Não vai faltar energia, mas ela ficará mais cara, prevê conselheiro do Cosema

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou, na tarde desta terça-feira (30/6), sua reunião mensal para debater o panorama energético brasileiro.

Decio Michellis, palestrante do encontro e conselheiro do Cosema, relembrou os números do Plano Decenal de Expansão de Energia 2023, que foram aprovados pelo Ministério de Minas e Energia no ano passado, além da crise hídrica e, consequentemente, energética pela qual o país passa.

Decio Michellis durante reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Decio Michellis durante reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Segundo Michellis, a era das hidrelétricas acabou e não foi por falta de potencial hidráulico. “A complexidade ambiental não é a única dificuldade enfrentada pelo governo para tirar do papel grandes hidrelétricas. Novos projetos também estão ameaçados por causa de dificuldades financeiras e envolvimentos com esquemas de corrupção no entorno das principais empreiteiras do país. Envolvem ainda um cenário ruim para tomada de crédito, sem contar o alto risco desses projetos”, disse.

Questionado se no futuro os brasileiros terão a energia necessária, Michellis diz que “sim, mas vai demorar mais e custará mais caro”. Hoje o atraso médio é de 4,2 anos. “Os efeitos de alta na tarifa serão duradouros, até 2020 ou 2021. Se excluirmos alguma inovação tecnológica imprevista, pelo menos até meados do século, não haverá alternativas em grande escala aos combustíveis fósseis e à geração nuclear”, completou.

Retrospectiva 2013 – Fiesp defendeu hidrelétricas com reservatório

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

“A opção mais recente por hidrelétricas sem reservatórios, decorrente de políticas ambientais cada vez mais irracionais e erradas, e também de uma blindagem de áreas indígenas, que entendemos equivocadas, pode ser notada nos 42 projetos hidroelétricos leiloados nos últimos 12 anos, com potência instalada de 29 mil MW. Desses, apenas 10 pequenos projetos apresentam reservatórios, correspondendo a 7% da potência total”. A afirmação foi feita pelo diretor do Departamento de Infraestrutura  (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, durante seu discurso de abertura do 14º Encontro Internacional de Energia, em agosto deste ano.

Motivo de um dos pleitos do Deinfra, a energia hidrelétrica com reservatório é mais barata, já que, depois de amortizado o investimento inicial, o que fica são custos menos significativos de operação e manutenção. O método ainda dispensa os custos com utilização de combustível, defende o Deinfra.

“A Fiesp defende as hidrelétricas com reservatórios, dentre  as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, pois é a única fonte que combina segurança, preço módico e baixa emissão de gases de efeito estufa. E o Brasil domina a tecnologia”, reafirmava Cavalcanti em seu discurso na ocasião.

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp, durante a abertura do 14o. Encontro de Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Carlos Cavalcanti na abertura do 14o. Encontro de Energia, em agosto de 2013. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Para enfatizar a necessidade de estabelecimento de regras específicas para o comércio do setor energético, a Fiesp lançou ainda o estudo A Regulação do Comércio Internacional de Energia: combustíveis e energia elétrica, também durante o 14º Encontro Internacional de Energia da entidade.

Autor do trabalho, o Deinfra avaliou, entre outros aspectos, o investimento no setor energético, o mercado de energias renováveis e o quadro atual da regulação no mundo.

A publicação informou que 22,5% dos bens comercializados entre os países são energéticos, segundo cálculos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda em agosto, a área de Infraestrutura da Fiesp realizou a quinta edição do Encontro de Telecomunicações. Durante o evento, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, confirmou que a carga tributária em serviços de telecomunicações pode ser reduzida em até sete anos. “Não dá para falar aos estados que vamos reduzir o imposto pela metade, mas podemos fazer um plano para reduzir gradativamente em cinco ou sete anos”, disse o ministro na ocasião.

Conta de luz

Ainda no âmbito de energia, em fevereiro deste ano, a Fiesp lançou uma ferramenta online que permite ao consumidor de São Paulo verificar o desconto na conta de luz decorrente da adoção da Lei 12.783, aprovada em 11 de janeiro de 2013.

A redução do preço é resultado de uma campanha lançada em 2011 pela Fiesp  (“Energia a Preço Justo”), que mobilizou a sociedade em prol da queda de preço nas contas de luz, tanto das famílias quanto das empresas. O lançamento da ferramenta foi mais uma ação da campanha “Energia a Preço Justo”.

Com a ferramenta, disponível em versão para mobile ou tablet (por meio do http://m.fiesp.com.br/calculadora-energia/), o consumidor pôde conhecer o valor em reais que pagava antes e o que passou há pagar todo mês com a adoção da lei. Pôde ainda verificar o percentual de desconto.

Em março, uma campanha da Fiesp foi ao ar sobre a ferramenta. Um filme de 30 segundos, com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apresentou ao consumidor a ferramenta.

Saiba aqui mais informações sobre o campanha.

Infraestrutura de transportes

Lançado em maio deste ano pelo Deinfra, o Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transportes (IDT) apurou que, em relação à infraestrutura de transportes, o desempenho de regiões metropolitanas do Brasil apresenta defasagem de 67% em comparação com as regiões mais avançados do mundo.

O IDT/Fiesp comparou o desempenho de 18 indicadores de logística do Brasil em relação a líderes do setor no mundo. Entre os componentes de logística foram avaliados a disponibilidade de rodovias, número médio de pousos e decolagens, quilômetros de ferrovias e hidrovias, número de óbitos em rodovias, porcentagem de rodovias pavimentadas.

O índice concluiu, por exemplo, que comparado aos países com melhores práticas de infraestrutura de transportes, o Brasil está defasado em 70% em evitar acidentes em rodovias.

A cada 10 mil habitantes, dois morrem em rodovias no Brasil, considerando as federais estaduais e municipais, enquanto o grupo de países com melhores práticas logísticas apresenta uma taxa de 0,6  óbitos para 10 mil habitantes.

O indicador também apontou que a oferta brasileira de rodovias, incluindo federais, estaduais e municipais, é defasada em 47% em relação à melhor prática de infraestrutura de transporte do mundo, ou seja, está a 53% do topo do ranking mundial.

Clique aqui para ver o estudo.

O levantamento foi divulgado no encerramento do 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. Na abertura da edição de 2013, o diretor do Deinfra, Carlos Cavalcanti, defendeu o fim das restrições às operações de cargas de terceiros em terminais privados, a recilicitação de contratos vencidos e menor tarifa e maior movimentos nos portos.

Cavalcanti reiterou na ocasião que a Medida Provisória dos Portos acaba com a distinção entre carga própria e carga de terceiros e prevê “um amplo choque de oferta de serviços portuários, promovendo concorrência entre armazéns e terminais, que é exatamente o que o Brasil precisa”.

A MP dos Portos foi aprovada em 16 de maio. Em nota oficial, a Fiesp afirmou que aprovação abriria caminho para um “choque de competição” que o Brasil precisava.

Saneamento em debate

Em outubro deste ano, o Deinfra organizou o 3º Encontro de Saneamento Básico – Recuperar o Tempo Perdido. Em seu discurso de abertura, Cavalcanti afirmou que “saneamento é primordial para o desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, apenas 37,5% do esgoto no Brasil é tratado. “Tudo isso repercute na saúde da população, traz severas implicações para a saúde e para o meio ambiente”, completou.

Fiesp defende hidrelétricas com reservatórios, diz diretor de Infraestrutura no 14º Encontro de Energia

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

No discurso que abriu o 14º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o diretor do Departamento de Infraestrutura da entidade, Carlos Cavalcanti, criticou na manhã desta segunda-feira (05/08), no hotel Unique, o decréscimo, registrado nos últimos 12 anos,na construção de hidrelétricas sem reservatórios.

“A opção mais recente por hidrelétricas sem reservatórios, decorrente de políticas ambientais cada vez mais irracionais e erradas, e também de uma blindagem de áreas indígenas, que entendemos equivocadas, pode ser notada nos 42 projetos hidroelétricos leiloados nos últimos 12 anos, com potência instalada de 29 mil MW. Desses, apenas 10 pequenos projetos apresentam reservatórios, correspondendo a 7% da potência total”, disse o diretor da Fiesp.

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Cavalcanti: "A Fiesp defende as hidroelétricas com reservatórios". Foto: Everton Amaro/Fiesp


“A Fiesp defende as hidroelétricas com reservatórios, dentre  as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, pois é a única fonte que combina segurança, preço módico, baixa emissão de gases de efeito estufa e que o Brasil domina a tecnologia”, sustentou, afirmando ser preciso ter coragem para enfrentar esse debate.

Cavalcanti comentou ainda sobre o desfecho da campanha “Energia a Preço Justo”, lançada em 2011, no 12º Encontro de Energia da entidade.

“A Fiesp chamou a sociedade brasileira ao bom combate. Na afirmação de direitos, e da justiça, o Brasil precisa dos bons exemplos. Este é o maior motivo de orgulho da Fiesp”, disse o titular do Deinfra, elogiando a liderança do presidente da entidade, Paulo Skaf, na conquista da redução do preço da energia.

O diretor lembrou que desde o anúncio, em 2009, do novo marco regulatório do petróleo e a introdução do modelo de partilha, Fiesp posicionou-se contra a obrigatoriedade da Petrobras ser operadora única, com participação mínima de 30% nos consórcios.

“A Fiesp defende o fim desse monopólio com a diversificação de agentes, criando concorrência. Assim garante-se o preço justo, determinado por um dos mais antigos mecanismos de formação de preço: o mercado.”

“Enquanto, e se, prevalecer o monopólio, a Fiesp defende que o gás natural deve ser regulado pela ANP [Agência Nacional do Petróleo]. Isso deve ser feito com regras transparentes e pelo princípio da modicidade tarifária. Além disto, a Fiesp defende a criação de um preço único de gás nos estados supridos pelo gás importado.”

Cavalcanti disse ainda que a Fiesp defende a integração elétrica entre os países sul-americanos, visando a consolidação de um mercado comum de energia e um processo de desenvolvimento sustentável, e anunciou o lançamento, pela Fiesp, do estudo “A Regulação do Comércio Internacional de Energia: combustíveis e energia elétrica”.

Clique aqui para ler o discurso na íntegra.


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Rondônia investe R$ 20 bilhões em hidrelétricas

Agência Indusnet Fiesp

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Denis Roberto Baú, presidente da Fiero. Foto: Vitor Salgado

Um complexo energético formado pelas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em acelerado processo de construção no rio Madeira, gira um investimento estimado em R$ 20 bilhões no estado de Rondônia.

Com inauguração prevista para 2012, são consideradas duas das maiores obras de infraestrutura energética do País. Além disso, os projetos não possuem somente importância local, pois sua capacidade contemplará grande parte do território brasileiro.

“Antes existia uma barreira virtual em Rondônia: a energia do Brasil chegava até o centro-oeste e parava. A construção das usinas mudará totalmente esse quadro, o que é muito bom para o País, porque nossa energia é mais barata”, ressaltou o presidente da Federação do Estado de Rondônia (Fiero), Denis Roberto Baú, durante a abertura da Semana de Rondônia em São Paulo, realizada nesta terça-feira (9), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em resposta a este investimento, a economia local está investindo fortemente na qualificação e treinamento de mão de obra especializada que, até agora, já empregou mais de 10 mil trabalhadores, informou Baú.

A usina de Jirau terá 46 turbinas, com potência de 3300 MW. Já a de Santo Antônio, que contará com 44 turbinas, tem capacidade para gerar até 3150 MW. “A indústria nacional que pretende prosperar com competitividade tem que apostar no potencial do nosso Estado”, enfatizou o presidente da Fiero.


Entusiasmo e crescimento

A venda do milho, exemplificou, tornou-se a mais importante fonte renda vegetal de Rondônia, sobretudo na exportação. Houve também um aumento considerável na produção de leite nos últimos cinco anos, devido à modernização das Bacias Leiteiras de Ouro Preto do Oeste e de Jarú.De acordo com o deputado federal Rubens Moreira Mendes (PPS/RO), os empreendimentos rondonienses vêm crescendo consideravelmente nos últimos anos. O cenário promissor se deve ao extenso mercado consumidor ao redor do estado, cuja localização favorece o escoamento de seus produtos.

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Rubens Moreira Mendes, deputado federal. Foto: Vitor Salgado

“O nosso café chegou a segunda maior produção do Brasil e a maioria do queijo consumido em São Paulo vem de lá”, complementou Mendes.

O gado de corte também recebe destaque na região. Segundo o deputado, atualmente, Rondônia conta com 12 milhões de cabeças de “boi verde”, um tipo que é alimentado somente com pastagem e, por isso, não causa impactos ecológicos significativos.

Em tom de denúncia, Mendes disse que outra atividade que poderia crescer, mas não possui incentivo federal para isso, é a madeireira. De acordo com ele, o madeireiro está sendo “massacrado” pela legislação ambiental e pela atuação do Ibama. “O ministro [do Meio Ambiente] trata essa questão de forma irresponsável, pois prejudica um setor muito importante da economia”, defendeu.


Ciclos Econômicos

Há 40 anos, Rondônia ainda não tinha status de estado. Considerado um território federal, contava somente com duas cidades – Porto Velho (capital) e Guarajá-Mirim – e possuía cerca de 80 mil habitantes.

Discorrendo a respeito da história do estado, Mendes explicou aos participantes do encontro que Rondônia contém inúmeros “Brasis”, já que foi constituído por migrante de todos as regiões: “A mistura de povos e miscigenação são características do nosso estado”.

Passando pelos ciclos econômicos rondonienses, o deputado destacou dois que tiveram maior peso para a então incipiente economia local.

  • O extrativismo vegetal da borracha – uma das primeiras atividades desenvolvidas em Rondônia. Deu-se, principalmente, pelo chamado “esforço de guerra”, movimento de colonização realizado por soldados baianos a pedido da República. Forte até hoje na região, conta também com o cultivo de castanha-do-pará e outros produtos florestais.
  • O extrativismo mineral – outra atividade econômica importante, inicialmente era feita através do garimpo manual, de característica predatória. Depois de consolidadas políticas de atração industrial, focada na exploração da cassiterita (minério derivado do estanho), a extração tornou-se bem menos penosa para o trabalhador e para o meio ambiente.