Valor dos BRICS no cenário internacional é debatido na Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A III Mesa-redonda O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional, realizada na manhã desta terça-feira (31/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), discutiu a atuação internacional relevante do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Brasil, em particular.

Moderada pelo embaixador José Vicente de Sá Pimentel, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, a mesa Perspectivas brasileiras acerca dos BRICS fez uma análise do ponto de vista da economia, para expor os interesses individuais dos países que compõem o bloco.

Mesa-redonda, na Fiesp, aborda perspectivas brasileiras acerca dos BRICS

Mesa-redonda, na Fiesp, aborda perspectivas brasileiras acerca dos BRICS

“O maior objetivo do BRICS é a ambição de uma visão político-econômica alternativa”, afirmou Fernando de Azevedo Pimentel, conselheiro do Ministério da Fazenda, ao explicar que a agenda do grupo é um catalisador, pois tem atingido resultados positivos comuns a todos os países envolvidos. Para Pimentel, o BRICS tem a oportunidade de apresentar a visão de como deveria ser o mundo.

Leia também: reportagem sobre a mesa ‘O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional‘.

Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Fundo Monetário Internacional (FMI), observou que, desde sua criação, o BRICS causa controvérsias sobre seu real significado, mas ainda assim é reconhecido como uma instância notável.

“O BRICS tem sido nossa principal aliança no FMI e no G20 [grupo dos 20 países mais ricos do mundo]”, ressaltou. Batista Jr. falou ainda sobre a criação de um fundo monetário comum entre os países do BRICS, afirmando que a reserva das somas totalizaria em U$ 4,3 trilhões, uma quantia significativa e que gera segurança. Ele defendeu a ideia de que esse fundo deveria ser virtual, o que resolveria diversos problemas, como a ocupação de um espaço físico, criação de cargos e excesso de despesas.

O embaixador Ronaldo Mota Sardenberg falou da contribuição do BRICS nesse momento e afirmou que, para fazer essa avaliação, é impossível dissociar a análise política da econômica. Para ele, o BRICS aumenta a probabilidade de uma ordem internacional de multipolaridade.

Sob o ponto de vista da participação do Brasil, o embaixador mostrou-se preocupado. “Com o desempenho econômico baixando, [o país] não atinge metas econômicas e isso dificulta políticas externas”, explicou. “O BRICS tem uma oportunidade muito grande de se estabelecer, pois é um grupo que favorece a mudança pacífica”, concluiu Sardenberg.

Ao final das apresentações, os participantes foram convidados a participar das discussões com os membros da mesa, que também contou com a presença do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, de Luiz Eduardo Melin, do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Embaixador Valdemar Carneiro Leão Neto.