Já produção de peças do setor registrou queda de 1,8% em volume. O prognóstico para 2012 é de um ganho de 1,5% em peças e de 6,9% em valores.

Os números referentes à produção têxtil como um todo revelam um cenário ainda mais negativo. Em 2011, o setor têxtil movimentou R$ 107,8 bilhões, mas a produção em toneladas amargou uma queda de 14,9%. Em valores, foi anotada alta de 1,3%, enquanto a projeção para o item 2012 é de crescimento de 6%.

Prado explicou que o aumento verificado em valores não reflete o bom desempenho da produção, já que as fábricas adequaram preços para escoar estoques elevados. Em relação à produção em toneladas, espera-se um aumento de 3,3% para o setor, afirmou o especialista, ponderando que se trata da primeira estimativa, que pode variar de acordo com os ajustes sazonais do mercado.

Ásia

Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtêxtil

Os membros do Comtêxtil da Fiesp debateram mais uma vez medidas para frear a invasão de produtos têxteis acabados vindos da Ásia.

Na reunião do mês passado, empresários liderados por Elias Miguel Haddad, coordenador do Comitê, avaliaram oportunidades de implantar medidas de salvaguarda, as quais têm o objetivo de aumentar, temporariamente, a proteção à indústria doméstica que esteja sofrendo prejuízo grave ou ameaça de prejuízo grave decorrente do aumento das importações.

“Cada vez mais a produção está se concentrando na Ásia. Em 2009, a Ásia era responsável por 73% da produção mundial de têxteis. Em 2010, essa porcentagem aumentou para 75%. Ou seja, três em cada quatro quilos do mundo são produzidos por asiáticos, dos quais dois em cada quatro se concentram na China”, explicou Prado. “Com o câmbio forte e a entrada dos importados, passamos a dividir o mercado interno com esses importadores.”

 

Fiesp divulga Coeficientes de Importação e Exportação relativos ao 4º tri de 2011

Agência Indusnet Fiesp 

Nesta terça-feira (7), às 15h, o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, divulgará os resultados dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) referentes ao quarto trimestre de 2011.

No balanço do ano de 2011, foi possível observar uma expansão do consumo aparente, embora em um ritmo mais modesto se comparado à elevação verificada em 2010.

A pesquisa também apontou que, apesar da produção industrial nacional se manter estagnada, houve recuo na parcela destinada ao mercado interno, ou seja, os brasileiros estão consumindo muito mais produtos importados.

Os resultados dos coeficientes corroboram a percepção da Fiesp de que são necessárias medidas estruturais para elevar a competitividade da indústria nacional.


Serviço: 

Divulgação dos Coeficientes de Exportação e Importação
Data: 7 de fevereiro, às 15h
Local: Sede da Fiesp (Av. Paulista, 1313, 4º andar, capital)

Importados absorvem dois terços do aumento do consumo brasileiro, revela Fiesp

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex/Fiesp

A produção industrial brasileira e as vendas no varejo seguiram a tendência de alta no 1º trimestre deste ano, mas um levantamento da Fiesp revela que o consumidor está gastando mais na compra de importados. A indústria nacional aproveitou apenas um terço (35,9%) do crescimento de 4% do consumo aparente, sobre o primeiro trimestre de 2010, enquanto os produtos estrangeiros captaram 64,1% do mercado interno.

Os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp foram divulgados nesta segunda-feira (9). Os dados são calculados trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade.

“Vemos um mercado interno robusto, mas não é a produção brasileira que está se beneficiando disso”, avaliou Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex. “Para reverter esse quadro precisamos de medidas macroeconômicas, como uma política industrial competitiva, e estímulos à reação dos empresários”, observou.

O coeficiente de exportação da indústria, que representa o volume total exportado sobre a produção, subiu 0,4 ponto percentual (de 17,1% para 17,5%) nos três primeiros meses do ano sobre o mesmo período de 2010, o que mantém o índice bem abaixo do patamar histórico para os primeiros trimestres – em torno de 21% em 2007. “O aumento ainda é tímido, com um viés anti-exportador”, concluiu Giannetti.

Já no coeficiente de importação da indústria, o avanço de 1,7 p.p. nesse mesmo período (de 19,9% para 21,6%) contribuiu para sustentar o índice em nível acima da média histórica, que gira em torno de 18%. Segundo Giannetti, a progressão acelerada desse coeficiente nos últimos dois anos caracteriza um processo de desindustrialização no Brasil.

Coeficientes de exportação e importação / 1º Trimestre de 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

“A desindustrialização ocorre quando há substituição da produção interna pela importada, e isso tem acontecido no Brasil de forma mais acelerada que em outros países”, avaliou. “A perda de competitividade da indústria é sistêmica, porque nesse processo o empresário deixa de investir e pode ficar defasado lá na frente. É preciso romper a inércia”, frisou.

Pela primeira vez, o levantamento fez um recorte para a indústria de transformação, que exclui a extrativa, e o cenário para o setor é mais modesto ainda em exportação. O coeficiente do volume exportado sobre o produzido obteve o segundo pior resultado da série (14,7%), considerando primeiros trimestres. Houve alta de 0,7 p.p. em relação ao acumulado de janeiro a março de 2010, mas o índice ficou 1,2 p.p. abaixo do registrado no último trimestre do ano passado.

Já a taxa de importados sobre o consumo aparente é semelhante à da indústria geral (20,4%). Se comparada ao movimento da exportação, subiu mais em relação ao 1° trimestre de 2010 (1,8 p.p.) e caiu menos sobre os últimos três meses do ano passado (0,8 p.p.).

Setores

Em exportação, 16 dos 33 setores analisados pela pesquisa estão retomando o patamar pré-crise. Os principais são ferro-gusa e ferroligas (51,5%), máquinas para agricultura (33,3%) e siderurgia (20,5%). Já segmentos como o de aeronaves (32,8%), calçados (18,8%) e produtos de madeira (22,2%) ainda não retomaram o ritmo anterior à crise financeira de 2008.

A maioria dos setores (26) continua apresentando alta no coeficiente de importação. Os principais são máquinas, aparelhos e materiais elétricos (33,5%), produtos de couro (30,7%) e máquinas industriais 49,2%. A metalurgia de metais não-ferrosos (31,8%), a fabricação de aeronaves (38,2%) e de equipamentos médico-hospitalares (60,8%) são três dos seis setores que estabilizaram ou diminuíram o coeficiente de importação.

Estudo do Decomtec/Fiesp aborda guerra fiscal do ICMS na importação

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Diferentemente da Guerra Fiscal tradicional, que, apesar de também ilegal, transfere empregos de um estado brasileiro para outro, a Guerra do ICMS na importação transfere empregos do Brasil para o exterior, uma vez que os estados incentivam os importados em detrimento da indústria nacional.

Isso é o que aponta estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp. De acordo com o material, os benefícios garantidos por estes estados para os produtos importados custaram à economia 771 mil empregos e reduziram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em R$ 18,7 bilhões. Este valor equivale ao PIB total de estados como Alagoas ou Sergipe, ou cidades como Campinas/SP, Fortaleza/CE ou Camaçari/BA.

Se não for resolvida, a Guerra Fiscal do ICMS na importação pode gerar ainda mais prejuízos para a economia nacional. Nos próximos cinco anos a economia pode deixar de gerar mais 859 mil empregos e uma nova Campinas poderá ser perdida em termos de expansão do PIB.

Importados batem recorde e já respondem por 21,8% do consumo do País

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Roberto Giannetti, diretor do Derex, apresenta o resultado do Coeficiente de Exportação e Importação

A forte retomada do consumo doméstico marcou o ano de 2010, mas não foi acompanhada, na mesma magnitude, pelo crescimento da produção industrial. Desta forma, a expansão da demanda interna do ano passado se tornou mais intensiva em importações, concluiu a Fiesp ao divulgar os resultados do Coeficiente de Exportação e Importação (CEI), nesta segunda-feira (14).

As importações totais da indústria sobre o consumo aparente do País (Coeficiente de Importação – CI) atingiram o maior patamar histórico: 21,8%. Este valor superou em 3,5 pontos percentuais o CI de 2009, sendo também a maior variação histórica entre os anos analisados. Na comparação com 2008, a alta foi de 1,7 ponto percentual, ou seja, o CI recuperou e até ultrapassou o nível pré-crise.

Por outro lado, de acordo com o levantamento da Fiesp, o total exportado em relação a toda produção industrial do País (Coeficiente de Exportação – CE) apresentou tímida alta comparada a 2009, de apenas 0,9 ponto percentual, atingindo 18,9%. Valor este inferior ao registrado em 2008, quando 19,6% da produção foi exportada, o que representa queda de 0,7 ponto percentual.

Avanço das importações

No caso do CI, a expansão da economia brasileira, em conjunto com outras variáveis que ferem a competitividade da indústria nacional, como o câmbio valorizado e os benefícios fiscais concedidos por alguns Estados para os bens importados, explica o ganho de competitividade e consequente avanço das importações sobre a produção doméstica.

“O câmbio ainda é um dos principais vilões do aumento da penetração dos importados no País. De cada cinco  produtos têxteis vendidos no Brasil, pelo menos um é importado”, explicou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Segundo o dirigente da Fiesp, a ligeira alta de 0,9 ponto percentual sobre 2009 se deve ao fato de o ano anterior ter sido marcado pela crise internacional, portanto de fraco crescimento dos principais parceiros do Brasil, como Estados Unidos e Argentina, e com a produção concentrada no mercado doméstico.

A retomada do crescimento, em especial do vizinho sul-americano, permitiu um fôlego exportador um pouco maior de alguns setores, como o automotivo. No entanto, o setor de indústrias extrativas, que amplia consistentemente sua parcela exportada, é o grande destaque do aumento do CE.

“A constante elevada demanda dos chineses por minério de ferro garante o aumento da exportação do produto ano após ano, tornando a pauta exportadora também cada vez mais dependente deste bem”, concluiu Giannetti.

Veja aqui o estudo completo.