Derrubar juros é o caminho para evitar PIB abaixo de 3%, diz economista

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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Ilan Goldfanjn (ao centro), durante reunião do Cosec/Fiesp


Durante a 62ª Reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta segunda-feira (17), na sede da entidade, o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, analisou o cenário econômico mundial e a posição do Brasil diante das dificuldades na Europa, possível calote da Grécia e esperada desaceleração da economia chinesa.

Brasil

Em sua análise sobre o Brasil, o economista demonstrou relativo otimismo. Previu aumento de investimentos do governo e do setor privado, maior esforço no controle dos gastos de custeio e queda importante nos juros básicos, sem grande ameaça inflacionária, em função da desaceleração mundial. “Nosso cenário básico é de crescimento menor, não de ruptura. Acreditamos que no Brasil a forma de mitigar o impacto negativo da crise externa será a redução da taxa de juros, para evitar que o PIB caia abaixo de 3%.” Ilan apontou que, no médio prazo, o Brasil volta aos 4% ou 5% de crescimento.

Grécia

No caso da Grécia, Ilan comparou a possível quebra daquela economia a uma explosão nuclear. “Se acontecer debaixo da terra, de forma controlada, não se alastra e não prejudica ninguém. É isso que a Comunidade Europeia quer fazer em relação à Grécia”, afirmou o economista. “Que a Grécia vai dar calote em sua dívida, não há mais dúvidas. O que se discute é como fazer para não permitir que outros países sejam afetados pelas consequências negativas”, concluiu. Para ele, o pacote de resgate recém-aprovado, de 440 bilhões de euros – com possibilidade de alavancagem –, é uma forma de controlar essa explosão.

China

Quanto à China, Ilan acredita que o país deve desacelerar seu ritmo de crescimento para algo próximo a 8% ao ano, mas não abaixo disso. Segundo ele, a China está em processo de alteração do seu perfil comercial, de economia preponderantemente exportadora para voltar-se ao mercado interno e para novos consumidores: indianos e brasileiros, por exemplo. “Claro que dinamizar o mercado interno chinês é um processo mais longo, leva tempo, mas é uma mudança que já está em curso. A China já é menos exportadora e já tem um pouco mais de mercado interno do que antes”, disse.

Para Ilan, algumas reformas que estão na agenda chinesa como a da saúde e previdência vão redundar em maior disponibilidade de renda para consumo. “A alta poupança e baixo consumo dos chineses não é uma questão cultural, é incerteza em relação ao financiamento de uma doença e da aposentadoria. Com reformas nessas áreas, que garantam alguma assistência, o chinês passa a consumir.”

Cosec

Participaram da mesa do Cosec o presidente do Conselho, Antonio Delfim Neto; o vice-presidente, Boris Tabacof; o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo e conselheiro do Cosec, Andrea Calabi; o diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos e vice-presidente do Conselho, Paulo Francini; e o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca.