‘Câmbio hoje é uma variável permissiva’, diz diretor-titular do Derex/Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de sua relevância para o comércio internacional e para a economia mundial, o câmbio é uma “variável órfã”, disse o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, durante a abertura do “Seminário Impactos do Câmbio sobre o comércio internacional”, realizado na manhã desta terça-feira (24/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex da Fiesp

O câmbio, explicou Giannetti da Fonseca, não tem um paradeiro instituído – nem a Organização Mundial do Comércio (OMC) e nem o Fundo Monetário Internacional (FMI) criam condições de disciplina de câmbio que determinem aos países regras de comportamento.

“O câmbio hoje é uma variável permissiva e os países adotam direta ou indiretamente práticas de manipulação que distorcem o mercado internacional”, explicou Giannetti da Fonseca.

De acordo com o diretor-titular do Derex, o evento na Fiesp foi desenvolvido com a finalidade de refletir sobre a evolução das práticas de câmbio no mercado mundial nos últimos anos, numa perspectiva histórica, e sobre o que pode ser feito para melhorar a confiança dos países sobre as práticas de câmbio.

“Essa discussão é importante para que a gente tenha no câmbio uma variável confiável que permita decisões de investimentos, de consumo e de exportação sem a preocupação de que tenhamos amanhã um desvio de preço causado por essa variável fundamental”, disse Giannetti da Fonseca.

O diretor da Fiesp lembrou as várias provações cambiais pelas quais o Brasil passou nos últimos 50 anos – “Somos um verdadeiro laboratório porque já experimentamos de tudo.” – e ressaltou a importância do debate. “Às vezes, o mercado não sabe direito o que está acontecendo. Mas apenas discutindo e refletindo sobre [a questão] é que conseguiremos propor melhores políticas para que a taxa de câmbio se torne uma variável digna na nossa economia”, concluiu.