Até 2019, todos os municípios do Brasil devem ter banda larga móvel, diz representante do ministério

Adriana Santos, Agência Indusnet Fiesp

O painel “4G no Brasil: investimentos na implantação de infraestrutura ante o novo perfil dos usuários”, um dos mais esperados do 5º Encontro de Telecomunicações, evento realizado nesta quarta-feira (07/08) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniu representantes do Ministério das Comunicações, da Cisco, da Nokia e da NEC.

Ao abrir o debate, Aluizio Byrro, diretor da Fiesp, reforçou que a base dos usuários cresce vertiginosamente no Brasil, “assim como a demanda por banda larga móvel”. 

Antes de falar sobre 4G no Brasil, Artur Coimbra, do Ministério das Comunicações, lembrou que o “Plano Nacional de Banda Larga” (PNBL) foi lançado em 2010, com o objetivo de aumentar a banda larga no país, assim como a redução do preço, sendo esse último o principal gargalo identificado na época.  “Cada vez mais domicílios estão procurando acessos móveis em vez de banda larga fixa”, comentou Coimbra. O principal aspecto para essa decisão é a falta de cobertura das operadoras de serviço fixo.

De acordo com estudo apresentado por Coimbra, o preço médio da banda larga no Brasil – de R$59,90 – não atende a realidade econômica da população do Brasil.  Já os valores dos planos de banda larga móvel, como os pré-pagos, são viáveis, segundo ele, para quase todos os brasileiros. Por isso, os planos de banda larga móveis, além da falta de disponibilidade de cobertura, têm crescimento maior do que de os de banda larga fixa.
Até 2019, todos os municípios do Brasil devem ser atendidos por banda larga móvel, informou Coimbra.  Embora a adoção do 4G no Brasil ainda seja lenta,  ele disse acreditar que o crescimento se dará mais rápido do que aconteceu com a tecnologia 3G. “Temos que pensar em políticas para expandir a banda larga fixa no país. O 4G é uma ótima solução de emergência”, ressalvou.

Já o engenheiro de arquitetura da Cisco do Brasil, Igor Giangrossi, falou sobre desafios e tendências tecnológicas com foco na banda larga móvel. “ Hoje, o Brasil tem em torno de 265 milhões de celulares, mais do que um aparelho por pessoa”, pontuou Giangrossi.

“Desses 265 milhões, cerca de 80% dos planos contratados são pré-pagos. O índice de troca de operadoras é de 3 a 4% por mês. Ou seja, a cada 100 usuários de uma operadora, três ou quatro migram todo mês”, complementou o consultor. No entanto, apenas 26% desse vasto universo utiliza 3G. “O principal desafio é massificar o acesso a banda larga móvel em todo o país”, conclui.

A utilização de small cells (pequenos difusores ao invés de grandes antenas) para densificar as redes de dados foi defendida por Giangrossi. Além disso, o engenheiro mostrou alguns modelos de negócio que podem ser gerados tendo o Wifi como base, visando monetizar a banda larga.

O diretor de tecnologia da Nokia Solution Networks para a América Latina, Wilson Cardoso, prosseguiu o painel sobre 4G falando sobre a tecnologia LTE [Long Term Evolution – tecnologia própria para adoção do 4G] e sua penetração no mundo.  A rapidez que uma informação leva para sair de um smartphone e ir para a rede foi uma das vantagens do LTE apresentada por Cardoso.

Outro fato importante apresentado pelo representante da Nokia foi uma pesquisa que constatou que o consumidor está disposto a pagar mais por serviço de melhor qualidade. “O usuário de banda larga móvel é consciente da importância da entrega das bandas”, esclareceu Cardoso. “Até 2020, nós vamos precisar fornecer 1 gigabyte de informação personalizada por usuário por dia”, finalizou.

Na sequência, Alexandre Jann, da NEC do Brasil, falou sobre os desafios da implementação do 4G, assim como as expectativas de performance. “O usuário é móvel. Ele precisa estar sempre conectado para se comunicar. Essa necessidade se dá tanto dentro e casa quanto na rua”, observou Jann.

O crescimento da utilização das redes sociais no Brasil também foi destaque da apresentação do engenheiro da Nec do Brasil. “68% dos usuários do Facebook no mundo se conectam via banda móvel”. E um dos exemplos de aplicação para o 4G citados por Jann são os carros, que se tornaram ilhas de entretenimento e necessitam de conexão ágil e robusta com a internet.