Web app vencedor do Hackathon da Fiesp auxilia doação de sangue

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

No Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, a ONG Instituto Colabore, em parceria com a Fiesp e com a Samsung, lança o Heroes, um web app – aplicativo que é acessado a partir de navegadores de dispositivos móveis – que gerencia, incentiva e facilita a doação de sangue em todo o Brasil. Com base nos conceitos de economia colaborativa, a nova ferramenta conecta hospitais e pontos de coleta de sangue a doadores cadastrados.

O aplicativo Heroes é um dos vencedores em 2014 da segunda edição do Hackathon, concurso de aplicativos criado pelo Comitê Acelera Fiesp (CAF). Para acessá-lo, basta digitar www.heroesbrasil.com.br no navegador do celular ou tablet. Se o usuário preferir, é possível criar um atalho da página na tela de início do aparelho, transformando-a em um aplicativo fixo.

“A ideia surgiu quando um membro da minha família precisou passar por uma cirurgia em outra cidade, e o médico disse que seriam necessários 50 doadores para que o procedimento fosse realizado. Após esse apuro, pensei o quão útil seria uma ferramenta capaz de engajar doadores de sangue e, com isso, salvar vidas”, conta Manoel Neto, diretor executivo do Instituto Colabore e conselheiro curador da Fundação Pró-Sangue.

Para colocar o projeto em prática e construir a plataforma online, Neto reuniu o apoio institucional da Fiesp e o conhecimento técnico da Samsung.

Além do Dia Mundial do Doador de Sangue, neste mês também é comemorado o “Junho Vermelho”, que tem como finalidade fomentar a doação de sangue entre a população brasileira. Atualmente, o Brasil possui um elevado déficit de doações de sangue. A coleta é feita de apenas 1,8% da quantidade de habitantes residentes no país, uma porcentagem ainda muito distante das recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem como meta ideal e mínima, respectivamente, 5% e 3,5% da população doando ao menos uma vez ao ano para, então, constituir um banco de sangue considerado saudável.

Funcionamento do Heroes

Usuários, doadores e incentivadores têm acesso ao programa por meio do web app. Enquanto isso, hemocentros e gestores de grupos entram em um ambiente especialmente desenvolvido com as funções de administração. Por meio dele, é possível gerar campanhas e convocar os doadores por tipo sanguíneo, além de encontrar diversos modelos de relatórios. Finalmente, gestores do Ministério da Saúde ou das secretarias de saúde estaduais e municipais têm acesso a uma página web específica para geração de relatórios e contato direto com a equipe responsável pelo projeto.

Um dado interessante é que todo mundo que navegar pelo Heroes encontrará 100% dos hemocentros do Brasil, que correspondem a cerca de 400 unidades. A ferramenta contará ainda com “padrinhos”, empresas que poderão investir na aplicação em troca de patrocínio e exposição da marca.

Da ideia ao resultado

Para que fosse possível concretizar a ideia de uma ferramenta com esse propósito, o Instituto Colabore foi apoiado pelo Samsung Ocean, um centro de capacitação de desenvolvedores que, desde abril deste ano, funciona dentro da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP). Dessa forma, o projeto passou por uma aceleração de três meses até que a aplicação pudesse seguir com o desenvolvimento. Após esse período e com o apoio da Fiesp, o Heroes foi construído e agora passa a estar disponível para uso de qualquer pessoa.

“Desde que criamos o Samsung Ocean, sabíamos do enorme potencial que tínhamos para ajudar desenvolvedores a desenvolverem soluções que vão muito além de um dispositivo, impactando até mesmo a vida das pessoas”, diz Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina.

Sobre o Instituto Colabore

O Instituto Colabore é uma ONG focada em resolver problemas da sociedade por meio da tecnologia, tendo como base principal de seus projetos os conceitos de crowdfunding e crowdsourcing.

O Hackathon

Organizado pelo Comitê Acelera Fiesp (CAF), o Hackathon reúne as mentes mais brilhantes de todo o país para resolver os principais problemas nas áreas de Saúde, Educação e Segurança, com a criação de um aplicativo mobile proporcionando a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Cada edição tem 1.680 minutos de programação, criatividade, design e empreendedorismo. Jovens de todo o Brasil são reunidos para encarar o desafio de criar apps com soluções para os três setores, desenvolvendo ideias que realmente façam diferença.

Vencedor da 2ª edição do Hackathon/Fiesp apresenta projeto ao ministro da Saúde

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Manoel Netto: objetivo é tornar frequente e costumeira a doação aos hemocentros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Uma chance rara. Em dinâmica similar ao de um elevator pitch, o empreendedor Manoel Neto, um dos criadores do aplicativo Heroes, teve alguns minutos para apresentar a inovação diretamente para o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

A oportunidade aconteceu na tarde desta sexta-feira (26/09), durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde Chioro era o principal convidado do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Bio Brasil).

Com o Heroes – um dos ganhadores da segunda edição do Hackathon, concurso de aplicativos criado pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp –, o grupo busca acelerar o número de doações de sangue.

Durante a apresentação, Neto explicou que a ideia surgiu depois que ele e sua equipe identificaram uma lacuna no número e frequências das doações de sangue no país.

Segundo ele, o Heroes visa dobrar o número de bolsas de sangue doadas por ano por intermédio de dispositivos como smartphones e tablets. “O número ideal é de 10 milhões de bolsas doadas por ano”, explicou.

O aplicativo também tem como meta criar uma rede de incentivo para doação de sangue, “um movimento que torne frequente e costumeira a doação”. Assim, por exemplo, um hemocentro poderá sinalizar para os doadores quando precisa reforçar seu estoque.

Para aprimorar o projeto, a equipe tem contado com o apoio de diversos parceiros –  do CJE/Fiesp à Cruz Vermelha de São Paulo.

“Nada é tão valioso e renovável quanto o sangue humano”, concluiu o empreendedor.

Sylvio Gomide (à direita na foto) para Arthur Chioro: "Problema da falta de doação de sangue é grave no Brasil e com esse aplicativo a doação é incentivada”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Após acompanhar a rápida apresentação, o ministro afirmou que pedirá à Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados para “estreitar o contato” com os criadores da solução. E aproveitou para fazer um desafio: “Seria interessante aperfeiçoar e estimular a doação de órgãos também. É outro tema importante”, sugeriu.

O diretor titular do CJE/Fiesp, Sylvio Gomide, ressaltou durante o encontro a atuação do comitê na criação de projetos inovadores para a indústria da saúde.

“O CJE, que completa dez anos de criação em 2014, fomenta o empreendedorismo e startups em diversas áreas. O problema da falta de doação de sangue é grave no Brasil e com esse aplicativo a doação é incentivada”, disse.

Segundo Ruy Baumer, coordenador do Bio Brasil/Fiesp, o aplicativo  atua sobre uma questão que classificou como “crítica”.

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