Tetra Pak reduz impacto ambiental com incentivo à reciclagem e recuperação de nascentes

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O segundo dia (8/6) da 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp teve a apresentação, feita por Juliana Seidel, das iniciativas da indústria de embalagens Tetra Pak para reduzir o impacto ambiental de suas atividades.

Além de ter todas as fábricas certificadas, no mundo inteiro, em processo que começou no Brasil em 2007, a Tetra Pak tem embalagem de fonte totalmente renovável, a Tetra Rex, que por não ter alumínio, é usado em países que empregam armazenagem refrigerada. A empresa conseguiu que seu fornecedor desenvolvesse polietileno de cana-de-açúcar, em substituição ao feito a partir de petróleo. As características e propriedades do  polietileno de ambas fontes são idênticas.

A empresa cuida para que todo o papel usado nas embalagens seja efetivamente reciclado, e no Brasil usa 100% de papel com certificação FSC. Ainda não conseguiu isso no mundo, mas é sua meta, assim como há o compromisso de até 2030 consumir energia apenas proveniente de fontes renováveis.

Juliana Seidel explicou que o processo produtivo da empresa usa água somente para resfriamento. Retirada de poços, é um recurso natural, o que levou a Tetra Pak em pensar em meios para aumentar a oferta de água na bacia em que a fábrica está inserida. Nasceu daí o projeto Nascentes, para compensar a água usada no processo industrial. Em associação com a Mata Ciliar, foi iniciado trabalho de convencimento dos produtores rurais para cuidar das nascentes e eliminar a contaminação por esgoto doméstico, com a instalação de fossas sépticas. Estimularam a criação de microbarragens, que permitiram captar 150 mil metros cúbicos de água em 2015, mais do que o consumo da fábrica de Monte Mor.

A empresa passou também a pensar em seus clientes, para estimulá-los a também reduzir seu impacto ambiental. Exemplo é sistema de esterilização oferecido aos clientes, que diminui esse impacto. Incentiva fortemente as fontes responsáveis.

No conceito de produtos mais sustentáveis está embutida a questão da reciclagem e gestão pós-consumo. A Tetra Pak, disse Seidel, procura desenvolver processos rentáveis para o tratamento de resíduos. Tem como desafio aumentar a taxa de reciclagem. Há hoje 35 empresas que veem as embalagens da Tetra Pak como matéria-prima. Como elas têm 75% de papel, a reciclagem começa por ele, que é separado, com uso de água, do polietileno e do alumínio. Transformado em fibra, serve para produzir papel reciclado e outros produtos. O material restante (formado por 80% de polietileno e 20% de alumínio) tem emprego, por exemplo, em telhas e placas para a construção, produzidas atualmente por 15 indústrias. O material também pode ser usado na indústria de artefatos plásticos, como canetas (a Bic, por exemplo, usa o material), sacolas e vassouras. A Tetra Pak informa quem fabrica cada produto a partir desse material reciclado.

Segundo Seidel, a empresa começou em 2003 trabalho de mapeamento e acompanhamento das iniciativas de reciclagem, para estimular o início ou prosseguimento do trabalho com as embalagens da Tetra Pak. Atualmente são 20 consultores, que fizeram 12 mil visitas em 2015. O resultado está em rotadareciclagem.com.br, que mostra os pontos de coleta de material reciclável. São 5.025 locais, que atendem 20% das cidades do Brasil e 63% de sua população. Os dados permitem saber o caminho inteiro, da coleta à fábrica recicladora.

A Tetra Pak também estimula cooperativas de catadores, com informação, material (como placas e telhas), cessão de equipamentos em comodato e outras ações, como consultoria para aumento de produtividade.

Educação ambiental é pilar forte na empresa, disse. A Tetra Pak estimula, com o projeto Cultura Ambiental nas Escolas, o tratamento do tema de forma transversal na educação, com iniciativas que impactam por ano 25.000 pessoas. Outros projetos, que usam por exemplo teatro em praça pública, atingiram mais de 100.000 pessoas em 45 cidades em 2015. Também há campanhas, em meios como redes sociais e rádio.

Juliana Seidel em sua exposição na Fiesp sobre ações ambientais da Tetra Pak. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

ONU e Fiesp lançam Guia de Produção e Consumo Sustentáveis

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançaram nesta terça-feira (9/6) o Guia de Produção e Consumo Sustentáveis – Tendências e Oportunidades para o Setor de Negócios. O lançamento foi feito durante a 17ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp.

Para Denise Hamú, representante do PNUMA, no Brasil, é preciso que o mundo todo reconheça a necessidade de adotar um modelo de desenvolvimento com menos impacto ambiental, para preservar a oferta de recursos naturais e os serviços ecossistêmicos, essenciais à manutenção da vida no planeta.

Para Hamú, o lançamento do guia não é trivial. Há 192 países que estão de acordo com inúmeros pontos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODs). Essa discussão é saudável e há interação com demais convenções ambientais, como a do clima, por exemplo.

Em sua avaliação, há grande oportunidade para dar impulso a esta agenda junto à sociedade, promovendo ajustes produtivos. A publicação tem como foco as pequenas e médias empresas (PME) por sua capacidade de adaptação e flexibilidade e também por elas terem papel fundamental para a transformação, já que respondem por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e por dois terços dos empregos formais nos países em desenvolvimento e emergentes.

Na avaliação de Marlúcio Borges, diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, o guia resulta de uma construção coletiva, e seu tema é transversal, tendo como objetivo realmente disseminar essas informações entre as pequenas e médias empresas pelo papel que elas representam em termos de geração de renda e emprego.

Borges reforçou a interdependência entre produção e consumo que modifica completamente o negócio das empresas, o modo de ver o mercado, seu posicionamento para ser mais competitivo e até suas possibilidades de sobrevivência. Ou seja, o tema traz outra dimensão e impacto para os negócios.

Para o diretor, é importante não só se antecipar às iniciativas, com papel mais assertivo, mas também valorizar o que já foi feito em termos de Produção Mais Limpa (P+L) e os demais temas inclusos no mesmo guarda-chuva, tais como tecnologia, inovação, biodiversidade, Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e Política Nacional do Clima.

Empresas interessadas no Guia de Produção e Consumo Sustentáveis devem procurar o Departamento de Meio Ambiente – DMA da Fiesp, por telefone (11 3549-4675 e 3549-4237) ou por e-mail (cdma@fiesp.com).