‘Não há recessão’, afirma Guido Mantega em evento na FGV

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“Não há recessão e temos condições para retomar o crescimento nos próximos anos”, afirmou o ministro da Economia, Guido Mantega, durante a abertura do 11º Fórum de Economia  da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), evento promovido em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Instituto Estudos Desenvolvimento Industrial (Iedi) na capital paulista. O debate foi realizado na manhã desta segunda-feira (15/09).

“O cenário econômico não é tão catastrófico como pensam. Atenuamos os efeitos da crise com níveis aceitáveis de crescimento”, disse. Segundo ele, a economia brasileira vai crescer mais no segundo semestre de 2014 do que no primeiro. “Estamos mantendo a inflação sob controle, prontos para iniciar um novo ciclo de crescimento da economia, com aumento de emprego e renda”, completou.

Para o ministro, o país respondeu “bem” à crise econômica mundial, com desempenho bastante razoável em comparação aos países do G20. “O Brasil foi um dos países mais equilibrados, com crescimento do Produto Interno Bruto per capita e aumento de empregos.”

Mantega: a economia brasileira vai crescer mais no segundo semestre de 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mantega: a economia brasileira vai crescer mais no segundo semestre de 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Em sua visão, com o fim da crise, a economia brasileira continua sólida, com crescimento da massa salarial. “Terminamos a crise nosso mercado consumidor intacto”, analisou.

Segundo Mantega, um novo ciclo de desenvolvimento econômico deverá ser guiado por investimentos em infraestrutura, inovação e educação, com aumento de oferta de serviços.

Para 2015 

Para 2015, o atual ministro defende ajustes macroeconômicos “gradualistas”, com redução de estímulos econômicos, e aumento gradual do primário, com projeção de 2,5%. “A política cambial deverá permanecer flutuante, com intervenções para correção de volatilidade.”

Em relação às políticas de desenvolvimento, Mantega acredita que as desonerações da folha de pagamento deverão ser mantidas nos próximos anos. “Política industrial deve ser mantida. Com manutenção de programas de investimento e financiamento para compras de máquinas e equipamentos.”

Segundo ele, apesar do aumento do poder aquisitivo da população, com o emprego, falta crédito para o consumo, com queda do setor varejista e prejuízo para a indústria. “Assim, a indústria acumula estoque. Medidas anticíclicas foram feitas pensando na indústria, que vive uma situação sensível”, disse.

Mantega explica que as medidas tomadas em sua gestão sempre buscaram privilegiar os setores produtivos, impedindo a “deterioração” da indústria. Os maus resultados acumulados pelo setor industrial brasileiro, segundo ele, se devem à uma combinação do retraimento dos mercados estrangeiros, que frearam o consumo.

Medidas como redução de tarifa de energia devem estimular crescimento de 4% a 5% em 2013, afirma secretário da Fazenda

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Ministério da Fazenda estima que a economia brasileira deva crescer entre 4% e 5% em 2013, já com o efeito de medidas de estímulo ao desenvolvimento anunciadas pelo governo este ano, como a redução da tarifa de energia elétrica.

9º Forum Econômico da FGV. Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Foto: Helcio Nagamine

Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Foto: Helcio Nagamine

“Ela [a redução da tarifa] aumenta a renda disponível. Ou seja, pagar menos por energia vai gerar recursos para outras coisas. Então, tem impacto também de expansão sobre a economia. Por isso, a gente tem uma expectativa mais otimista para o ano que vem”, afirmou Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, após participar da abertura do 9º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas – evento coordenado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para este ano, Barbosa mantém estimativa de crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão do governo para a expansão econômica do país em 2012 está acima dos prognósticos do mercado (1,57%) e da Fiesp (de 1,4%).

Segundo cálculos do secretário-executivo, a redução da tarifa de energia elétrica em 16,2%, para residências e comércio, e entre 19,7% e 28%, para a indústria, deve gerar uma economia de até R$ 10 bilhões em 2013.

“O Ministério de Minas e Energia tem esse impacto maior de quanto o consumidor vai deixar de gastar em termos de bilhões, mas está na casa de R$ 7 a R$ 10 bilhões a mais de renda que o setor privado tem para destinar a outros propósitos”, projetou Barbosa, acrescentando que os números ainda não são precisos.

Em nota oficial distribuída na última terça-feira (11/09), a Fiesp avalia como positiva a redução nas contas de luz anunciada no mesmo dia pela presidente Dilma Rousseff. No comunicado, a Fiesp afirma que a medida terá impacto direto no crescimento econômico do Brasil, com redução de custos e aumento da competitividade. Mas, para a entidade, o correto seria obedecer à Constituição e realizar os leilões das concessões que estão vencendo, de forma a garantir o preço justo ditado pela concorrência em cada caso.

Câmbio x inflação

Na avaliação de Nelson Barbosa, uma política inflacionária não deve ser prioritariamente baseada em taxa de câmbio. “O que segura inflação no longo prazo é aumentar investimento e produtividade. Se você segurar inflação via apreciação cambial, vai gerar problema na balança de pagamento, por exemplo”, apontou o secretário-executivo.

Para ele, a taxa de câmbio em R$ 2 não tem grande impacto na inflação, mas “ainda coloca uma grande pressão sobre a indústria brasileira em termos de competitividade”.

“O desafio nesse caso é evitar esses excessos. Nossos estudos indicam que, tanto um câmbio muito apreciado quanto um cambio muito depreciado, é prejudicial ao crescimento. Você tem uma politica de câmbio flutuante para evitar que ele caia demais ou suba demais e isso é feito dia a dia, não é anunciado.”