Era da abundância acabou e humanidade está entrando na escassez, segundo Pnuma

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Presidente do Instituto Brasil PNUMA, Haroldo Mattos

A  era da abundância de recursos naturais acabou e a humanidade está entrando na da escassez, declarou nesta terça-feira (22) o presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos ao participar do painel sobre Economia Verde, durante a 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

“Quando eu era garoto, jamais se falava em reciclar coisa nenhuma. Não dá mais para pensar desse jeito. Nós temos que reciclar cada vez mais as coisas”, afirmou. Segundo Lemos, entre os anos 1950 e 2000, a atividade econômica brasileira aumentou 10 vezes enquanto 40% das reservas de petróleo se exauriram. Ainda assim, o Brasil ainda possui um saldo ecológico positivo, diferente dos Estados Unidos que, entre 1961 e 2005, se tornaram devedores ambientais.

Mas posição favorável do Brasil por conta da elevada capacidade de produção não é confortável, já que as robustas exportações de commodities, como o minério de ferro e alimentos brutos, podem levar a produção do país à exaustão.

“A biosfera concentrou certos recursos em alguns lugares. Por exemplo: minério de ferro e ouro. Estamos retirando essas matérias e espalhando pelo mundo inteiro. No futuro, se continuarmos fazendo isso, esses recursos irão acabar e seremos cada vez mais obrigados a reciclar”, concluiu Lemos.

Rumo à Economia Verde

Entre os dias 4 e 6 de junho de 2012, o Rio de Janeiro vai sediar a reunião de Cúpula da Terra Rio+20, oficialmente designada como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

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Steve Stone, chefe de Economia e Comércio do PNUMA

Além de ser uma tentativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para progredir no compromisso da comunidade internacional de combate às mudanças climáticas do século XXI, Steve Stone, chefe de Economia e Comércio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), acredita que esta é a oportunidade para o Brasil ocupar posição de destaque na reversão das mudanças.

“Somos a geração que está testemunhando essas mudanças e teremos a oportunidade de fazer alguma coisa na Rio+20. Considero o Brasil um importante líder como agende transformador”, disse Stone.

O relatório 2011 do Pnuma, Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, mostra como estão sendo desenvolvidas estratégias de Economia Verde, em que as empresas usam menos recursos naturais e cuidam melhor de seus resíduos.

De acordo com o documento, um investimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global em dez setores-chave pode dar início à transição rumo à uma economia de baixo carbono e eficiência de recursos.