Produtos importados ainda são nó que falta desatar para competitividade, diz Roriz

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

Se um novo modelo econômico de crescimento não privilegiar a competitividade da indústria, o setor manufatureiro não será capaz de aproveitar o aumento da renda no Brasil, avaliou nesta segunda-feira (26/11) José Ricardo Roriz, diretor-titular do Departamento de Competitividade (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Quando aumenta a renda, o brasileiro quer comprar um carro, uma casa, um celular, uma roupa de melhor qualidade. Se nós não tivermos condição de produzir isso de maneira competitiva, quem vai capturar esse crescimento da nossa renda serão os produtos importados. Então, esse é um grande nó que temos de desatar”, afirmou Roriz ao divulgar um ranking anual da Fiesp sobre competitividade dos países.

De acordo com apurações do Índice de Competitividade da Fiesp (IC-Fiesp 2012), o Brasil subiu uma posição em 2011 para a 37ª colocação em um ranking com 43 países, os quais representam mais de 90% do PIB mundial.

“Em um balanço geral da nossa situação competitiva, nós melhoramos, mas não de uma maneira tão acelerada como a de outros países que concorrem com a gente”, avaliou Roriz sobre países como a China e a Coreia do Sul.

O ranking de competitividade da Fiesp mostra que os Estados Unidos estão em primeiro lugar, com 91,8 pontos, a região chinesa de Hong Kong em segundo, com 75,3 pontos, e a Coreia do Sul, em quinto, com 74,2 pontos.

Crise internacional

Apesar de reconhecer que o cenário internacional não ajuda o Brasil a escoar suas exportações, Roriz acredita que o maior problema é a grande disparidade entre as modestas exportações brasileiras de produto com valor agregado e a robusta importação de produtos manufaturados.

“O problema que aconteceu é que nós aumentamos muito as importações e diminuímos as exportações. Além disso, dentro da nossa matriz de exportações há produtos de baixo valor agregado, e isso pesa desfavoravelmente para o Brasil”, afirmou.

“Alguns países que melhoraram o ranking, embora estejam exportando menos em volume, estão exportando em produtos de maior valor agregado. A China passou a ser o maior exportador de produtos de alta tecnologia. Há dez anos, você nunca imaginaria isso”, analisou o diretor do Decomtec/Fiesp.

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Competitividade do Brasil aumenta cinco pontos em 11 anos, mostra ranking mundial da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Entre 2000 e 2011, o índice de competitividade do Brasil passou de 17,4 pontos para 22,5 pontos, um ganho de 5,1 pontos, apontou um ranking produzido pelo Departamento de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgado nesta segunda-feira (26/11). Com esse desempenho, o país obteve, em 2011, a 37a colocação.

Por outro lado, conforme o estudo, a Coreia do Sul apresentou um crescimento de nove posições no mesmo período, enquanto a China mostrou um aumento de competitividade de oito colocações, seguida pela Irlanda, com ganho de sete posições entre 2000 e 2011.

O Índice de Competitividade Fiesp (IC-Fiesp 2012) apurou que o aumento da produtividade da indústria, do gasto com pesquisa e desenvolvimento, do registro de patentes e do investimento em educação foram vetores do crescimento nesses países que lideraram o desempenho competitivo entre 2000 e 2011.

De acordo com o ranking, a Suécia, a Finlândia e o Japão foram os países que mais perderam competitividade entre 2000 e 2011, com um decréscimo de nove, oito e sete posições, respectivamente.

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