Brasil e Argentina devem manter agenda ‘rica e de alto nível’ no comércio exterior, afirma Paulo Skaf

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Recém-chegado de missão oficial em Paris, na França, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, encerrou a terceira rodada de negócios Brasil-Argentina deste ano com um breve pronunciamento ao lado do secretário de Estado do Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

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Paulo Skaf cumprimenta secretário de Estado do Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno. Na foto, ao fundo, o primeiro vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch; a secretária de Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Paglieri (encoberta); e o embaixador da Argentina no Brasil, Luis María Kreckler. Foto: Junior Ruiz.


No discurso, frente a uma delegação de empresários argentinos dos setores farmacêutico, médico-hospitalar, de cosméticos e de produtos de limpeza, Skaf reiterou a importância de Brasil e Argentina estabelecerem uma agenda positiva em comum.

“Se nós não estivermos muito unidos, todos nós vamos perder. Nossa visão não pode ser curta, pequena, egoísta, pontual. Nós podemos ter pequenas divergências”, disse Skaf, lembrando que desentendimentos acontecem até mesmo entre familiares e amigos.

“Não são as pequenas divergências que devem separar povos como o brasileiro e o argentino; países vizinhos, parceiros do Mercosul, países que têm grande possibilidade de sinergia. Juntos nós podemos nos complementar”, prosseguiu o presidente de Fiesp e do Ciesp.

Crise na Europa

De acordo com Skaf, nem Brasil ou Argentina são capazes de resolver a situação econômica difícil que afeta países da Europa ocidental, mas podem cuidar de seus próprios problemas.

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Skaf: Brasil e Argentina têm que ser bons vizinhos. Foto: Junior Ruiz

“Podemos comprar, podemos vender, podemos investir mais para terceiros países, podemos empregar mais na Argentina, empregar mais no Brasil. Então, temos que ter agenda realmente rica e de alto nível nos nossos países. Para esta agenda não ficar na teoria, ficar na prática, é que os senhores estão aqui”, completou Skaf, sugerindo que eventuais diferenças devem ser enfrentadas com equilíbrio e sempre observando o interesse maior entre os países.

“Temos que ser bons vizinhos e estar mais bem preparados para enfrentar qualquer dificuldade e para invadir os outros mercados. Porque se não estivermos, eles que vão invadir – aliás, já têm invadido”, concluiu o presidente das entidades.

Outras rodadas

A rodada de negócios bilateral é a terceira realizada na Fiesp em 2012 – além de uma missão no mês de maio, Fiesp e governo argentino promoveram, em setembro, mais um encontro dedicado ao setor de autopeças.

Fiesp promove rodada de negócios Brasil-Argentina com foco no setor farmacêutico

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza nesta quinta-feira (08/11), das 8h às 17h, Rodada de Negócios Brasil–Argentina com foco no setor farmacêutico. Equipamentos e insumos médico-hospitalares, cosméticos, fitoterápicos e produtos de limpeza doméstica também terão destaque nas negociações.

O evento é mais um resultado da visita que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez à Argentina no início deste ano propondo maior cooperação bilateral e equilíbrio nas relações comerciais.

Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o setor de produtos de perfumaria e preparações cosméticas apresentou o maior incremento em importações provenientes da Argentina, com alta de 9,9% na comparação acumulada interanual (janeiro/setembro).

Por outro lado, o produto brasileiro que mais cresceu em exportação para o país vizinho foi o de conservação e limpeza, com alta acumulada de 3,9% ante ao mesmo período de 2011.

A Rodada reunirá cerca de 100 empresas argentinas  e brasileiras e contará com a participação do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

Serviço
Rodada de Negócios Brasil–Argentina com foco no setor farmacêutico Data/Horário: quinta-feira (08/11/12), às 8h
Local: Foyer do Teatro do Sesi-SP – Av. Paulista, 1313

Governo argentino planeja seminário para discutir modelo de desenvolvimento em comum com o Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina

Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina

Ao conceder entrevista coletiva depois da rodada de negócios na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (18/09), o secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, disse que o governo de seu país pretende realizar em Buenos Aires, na última semana de novembro, um seminário para debater as características em comum no desenvolvimento dos dois países.

“Faz muitas décadas que a América Latina não opina e não participa do debate mundial em termos econômicos”, comentou Moreno, que espera receber no evento o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e empresários brasileiros.

“Me parece que tanto a Argentina como o Brasil e o resto do Mercosul devem sistematizar, em termos teóricos, nosso modelo de desenvolvimento num debate em nível internacional”, explicou Moreno.

“Estamos construindo na teoria e na prática o que, na realidade, é um espaço comum entre nossos aparatos produtivos e os do Brasil”, completou Moreno, ao falar da possibilidade de os negócios aconteceram em moeda local. “Seria um avanço importante.”

África

Outra decisão é uma missão empresarial dos dois países à Nigéria. A visita está programada para março de 2013. “Vamos juntos ao mercado da África em um avião que parte da Argentina e passa por São Paulo, com metade de suas passagens para cada país”.

Brasil-Argentina: rodada de negócios na Fiesp reúne cerca de 200 empresas do setor de autopeças

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu nesta terça-feira (18/09), para uma rodada de negócios, uma comitiva de aproximadamente 120 empresários argentinos do setor de autopeças e acessórios automotivos – a delegação veio acompanhada do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

Paulo Skaf e Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf e Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina. Foto: Junior Ruiz


Os empresários do país vizinho tiveram encontros com cerca de 90 empresários brasileiros.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a rodada representa um esforço bilateral para que empresas brasileiras e argentinas conheçam mais os produtos vizinhos e assim realizem mais negócios. A missão foi organizada depois que a entidade constatou, em pesquisa, que a principal razão das empresas brasileiras não estarem comprando mais produtos argentinos era o desconhecimento de fornecedores.

“Essa reunião reflete aquilo que nós combinamos na reunião passada. Identificamos [em uma pesquisa] que poderíamos melhorar o fluxo de comércio entre o Brasil e a Argentina, porque muitos produtos que o Brasil importava de terceiros países poderiam ser comprados da Argentina e muitos produtos que a Argentina compra de terceiros países poderia comprar do Brasil”, comentou Paulo Skaf.

Segundo Guillermo Moreno, a missão comercial é um passo para resolver os obstáculos e que os problemas bilaterais se resolvem com mais comércio.

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Rodada de negócios: mais de 100 empresários argentinos. Foto: Helcio Nagamine

“Acredito que estão sendo resolvidos todos os obstáculos. Vejo um clima que não é de obstáculos. Ao contrário. É de participação das cadeias de valor entre nossos empresários e os brasileiros. Hoje tivemos alguns presidentes de terminais automotivos brasileiros, mas estiveram todos os compradores, em níveis máximos, e interessados em fazer negócios com nossas empresas de autopeças”, disse Moreno.

O setor de autopeças e acessórios responde por mais de 1/3 das exportações brasileiras para a Argentina, cujo fluxo vem caindo de forma generalizada ao longo deste ano.

No período de janeiro a agosto, o Brasil vendeu 18% menos ao país vizinho e a Argentina, por sua vez, vendeu 6% menos ao Brasil se comparado ao mesmo período de 2011. O superávit do Brasil também teve uma redução de 54%.

Paulo Skaf diz que esforço da Fiesp visa aproximar empresas brasileiras e argentinas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista coletiva, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, comentou a visita de aproximadamente 120 empresários argentinos do setor de autopeças para mais uma rodada de negócios bilaterais. A delegação veio acompanhada pelo secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

Veja os principais trechos da coletiva:

Objetivo da rodada de negócios

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf: "Nosso esforço é no sentido de juntar empresas brasileiras e argentinas". Ao lado, Guillermo Moreno (secretário de Comércio Interior argentino). Foto: Junior Ruiz.

“Essa reunião reflete aquilo que nós combinamos na reunião passada. Identificamos [em uma pesquisa] que poderíamos melhorar o fluxo de comércio entre o Brasil e a Argentina porque muitos produtos que o Brasil importava de terceiros países poderiam ser comprados da Argentina e muitos produtos que a Argentina compra de terceiros países poderia comprar do Brasil. Então, a nossa meta não era a Argentina comprar menos do Brasil – é comprar mais. Mas o Brasil também comprar muito mais da Argentina, buscando maior equilíbrio na balança comercial. Ficamos desde 2005 em superávit comercial com a Argentina. E no ano passado tivemos US$ 5,8 bilhões como superávit. Temos que entender que a Argentina é nossa vizinha e nossa parceira no Mercosul.”

A pesquisa

“A principal razão de as empresas brasileiras não estarem comprando mais produtos argentinos era o desconhecimento. Então, nosso esforço é no sentido de juntar empresas brasileiras e argentinas para que elas se conheçam mais, realizem mais negócios e melhorem nossas relações.”

Avaliação do encontro

“Recebemos 105 empresas argentinas. Estão [na Fiesp] também 90 empresas brasileiras. São cerca de 200 empresas argentinas e brasileiras que realizaram durante o dia 1.200 reuniões produtivas. De acordo com relatórios que recebi, havia, em cada mesa, um tempo de meia hora [para as negociações], e houve casos de reuniões em que as pessoas pediam para ficar mais, ou seja, os encontros foram proveitosos.”

Próximos passos

“Esse é um trabalho que temos que intensificar mais. Ainda esta semana vamos receber um grupo argentino apresentando os projetos de investimentos que terão em hidrelétricas na Argentina para que tenhamos também uma integração no setor de infraestrutura.”

Arestas

“Há um diálogo bom com o governo argentino hoje com o secretário [Guillermo] Moreno. Ele reiterou que não vai aceitar qualquer desvio de comércio, ou seja, a Argentina deixar de comprar do Brasil para comprar de um terceiro país. Nós combinamos que qualquer fato concreto nesse sentido, que seja demonstrado e que ele tomará providências. E, da mesma forma, o Brasil também não pretende deixar de comprar produtos argentinos para comprar de terceiros países. E essa relação boa é importante para que a gente possa melhorar cada vez mais nosso Mercosul.”

 Aumento da alíquota de importação

“As alíquotas que aumentaram [em 25%] foram dentro dos limites internacionais, mas, sem dúvida nenhuma, o governo brasileiro fez um estudo criterioso de produtos cujas importações estavam com crescimento absurdo e que estávamos com dificuldades de exportar e cujos preços haviam caído. Enfim, dentro de certas características técnicas, foram escolhidos 100 produtos e me parece que isso é positivo para o Brasil. Não resolve o problema, mas vai ajudar.”

Moeda local nas negociações bilaterais

“Isso não depende de uma discussão nossa, é dos bancos centrais do Brasil e da Argentina. Se perguntarem a minha opinião, estou de acordo em encontrarmos um caminho para podermos ter o comércio em moeda local. Isso, sem dúvida nenhuma, destravaria totalmente o comércio entre os dois países. Seria em peso de um lado e em real de outro lado. (…) Daria para a Argentina um total interesse de ampliar e muito as nossas compras. A Argentina é um grande cliente de manufaturas brasileiras e beneficiaria a todos nesse momento. O Brasil, nesse momento, está com mais de US$ 2 bilhões de superávit com a Argentina em manufatura, então nós devemos fechar esse ano em torno de US$ 3 bilhões de superávit. E a balança de manufaturas com o mundo é de US$ 100 bilhões negativos, então, sejamos justos.”