86% das indústrias querem compartilhar informações sobre ataques cibernéticos

Bernadete de Aquino e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 86% das indústrias ouvidas em pesquisa do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp possuem interesse em absorver ou compartilhar informações sobre ataques cibernéticos. O estudo foi apresentado, na manhã desta segunda-feira (28/11), na sede da federação, no II Congresso Internacional de Segurança Cibernética. O estudo ouviu 328 empresas paulistas de todos os portes em novembro de 2016.

“Falta compartilhamento de informações sobre o tema, principalmente por medo de concorrência”, explicou o diretor do Deseg e coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança Cibernética do departamento, Rony Vainzof. “Muitos países inclusive não conversam pela ausência de tratados internacionais em relação a ataques cibernéticos, a internet é um território sem fronteiras”.

Por isso a importância de debater o assunto. “Que as empresas falem mais sobre isso e que os países também consigam discutir o assunto”, disse Vainzof.

Nesse ponto, quando perguntadas se participariam de alguma iniciativa que noticiasse e fornecesse informações sobre ataques cibernéticos e formas de prevenção, 46,2% das micro empresas disseram que sim, para 49% das médias e 71,4% das grandes. Todas afirmaram querer compartilhar e absorver novos dados sobre a área.

Vainzof: que as empresas falem mais sobre segurança cibernética. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A pesquisa apontou ainda que 92,1% das empresas avaliadas usam tecnologias contra ataques cibernéticos. “Entre as micro, apenas 35% investem em treinamento na área, percentual que sobe para 43,9% entre as médias e 71,4% entre as grandes”, explicou.

Outra constatação digna de análise: 60% dos ataques sofridos pelas indústrias entrevistadas tiveram o objetivo de causar danos a dados ou sistemas, como indisponibilidade de serviços e de acesso a documentos, dentre outros. Fraudes e desvios financeiros foram motivo de 44,8% dos ataques.

O levantamento destaca, também, que mesmo as empresas que não identificaram ataques cibernéticos tomaram alguma medida para aumentar a sua proteção (42%), assim como fizeram 69,2% das empresas que sofreram o mesmo nível de ataques do ano anterior. “É um sinal de maturidade da indústria, que percebeu a importância de se proteger, de forma preventiva”, afirmou Vainzof.

Clique aqui para ter acesso a todos os dados da pesquisa.

O II Congresso Internacional de Segurança Cibernética segue até o final desta segunda-feira (28/11), na sede da Fiesp, em São Paulo.

 

‘A internet é um espelho que reflete a sociedade’, diz presidente do Nic.Br em abertura do II Congresso Internacional de Segurança Cibernética da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

É preciso estar alerta. E tentar melhorar o que não está bom. Nesse sentido, pensando nos rumos da internet daqui por diante, foi realizado, nesta segunda-feira (28/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, o II Congresso Internacional de Segurança Cibernética. Participaram da abertura do evento o vice-presidente e diretor do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg), Ricardo Lerner, e o secretário da Educação do estado de São Paulo, José Renato Nalini, entre outros convidados.

“O avanço da tecnologia tem mudado com grande velocidade a forma como interagimos e avançamos em nossas relações”, afirmou Lerner. “Temos que saber como lidar com as vulnerabilidades que acompanham esse processo”.

Segundo ele, o crime se organiza com muito mais agilidade, o que “tem que acabar”.

“Não há escolhas, já estamos imersos na vida digital”, afirmou o secretário da Educação do estado de São Paulo, José Renato Nalini.   “O desenvolvimento das novas gerações passa pela lógica digital”.

Para Nalini, a educação é um direito de todos e um dever do estado, da sociedade e das famílias.

Lerner na abertura do congresso: o crime se organiza com mais agilidade. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.Br), Demi Getschko, lembrou a importância de os eventos na área terem uma continuidade, o que a Fiesp faz. “A internet é um espelho que reflete a sociedade”, disse. “Se você olha para o espelho e não gosta do que está vendo, a solução não é quebrar o espelho, mas tentar melhorar o que não está bom”.

Para Getschko, a internet “muda radicalmente tudo”. “Mudou a forma de atuação do comércio”, disse. “Se estamos nesse barco, temos que protege-lo para que ele não afunde”.

Solução de conflitos

Secretário nacional do Consumidor, Armando Luiz Rovai destacou o uso da internet para o desenvolvimento de mecanismos alternativos de soluções de conflitos. “Temos no Brasil hoje 120 milhões de processos no âmbito do direito do consumidor”, afirmou. “Por isso é tão importante oferecer serviços como o site Consumidor.gov (www.consumidor.gov.br), que promove a automediação entre clientes e empresas”.

De acordo com Rovai, o comércio eletrônico cresce 17% ao ano no país, de modo que não pode ser ignorado no que se refere à oferta de serviços de suporte ao consumidor na rede.

General e comandante de Defesa Cibernética, Ângelo Kawakami Okamura lembrou que a segurança cibernética é uma “preocupação mundial”. “O que nós conhecemos da internet é apenas a ponta do iceberg”, destacou.