Hannover Messe: o Senai-SP e a indústria 4.0

Isabela Barros

Bem vindos à era da indústria 4.0. Ao tempo em que as ferramentas digitais integram todas as etapas da produção nas fábricas, permitindo a automação e a integração dos processos de modo nunca visto antes. Foi com esse mundo novo que três representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) tiveram contato no último mês de abril, quando visitaram a Hannover Messe, considerada a mais importante feira do setor manufatureiro. Realizado em Hannover, na Alemanha, o evento apresentou soluções e produtos os mais variados, apontando tendências para o presente e para o futuro.

“A indústria 4.0 é aquela na qual sistemas inteligentes de manufaturas integram o chão de fábrica e os bancos de dados de todas as plantas industriais, com qualquer informação sendo acessada a qualquer hora, de qualquer ponto”, explica o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP Osvaldo Maia.

Um dos gerentes da instituição que visitaram a feira, Maia destaca também o monitoramento interno das máquinas feito com sensores, outra tendência apresentada em Hannover. “Assim, é possível saber, de outro país, informações completas a respeito do desempenho de uma máquina específica, inclusive a tempo de prevenir eventuais danos, evitando que o equipamento pare de funcionar”.

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A Hannover Messe: sistemas inteligentes de manufaturas integram o chão de fábrica e os bancos de dados de todas as plantas industriais. Foto: Osvaldo Maia


Para o gerente regional do Senai-SP José Carlos Dalfré, também presente no evento, o aumento da eficácia das linhas de produção está no centro do debate a respeito do futuro da indústria. “O objetivo é reduzir custos e falhas humanas”, explica.

Nesse cenário, a internet está disponível até mesmo nos objetos. “São máquinas que ‘conversam’ com outras máquinas por meio de internet sem fio, por exemplo”, diz Maia.

Novas energias, materiais e tecnologias

Outro ponto de debates na feira, segundo Dalfré, foi o uso de energias renováveis. “A discussão envolve até a possibilidade de armazenamento de energia para uso futuro”, diz. “Tudo pensado para um mundo no qual faltará petróleo um dia”.

Entre essas inovações, materiais diferenciados também ganham espaço. Como o polímero que, capaz de se distender, controla a umidade e a quantidade de raios ultra violeta que entram numa estufa, por exemplo. “O material se estica ou se fecha para permitir a maior entrada de luz, tudo controlado por sensores”, explica Maia.

A chamada super condutividade foi outra novidade apresentada, com peças de aço que se movem flutuando no ar a partir do controle de campos magnéticos. “Isso ainda permite a colocação dessas peças no ponto certo, com toda a precisão”, diz Dalfré.

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O equipamento no qual peças de aço flutuam no ar a partir do controle de campos magnéticos. Foto: Osvaldo Maia


Outra tendência tecnológica importante, o uso das impressoras 3D veio para ficar. E ajuda a indústria a reduzir custos na medida em que não há descarte de materiais no processo de produção. “Cerca de 30% do Boeing 787 já é feito com impressão em 3D”, afirma Maia.

Motor de mudanças

Diante dessas tendências, diz Maia, o Senai-SP tem a missão de ser motor de tantas mudanças. “Queremos que o Senai-SP seja indutor dessas modificações”, diz. “Precisamos estar prontos para preparar mão de obra para essa indústria de vanguarda, levar essas tecnologias para os nossos cursos e para os serviços que prestamos”.

Nesse ponto, a Hannover Messe teve um setor exclusivo para a aprendizagem industrial, discutindo como as empresas, internamente, preparam as suas equipes. “A formação técnica é reconhecida, respeitada na Alemanha, na Europa”, explica Maia.

Com tantas novidades na bagagem de volta ao Brasil, o Senai-SP não terá outro caminho a seguir que não o de ser referência para a manufatura nacional. “Vem muita evolução por aí”, diz Dalfré.