Brasil é o dínamo da discussão cambial no âmbito da OMC, diz embaixador em seminário

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Abertura do Semin‡ário Impactos do Câmbio sobre o ComéŽrcio Internacional


Não foi tarefa fácil, de acordo com Roberto Azevedo, embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), inserir a discussão cambial na agenda do organismo internacional. A resistência foi forte. “Quem está confortável não quer entrar na zona de desconforto”, explicou o embaixador, um dos participantes do seminário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional”.

O evento foi realizado nesta terça-feira (24/07) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV) e o instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI).

Segundo o embaixador, graças à pressão brasileira, o mundo inteiro reconhece a existência do problema. “O Brasil é o dínamo nessa discussão na OMC. Se pararmos de puxar a carroça, ela para”, assinalou, para quem a temática cambial ainda é um tabu no cenário das relações internacionais.

Aluísio de Lima-Campos, professor adjunto do Washington College of Law e presidente do Instituto ABCI (Analistas Brasileiros de Comércio Internacional), disse que a questão cambial é, na atualidade, a mais importante e crítica a ser debatida.

“O câmbio manipulado do ponto de vista de valorização é a mesma coisa que dopar um atleta, ou seja, se o doping é ilegal, então, esse tipo de medida também deve ser”, destacou Lima-Campos.

De acordo com Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV), a falta de estabilidade da taxa cambial do Brasil desestimula os empresários. “Este é um momento trágico para a economia brasileira”, disse Nakano, em referência à desindustrialização brasileira.

“Se não conseguirmos reverter a situação, vamos virar a Grécia: um país de prestação de serviços e sem indústria”, alertou o diretor da EESP/FGV.

Apesar das medidas adotadas pelo governo serem “boas, mas ineficientes”, o processo de recuperação levará tempo. “É preciso harmonizar a economia interna com o melhor modelo de economia e de competitividade internacional”, sugeriu Nakano.

O seminário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional” reúne alguns dos principais especialistas no assunto para debater sobre os efeitos dos desalinhamentos das taxas de câmbio nos instrumentos que compõem a agenda do comércio internacional, dentre eles, tarifas, medidas antidumping, medidas compensatórias, salvaguardas, regras de origem e retaliações autorizadas.