Brasil é o 39º de 43 países em ranking internacional de competitividade

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ficou na 39ª posição em uma lista com 43 países em um ranking que avalia os países de acordo com as condições sistêmicas de concorrência internacional. Os dados foram apurados na pesquisa Índice de Competitividade das Nações, desenvolvida anualmente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 83 variáveis quantitativas abrangendo temas como economia, comércio internacional, política fiscal, crédito, tecnologia, produtividade e capital humano.

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Paulo Skaf: “Brasil se manteve numa posição muito ruim. Isso significa que estamos sem competitividade com relação a outros países do mundo.”. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

O resultado, de acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é um sinal de que o Brasil não vem fazendo a lição de casa. “Nós podemos ter até melhorado, mas os outros melhoraram muito mais. Em 13 anos, por exemplo, a China subiu 11 posições e a Coreia 10posições. O Brasil se manteve numa posição muito ruim. Isso significa que estamos sem competitividade com relação a outros países do mundo.”

Uma das saídas, afirma Skaf, é a redução de impostos e dos gastos públicos. “Os impostos no Brasil precisam ser reduzidos. E, em hipótese nenhuma, serem aumentados porque já há uma grande carga tributária. No atual cenário, de baixo crescimento econômico, somente a redução dos gastos públicos, principalmente as despesas de custeio, possibilitaria a folga necessária no lado fiscal para a redução da carga tributária.”

>> Veja o estudo na íntegra

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Fonte: estudo Decomtec/Fiesp

 

De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, o persistente arrefecimento da economia brasileira em 2014 é um agravante que pode influenciar em uma piora da colocação brasileira.

“Não são animadoras as perspectivas para melhora do índice em 2014. Até porque não há uma agenda e um conjunto de ações que indiquem um aumento da competitividade brasileira na comparação com a desses outros países. No ano de 2014, provavelmente, nossa situação vai piorar diante dos dados de 2013. Mas isso é uma avaliação preliminar”, esclarece Roriz.

Roriz Coelho fez a abertura do evento na Fiesp nesta quinta-feira (05/12). Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho: “Quando se mede, percebe-se que os outros países estão andando numa velocidade maior que a nossa”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Elaborado anualmente pelo Decomtec/Fiesp, o Índice de Competitividade das Nações identifica os principais avanços e restrições ao crescimento da competitividade brasileira. A pesquisa separa 43 países em quatro quadrantes: competitividade elevada, satisfatória, média e baixa. O Brasil se encontra no grupo de baixa competitividade.

“Quando se mede, percebe-se que os outros estão andando numa velocidade maior que a nossa”, complementa Roriz.

Em 2013, os Estados Unidos permaneceram no topo do grupo de competitividade elevada com a primeira colocação e 86,6 pontos, seguido pela Suíça com 78 pontos, Coreia do Sul com 77,1 pontos e Cingapura com 72,9 pontos.

A nota do Brasil em 2013 – 21,5 pontos – só não foi pior que a de quatro dos 43 países avaliados: Turquia (20 pontos, 40º lugar), Colômbia (19 pontos, 41º lugar), Indonésia (17,4 pontos, 42º lugar) e Índia (10,3 pontos, 43º lugar).

Roriz acredita que comparações como a do Índice de Competitividade são uma boa referência. “Podem nos nortear até para saber se o Brasil está evoluindo de uma maneira positiva com relação a competitividade e também ver o que os outros estão fazendo, principalmente aqueles estão evoluindo numa velocidade maior. E através dessa análise ajudar o país a ficar cada vez mais competitivo.”

Embora os Estados Unidos permaneçam na liderança, Cingapura, Áustria, Hungria e Israel foram os países que, segundo o levantamento, ganharam mais competitividade entre 2012 e 2013.

Cingapura avançou três posições no ranking, chegando ao 4º lugar, com 72,9 pontos, no quadrante de competitividade elevada. A Áustria também subiu três posições, passando a 60,7 pontos, na 14ª colocação, ficando no grupo de competitividade satisfatória.

Israel e Hungria ascenderam duas posições. A nação do Oriente Médio passou a 66,5 pontos, no 11º lugar, na faixa da competitividade elevada. Já o país da Europa Central ficou com 45,6 pontos, na 26ª colocação, no grupo médio.

“Se a gente olhar a maioria dos países que avançaram com velocidade grande com relação a sua competitividade, todos esses países tiveram um plano e disciplina de execução para fazer isso. Não foi por acaso que isso aconteceu”, analisa Roriz.

Urgência

O estudo da Fiesp identifica seis prioridades na agenda de políticas públicas para que o país retome a rota de crescimento. Como urgência, o departamento da Fiesp aponta a simplificação e a redução da carga tributária para o setor produtivo, a redução no custo do financiamento e o alinhamento cambial.

Outras condicionantes que merecem atenção são os investimentos em infraestrutura, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e educação.

No entanto, Roriz pondera que o efeito positivo dessas medidas – mesmo se tomadas de imediato – leva algum tempo para ser percebido. “Dificilmente uma decisão começa a ser implementada no dia seguinte. E mesmo que seja implementada, suas consequências na economia demoram um tempo. Agora, mais do que a urgência de implementar, nós precisamos de uma política, de uma estratégia, de uma agenda e daí partirmos rapidamente para a sua execução”, reivindica o diretor.

Se o Brasil fizer as várias reformas que precisa, argumenta Roriz, os indicadores de 2015 podem até ser ruins, mas a tendência é que o Índice de Competitividade melhore no anos seguintes.

Inflação

No combate à inflação, a indústria brasileira precisa de condições para poder aumentar a oferta de produtos. Segundo Roriz, a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual para 11,25% ao ano “foi uma decisão absurda e improvisada”.

“Para frear a inflação, que foi o objetivo anunciado, é totalmente absurdo, até porque o país já está parado e com baixa demanda. O país precisa ter mais concorrência, principalmente em insumos e matérias primas. Não é aumentando juros que a gente vai frear a inflação hoje”, avalia Roriz.

Índice de competitividade das nações IC-FIESP

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Essa pesquisa tem por objetivos:

– identificar os principais avanços e restrições ao crescimento da competitividade brasileira;

– analisar experiências bem sucedidas de outros países de forma a orientar a elaboração de propostas de políticas de médio e longo prazo.


Para ver a última pesquisa divulgada, bem como a dos anos anteriores, acesse o menu ao lado.





Brasil ocupa 37º lugar no ranking de competitividade do mundo, aponta estudo da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A competitividade do Brasil em 2011 apresentou um nível baixo e ocupou a 37ª colocação em um ranking com 43 países, que representam 90% do PIB mundial, informou nesta segunda-feira (26/11) o Departamento de Competitividade (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao divulgar um levantamento anual de performances econômicas de países.

O Índice de Competitividade da Fiesp (IC-Fiesp) reuniu mais de 50 mil informações sobre oito fatores determinantes para a competitividade de um país: economia doméstica, abertura, governo, capital, infraestrutura, tecnologia, produtividade e capital humano.

A pesquisa do Decomtec identificou quatro grupos com níveis de competitividade diferentes entre os 43 países em 2011.  No primeiro grupo, com competitividade elevada, se encontram países como os Estados Unidos, em primeiro lugar no ranking com 91,8 pontos, a região chinesa de Hong Kong, segunda colocada com 75,3 pontos, Coreia do Sul, em quinta colocação com 74,2 pontos, e Irlanda, no oitavo lugar com 70 pontos.

Países com competitividade satisfatória, como a Suécia, em 12º lugar com 67,4 pontos, Alemanha, em 13º lugar com 66,4 pontos, e Finlândia, em 14º lugar com 62,6 pontos, ocupam o segundo grupo, enquanto a Espanha, Rússia e Itália compõem um terceiro grupo de países que apresentam competitividade média, ocupando as 23ª, 24ª e 25ª colocações, respectivamente. A China, com 52,9 pontos, ficou com a 22ª colocação.

O Brasil figura no grupo de competitividade baixa, com 22,5 pontos. Ocupando a 37ª colocação, ainda está abaixo de países como México, que aparece no ranking em 34º lugar com 28,3 pontos, e a Tailândia, em 35º lugar com 26,3 pontos.

Clique aqui e veja ranking na íntegra.

Para industriais e acadêmicos, política de inovação deve focar iniciativa privada

Agência Indusnet Fiesp 

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Carlos Henrique Brito Cruz, reitor da Unicamp. Foto: Foto: Mário Castello

A tese de que a inovação tecnológica cabe exclusivamente ao meio acadêmico é um equívoco metodológico no Brasil. A afirmação é do reitor da Universidade de Campinas (Unicamp), Carlos Henrique Brito Cruz, que participou do Congresso da Indústria 2009, promovido por Fiesp e Ciesp, nesta segunda-feira (28), em São Paulo.

“O lugar da inovação é na empresa. Não podemos deixar que a discussão vá para temas como a relação entre universidade e empresa”, declarou Brito Cruz, apontando que nos Estados Unidos, por exemplo, a participação da iniciativa privada em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é de 98% do total aplicado – respondendo por 2% do Produto Interno Bruno (PIB). Já no Brasil, de acordo com ele, o investimento em inovação soma 1,1% do PIB, sendo que 0,6% é aporte do governo e apenas 0,5% de empresas.

“Esses 0,5% não permitem que o Brasil consiga competir com outros países, como China e Estados Unidos”, indicou. Brito Cruz criticou a falta de políticas públicas de apoio à inovação. Mas o reitor da Unicamp reconheceu: “Nos últimos 15 anos, o País vem adotando algumas medidas positivas, como a Lei de Inovação Tecnológica, aprovada em 2004, e o processo de renúncia fiscal para empresas inovadoras, que pode chegar a R$ 2 bilhões para os cofres públicos.”

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João Guilherme Ometto, vice-presidente da Fiesp. Foto: Foto: Mário Castello

Na opinião do vice-presidente da Fiesp, Guilherme Ometto, para que o Brasil avance é necessário transferir cientistas das universidades para as empresas. “Ou o Brasil se mobiliza pela inovação ou ficaremos para trás”, avisou, com base em dado apresentado por Brito Cruz de que apenas 20% dos cientistas brasileiros são alocados em empresas, enquanto nos EUA essa proporção é de 80%.

Para o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, a principal barreira está na burocracia de acesso a linhas de financiamento e programas de incentivo. “Isso dificulta ao Brasil alcançar patamares mais altos”, disse, ao se referir ao fato de a China, por exemplo, exportar US$ 340 bilhões em produtos industrializados.

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José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec da Fiesp. Foto: Foto: Mário Castello

De acordo com o Índice de Competitividade (IC-Fiesp), divulgado recentemente, o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking de produção científica, entre 43 países avaliados, responsáveis por 90% do PIB mundial. Já no quesito patentes, o País é o 28º colocado no IC-Fiesp.

Segundo levantamento do Decomtec, apenas 47% das empresas brasileiras conhecem ferramentas de incentivo à inovação. E 45% se declaram preparadas para inovar. “Temos oportunidades imensas, mas também temos que transpor essas barreiras para que nossas empresas, principalmente as micro e pequenas, sejam inovadoras”, avaliou Roriz.