Empresários de castanhas, nozes e frutas secas discutem ações para impulsionar o segmento

Ariett Gouveia e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Elevar o consumo interno e aumentar a exposição internacional dos produtos brasileiros foram os principais temas apresentados no II Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas, realizado nesta quarta-feira (08/05), no auditório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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José Eduardo Camargo, do Ciesp: segmento já representa novo caminho para indústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para abrir o evento, o presidente da Associação Brasileira de Noz Macadâmia e vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Eduardo Camargo, destacou  que as deficiências da infraestrutura brasileira também afetam o setor.

“Dentro das porteiras das fazendas e dos portões das indústrias, o Brasil é campeão em inúmeros setores. Mas na hora em que sai e enfrenta a logística, as estradas, os portos e aeroportos, a estocagem, os tributos, sofre uma pesada carga, que inviabiliza a concorrência.”

Sobre o segmento de castanhas, nozes e frutas secas, Camargo destacou que ele está em crescimento no mercado nacional. “Está em fase de construção e consolidação, mas já representa um novo caminho para o agronegócio paulista e brasileiro.”

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Moacyr Saraiva Fernandes, do Ibraf: um dos objetivos da entidade é reverter a situação do comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, afirmou que um dos grandes objetivos da entidade é reverter a situação do comércio exterior.

“Hoje, nós importamos 128 mil toneladas de nozes, castanhas e frutas desidratadas. E exportamos apenas 37 mil”, afirmou. “Porém, isso é reversível se conseguirmos organizar o segmento, ter apoios institucionais e governamentais e aproveitarmos as oportunidades como a que está surgindo em São Paulo, com as reestruturações agrícolas e limitações do plantio de cana.”

Fernandes apresentou o Ibraf, que foi criado em 1989 por lideranças do setor, e as ações do Programa Básico para Castanhas, Nozes e Frutas desidratas, que inclui campanhas de marketing, acordos e parcerias com órgãos internacionais e incentivos para aumentar o consumo interno, como a inclusão de produtos em programas de alimentação escolar.

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Luciana Pacheco, do Ibraf: meta é facilitar o acesso das empresas no exterior. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Outro plano apresentado pelo Ibraf foi o Brazilian Fruit, que busca diminuir a diferença da balança comercial no setor frutícola.

De acordo com a gerente de projetos do Instituto, Luciana Pacheco, a meta é facilitar o acesso das empresas no exterior, analisar as oportunidades de novos mercados e consolidar os mercados já conquistados.

Reforçando o potencial econômico do setor, a secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, afirmou que acredita muito no mercado de castanhas, nozes e frutas secas. “São Paulo pode ser muito maior que o Chile, com relação à fruticultura.”

Bergamaschi defende a união de esforços para alavancar o mercado. “É evidente que temos que trabalhar as políticas públicas, que o governo federal tome atitudes com relação à infraestrutura e o ‘Custo Brasil’, que o Estado faça as parcerias público-privadas para criar novos portos e linhas de escoamento da produção”, disse a secretária. “Outro ponto importante é a pesquisa, em que o governo do Estado tem investido na revitalização dos institutos e em recursos humanos.”

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Monika Bergamaschi: setor privado deve ser organizar em associações e cooperativas para ter acesso a políticas públicas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A secretária falou ainda sobre a necessidade de organização do setor privado em associações e cooperativas, para ter maior volume e possam conseguir acesso a políticas públicas e outras medidas. E cobrou uma melhoria no acesso aos produtos.

“Precisamos produzir mais, com mais transparência e com preços melhores, para aumentarmos o acesso. Havendo o acesso, eu não tenho dúvidas que o setor vai crescer muito, com renda melhor para o produtor e todos os benefícios que esses produtos têm para mais consumidores.”

Empresários analisam perspectivas

Maria Teresa Camargo, representante da empresa Queen Nut, falou sobre as diversas aplicações da macadâmia na indústria e comércio.  As oportunidades, segundo ela, estão em crescimento. “A sociedade cada vez mais se informa e percebe os benefícios de uma dieta que contemple nozes como a macadâmia. Graças a isso, a perspectiva de crescimento e consumo é bastante positiva”, disse.

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Maria Teresa Camargo, da Queen Nut: diversidade de aplicações da macadâmia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A executiva da Queen Nut chamou atenção para a diversidade de aplicações do produto. Segundo ela, a macadâmia hoje já é utilizada até em produtos de beleza e cosméticos como condicionadores e produtos especiais para cabelos. E ainda em alimentos como bolos, biscoitos, chocolates e sorvetes. “É a noz mais versátil que conhecemos”, garantiu.

A produção da noz macadâmia, de acordo com Maria Teresa Camargo, ainda é bastante pequena se comparada às outras nozes. De toda produção mundial, apenas 1% é de macadâmia.

Segundo Camargo, há um caminho enorme a ser trilhado pelo setor. “O brasileiro, em média, consome apenas três gramas de macadâmia por ano. Na Austrália, a quantidade é de 298 gramas.”

O Brasil é apenas o sétimo produtor da noz no mundo, segundo Camargo. “Temos um mercado de consumo crescente, sendo assim, temos muitas oportunidades. Há muito mercado para ser atendido, tanto no Brasil como no exterior”, encerrou.

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Ana Luiza Vergueiro, da Econut: consumidor é atento ao tema da sustentabilidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ana Luiza Vergueiro, da Econut, falou da fundação da empresa de origem amazonense e da luta contra a extinção da castanheira do Brasil. Questões sobre cultivo e produção também foram abordados durante sua exposição.

“Nossa empresa iniciou os trabalhos em 1969. Entretanto, a primeira safra comercial foi lançada apenas em 2009. Isso mostra a dificuldade e especialização de um produto diferenciado e sustentável, tanto econômica, quanto social e ambientalmente”, disse.

Segundo ela, o atual consumidor de castanha do pará procura benefícios para a saúde e prevenção de doenças e não apenas um produto com sabor agradável. “Nosso negocio é segmentado. Trabalhamos com 127 lojas de produtos orgânicos e nosso foco é um consumidor exigente e preocupado com sustentabilidade”, afirmou.

Sustentabilidade, aliás, que é uma das maiores preocupações da Econut, garantiu a empresária. “Desde o início, procuramos recuperar e promover a saúde pública com nossa produção. Levando desenvolvimento às comunidades amazonenses nas quais atuamos.”

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Claiton Wallauer, da Pecanita: Brasil tem vasto campo de crescimento para as produtoras de noz pecan. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Claiton Wallauer, proprietário da Pecanita, falou sobre os planos da empresa, produtora gaúcha deste tipo de noz.  “Podemos alçar voos ainda mais altos e nos tornarmos protagonistas mundiais do setor de pecans”, disse de início.

O empresário  destacou que há um vasto campo de crescimento para as produtoras nacionais deste tipo de fruta. “Apenas 15% das pecans consumidas no Brasil são produzidas aqui. O resto vem de importação”, disse.

Wallauer apresentou dados que apontam que a produção mundial da noz é de 200 mil toneladas. “É pouco”, opinou o empresário, que ainda sublinhou as vantagens de atuação no setor. “É uma fruta não perecível a curto prazo e com baixo custo de manejo no pomar”, disse. “A Pecanita busca o fomento do cultivo e o aumento de oferta de noz pecan nacional”, encerrou.