Alimentos: Brasil terá que suprir demanda e reduzir impactos, avalia conselheiro da Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Como a agricultura brasileira vai responder ao crescimento da demanda da agricultura na agenda de desenvolvimento sustentável?

A questão que integra as discussões da Rio+20 foi abordada por André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) e integrante do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, durante o seminário “Segurança Alimentar e Sustentabilidade no Agronegócio” realizado nesta terça-feira (19/06) no Humanidade 2012, no Rio de Janeiro.

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André Nassar: 'Nosso modelo de produção agrícola é o que mais cresceu em relação a outros grandes países produtores'

Na visão de Nassar, o tema é uma discussão importante na Rio+20 e o setor agrícola é visto como relevante quando se fala em segurança alimentar. “Mas há uma percepção de que a agricultura é um setor que gera impactos ambientais, pois é um grande utilizador de recursos naturais. E há o desafio de como minimizar esses impactos no futuro”, analisou.

O Brasil, segundo o diretor do Icone, não tem problemas em atender à demanda. “Nosso modelo de produção agrícola é o mais eficiente das últimas duas décadas, comparado a qualquer outro país. É o que mais cresceu em relação a outros grandes países produtores”, destacou.

André Nassar alertou que o Brasil vai ganhar participação de mercado na produção de carne bovina, de frango e de suínos, além de grãos, o que vai ocasionar aumento da exportação acima da média mundial. “O mundo volta seu olhar para o Brasil. E temos que atender a essa demanda adotando um padrão de agricultura com meta de redução de impactos nos próximos 20 anos. Devemos adotar esse discurso e mostrar como isso é possível.”

Sobre a redução do desmatamento, Nassar afirmou que o Estado cumpriu seu papel com a eficiência das políticas públicas e a agricultura exerceu papel importante com a redução de demanda por novas áreas de plantio.

Inclusão social

De acordo com Nassar, é necessário integrar as cadeias produtivas para reduzir o quadro de pobreza no campo, que chega a atingir 50% no Brasil. “O setor só tem a ganhar com isso. A iniciativa privada precisa estimular estas praticas que reduzem este impacto social”, sublinhou.

O conselheiro do Cosag/Fiesp afirmou ainda que há uma percepção de que a agricultura está a um passo atrás dos outros setores da economia. “A meu ver, isso é um absurdo. Pelo contrário, a agricultura tem o menor custo de incorporação da economia verde”, rebateu Nassar.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma realização da Fiesp, do Sistema Firjan, da Fundação Roberto Marinho, do Sesi-SP, Senai-SP, Sesi Rio e Senai Rio, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal, concebida para realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 22 de junho. O espaço de exposições é aberto ao público e a agenda completa de eventos pode ser consultada no site www.humanidade2012.net.

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Fiesp lança estudo com projeções do agronegócio para 2022

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp 

Pela importância que o agronegócio representa para a economia brasileira e para o mundo, onde cumpre o papel de um dos maiores fornecedores de alimentos, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com o Instituto de Estudos do Comércio e Negóciações Internacionais (Icone), elaborou as projeções para o agronegócio brasileiro na próxima década.

Outlook Brasil 2022 analisou 16 produtos agroindustriais – entre eles milho, soja, carnes e fertilizantes – e traçou projeções para o consumo doméstico, produção, exportação, importação, estoques, área plantada e consumo de fertilizantes. Impactos futuros desses segmentos na economia e infraestrutura de transporte do país também foram mensurados.

“A Fiesp trabalha pelo desenvolvimento do Brasil e, neste sentido, sempre atuou para garantir a integração e o crescimento dos diversos setores da economia”, explica Paulo Skaf, presidente da Fiesp. “Nosso Departamento do Agronegócio nasceu dessa visão e da necessidade de formular e propor políticas que levem em conta a interdependência natural entre a atividade agropecuária e a indústria de insumos e alimentos. Assim, como resultado dessa iniciativa, idealizamos o Outlook que, com certeza, irá contribuir de forma muito positiva para o país, ao antecipar as ações necessárias para promover o crescimento e a geração de empregos e riquezas para o Brasil.”

Essa ação reflete três anos de trabalho do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp e do Icone, em parceria com institutos de pesquisa internacionais, como o Center for Agricultural and Rural Development e o Food and Agricultural Policy Research Institute (Card/Fabri), da Universidade de Iowa/EUA (ISU), com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de outras instituições do setor.


Grãos e carnes

Destaque na balança comercial brasileira, a soja apresentará crescimento de 43% de suas exportações e a produção total atingirá a marca de 96,9 milhões de toneladas, puxada especialmente pelos ganhos de produtividade. Segundo o estudo da Fiesp, a região Centro-Oeste Cerrado consolidará sua posição de principal produtora, com 34% do total.

As projeções para os produtos da cesta básica, como o arroz e o feijão, por exemplo, são conservadoras. Mesmo com um tímido crescimento do consumo per capita, a produção projetada de arroz, que atingirá 14,1 milhões de toneladas em 2022, será insuficiente para atender o mercado interno. O fato resultará em um déficit comercial de 679 mil toneladas em 2022.

Já a produção de feijão deve aumentar 938 mil toneladas para atender a demanda doméstica, o que também será insuficiente para fazer frente ao consumo. Sendo assim, daqui a dez anos, o Brasil continuará sendo importador líquido de feijão, adquirindo no exterior um volume de 114 mil toneladas.

Em contrapartida, as exportações de carne de frango, bovina e suína apresentarão incrementos significativos. O Brasil continuará sendo um grande fornecedor para o mercado mundial, aumentando a sua participação como o maior exportador de carnes de frango e bovina, além de disputar o terceiro lugar em carne suína com o Canadá.

As exportações serão divididas da seguinte maneira: 5,9 milhões de toneladas de carne de frango, 2,7 milhões de toneladas de carne bovina e 700,2 mil toneladas de carne suína – um crescimento para o período projetado de 46%, 87% e 28% respectivamente. Estima-se que, em dez anos, a produção desses três produtos juntos atingirá a marca de 32,9 milhões de toneladas.


Fertilizantes

Para o setor de fertilizantes destaca-se a redução da dependência do Brasil em relação ao mercado internacional. Se atualmente o país importa 71% da sua necessidade de nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio), em 2022 esse percentual cairá para 56%. O fato se deve à ampliação da capacidade de produção da indústria de fertilizantes, que crescerá 54% no período.


Logística

A importância da logística de transporte da produção futura foi alvo de análise. Para isso, o estudo projetou três diferentes cenários, com destaque para aquele que considera a inclusão da hidrovia Teles Pires Tapajós como alternativa ao escoamento da safra de grãos, principalmente no Centro-Oeste Cerrado. Nessas condições, o fluxo total de transportes em ferrovias e rodovias seria reduzido em 4% e o transporte por hidrovias dobraria em 2022 em comparação a 2010.


Impactos socioeconômicos e ambientais

O Outlook Brasil também analisou a dinâmica do uso da terra. Os dados apontaram substancial redução da necessidade de novas áreas para produção agropecuária, consequência dos ganhos de produtividade e da ampliação das lavouras sobre as pastagens, que cederão 5,4 milhões de hectares para a produção de grãos.

Em termos econômicos, o trabalho mostrou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos setores analisados apresentará incremento de 42% na próxima década. Somente os produtos analisados responderão por 19% dos empregos, isto é, mais de 23 milhões de pessoas em atividade.

O Outlook Brasil 2022 ainda realizou projeções para o incremento de renda e computou dados regionais.


Departamento do Agronegócio (Deagro)

O agronegócio brasileiro é considerado um dos mais dinâmicos do mundo e representa, aproximadamente, 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Para oferecer maior suporte às indústrias deste setor, a Fiesp criou, em janeiro de 2007, o Departamento do Agronegócio (Deagro).

Formado por divisões que representam os quatro principais elos do agronegócio – Indústrias de Insumos, Agropecuária, Indústria de Alimentos e Comércio Exterior –, o Deagro trabalha alinhado ao conceito de cadeias produtivas para proporcionar o máximo de integração entre as diversas áreas que compõem o setor.

Na Fiesp, o departamento representa trinta sindicatos e mais trinta entidades representativas nacionais e lida, constantemente, com questões como tributação na cadeira de alimentos, política agrícola, facilitação de comércio, sanidade e qualidade de alimentos e legislações ambientais.

Dentre as prioridades do Deagro, está a publicação de estudos estratégicos que ajudem a aumentar a competitividade dos diversos setores do complexo agroindustrial brasileiro, antecipando tendências e oferecendo informações de qualidade. Além deste Outlook Brasil 2022, o departamento já lançou estudos sobre as tendências do consumidor de alimentos, sobre o peso dos tributos nos alimentos no Brasil, entre outros.

As publicações na íntegra e outras informações sobre o departamento podem ser encontradas no site www.fiesp.com.br/agronegocio.