É hora de, todos juntos, reconstruirmos o Brasil, afirma Skaf

O Brasil vive hoje um dia histórico. Em total respeito à Constituição e às leis, e dentro das normas do Estado Democrático de Direito, o Congresso Nacional concluiu o julgamento da presidente da República, aprovando seu afastamento definitivo e dando posse ao presidente Michel Temer.

Não é hora de comemoração! É o fim de um longo e desgastante processo. A denúncia que originou o processo de impeachment foi apresentada ao Congresso há exatamente um ano, no dia 31 de agosto de 2015. Nesse período, o debate político se acirrou, opondo apoiadores e contrários ao impeachment. Amizades foram desfeitas. Familiares brigaram. O Brasil se dividiu.

A economia, já combalida, experimenta seus piores dias: o desemprego atinge 12 milhões de trabalhadores, e mais de 100 mil lojas e quase 10 mil fábricas foram fechadas. O recuo do PIB chega a 8%, o consumo das famílias também diminuiu 8%, e o investimento despencou 25%. O crédito está travado, a inflação chegou a 11%, e a taxa de juros, a 14,25% ao ano.

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) não só acompanhou, como apoiou o processo de impeachment na condição de representante de importantes setores da sociedade brasileira. O processo terminou. Agora é hora de virar a página, deixar as diferenças para trás, arregaçar as mangas e, de braços dados, reconstruir o Brasil.

A confiança está sendo retomada, mas é preciso mais. A reconstrução do Brasil demandará grande esforço da sociedade. O Ajuste fiscal é a mãe de todas as reformas. O governo deve controlar seus gastos, eliminar os desperdícios e combater a corrupção. O equilíbrio fiscal deve ser feito sem aumento de impostos. Os brasileiros não admitem aumento de impostos.

Por isso, não podemos esperar para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional que institui o teto para os gastos públicos, limitando-os à inflação do ano anterior. Não há alternativa. Se tivéssemos aprovado o teto há dez anos, a dívida pública, que hoje é de quase R$ 4 trilhões, estaria em R$ 700 bilhões, ou seja, seis vezes menor. Não gastaríamos os R$ 500 bilhões de juros por ano, e a taxa de juros poderia ser igual à do resto do mundo.

Precisamos também reformar a Previdência para ter capacidade de continuar pagando nossos aposentados. Para fazer isso com justiça, é necessário definir regras de transição para garantir direitos de pessoas que estão mais próximas de se aposentar.

A taxa de juros deve cair. No início do ano, a Selic era de 14,25% ao ano, quando a inflação era de 11%. Agora a inflação está em pouco mais de 7%. Isso significa que a taxa de juros real passou de pouco mais de 3,5% para quase 7% ao ano, ou seja, quase dobrou.

O governo deve tomar medidas para aumentar a oferta de crédito, pois o crédito está travado pelo sistema bancário.

Para incentivar as exportações, que começam a se recuperar e são extremamente importantes para a retomada da economia, o Banco Central deve cuidar para que o real não se valorize demais em relação ao dólar.

Temos ainda que destravar as obras de infraestrutura no país, acelerando as concessões e Parcerias Público-Privadas. É fundamental permitir rentabilidade adequada para os projetos, adotando regras claras e estáveis. Precisamos atrair mais investidores, aumentar a concorrência de forma saudável e combater a corrupção. 

Nos últimos anos, o Brasil andava como um trem descarrilhado. Chegou a hora de voltar aos trilhos da confiança, do desenvolvimento, da gestão eficiente, da boa governança, do crescimento e da geração de empregos e riquezas para o país. Os desafios são grandes, as medidas necessárias são complexas, e os resultados serão obtidos com o tempo. O novo governo chega com um voto confiança da nação. Mas deve, com a ajuda de todos, ser firme no esforço diário para reconstrução do nosso Brasil. É hora de, todos juntos, reconstruirmos o Brasil.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

 

Entrevistado pelo UOL, Skaf aponta melhora do cenário no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, concedeu longa entrevista ao portal UOL, o maior do Brasil. Publicada nesta quinta-feira (25/8), a entrevista destaca a importância da campanha contra o aumento de impostos Não Vou Pagar o Pato, iniciativa da sociedade, com forte apoio da Fiesp. Skaf explica na entrevista as razões que levaram a Fiesp e o Ciesp a apoiar o processo de impeachment e fala sobre efeitos positivos na economia.

“Se compararmos o cenário de 90 dias atrás com o de hoje, é melhor, e na nossa visão, daqui a 90 dias, ele será melhor que o de hoje. Vamos ter muitas dificuldades, mas o que importa é que há um sentimento melhor a cada dia que passa.”

Skaf aponta recuperação da confiança, necessária para a volta dos investimentos, mas alerta que ainda há muito a fazer. “O que esperamos do governo é que ele faça a sua lição de casa em apertar os cintos, reduzir gastos, combater desperdícios, de forma permanente combata a corrupção, estimule e passe a confiança necessária para que os investimentos aconteçam.”

E avisa que é inaceitável qualquer proposta de aumento dos impostos. O pato gigante, símbolo da campanha contra o aumento da carga tributária, “está de prontidão”, diz Skaf. “No momento em que houver qualquer ameaça de aumento de impostos, ele sai voando.”

Skaf critica indefinição provocada por tentativa de recuo no processo de impeachment

Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (9/5) antes de participar de reunião plenária da Associação Comercial de São Paulo, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, criticou a decisão do presidente interino da Câmara de anular a sessão em que o plenário da Casa aprovou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente da República. “Uma situação como esta é totalmente incoerente, e não vai ao encontro do interesse do Brasil. Essas indefinições todas fazem com que a economia brasileira esteja parada, o desemprego aumentando, empresas fechando.”

Skaf disse que um novo governo, que retome o controle político, despertará novamente nos atores do desenvolvimento a confiança. Com isso, automaticamente o mercado reagirá. “Já é um grande estímulo para retomada do investimento. Vem, gera emprego, o emprego e os investimentos geram consumo, e a roda da economia volta a andar.”

O presidente da Fiesp e do Ciesp ressaltou que o momento exige resolver o problema do Brasil de uma forma horizontal.  “A indústria não é um caso isolado, nesse momento o Brasil está com problema, então a prioridade não é a indústria pontualmente, não é o setor A, B ou C, não é um setor comercial, a prioridade do país é reestabelecer a confiança, é reestabelecer a credibilidade.”

Feito isso, Skaf defende que a equipe econômica ouça “com ouvidos bem abertos a situação da indústria, do comércio, da agricultura, dos serviços, para que realmente os atores do desenvolvimento possam sugerir medidas que vão ajudar na retomada do crescimento do país, na geração de empregos e de oportunidades”.

Mais uma vez Skaf frisou que é necessário que o governo acerte suas contas. “Que o governo, assim como fazem as empresas, as famílias, aperte seu cinto, reduza seus desperdícios, seus gastos demasiados, enfim, tudo aquilo que não funciona bem e melhore sua gestão, de forma a acertar suas contas.”

Day after

“Precisamos entrar numa fase de retomada da confiança: o governo precisa acertar as suas contas e fazer isso de imediato”. Foi assim, defendendo o retorno do investimento no Brasil, que Skaf participou da sessão plenária da Associação Comercial de São Paulo. O presidente das entidades da indústria fez palestra sobre o tema “Impeachment: Day After”, com foco nos desafios que o novo governo terá que enfrentar em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Vamos falar de investimento e retomada do crescimento”, afirmou. Nesse cenário de perspectivas melhores para o futuro, o presidente da Fiesp e do Ciesp reforçou o seu posicionamento contra a elevação dos impostos. “Não há diálogo para o aumento de impostos”, disse. “Aquele que paga já paga muito e não consegue mais pagar.” Ajeitada a casa, lembrou Skaf, será possível baixar os juros.”

No cenário novo, a união da sociedade estaria a serviço do Brasil. “Vamos colaborar para que as coisas deem certo”, explicou. “Com a retomada da confiança, vamos estimular o investimento, e com o investimento vem o emprego e o consumo. A resposta não vai demorar 10 ou 15 anos para vir.”

Será o momento em que “a roda vai girar”. “Que venha uma onda de investimentos”, disse. “Os governos passam, a nação é muito maior do que qualquer governo.” Skaf encerrou sua participação inicial na sessão plenária da ACSP lembrando que “o Brasil é um país fantástico”.

Paulo Skaf em reunião plenária da Associação Comercial de São Paulo. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Em entrevista à RedeTV, Skaf comenta cenário político

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, foi entrevistado nesta quarta-feira (4/5) pela RedeTV, durante o lançamento, na sede das entidades, do livro “Crime e Mentira na Política”, de Fernando Gaspar Neisser. Skaf considera a obra essencial para entender o atual cenário político brasileiro.

No evento, Skaf comentou o processo de impeachment da presidente da República e lembrou que a Fiesp e o Ciesp têm posicionamento claro a respeito.  “Há alguns meses se posicionaram a favor de uma mudança”, disse. O apoio total ao processo de impeachment se deu porque a economia do país está no chão, e o governo não consegue reagir. Skaf ressaltou que o processo de impeachment é totalmente constitucional e vem sendo conduzido dentro dos parâmetros legais.

“Cabe aos deputados e senadores fazer o julgamento se ela cometeu crime ou se ela não cometeu crime”, afirmou Skaf. “Mas cabe a mim como cidadão, como líder empresarial, dizer que o país não aguenta mais o desemprego, a economia, a péssima gestão, o descontrole total.” A falta de credibilidade no governo agrava a crise econômica, levando ao fechamento de fábricas e lojas. Skaf defende a mudança, para que seja restaurada a confiança dos empresários e dos consumidores.

“O que precisa é a presidente se afastar e dar a chance de nascer uma nova esperança”, disse Skaf, defendendo a união de todos. “Vamos nos esforçar para que dê certo, para o bem dos empregos, do empreendedorismo, das empresas, da economia, enfim, para o bem de todos os brasileiros.”

Paulo Skaf com Fernando Neisser durante o lançamento do livro “Crime e Mentira na Política”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O Brasil venceu

Agência Indusnet Fiesp

Às 23h07 deste domingo (17/4) foi declarado o 342º voto na Câmara dos Deputados a favor do prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O passo seguinte é a análise pelo Senado da aceitação do processo.

A Fiesp declarou em 14 de setembro de 2015 o apoio ao processo de impeachment, e em 27 de março deste ano anunciou a participação na campanha “Impeachment Já!”, destinada a sensibilizar os deputados da necessidade de votar rapidamente pela aprovação do relatório pró-afastamento.

Em conferência online com Ciesp e Fiesp, Skaf pede todos nas ruas no dia 17

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em conferência online com as Diretorias Regionais (DRs) do Ciesp e com o Departamento de Ação Regional da Fiesp (Depar), o presidente de ambas as entidades, Paulo Skaf, pediu a todos que nesta semana façam campanha para convencer os deputados paulistas indecisos a votar pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A votação, no plenário da Câmara, está prevista para domingo, dia 17.

“É necessário um corpo a corpo, que é prática de cidadania, democrático, com os deputados indecisos”, afirmou Skaf para a plateia de 500 pessoas. Skaf pediu que os empresários informem a todos a lista dos indecisos, para fazer uma força-tarefa e lembrar que os deputados foram eleitos para votar pelo interesse da população. Pediu o empenho de todos para uma pressão legítima em cima dos deputados indecisos.

Também é fundamental, disse, todos estarem na rua no dia 17, “mostrando sua indignação e sua vontade e coragem de que se promova uma mudança”, que trará uma solução para a crise atual. “Se promovermos o maior movimento da história do Brasil no domingo, isso vai pesar na votação”, disse.

Skaf rememorou a movimentação que levou em dezembro Ciesp e Fiesp a apoiar o processo de impeachment. O posicionamento das entidades, afirmou, surpreendeu e produziu resultados. Em sua opinião, a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, lançada em setembro de 2015, ajudou a impedir o aumento de impostos. “Isso se deve ao apoio maciço dos empresários”, disse, agradecendo.

No encerramento da conferência, Skaf reforçou a importância da manifestação no dia 17. “Vamos pra rua, vamos nos mobilizar. Mostrem que é importante, sim, estar nas ruas no domingo. Estamos na boca de uma mudança que pode tirar o Brasil desta enrascada.” Antes, tinha feito uma comparação com o futebol. “Não temos que ter medo de mudança. Num time que está perdendo todas, que está um desastre, é preciso mudar o técnico.”

Paulo Skaf durante conferência online com Diretorias Regionais do Ciesp e Departamento de Ação Regional da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Pato gigante representa indignação dos brasileiros, diz Skaf

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, explicou nesta terça-feira (29/3) em Brasília a razão da presença do pato gigante instalado em frente ao Congresso Nacional. “Ele vai ficar aqui de vigília, enquanto estiver correndo o processo de impeachment”, disse Skaf.

“Este pato representa a indignação das pessoas”, afirmou. “O povo brasileiro é um povo do bem. O pato, com este olhar de paz, é a forma brasileira de protestar.”

Skaf disse que acredita na aprovação do impeachment. “Não tenho dúvida que será bom para o Brasil. A presidente perdeu o controle do país. O Brasil está à deriva. É uma situação muito delicada, com desemprego aumentando e empresas fechando.” Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, é preciso que haja uma mudança, para “nascer uma nova esperança”, levando a uma recuperação da confiança e da credibilidade e permitindo a retomada da economia e a volta ao ritmo do desenvolvimento.

A campanha “Não Vou Pagar o Pato”, criada em setembro de 2015 para combater o aumento de impostos, mudou para “Chega de Pagar o Pato” depois que centenas de entidades, representando milhões de empregos e bilhões de reais em tributos, se uniram em torno da bandeira do “Impeachment Já!”. Seu símbolo é um pato – que em Brasília ganhou uma versão com 20 metros de altura, equivalente à de um prédio de 7 andares.

Paulo Skaf ao lado do pato gigante, símbolo da indignação dos brasileiros. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Com Skaf na capa, revista IstoÉ Dinheiro destaca atuação dos empresários pelo impeachment

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, está na capa da revista IstoÉ Dinheiro da semana de 23 de março, que tem como tema principal “A reação dos empresários” e relata a pressão do setor produtivo pela saída imediata da presidente Dilma Rousseff.

A capa traz frase de Skaf, dita durante a manifestação de 17 de março na frente do prédio da Fiesp: “O impeachment de Dilma é a saída mais rápida da crise”. A reportagem destaca a atuação de Skaf para conseguir a adesão “de boa parte da classe empresarial, da indústria ao varejo” ao impeachment da presidente.

Como parte da reportagem, há entrevista em página dupla de Skaf, em que ele explica as razões da opção pelo impeachment. “Porque é a [saída] mais rápida e há vontade política nessa direção.” Skaf disse que a “economia está indo mal por causa da crise política. Há confiança no Brasil, mas não há confiança no governo”.

Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

Na Fiesp, Ives Gandra afirma que atual cenário exige foco na governabilidade do país

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A atual crise institucional foi foco dos debates do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, reunido nesta segunda-feira, 21 de março. O professor e jurista Ives Gandra da Silva Martins foi o convidado para analisar o cenário sob o ponto de vista jurídico.

Para Martins, a grande questão que se coloca neste momento é a governabilidade do país, pois “203 milhões de pessoas precisam de governo, que pode, inclusive, ser de coalizão das forças da nação. O país precisa de paz para o seu desenvolvimento”, disse, frisando que estamos em um momento histórico e que ele “nunca viu situação tão complexa” como a atual.

Em sua avaliação de jurista, o impeachment conta com embasamento jurídico, bem como a divulgação das gravações do juiz federal Sergio Moro, que comanda a operação Lava Jato.

Martins reforçou que o artigo 37 da Constituição, que rege a Administração e os demais Poderes, conta com cinco princípios: da moralidade, legalidade, impessoalidade, eficiência e publicidade. Para ele, a presidente Dilma Rousseff feriu esses princípios com a indicação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva para estar à frente do ministério da Casa Civil. Ele afirmou que o mérito da questão “é por que o ex-presidente não foi nomeado antes uma vez que a crise que o Brasil enfrenta vem desde o dia 1º de janeiro de 2015? Por que apenas agora? Houve nítido desvio de finalidade”.

De acordo com o convidado do Consea, “a prova inequívoca de que o país parou é o fato de quando o impeachment “esquenta”, a Bolsa de Valores sobe e a cotação do dólar cai”. E questiona: “o Brasil é governável com 9 milhões de desempregados? Vamos chegar até o final do ano com 13% de desempregados! Ninguém faz investimentos porque não acredita no Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) está caindo e a inflação subindo. Um gesto de grandeza seria a renúncia [de Dilma] porque não consegue mais governar”, avaliou.

Em sua intervenção, a presidente terá três pólos de enfrentamento. Um deles no Congresso Nacional, cujo julgamento será político, mas com embasamento jurídico, e os demais no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com avaliações eminentemente jurídicas.

“O impeachment não é golpe. Conta com respaldo dos artigos 85 e 86 da Constituição que trata da probidade administrativa e que trata de ação ou omissão e, no caso da Petrobras, houve omissão”, avaliou o jurista. Martins também citou as chamadas “pedaladas fiscais”. Também houve críticas quanto à estratégia econômica de incentivo ao consumo que permitiu “aos outros países se beneficiarem com o Brasil, quebrando a balança comercial e a indústria. A indústria brasileira perdeu muito no governo Dilma. Não houve investimento em tecnologia”, concluiu.

Para o presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder, o momento exige das instituições uma tomada de posição. Com o intuito de se obter um posicionamento equilibrado e respaldado, convidou-se o jurista Ives Gandra para analisar a situação brasileira sob o prisma de sua especialidade, o jurídico, neste debate.

Ives Gandra da Silva Martins é doutor em direito pelo Mackenzie, com especialização em ciência das finanças e direito tributário pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp, com a participação de Ives Gandra da Silva Martins. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entidades que representam milhares de empresas e milhões de trabalhadores definem na Fiesp apoio ao Impeachment Já!

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunidas nesta quinta-feira (17/3) na sede da Fiesp, cerca de 300 federações, associações e outras entidades que representam milhares de empresas e milhões de trabalhadores decidiram por unanimidade encampar a bandeira do Impeachment Já!

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, explicou em entrevista coletiva depois da reunião que a presidente Dilma Rousseff não parece inclinada à renúncia, que seria a forma mais rápida de resolver a questão política que trava a economia. Por isso o impeachment passou a ser a opção prioritária, disse, lembrando que horas antes havia sido instalada a comissão que vai analisar o processo.

“A bandeira de todos nós, ontem, era renúncia já”, disse Skaf, “mas a presidente não renunciou e não sinaliza vontade de renunciar. Hoje é Impeachment Já!”

Skaf anunciou também que todos concordaram em atuar junto às bancadas de deputados federais e senadores e aos governadores de seus respectivos Estados, para dar celeridade ao processo de impeachment. “Todos aqui irão se concentrar em conscientizar os parlamentares que a sociedade quer uma mudança, quer o impedimento da senhora presidente da República”, disse Skaf. Para ele, O governo brasileiro não está trabalhando para a Nação, “está trabalhando para se sustentar, para se segurar no poder”.

>> Paulo Skaf explica decisão pelo Impeachment Já!

“Todas as entidades, todas as assembleias sindicais que aqui estão, todos os movimentos de rua, todas as entidades da agricultura, do serviço, do comércio, da indústria, as associações, as federações, os sindicatos, todos que estão aqui envolvidos, muitos que não estão aqui presencialmente, mas estão conosco, estarão se concentrando no Congresso Nacional nos próximos dias para conscientizar os deputados”, disse Skaf.

O presidente da Fiesp e do Ciesp lembrou que os deputados precisam representar o povo que os elegeu. “Como os senadores, que da mesma forma tiveram um voto de confiança da sociedade, do povo brasileiro” disse Skaf, os deputados devem fazer com que “o mais rapidamente possível haja o impeachment da presidente, para que a gente possa ter um novo cenário, uma oxigenação”.

“Pelo conjunto de fatos ocorridos ao longo desses meses – quase todos os dias fatos acontecem -, a gente já teria o suficiente para uma mudança no governo”, avaliou.

“O fundamental é que a sociedade está unida agora no objetivo do impeachment, estará junta em seguida no momento da mudança para discutir um plano para ajudar o governo que virá, para que a gente saia rapidamente desta crise econômica, para que rapidamente a gente possa voltar aos investimentos, à geração de empregos, ao empreendedorismo, ao fortalecimento das empresas, de todos os setores brasileiros, dos serviços.”

Participantes de reunião na Fiesp que definiu o Impeachment Já! como bandeira. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“Lula não foi eleito pelo povo para governar em 2016”, afirma Skaf

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, anunciou na manhã desta quinta-feira (17/3) durante entrevista na Rádio Jovem Pan o convite a 700 entidades de diversos setores para uma reunião, na tarde do mesmo dia, “para tentar fazer um direcionamento comum, com firmeza, coragem e equilíbrio, para buscar solução para o país”, que enfrenta desemprego, inflação e péssima perspectiva para 2016, problemas derivados de uma crise política e do total descontrole do país.

A Nação corre riscos, na opinião de Skaf. “Risco de golpes, risco de bagunça, risco de uma economia que em 2 anos vai gerar 3 milhões de desempregados. O Brasil não merece isso”, disse. Para Skaf, houve tentativa de golpe na nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Casa Civil. “Lula não foi eleito pelo povo para governar em 2016, e muito menos para mudar para o parlamentarismo.”

Skaf defende mudança imediata no governo, por renúncia ou por impeachment. Segundo o presidente das entidades da indústria paulista, “este governo não está defendendo os interesses do povo, está defendendo seus próprios interesses. Ele está fazendo tudo para se salvar. Está concentrado em salvar pessoas, se preciso até com golpe.”

De olho nos deputados

Skaf considera difícil a renúncia da presidente (“o melhor serviço que Dilma pode prestar à Nação”) e fala em concentrar o trabalho no Congresso Nacional, onde será criada comissão para avaliar o impeachment. “Que a sociedade acompanhe de perto a posição de cada deputado”, disse, lembrando que os integrantes da Câmara são eleitos para representar os interesses do povo. Se votarem contra o impeachment, terão que justificar por que votaram pelo governo. Skaf apelou ao PMDB para que rompa imediatamente com o governo, que está trabalhando contra a Nação brasileira.

Resolvida a questão política, avalia Skaf, “a economia vai se recuperar rapidamente, e as coisas entram no eixo”.

Manifestações de 13 de março mostram que o povo não aceita mais a falta de respeito, afirma Skaf

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse neste domingo (13/3) em entrevista ao SBT na avenida Paulista que as manifestações do dia mostram que o povo não aceita mais “esta falta de respeito com as famílias, esta tentativa de divisão da sociedade ou da nação brasileira”. As pessoas nas ruas em diversas capitais e cidades querem uma mudança no Brasil, segundo Skaf. “Nós queremos um outro governo, nós queremos que sejam recuperadas a confiança e a credibilidade. Caso contrário não há investimentos, não há consumo, e sem os dois não há crescimento e não há emprego.” A situação, disse Skaf, é muito grave e tem que ser mudada. “O que as pessoas querem dizer aqui é que querem mudança. Quase exigem mudança. Espero que o Congresso Nacional se sensibilize com esta movimentação popular deste domingo histórico brasileiro e que realmente o processo de impeachment da presidente tenha celeridade em seu julgamento.”

Skaf considera que a renúncia da presidente seria a atitude menos traumática e mais rápida para resolver a situação do país, permitindo à economia voltar a rodar e ao emprego voltar a aparecer. O Brasil precisa disso urgentemente, afirmou Skaf.

Além de patos gigantes da campanha contra a CPMF, avenida Paulista teve o prédio da Fiesp vestindo bandeira digital do Brasil. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Setor produtivo apoia manifestação do dia 13, afirma Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista coletiva após reunião nesta segunda-feira (7/3) com mais de 100 representantes de entidades empresariais, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse que os participantes, movidos pela perda de credibilidade e da confiança na presidente Dilma Rousseff e sua incapacidade de recuperá-las, decidiram por unanimidade apoiar a participação, “pacífica e respeitosa”, na manifestação marcada para dia 13 de março em várias cidades. Skaf revelou que irá ao protesto em São Paulo, na avenida Paulista, com sua família, e se comprometeu a telefonar para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pedindo-lhe que se manifeste garantindo a segurança dos que quiserem participar.

Um grande movimento no dia 13, disse Skaf durante a reunião, é a resposta adequada às vozes contrárias aos que defendem a mudança urgente no governo. As entidades presentes devem fazer ao longo da semana a defesa da participação nas manifestações de domingo, que pedem a saída da presidente Dilma Rousseff e apoiam a operação Lava Jato e a punição dos corruptos.

No encontro, realizado na sede da Fiesp e do Ciesp, os participantes reiteraram, também de forma unânime, o apoio à campanha “Não Vou Pagar o Pato”, contra o aumento de impostos e a volta da CPMF. Além de dar nova energia à campanha, os participantes decidiram fazer pressão sobre o Congresso Nacional, para não permitir a elevação da carga tributária.

A campanha nasceu em setembro de 2015 de reunião semelhante, também realizada na casa da indústria paulista. Já foi lançada em 5 capitais e 22 cidades e conseguiu o apoio de mais de 1,2 milhão de pessoas.
>> Ouça boletim sobre o apoio às manifestações do dia 13

Reunião na sede da Fiesp e do Ciesp que definiu apoio às manifestações de 13 de março. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“Tem o que fazer, sim: sair na rua e pedir a renúncia da presidente”, afirma Skaf em Bauru

Agência Indusnet Fiesp

Em Bauru, cidade que visitou nesta sexta-feira (4/3), o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, responsabilizou a crise política pelas más condições da economia. Para ela se recuperar é preciso reestabelecer a confiança e a credibilidade, afirmou Skaf, o que exige algum fato forte na área política. “Acredito que o pode acontecer de mais forte e rápido é a renúncia da presidente da República”, disse.

Na opinião de Skaf, a sociedade pode ajudar. “Tem o que fazer, sim. É sair na rua e pedir a renúncia da presidente da República, é isso o que tem que fazer, hoje, amanhã, depois de amanhã.” A alternativa, diz, é que o processo de impeachment caminhe com celeridade no Congresso Nacional. Resolvida a crise política, as coisas voltariam a seu lugar. “Rapidamente nós teríamos uma mudança de ambiente, de confiança, e as coisas começariam a se recuperar.”

Erros do governo

Gastar demais, desperdiçar demais e se endividar demais foram erros de Dilma na condução da economia, explicou Skaf. Isso levou a taxas de juros elevadas. As despesas superaram o aumento da arrecadação. “E como em toda casa, empresa ou na vida da gente, quando você gasta muito mais do que você ganha, um dia a bomba estoura”, afirmou.  Para piorar, há muita burocracia, e os projetos de infraestrutura não são tocados com a velocidade necessária.

Os problemas acabam afetando toda a sociedade brasileira. “Todos fazem parte, todos nós, comércio, indústria, agricultura”, disse Skaf. Todos estão no mesmo barco. “Você não tem alguém fora. Ou vai bem, ou vai mal. Quando o país não vai bem não há milagre.” Skaf lembrou que o PIB (produto interno bruto, a soma das riquezas produzidas) do Brasil encolheu 4% no ano passado, enquanto o mundo cresceu 4%. Para este ano, a perspectiva é de nova queda do PIB, e o desemprego está acelerado. “A indústria caindo, como caiu o ano passado, em torno de 10%, está indo mal, lojas fechando, indústrias fechando. Vai todo mundo mal.” Em compensação, “no momento em que se recuperar, recupera para todos também”.

Não ao aumento de impostos

Skaf participou em Bauru do lançamento da campanha “Não Vou Pagar o Pato”, contra o aumento de impostos e a volta da CPMF. Em giro por cidades da região, o presidente da Fiesp e do Ciesp foi ao lançamento da campanha também em Jaú. O símbolo da campanha, um pato gigante, foi montado em praças das cidades em que ela foi lançada. “É o trabalho que o pato faz”, explicou Skaf. “Ele anda, vai de uma cidade para outra, colhe assinaturas e depois vai para Brasília, para fazer a pressão necessária.” A campanha já conseguiu a adesão de mais de 1,2 milhão de pessoas, que assinaram seu manifesto ou se registraram no site.

A campanha “Não Vou Pagar o Pato” teve início em São Paulo, em setembro de 2015, em frente à sede da Fiesp, e vem percorrendo cidades do interior paulista e de outros Estados. O pato já esteve também na Baixada Santista, Brasília (DF), Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba.

Lançamento, com a participação de Paulo Skaf, da campanha Não Vou Pagar o Pato em Bauru. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Programa Atleta do Futuro

Também presidente do Sesi-SP, Skaf participou da renovação de parcerias da entidade com prefeituras da região no Programa Atletas do Futuro. Em Jaú o convênio atenderá 1.545 alunos com a prática de xadrez, karatê, natação, futsal, judô, capoeira, basquete, atletismo e handebol. Em Igaraçu do Tietê atenderá 320 alunos nas modalidades de futebol, basquete e futsal. São 380 os alunos contemplados em Pederneiras, em futsal, judô, caratê e futebol. Handebol é a modalidade oferecida em Agudos, para 40 alunos. Em Borebi, 150 alunos, no futsal. Os 250 alunos beneficiados em Macatuba poderão praticar basquete, futebol, voleibol e futsal.

Na renovação do PAF em Bauru 760 alunos serão atendidos, com a prática de futsal, natação e judô.

O Programa Sesi-SP Atleta do Futuro contempla crianças e jovens entre 6 e 17 anos, com atividades organizadas em três fases, adequadas para cada faixa etária.

Na fase que compreende crianças entre 6 e 8 anos, os instrutores trabalham para promover qualidade de vida, integração e socialização por meio de jogos e brincadeiras lúdicas. A partir dos 8 anos, os participantes iniciam a prática esportiva, conhecendo as diversas modalidades e suas diferenças.

Dos 11 aos 17 anos, os alunos optam por uma modalidade e realizam treinos específicos. Nesta fase, os atletas podem representar a equipe do Sesi-SP em competições estaduais e nacionais.

Por se tratar de programa de formação esportiva com metodologia própria do Sesi-SP, as aulas esportivas são complementadas por intensa programação nos finais de semana com a participação da família. Todos os profissionais envolvidos passam por capacitações e os alunos têm acesso a todos os materiais necessários para a prática de diferentes modalidades de esporte.

Skaf defende a renúncia de Dilma

Agência Indusnet Fiesp

[tentblogger-youtube -UE4rVsJ110]Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Paulo Skaf, uma carta de renúncia da presidente Dilma Rousseff agilizaria o processo de retomada de crescimento e a volta da confiança nos investimentos no país.  “Diante do atual cenário da economia, da política e da falta total de confiança que investidores nacionais e estrangeiros e que os consumidores brasileiros têm neste governo totalmente intervencionista, alguma coisa forte precisa acontecer para que o país saia dessa situação, porque a nação brasileira não merece passar por isso”, afirmou.

Paulo Skaf lembra que as diretorias da Fiesp e Ciesp aprovaram por unanimidade, em reunião realizada em dezembro de 2015, o apoio ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por o considerarem legal e legítimo. “Não se trata de golpe como alguns dizem. Mas a situação está chegando em um ponto em que ou esses processos ganham a velocidade que vai ao encontro dos interesses da Nação ou a senhora presidente da República apresenta uma carta de renúncia”.

Skaf acredita que esta é a forma mais rápida de o país enxergar um novo horizonte. “Em um momento em que o mundo tem recursos para investir no Brasil as coisas poderiam melhorar, mas ainda há total falta de confiança para isso. No Brasil dá para confiar, mas não dá pra confiar no governo brasileiro”.

O presidente da Fiesp e do Ciesp afirmou que o pedido de renúncia não se deve apenas ao fato das investigações terem chegado ao ex-presidente Lula, envolvendo a atual presidente e outros integrantes do governo. “Temos acompanhado com muita preocupação não só o que está acontecendo hoje, mas a queda da economia de quase 4% no ano passado e mais previsão de desemprego para este ano, o que leva este governo à total falta de credibilidade”, disse Skaf.

>> Ouça trechos da entrevista de Skaf

 

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, durante entrevista à Rádio Jovem Pan

 

 

 

Paulo Skaf: O verdadeiro golpe

Paulo Skaf

Muito se tem ouvido ultimamente a palavra golpe no debate político. Com frequência, para se referir ao processo de análise do pedido de julgamento e afastamento da presidente da República pelo Congresso Nacional. Esse processo, o impeachment, é previsto na Constituição Federal, vem sendo conduzido dentro das regras do Estado de Direito pelo Legislativo e se desenrola sob a vigilância do Supremo Tribunal Federal. No momento, cada instituição cumpre seu papel, dentro das regras do jogo da democracia. Não há qualquer sombra de golpe institucional.

Se formos, porém, buscar o significado da palavra golpe no dicionário, podemos, aí sim, apontar sua existência nas mais variadas dimensões da vida brasileira, muitas vezes tendo como autores aqueles que hoje tentam se colocar no papel de vítima.

Se golpe tem, entre suas definições, as de “ferimento ou pancada”, e também as de “desgraça e infortúnio”, chegamos à triste constatação de que vítima de golpe está sendo, sim, a nação brasileira.

Afinal, é ou não é um golpe para as forças produtivas do país, por exemplo, a redução de mais de 3% do PIB neste ano? Trata-se de uma verdadeira pancada, pois nossa economia encolhe. O golpe é maior ainda porque as expectativas para 2016 são também muito ruins. E não se venha por a culpa novamente em uma suposta crise mundial. A economia do resto do mundo vai crescer cerca de 3%, e a previsão para os países emergentes chega a 4%. Quem vem andando para trás somos nós.

Esse é um golpe e tanto, principalmente quando as dificuldades são agravadas por erros do governo, que só fazem aprofundar a recessão, que já ameaça virar depressão – triste palavra que designa também aqueles que sofreram duros golpes.

A queda de 9% na indústria em 2015, em relação a 2014, é o maior tombo desde 2003 e levou o setor à mesma participação que tinha no PIB nos anos do governo Juscelino Kubitschek. Isso fere não só a indústria, mas toda a economia brasileira.

O que dizer de outro duríssimo golpe, que é ter que demitir ou ser demitido em consequência da queda da economia? O ano de 2015 deve fechar com 1,6 milhão de demissões de trabalhadores com carteira assinada. Segundo o IBGE, 9 milhões de pessoas procuraram emprego, sem encontrar, no terceiro trimestre do ano, elevando a taxa de desemprego para 8,9%, a maior desde 2012, quando começou a série histórica. Uma desgraça na vida desses brasileiros e de suas famílias, sem dúvida.

Cito outros exemplos. Existe golpe mais explícito em quem paga seus impostos com muito sacrifício do que a proposta de criar, aumentar e recriar impostos, como a CPMF? É golpista a ação de um governo que, incapaz de fazer o dever de casa e reduzir seus próprios gastos e desperdícios, tenta jogar a conta no colo da sociedade com a cobrança de mais impostos. Mas a sociedade não quer mais “pagar o pato”.

No mesmo dia em que foi admitido o processo de impeachment, o Planalto comemorou a aprovação do projeto que mudou a meta fiscal e autorizou o governo a fechar este ano com um rombo de R$ 120 bilhões no orçamento. Isso é escandaloso e deveria ser motivo de vergonha, de um pedido de desculpas à nação. Nunca de comemoração. Estão festejando o quê? A incompetência para acertar as contas públicas? A irresponsabilidade por gastar demais?

Por fim, um dos maiores golpes que as autoridades podem desferir contra a população: a corrupção, que desvia recursos públicos da educação, da saúde e de outros serviços que deveriam estar sendo prestados à sociedade. Diariamente somos golpeados com revelações estarrecedoras envolvendo agentes públicos, pagamento de propinas e negociatas diversas. Maior empresa do país e um de nossos orgulhos, a Petrobras foi duramente atingida.

O processo de impeachment, que segue seu curso dentro das normas constitucionais, é a chance para que a nação faça seu julgamento. É preciso que todos atuem em nome dos interesses maiores do Brasil.

Paulo Skaf é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Fiesp e Ciesp definem apoio a processo de impeachment

Agência Indusnet Fiesp

Em reunião conjunta de suas diretorias, realizada nesta segunda-feira (14/12), a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) decidiram apoiar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Esse posicionamento reflete o desejo dos industriais paulistas, demonstrado em levantamento feito pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon).

A maciça maioria (91,9%) dos entrevistados respondeu que a Fiesp deveria se posicionar a respeito do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Essa pesquisa foi endossada por todos os fóruns da Casa”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp. Ele explicou que a decisão foi tomada “devido à situação política e econômica do Brasil, devido ao momento a que nós chegamos”.

Skaf citou problemas como o estouro das contas públicas neste ano – e a perspectiva de novo estouro em 2016. Lembrou que o PIB brasileiro vai encolher 3,5% este ano, enquanto o mundo tem crescimento, e que o Brasil vai fechar 1,6 milhão de empregos com carteira assinada. O Governo não tem “nenhuma credibilidade, não há confiança” nem investimentos. “O país está à deriva, e não há atitudes para solucionar os problemas”, disse Skaf.

O presidente da Fiesp e do Ciesp ressaltou que os trâmites legais têm que ser respeitados. “Não estamos condenando a presidente”, lembrou, e sim defendendo o prosseguimento do processo dentro das normas legais. “Há um encaminhamento legal, de acordo com a Constituição, de um pedido de impeachment. Não se pode falar em golpe com tudo feito de maneira correta.”

Na pesquisa, realizada entre os dias 9 e 11 de dezembro de 2015, foram ouvidas 1.113 empresas no Estado de São Paulo. O questionário foi preenchido, preferencialmente, por proprietário, presidente, diretor ou uma pessoa da empresa que tenha uma percepção mais ampla de seus negócios e dos efeitos sobre eles da situação política. Entre os entrevistados, 91% se disseram pessoalmente favoráveis ao processo de impeachment. Entre as empresas, 85,4% são favoráveis.

Ao apresentar a pesquisa, Skaf lembrou a crise na indústria. “Somando a queda do ano passado com a de 2015 e de 2016, a indústria vai encolher quase 20%”, afirmou. “É chegada a hora de ter a visão de onde está o problema. Na minha visão, o problema ficou todo na parte política.”

Paulo Skaf durante entrevista coletiva em que anunciou o posicionamento da Fiesp e do Ciesp sobre processo de impeachment. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp