‘Os centros de distribuição e operação têm muito o que fazer’, afirma especialista

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Os desafios do comércio de roupas, sapatos e acessórios em tempos de múltiplos canais de vendas foram debatidos, na tarde desta terça-feira (15/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, durante a reunião conjunta  do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) e do Comitê da Cadeia Produtiva do Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro).

O encontro foi coordenado pelo coordenador adjunto do Comtextil, Heitor Alves Filho. E teve como convidado/palestrante o CEO da SDI Logistics, de consultoria para a elaboração de centros de distribuição, Jaime Michel. A empresa atende principalmente os setores de vestuário e calçados.

Segundo Michel, o ambiente atual do comércio, com recursos como as vendas pelo celular, e-mail, blogs, redes sociais e lojas on line, por exemplo, multiplicam as formas de vender e comprar. Por isso o conceito de multi canal, com o atendimento de pedidos comprados de diferentes formas, e a necessidade de otimização do uso dos meios existentes.

“Pedidos pequenos têm custos de operação maiores”, explicou o especialista. “O cliente quer entrega sem taxas, no mesmo dia e com a possibilidade de troca se necessário. Isso pede mais estrutura para garantir essas entregas”, disse. “Os centros de distribuição e operação têm muito o que fazer”.

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Michel: “Pedidos pequenos têm custos de operação maiores”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Poucas unidades

Para Michel, esses desafios ganham ainda mais força no Brasil, já que é preciso ter uma infraestrutura logística que cubra as dimensões do país.

E isso não é tudo: até mesmo atacadistas têm seguido a tendência de fazer pedidos de volumes variados, com poucas peças eventualmente. “Isso aumenta o custo por unidade para promover o atendimento bem direcionado às lojas, com centros específicos de atendimento de pedidos e distribuição híbrida”, explicou.

Daí a tendência de construir centros de distribuição que atendam múltiplos canais de venda com eficiência. “Os pedidos têm ser que ser perfeitos, acertando desde a primeira vez”, afirmou Michel. “É preciso entregar o que o cliente pediu, com a entrega na hora em que ele pediu, conforme todas as especificações. É cada vez maior a customização”.

Nesse cenário, muitas empresas apostam no uso da automação em suas bases para distribuir mercadorias. Mas, lembrou o CEO da SDI Logistics, é preciso considerar vários fatores antes de erguer um centro desse tipo. “Quanto mais automação, menos flexibilidade”, alertou Michel. “É como um carro automático que, quando quebra, não se pode consertar em casa”.

Por esse motivo é necessário considerar custo da mercadoria, o volume de vendas e quanto se pode gastar logisticamente antes de planejar um centro de distribuição mais ou menos automatizado. “São muitas as dificuldades quando esse planejamento não é feito de acordo com o perfil do negócio”, afirmou Michel. “É nossa responsabilidade fazer uma análise do perfil do negócio, avaliar como será o crescimento, entre outras variáveis”.

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A reunião do Comtextil: novos desafios para a distribuição das peças. Foto: Tâmna Waqued/Diário