Emerson Fittipaldi fala em esporte como “herança para as próximas gerações”

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A reunião do Conselho Superior do Desporto (Condesporto) da Fiesp nesta quarta-feira (7/10) teve ritmo forte, típico de atletas, como Emerson Fittipaldi, campeão de F-1 e de Indy e presidente do conselho, Hortência Marcari, uma das maiores jogadoras de basquete da história, Maurren Maggi, medalha de ouro em salto em distância na Olimpíada de 2008 e José Montanaro Junior, da equipe de vôlei brasileira de 1984. O encontro resultou na criação de um grupo para analisar a fundo o Sistema Nacional do Esporte, incluindo aspectos jurídicos e técnicos. Hortência fez o alerta sobre a importância do documento, base da Lei de Diretrizes e Bases do Esporte, que deve ser votada ainda este ano.

Também foi combinado que para a próxima reunião do Condesporto, em novembro, será convidado o ministro dos Esportes, George Hilton. O deputado estadual Wellington Moura (PRB-SP), presidente da Comissão de Assuntos Esportivos da Assembleia Legislativa de São Paulo, presente à reunião, defendeu a interlocução com o ministério.

A reunião rendeu “medalhas” até para o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, representado por Mario Lewandowski e Danilo Muller Ribeiro, que pediram a participação dos desportistas no Congresso do CJE e foram atendidos por Fittipaldi. O presidente do Condesporto se dispôs a ajudar o CJE a conseguir palestrantes sobre temas ligados ao esporte (associando-o à educação, ao empreendedorismo e ao ativismo social), pedindo para isso a ajuda de Hortência e Maurren Maggi.

Fittipaldi ressaltou a importância da união de todos ligados ao esporte. “O momento é de trabalhar bastante”, disse, destacando a sinergia do grupo. “Tenho certeza que deixaremos esta herança para as próximas gerações”, afirmou.

A proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio foi lembrado na reunião como fator que torna oportuna a defesa do esporte. “O momento é de se unir e se posicionar”, disse Fittipaldi. Hortência defendeu o trabalho em conjunto com entidades como o Conselho Nacional de Atletas, o Conselho Nacional do Esporte, o Bom Senso FC, o Atletas pelo Brasil e outros, que “podem ser mobilizados rapidamente”.

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Emerson Fittipaldi entre Mário Frugiuele (esq.) e o deputado Wellington Moura, durante reunião do Condesporto da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Educação física no currículo

Montanaro, que é assistente técnico de esportes do Sesi-SP, abriu, a pedido de Fittipaldi, a reunião, falando sobre a importância de implantar em todas o Brasil, a exemplo do que já acontece com as escolas estaduais de São Paulo, a educação física como parte do currículo do primeiro ao sexto ano (Ensino Fundamental), ministrada por professores especializados e com controle de frequência e nota – com o apoio de Hortência, que lembrou o fator de motivação dos professores, com sua valorização.

Na descrição feita por Montanaro de conversas com professores e outros profissionais da educação, ficou claro o enorme benefício para as crianças de ter a educação física como parte do currículo. Elas ganham em desenvolvimento fisiológico e disciplinar, por exemplo.

Os membros do Condesporto defenderam a inclusão na LDB da educação física como disciplina curricular. Montanaro lembrou que educação física é mais do que esporte, incluindo atividades lúdicas, como a dança, colaborando para o desenvolvimento das crianças. “O grande objetivo é dar vivência”, disse.

Fittipaldi ressaltou a importância de encontrar nas crianças “potenciais campeões, com saúde, fora das ruas, longe das drogas”. Maurren Maggi lembrou que o investimento no esporte é baixo em relação aos benefícios obtidos, por exemplo com o ganho em saúde.

Mais recursos

Lívia Galdino Suzart, secretária adjunta de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, presente à reunião do Condesporto, explicou que houve mudanças na avaliação de projetos de incentivo ao esporte, facilitando a aprovação dos que são ligados ao esporte de rendimento – usou como exemplos projeto de automobilismo (kart) e de tênis. Disse que foram aprovados neste ano projetos totalizando R$ 41 milhões e que ainda há R$ 40 milhões disponíveis. Lívia disse que é bem-vinda a participação de atletas olímpicos na lei paulista de incentivo ao esporte.

O deputado Wellington Moura também falou sobre perspectivas de mais recursos no Estado para o esporte. Ele defende que o atual orçamento da secretaria da área suba de 0,1% do orçamento estadual para 1%, o que elevaria de R$ 223 milhões para perto de R$ 2 bilhões por ano o total disponível para o esporte por ano.

Mário Eugênio Frugiuele, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code), participou da reunião e lançou uma questão: “Por que as leis de incentivo ao esporte não permitem a apresentação de projetos por pessoas jurídicas?” Hortência sugeriu a criação de um fundo, permitindo a destinação de recursos diretamente por empresas, e a criação de projetos sem a necessidade da fase de captação. Ela também lembrou de outra diferença da Lei Rouanet, de incentivo à cultura, em relação à de incentivo ao esporte: “é muito mais ágil, porque não exige a readequação de projetos quando não há a captação do total” pretendido.