Aquicultura brasileira produziu mais de R$ 3 bilhões em 2013, segundo IBGE

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Um panorama do volume da produção da aquicultura brasileira foi apresentado durante a primeira reunião do Comitê da Cadeira Produtiva da Pesca (Compesca) do ano, na manhã desta sexta-feira (30/01) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Bianca Schimid, supervisora do IBGE. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo informações da Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a produção da aquicultura brasileira rendeu mais de R$3 bilhões em 2013,  sendo que as espécies tilápia e camarão representaram, cada um, mais de 27% do valor de produção.

O levantamento apurou a produção da cadeia em mais de 2,6 mil municípios brasileiros. Foram considerados dados apenas da aquicultura animal para abate, explica Bianca Schimid, supervisora do IBGE.  Não está no âmbito da pesquisa a pesca extrativa, produção de peixes ornamentais, pesque & pague e cultivo de algas.

Em termos de volume, a aquicultura brasileira produziu mais de 390 mil toneladas de peixe, 64,6 mil toneladas de camarões e 19,3 mil toneladas de ostras, vieras e mexilhões.

“O Ceará se mostrou um grande produtor da aquicultura, já os peixes redondos se destacam na região norte”, afirmou Bianca.

Produção paulista

O IBGE apurou também a situação de produção aquícola em 122 municípios paulistas. Em 2013, foram produzidas 26,7 mil toneladas no estado de São Paulo, “sendo que 90% dessa produção foi de tilápia”, explicou Bianca. Em relação a valor produção, São Paulo responde por mais de 4% do total produzido no país com mais de R$127 milhões de reais.

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Roberto Imai, coordenador do Compesca. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Durante a apresentação, membros do Compesca sugeriram a inclusão de municípios no mapeamento de São Paulo para a apuração da produção em 2014.

Roberto Imai, coordenador do Compesca da Fiesp, ponderou, no entanto, que a falta de organização de algumas regiões produtores paulistas prejudicam sua visibilidade dentro do setor.

“Esse relatório mostra que regiões mais organizadas aparecem mais no mapa é importante saber e repassar isso. Quanto mais organizada a região, mais ela vai ser representativa e mais os olhos estarão voltados para aquela região”, alertou.

Próximo levantamento

Um novo levantamento “já está em campo”, confirmou Bianca. Segundo a supervisora, serão coletadas informações até abril deste ano.

O IBGE incluiu, pela primeira vez, o setor de aquicultura como um recorte exclusivo nos dados da Pesquisa Pecuária Municipal, a pedido do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Para o coordenador do Compesca, a inclusão da aquicultura na Pesquisa Pecuária do IBGE “é um ponto de partida. Acredito que a gente tem de fazer nossa lição de casa e temos que fazer as nossas contribuições”.

Além de sugestões para próxima pesquisa do IBGE, os membros do Compesca discutiram seu planejamento anual estratégico para a cadeia e o calendário de eventos de 2015.

Primeiro boletim aquícola coletado por IBGE deve ser divulgado no 1º tri de 2014, diz secretária da Aquicultura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Maria Fernanda Ferreira, secretária de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

A partir do primeiro trimestre de 2014, produtores aquícolas podem ter acesso a dados mais atualizados sobre o setor. Fruto de parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) com o Ministério da Pesca e Aquicultura, o primeiro boletim com dados atualizados da produção brasileira deve ficar pronto nos primeiros três meses ano que vem, informou a secretária da pasta Maria Fernanda Nince Ferreira.

“A boa notícia é que conseguimos um convenio com o IBGE que iniciou este ano a coleta de dados da aquicultura no Brasil inteiro”, disse Ferreira, secretária de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura.

Maria Fernanda apresentou na manhã desta sexta-feira (17/05) o Plano Nacional de Desenvolvimento da Aquicultura sem Impactos nas Águas da União para membros do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O pescado, a carne de peixe, ainda perde espaço para a carne bovina, de frango e de porco no mercado consumidor brasileiro. Embora o Brasil detenha uma das maiores reservas de água doce do mundo, a produção aquícola no país é defasada. Um dos sintomas dessa deficiência é a falta de informações organizadas e atuais sobre o setor. “Os países que têm menos água que a gente têm uma organização muito maior”, reconheceu Ferreira.

Com o objetivo de regularizar e estimular a produção de peixes e frutos do mar no Brasil, o Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou em 2012, por meio do Plano Safra para o setor, o investimento de R$ 4,1 bilhões.

“Desses R$ 4,1 bilhões, pelo menos R$ 3,8 bilhões são destinados para a atividade aquícola”, afirmou Maria Fernanda. Segundo ela, “parte desse crédito tem linhas voltadas ao pescador artesanal, para ele reformar, por exemplo, o seu barco […] Tudo visando principalmente à prevenção de desperdício”.

Desoneração

A secretária do Ministério também afirmou que há estudos conduzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da pasta, para identificar os Estados com melhores práticas tributárias para o produtor aquícola.

“Os trabalhos da FGV estão em conclusão. Nos próximos meses teremos o mapeamento dos melhores Estados em termos de desoneração de cadeia, de quando ela é viável e quando não é”, salientou Ferreira ao sugerir que o estudo seja apresentado na Fiesp. “Esses dados estão começando a ser discutidos no Ministério e seria interessante o Compesca fazer o convite à FGV para apresentá-los.”

Nota oficial Fiesp/Ciesp sobre o resultado do 3º trimestre do PIB divulgado pelo IBGE

Nota oficial

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)

Nesta sexta (30/11), o IBGE divulgou resultado do PIB do 3º trimestre de 2012, indicando crescimento de 0,6%.

“Embora a maioria dos analistas tenha se surpreendido, o crescimento de apenas 0,6% deu um contorno numérico à sensação que já tínhamos”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Os altos custos de se produzir no país têm inibido os investimentos privados. Os exemplos são alta carga tributária (recorde de 35,3%, anunciada na quinta passada), alto custo dos empréstimos, excesso de burocracia e energia elétrica das mais caras do mundo.

A morosidade do investimento público e a falta de regulamentação para as novas concessões e PPPs se somam ao baixo investimento privado, trazendo redução do investimento agregado da economia pelo quinto trimestre consecutivo, mais longo período de queda nos últimos 13 anos.

“Neste cenário, em 2012, o crescimento da economia deverá ficar em torno de 1%; se não forem recuperadas as condições do investimento, em 2013 teremos dificuldades para crescer mais que 3%”, afirma Skaf.

IBGE divulga resultado do PIB no 3º trimestre: crescimento é de 0,6% em relação ao 2º tri de 2012

Agência Indusnet Fiesp com informações do site do IBGE

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Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE. Foto: Divulgação/Site do IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na manhã desta sexta-feira (30/11) o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre.

O crescimento é de 0,6% na série com ajuste sazonal em relação ao segundo trimestre de 2012.

O maior destaque foi a agropecuária, que cresceu 2,5%, seguida da indústria (1,1%). Os serviços tiveram variação nula.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2011, o PIB cresceu 0,9% e, dentre as atividades econômicas, destacaram-se o aumento da agropecuária (3,6%) e o dos serviços (1,4%). Já a indústria caiu 0,9%.

“A indústria continua caindo nesse trimestre comparado com o ano passado, mas já comparado com o segundo trimestre, identificamos uma melhora. As taxas da indústria de transformação continuam caindo, mas caindo menos”, analisou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE.

De acordo com Rebeca Palis, de positivo houve o crescimento do consumo das famílias a partir de incentivos do governo aos bens duráveis, principalmente a isenção de IPI para linha branca e automóveis.

“Negativamente, foram os investimentos, queda de 2% em relação ao segundo semestre E isso foi gerado pela queda da produção de máquinas e equipamentos pela queda da importação de máquinas e equipamentos”, analisou a gerente de Contas Nacionais do IBGE.

No acumulado nos quatro trimestres terminados em setembro de 2012, o crescimento foi de 0,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, enquanto que no acumulado dos três primeiros trimestres de 2012, o PIB cresceu 0,7% em relação à igual período de 2011. O PIB em valores correntes alcançou R$ 1.098,3 bilhões.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada no site do IBGE.


Nota Oficial: ‘Juros caem, mas o ano não está salvo’, afirma Paulo Skaf

Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)

Nota Oficial

O Copom reduziu nesta quarta-feira (29/08) a Selic em 0,5 p.p, atingindo 7,5% aa, o menor valor de toda a sua história. No entanto, na próxima sexta-feira (31/08), quando o IBGE divulgar o PIB do segundo trimestre, a previsão é que o crescimento do ano de 2012 terá sido muito abaixo das expectativas da sociedade brasileira.

Para Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), a redução da taxa de juros é uma medida correta, mas não é suficiente para garantir uma retomada mais forte do crescimento econômico. Se outras medidas urgentes não forem tomadas, como a redução do custo do gás e energia elétrica, diminuição e simplificação da carga tributária e da burocracia, manutenção do câmbio em patamares acima de R$ 2,00, além da melhoria das condições de infraestrutura do país, continuaremos tendo problemas graves de competitividade.

“Reconhecemos a importância da nona queda consecutiva da taxa Selic, em um ano, mas já estamos no segundo semestre e os efeitos na demora em reduzir os juros mais rapidamente estão batendo na nossa porta. A previsão da Fiesp é que o PIB irá crescer apenas 1,4% até o final de 2012, enquanto a indústria de transformação terá crescimento negativo de 1,3%, ou seja, o ano praticamente está perdido”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Skaf afirma que nesse momento o Brasil precisa, de fato, adotar um sólido planejamento e visão global de crescimento para o País. Ele lembra que países que trilharam esse caminho – como a Coreia do Sul, que adotou estratégias de planejamento visando à competitividade – tiveram sucesso.

“A Coreia investiu em políticas governamentais voltadas ao setor industrial, para ganho efetivo de competitividade. Simplificaram a questão tributária, investiram em educação e financiaram com baixo custo a atividade produtiva. Em suma, todos os países que cresceram e melhoraram a qualidade de vida de sua população sabiam exatamente aonde queriam chegar e trabalharam nas ações necessárias para se atingir os objetivos definidos. Ou seja, planejamento e ação”, conclui Skaf.

Ex-presidente da Embrapa: país precisa levar mecanização agrícola também aos deixados de lado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Ex-presidente da Embrapa Eliseu Alves em reunião do Cosag na Fiesp

O Brasil modernizou sua agricultura, mas ainda não conseguiu descentralizar a renda bruta. Pelo contrário, esta se mostra extremamente concentrada. A avaliação é de Eliseu Roberto de Andrade Alves, um dos fundadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Também não conseguimos manter a população no meio rural. E ainda temos grande parte do problema da agricultura familiar por resolver”, afirmou o ex-presidente da empresa, ao participar na segunda-feira (13/08) da 50ª reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Alves, um sinal de saúde do agronegócio brasileiro é a migração rural urbana. A agricultura, segundo ele, pode ser feita por poucos produtores e muita tecnologia, como é o caso da Europa, por exemplo, que optou por uma agricultura baseada em ciência e poucos empregos diretos.

De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentadas pelo fundador da Embrapa, a população rural caiu de 41,6% nos anos 1970 para 29,8% em meados de 2010. “Eu acho que o Brasil está caminhando para isso e já fez uma grande parte da travessia.”

Na avaliação de Eliseu Alves, o aspecto mais positivo da modernização agrícola é a queda expressiva do preço dos alimentos. “O preço da cesta básica reduziu substancialmente. E para quem é o maior benefício? É para os consumidores mais pobres, que gastam a maior parte do orçamento doméstico na compra de alimentos”, afirmou ele, mostrando dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que demonstram uma baixa anual de 2,02% do preço da cesta básica entre 1977 e 2007 e uma forte queda de 62,8% no período.

“Houve uma enorme distribuição de renda que nenhuma política pública fez. Inclusive, todos esses programas do governo de transferência de renda estão funcionando muito bem exatamente porque a agricultura brasileira tem sustentado preços decrescentes dos alimentos”, avaliou.

Concentração de renda

Eliseu Alves alertou que se nada for feito para descentralizar a renda bruta no meio rural, essa população vai continuar optando migrar para as grandes cidades brasileiras. O pesquisador sugeriu como alternativa o acesso mais facilitado à tecnologia por parte dos pequenos produtores.

“Nós não conseguiremos aumentar a renda agrícola se [o país] não modernizar a agricultura. Com tecnologia rudimentar, não há como aumentar a renda da agricultura familiar”, afirmou.

Levantamentos do IBGE revelam que, em 2010, a maior parte (47,8%) da população concentrava-se na área rural.
“Já imaginou se esses 47% de repente aportassem aqui em São Paulo?”, questionou o ex-presidente da Embrapa. “São 17 milhões de pessoas. É importante – tendo a consciência de que essa é uma medida paliativa – a gente ter uma política para tentar mecanizar a agricultura dos que são mais deixados de lado”, concluiu.

Emprego industrial cai -0,3% em maio, aponta pesquisa do IBGE

Agência Indusnet Fiesp

De acordo com os resultados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, anunciados nesta terça-feira (10/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  em maio de 2012 o total de pessoal ocupado na indústria teve variação negativa de 0,3% em relação ao mês imediatamente anterior na série livre de influências sazonais. É o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação feita pelo IBGE, acumulando nesse período perda de 1,1%.

Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral, ao registrar variação de -0,4% na passagem dos trimestres encerrados em abril e maio, continuou com o comportamento predominantemente negativo observado desde outubro de 2011.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o emprego industrial, ainda segundo o IBGE, apresentou queda de 1,7% em maio de 2012, oitavo resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde dezembro de 2009 (-2,4%).

O índice acumulado nos cinco primeiros meses de 2012, conforme o IBGE, apontou recuo de 1,1% e intensificou o ritmo de queda frente ao primeiro quadrimestre do ano (-0,9%), ambas as comparações contra igual período do ano anterior.

Já a taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses, ao registrar -0,3% em maio de 2012, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (3,9%).

As informações são do site do IBGE.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada no site do IBGE, na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/industria/pimes/.

Na Jovem Pan, Paulo Skaf comenta pesquisa do IBGE: ‘precisamos de medidas mais lineares’

Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista ao âncora Anchieta Filho, da rádio Jovem Pan, na manhã desta quarta-feira (04/07), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, comentou os indicadores de produção industrial apurados em maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números do IBGE revelam que a produção industrial recuou 0,9% de abril para maio, em queda de 4,3% – pior resultado negativo desde setembro de 2009.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

Skaf defendeu a adoção, pelo governo, de medidas mais horizontais e lineares para recuperar a competitividade brasileira. Entre elas, a ampliação do prazo para recolhimento dos impostos no Brasil.

Leia a transcrição da entrevista ou ouça o áudio na íntegra – basta clicar no player abaixo:

Anchieta Filho – A produção industrial teve queda de 4,3% na comparação com o mesmo mês de 2011. Pior resultado desde 2009. O que está acontecendo? Por que o governo está incentivando, lançando pacote toda hora e não consegue reagir a indústria?

Paulo Skaf – Isso que está acontecendo não é novidade. Já no ano passado, o crescimento da indústria de transformação foi zero. A economia brasileira cresceu pouco devido à falta de crescimento da indústria. Nós temos alertado isso há muito tempo. O que está acontecendo este ano [é o que] nós temos falado desde o princípio do ano. A verdade é que nós estamos passando por uma fase grave de falta de competitividade brasileira. O problema não está da porta para dentro das fábricas.

Da porta para  dentro das fábricas você tem equipamento moderno, você tem inovação, você tem tecnologia, mercado, marcas, você tem mão de obra formada. O que está realmente com problema é a [falta de] competitividade do Brasil.

Ao que eu me refiro? Eu me refiro a juros elevados – começaram a baixar a taxa Selic finalmente agora, mas os spreads bancários ainda são caríssimos; o crédito bancário é escasso – aumentou, mas nesse momento de dificuldade é escasso. A energia no Brasil, o preço da conta de luz, apesar de nós termos a geração de energia mais barata do mundo (por meio de hidrelétricas), nós temos o terceiro preço mais caro na conta de luz; o custo do gás é muito caro, a logística é muito cara. Enfim, existe todo um conjunto de problemas que roubam a competitividade do Brasil.

Se você pegar a mais moderna e eficiente indústria instalada em alguma parte do mundo, a melhor que você possa escolher e colocar no Brasil, devido a esses problemas conjunturais brasileiros, está caro produzir no Brasil, esta fábrica também vai perder sua competitividade.

Hoje, está mais barato produzir nos Estados Unidos, na Itália, na Argentina, que no Brasil. Então, nós temos alertado isso – fizemos uma campanha para baixar a conta de luz, estamos lutando para baixar o preço do gás, os juros, a logística, a infraestrutura, e, enquanto essa luta não surtir o efeito máximo, o que a gente sente é isso. A indústria sente esse baque, essa falta de crescimento que prejudica o Brasil.

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Skaf: 'A ampliação do prazo para recolhimento dos impostos no Brasil, ainda neste ano, ajudaria a economia de forma rápida'

Anchieta Filho – O senhor acha que as medidas que o governo deveria anunciar seriam medidas de redução de custos para as empresas?

Paulo Skaf – Seriam medidas em busca de recuperar a competitividade do país, que esse é o problema. Tomar medidas pontuais não são ruins, mas você fica tomando aspirina para câncer. Toma uma medida pontual num determinado setor, toma outra medida pontual… fica uma impressão que até não é boa para a indústria. O que diante da sociedade fica parecendo é que está havendo favores e mais favores quando não há favor nenhum. Por exemplo, essas prorrogações de rebaixa de imposto. O Brasil tem 38% do PIB de impostos – o imposto é altíssimo. Então, quando se reduz algum imposto, por um tempo, por seis meses, por um ano, e depois de três meses volta a falar que vai prorrogar aquela redução como se fosse uma grande coisa. Na verdade, o custo do imposto no Brasil é altíssimo para toda a sociedade. Então, o que precisamos são medidas mais horizontais, mais lineares, e não para um ou outro setor, para uma ou outra empresa. Não quer dizer que tudo isso que tenha sido feito não sejam coisas positivas, mas são insuficientes. Porque é necessário pegarmos a doença pra valer, ou seja, combatermos o mal na raiz. E qual é esse mal? É o custo alto de se produzir no Brasil. O custo alto porque os juros no Brasil é elevado. Baixou a Selic, mas os créditos bancários são muito altos. O custo alto porque, no câmbio, até pouco tempo o dólar estava R$ 1,80, como no ano 2000, mas de lá para cá tivemos 120% de inflação.  O custo alto porque nós temos uma das contas de luz mais altas no mundo para todos os brasileiros, que injustamente pagam um preço de luz muito alto e nós temos que baixar esse preço. Custo alto no gás, na falta de infraestrutura, na logística. Enfim, é nisso que temos que competir, independente de tomar uma medida ou outra pontual, [como] para linha branca que prorrogou temporariamente o imposto, sendo que o imposto no Brasil é altíssimo. Quando se reduz o imposto, não deveria se reduzir temporariamente, deveria se reduzir pra valer.

Na minha opinião, para atingir de forma linear todas as empresas de forma justa, e que poderia ajudar a economia ainda neste ano, de forma rápida, é que deveria se ampliar o prazo para recolhimento dos impostos no Brasil.

Antigamente, há 30 anos, os prazos eram muito mais longos do que são hoje. Aí veio a inflação alta nos anos 80, os prazos para recolhimento de impostos e de venda de mercadorias reduziram. Aí a inflação foi embora (temos hoje uma inflação em torno de 4,5 a 5%, sob controle) e os prazos para vendas de mercadoria se alongaram. Ou seja, as indústrias vendem a prazos médios e longos, mas os impostos ficaram no prazo curto.

Então, os estudos técnicos da Fiesp mostram hoje que, além de nós pagarmos altíssimos impostos, a gente financia o Estado numa média de 49 dias. Ou seja, nós pagamos os impostos, em média, considerando todos os setores, 49 dias antes de recebermos o dinheiro da mercadoria que nós vendemos.  Então, além de pagar um imposto alto, a gente financia o Estado.

O que poderia ser feito agora? Prorrogar 60 dias o recolhimento de todos os impostos. Se isso fosse feito, irrigaria a economia de uma forma linear e justa, porque isso beneficiaria quem paga o imposto – o que é justo – e atenderia a todo mundo, sem depender de financiamentos e créditos bancários.

Se o governo tomasse uma decisão já de prorrogar em 60 dias o recolhimento dos impostos, isso sim atingiria a todos, sem exceção, e isso irrigaria a economia e ajudaria concretamente num curto prazo. Mas essa seria uma medida de curto prazo, porque se as outras medidas para recuperar a competitividade de Brasil não forem tomadas, em pouco tempo teremos problemas de novo. É preciso as duas coisas: uma medida eficiente e linear que pegue a todos, como ampliação dos prazos para recolhimento de impostos, que é justo, que é correto. É injusto como está hoje, seria corrigiria uma distorção e ao mesmo tempo ajudar a irrigar a economia e melhorar a situação no curto prazo e paralelamente tomar as medidas que é baixar o preço da energia, baixar o preço do gás, correr com investimentos na infraestrutura, investimentos na educação. Isso tudo que vai dar a base da competitividade do Brasil no futuro.

Produção industrial recua 0,9% de abril para maio, informa IBGE

Estudo anunciado na terça-feira (03/07), em entrevista coletiva, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a produção industrial recuou 0,9% na passagem de abril para maio, na série livre de influências sazonais, terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando nesse período perda de 2,0%.

Em comparação com o mês de maio de 2011, o total da indústria apontou queda de 4,3% em maio de 2012 – é o nono resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e a mais forte queda desde setembro de 2009 (-7,6%), revelam os Indicadores de Produção Industrial do IBGE.

Ainda de acordo com o IBGE, o setor industrial acumulou perda de 3,4% nos cinco primeiros meses de 2012. A taxa anualizada – indicador acumulado nos últimos 12 meses –, ao recuar 1,8% em maio de 2012, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%) e assinalou a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%).

Veja mais informações no site do IBGE: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2172&id_pagina=1

Há meses a Fiesp alerta sobre o esfriamento da economia

Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça, o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2011, indicando estabilidade da atividade econômica no período. Destaca-se a variação negativa de 1,4% da indústria de transformação no período, fruto das medidas de contenção de demanda adotadas pelo governo no início do ano e da sobrevalorização cambial que estimulou o aumento expressivo das importações.

“Há meses a Fiesp vem alertando a sociedade e o governo sobre os efeitos nocivos dos juros altos e da avalanche de importados que chega ao Brasil, estimulada por um real sobrevalorizado. Agora, o resultado está aí. Não podemos mais perder tempo, é preciso aprofundar a queda dos juros e os estímulos à produção”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Os dados disponíveis do quarto trimestre sinalizam para manutenção do quadro de fraco desempenho da atividade econômica doméstica. Por exemplo, a indústria de transformação registrou queda de 1,5% em outubro com relação ao mês imediatamente anterior.

A expectativa da Fiesp é de estabilidade no crescimento do PIB no quarto trimestre ante o trimestre imediatamente anterior. Com esse resultado, o PIB encerraria o ano com crescimento de 2,8%. Para 2012, a entidade também espera um fraco desempenho, com a economia brasileira registrando crescimento de apenas 2,6%.

Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias.

Medidas como essas são necessárias não apenas recolocar a economia brasileira no trilho do crescimento, mas também, para reduzir os impactos negativos de um cenário externo mais desfavorável.

Desempenho negativo da indústria recomenda correções na política econômica

Nota oficial

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (9/12) o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no 3º trimestre deste ano. O índice cresceu 0,5% sobre o trimestre anterior.

O dado agregado é positivo, pois revela crescimento da economia. Porém, ao analisarmos os componentes setoriais, é possível observar um desempenho negativo da indústria de (–) 1,3% em relação ao trimestre anterior.

Essa queda no desempenho é incompatível com o crescimento da demanda, que apresentou uma evolução de 1,6% no consumo das famílias e 3,9% em investimentos.

“A demanda aumentou e a produção industrial diminuiu. O crescimento da demanda vem sendo atendida pelos importados. Isso é um efeito claro da taxa de câmbio valorizada, que barateia artificialmente o produto importado prejudicando a produção e o emprego”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

O bom desempenho da economia na primeira metade do ano, se comparado à baixa performance verificada em 2009, garante um avanço para o ano de 2010 na faixa de 7% a 7,5%. “O problema é que essa situação cambial pode comprometer o crescimento no próximo ano – uma questão que precisa ser corrigida pelo novo governo”, alertou Skaf.

Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

IBGE: Produção industrial apresenta sinais de melhora

A forte queda medida na indústria em dezembro de 2008, -12,7%, ainda está muito longe de ser compensada pelos fracos crescimentos de janeiro (2,2%) e de fevereiro (1,8%) deste ano, anunciados na quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto porque o nível atual de produção registrado no bimestre jan-fev de 2009 é 17,2% – percentual menor do que foi verificado no mesmo período do ano passado.

Para que a produção industrial registrasse simples estagnação em 2009 (nenhum aumento sobre 2008), ainda assim seria necessário um crescimento médio de 3,0% ao mês, entre março e dezembro deste ano. Diga-se de passagem, um desempenho nunca antes registrado na série histórica desse mesmo índice.

Sob tal contexto é elevada a probabilidade de que a produção industrial registre, em 2009, uma considerável queda.

É por isso que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem defendido um intervalo menor para as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), bem como uma queda maior da taxa básica de juros. Além da redução do IOF.

“Essas providências, especialmente no atual quadro de crise, trariam mais investimentos na produção e, por consequência, elevação nos índices de crescimento, mantendo e criando empregos no Brasil”, segundo Paulo Skaf, presidente da Fiesp.