‘Não é uma questão de tecnologia, mas de pensamento inovador’, diz presidente da Are

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp 

Quebra de paradigma no pensamento dos gestores e profissionais foi a necessidade unânime apontadas nas apresentações da presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagem (Abre), Gisela Schulzinger, e do diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil), Andreas Dohle, durante a reunião plenária do Cadeia Produtiva Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta segunda-feira (08/09).

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Gisela Schulzinger, presidente da Associação Brasileira de Embalagem. Foto: Beto Moussali/Fiesp

A presidente da Abre compartilhou sua vivência entre as principais empresas do Vale do Silício e convidou a todos a refletir sobre o que as empresas precisam fazer para adequar-se ao mundo de rápidas e constantes mudanças tecnológicas e mercadológicas.

“Não podemos ter a mesma velocidade que tínhamos antes, principalmente, para inovar nossos produtos”, afirmou a executiva, destacando que, cada vez mais, tem se tornado difícil distinguir produtos de serviços. “O próprio Google é uma tela em branco, mas é a marca que mais vale no mundo”, ressaltou.

Para presidente da Abre, o desafio maior das empresas é manter a relevância dos seus produtos e negócios e não ficar para trás. Segundo ela, a mudança que se faz necessária é, basicamente, a de atitude. “Deve-se estar atento aos movimentos e às exigências da sociedade. Muitas vezes ficamos só olhando para dentro das nossas empresas. Na realidade, a pergunta que se deve fazer é: o meu produto é relevante para a sociedade?”, questionou.

Sobre sua experiência no Vale do Silício, a executiva afirmou que o grande aprendizado foi quanto ao comportamento dos profissionais e gestores. “Eles têm uma atitude menos medrosa, menos receosa do erro”, afirmou. “E  não é uma questão de tecnologia, mas de pensamento inovador”, completou.

Gisela também enfatizou que não é apenas uma questão de dinheiro, pois muitos projetos foram desenvolvidos sem muitos recursos. “O que é preciso é pensar diferente e entender que a inovação tem que construir valor, não apenas inovação tecnológica.”

Segundo ela, é uma “insanidade” pensar que fazendo do mesmo jeito é possível ter resultados diferentes.  “Não é o mais forte, nem o mais inteligente. É o que mais rápido se adapta às mudanças”, ponderou.

Gisela destacou que o maior ativo das empresas hoje é a criatividade. “Fomos treinados a pensar com o lado esquerdo do cérebro, o da razão, mas é preciso estimular o outro lado, o da criatividade.”

Ela citou exemplo de uma empreendedora brasileira que passou a oferecer brigadeiros, um produto comum, mas em embalagens diferenciadas. Em pouco tempo a empresa teve um faturamento tão importante que foi adquirida pela Cacaupar, holding da marca Cacau Show.

Sobre o temor natural de alguns empresários em relação aos custos e riscos de inovar, a executiva afirmou que “riscos sempre teremos, porém não podemos ser bloqueados por eles”. Ela deu o exemplo do produto WD 40, da companhia 3M, que recebeu esse nome pelo fato de penas na 40ª tentativa o produto conseguiu ser produzido com êxito.  “Ou seja, antes de chegar a esse produto, eles erraram 39 vezes.”

Segundo a especialista, os empresários de hoje devem entender a marca como o principal agente de competitividade. “Estamos sempre preocupados com a excelência operacional, mas não podemos abrir mão da excelência emocional. E a marca está nisso. É tão fundamental a entrega de um batom como a consumidora deseja-lo”, concluiu.

Repensando a estratégia

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Andreas Dohle, diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil). Foto: Beto Moussali/Fiesp

Em sua palestra, o diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil), Andreas Dohle, apresentou alguns erros e barreiras encontrados por empresas e associações em realizar seus planejamentos estratégicos.

Se o desafio das empresas é gerar lucro, qual seria, então, o desafio das associações empresariais? Para o especialista,  a resposta a essa questão é de vital importância para as associações setoriais conseguirem iniciar seu planejamento estratégico.

Ele comentou que muitas federações e sindicatos de indústrias pesquisados têm como principal foco de atuação o lobby de defesa de interesses da categoria, o que atinge interesses de grandes empresas. Contudo, a grande maioria do quadro associativo dessas instituições é composta por pequenas empresas.

Para ampliar a competitividade das empresas associadas, em especial as de pequeno porte, Dohle sugeriu que as associações deveriam também priorizar a oferta de serviços e capacitações.

O consultor destacou três componentes fundamentais que associações empresariais devem considerar em seus planos estratégicos: 1) foco no desenvolvimento setorial e melhoria no ambiente de negócios das empresas; e2) oferta de serviços adequados a realidade das empresas; 3) estímulo à cultura associativista, algo ainda bastante frágil no Brasil, segundo Dohle.