Logística: criação da EPL é revolucionária, afirma diretor de Infraestrutura da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Cavalcanti: 'Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A principal mudança no setor de infraestrutura do Brasil é a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) – estatal do governo federal nascida em agosto de 2012.

A análise é de Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, era uma reivindicação antiga da Fiesp a implementação de um organismo para estruturar o processo de planejamento de logística no país, integrando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

“Agora você tem uma autoridade de planejamento que planeja rodovia, ferrovia, hidrovia. Está começando [os trabalhos]. Quem sabe no final do ano que vem a EPL solte o primeiro plano logístico. Porque é muito difícil –[antes] precisa mapear”, explica Cavalcanti. “Mas isso é a coisa mais revolucionária”, afirma.

O diretor da Fiesp pondera que vai levar tempo para que o sistema de transportes do país vivencie os efeitos positivos da criação da EPL e do Programa de Investimentos em Logística, pacote do governo que, na primeira fase, prevê a aplicação de R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias federais e ferrovias.

“Quem sabe qual é o volume de carga que as companhias estão transportando nas rodovias e nas ferrovias? Quando é que ferrovia e rodovia vão ficar prontas em seis meses? Essas coisas em infraestrutura não são assim [tão rápidas]”, disse Cavalcanti. “O que importa é que mudou. Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil.”

Cavalcanti também mostra otimismo com as mudanças no sistema ferroviário. “A eficiência de quando o projeto começar é muito maior porque é do setor privado. Daqui para frente as coisas tendem a ser melhores.”

Encontro de Logística

A Fiesp realiza nos dias 6 e 7 de maio a oitava edição do Encontro de Logística e Transportes. Entre temas como a integração logística da América do Sul, empresários, especialistas e representantes de governo devem discutir os desafios do país para o setor e como colocar em prática o Plano de Investimentos em Logística, anunciado pela presidente Dilma Rousseff em agosto de 2012.

Visite a página do evento para saber mais informações: 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp

Transporte hidroviário pode ser boa oportunidade de negócios, diz diretor da Antaq

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O crescimento do transporte hidroviário brasileiro e os investimentos na modernização e ampliação das bacias hidrográficas. Estes foram os temas debatidos durante o painel “O mito do transporte hidroviário no Brasil”, realizado nesta segunda-feira (21/05) durante o 7º Encontro de Logística e Transporte da Fiesp.

Tiago Pereira Lima, Diretor-Geral da ANTAQ. Foto: Everton Amaro

Tiago Pereira Lima, Diretor-Geral da ANTAQ. Foto: Everton Amaro

O diretor da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), Tiago Pereira Lima, destacou que as hidrovias podem ótima oportunidade de negócios para a indústria brasileira, principalmente para o setor de alimentos. O Brasil, informou o diretor da Antaq, utiliza apenas 13 dos 30 mil quilômetros de vias disponíveis nas sete bacias hidrográficas.

“O transporte pela navegação marítima teve crescimento em todas as regiões. Em 2011, o transporte em vias interiores foi responsável pelo envio de quase 80 milhões de toneladas. Um crescimento de 7,3% comparado em 2010” avaliou Lima.

O grande desafio para o setor, de acordo com o diretor da Antaq, está na construção de 27 eclusas prioritárias nos rios brasileiros próximos anos – cada eclusa custa, em média R$ 11,6 bilhões, segundo Pereira Lima.

Investimentos do governo federal

Os investimentos do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), chegam a R$ 1.9 bilhões em obras de modernização e construção de novos terminais, disse o diretor de infraestrutura aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Adão Magnus Marcondes Proença.

“Hidrovia, propriamente ditas, o Brasil têm poucas. Hoje o que nós temos são grandes possibilidades de navegação e com os investimentos do governo federal podemos transformas os rios em meio de transporte”, garantiu Proença.

Para fomento do modal hidroviário, a alternativa seria a desoneração tributária, sugeriu Luís Lopes Siqueira, representante do Sindicato das Empresas de Administração do Estado de São Paulo (Sindaesp) e da Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário (Fenavega).

Na visão de Siqueira, a desoneração poderia funcionar como uma meio de compensar os benefícios ambientais proporcionados pelo setor hidroviário, totalmente dependente do sistema multimodal. “A troca do modal rodoviário para o aquaviário incide na cobrança de imposto, o que prejudica a competitividade da indústria nacional”.

 

Região Amazônica precisa de investimento de R$ 14 bi, diz consultor da CNI

Karen Silva, Agência Indusnet Fiesp

Olivier Girard, da CNI, discute plataformas logísticas e a multimodalidade

Na avalição do consultor da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Olivier Girard, se fosse realizado um investimento de 14 bilhões de reais na precária logística da Amazônia resolveria todo o problema para os próximos 10 anos.

O custo de frete hidroviário chega a ser 60% mais barato do que o custo de frete rodoviário. Assim, é muito mais econômico para as cargas serem transportadas por hidrovia do que por rodovia”, disse Girard sobre possíveis áreas de investimentos na região Norte do País.

Ele participou da mesa Plataformas Logísticas e a Multimodalidade durante o 6º Encontro de Logística e Transportes promovido pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Durante o encontro, o consultor falou sobre o projeto Norte Competitivo, cujo objetivo é promover o planejamento estratégico da logística de carga dos novos estados que compõem a Amazônia Legal de forma integrada e suprarregional. “Existe a necessidade de reduzir os custos logísticos como um todo.”

Iniciativa Privada

Milton Xavier, do Dersa, pontuou problema de escoamento de cargas ao porto de Santos via modal rodoviário

Além de Olivier Girard, a mesa contou com a participação de Giuseppe Vecci, secretário de Planejamento do estado de Goiás, que pediu por investimentos da iniciativa privada na infraestrutura de transportes de seu estado.

“Temos espaço para crescer e queremos desenhar uma nova plataforma de logística com investimento da iniciativa privada. Precisamos modernizar e duplicar as rodovias”, informou.

Escoamento de Cargas

O superintendente de Planejamento do Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), Milton Xavier, pontuou o conhecido problema de escoamento de cargas para o porto de Santos via modal rodoviário. “Precisamos construir infraestrutura no meio urbano para evitar a saturação de acesso. A pista Sul da Anchieta, por exemplo, já está saturada hoje”, afirmou a autoridade ao reconhecer que cerca de 80% da carga geral está relacionada a produtos de escoamento industrial.

Na Fiesp, secretário Saulo de Abreu discute sobre obras no setor de transporte

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf recebe a visita do secretário Saulo Abreu

 

Em visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (6), o Secretário de Estado de Logística de Transporte, Saulo Abreu, conversou com o presidente da entidade, Paulo Skaf, sobre obras de infraestrutura no setor de transportes.

Saulo Abreu destacou os avanços dos trabalhos de extensão da hidrovia Tietê-Paraná, de Conchas até Salto. Para construção do trecho, o projeto recebeu uma verba do governo federal, no valor de R$ 600 bilhões, referente ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). O restante da obra será custeado pelo governo estadual.

“Estamos investindo quase R$ 1 bilhão no projeto de ampliação da Hidrovia Tietê Paraná, e o objetivo é utilizá-la o máximo possível”, afirmou o secretário.

Paulo Skaf ressaltou a importância da criação de um projeto de infraestrutura para modernização dos 31 aeroportos paulistas. “Precisamos valorizar nossos aeroportos antes de privatizá-los”, afirmou o presidente.

Ferrovias

Durante o encontro, Saulo Abreu falou também do projeto de ampliação da malha ferroviária paulista. Entre as medidas está a retomada das obras do Ferroanel, que interligará as principais ferrovias da região metropolitana do estado. De acordo com o secretário, o estado deve retomar o diálogo sobre este assunto com o Governo Federal, no segundo semestre deste ano.

Os gargalos no porto de Santos (como os acessos terrestres), a duplicação da rodovia dos Tamoios e a ligação da rodovia Anchieta com a Piaçaguera-Guarujá também foram destaque no encontro. Abreu Filho prometeu dar encaminhamento a todas as questões.

Corredores de exportação garantem competitividade do setor produtivo


Pela malha viária da região metropolitana trafegam 400 mil veículos urbanos de carga (dados de 2008) carregando 1 bilhão de tonelada, o equivalente a um Porto de Santos por mês.

Os números dão a dimensão da necessidade urgente de se pensar em uma logística integrada que atenda às necessidades de tráfego em São Paulo e o aporte de investimentos necessários.

O comentário foi feito por Frederico Bussinger, presidente do Porto de São Sebastião (polo logístico de escoamento) e também diretor do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, durante o 5º Seminário de Logística da Fiesp, realizado nesta terça-feira (17).

Saturnino Sérgio, diretor do Deinfra Fiesp

É preciso retirar do circuito viário as cargas que apenas “atravessam” a metrópole, sobrecarregando o trânsito, e que podem seguir por outros sistemas. O hidroanel, por exemplo, já conta com 41 quilômetros, que devem se somar a outras possibilidades como o ferroanel e o rodoanel, apontou Bussinger, citando os três pontos de integração do sistema trimodal da macrometrópole.

“Planejar e gerenciar de forma integrada”, ele insistiu, lembrando que há 68 estudos no campo hidroviário e que a discussão de integração se arrasta desde a época do engenheiro Billings, faz bem um século.

O Porto de Santos é um agente de desenvolvimento regional, disse. E complementou: “Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no sistema hidroviário são pequenos, mas é mais do que já se fez”, cutucou.

Outro alvo de críticas é a ação de ambientalistas: “A hidrovia é parceria do meio ambiente, inclusive para a manutenção das matas ciliares; elas são irmãs siamesas. Nós precisamos de um novo processo de licenciamento ambiental. É claro que o projeto de São Sebastião traz impactos ambientais, mas na balança há muito mais benefícios regionais”.


Logística 
eficiente para atender demanda

José Roberto Correia Serra, presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, criticou a falta de políticas públicas e a ausência de planejamento logístico que atrapalham a competitividade.

“O acesso ao Porto de Santos requer uma logística cada vez maior pela demanda crescente”, analisou. Noventa por cento da base industrial do Estado de São Paulo estão a duzentos quilômetros do Porto. Uma das opções é a transferência de uma parte do transporte de cargas do sistema rodoviário para o ferroviário.

O tráfego atual é de 80 milhões de toneladas (2009) e a previsão é se alcançar 200 milhões de toneladas de cargas em 2024 no Porto de Santos. Entre as alternativas, a construção de um aeroporto local e de novos terminais de carga.

“É preciso inverter a matriz de transporte. Nenhum plano terá sucesso se a questão não for tratada conjuntamente pelos governos municipais, estadual e federal. E em tempo hábil, pois precisamos nos antecipar às necessidades futuras”, concluiu Correia Serra.

Investimento em hidrovias pode reduzir até 68% das emissões de poluentes

O Brasil deve começar a pensar o transporte hidroviário como solução logística e ambiental para o setor. Seguindo este caminho, poderá triplicar a eficiência de distribuição de seus produtos e, ao mesmo tempo, reduzir até 68% da emissão dos poluentes rodoviários.

Fernando Fialho, diretor-geral da Antaq, e Herderverton Andrade Santos, superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres

Foi o que garantiu o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, durante o 5º Seminário de Logística da Fiesp, na tarde desta terça-feira (17).

Segundo ele, os veículos rodoviários são responsáveis pela emissão de 98% do CO² proveniente dos transportes brasileiros. Dessa maneira, desenvolver o potencial hidroviário do País significa reduzir 68% dos gases de efeito estufa. “A hidrovia é a própria mitigação ambiental. Ela é 90% menos poluente”, ressaltou Fialho.

Contudo, o diretor defendeu que estes resultados apenas serão alcançados caso a regulamentação leve em consideração o limite de eficiência de cada tipo de transporte. “Precisamos usar de forma racionalizada cada um dos modais. No Brasil, mais de 70% do escoamento é rodoviário, o que não é adequado às nossas dimensões continentais”, explicou.

Além disso, prosseguiu, todo o dinheiro poupado com uma logística mais eficiente permaneceria nas mãos dos produtores e, assim, “beneficiaria toda a sociedade”.


Por terra

Para isso, disse o representante, a Agência propõe algumas mudanças em suas metas.No mesmo sentido, o superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Hederverton Andrade Santos, também definiu a importância de novos marcos na regulação das rodovias e ferrovias do Brasil.


No segmento rodoviário:

  • Licitações que priorizem tarifas mais baixas;
  • Obras por gatilho – além das definidas em contrato, as empresas licitadas deverão realizar outras obras ao longo do período de concessão, considerando as características da região e de seu tráfego;
  • Desconto tarifário por inexecução – no qual as tarifas são cobradas de acordo com a qualidade do serviço prestado.


Para as ferrovias:

  • Revisão do “price-cap” – o valor autorizado das cobranças tarifárias está muito acima do custo do transporte. Assim, a ANTT prevê uma nova clausula para rever o preço cobrado a cada cinco anos;
  • Modelo de Custeio – exatamente para regular o custo do transporte e sua respectiva tarifa;
  • Operador Ferroviário Independente – o usuário que tiver sua própria locomotiva e vagões poderá utilizar a malha ferroviária, mediante pagamento à empresa responsável;“Estas ações tem como função garantir serviços baratos e de qualidade aos usuários, bem como aproximar a ANTT das necessidades mais importantes das empresas do setor”, conclui Santos.