Especialistas pedem união de forças para melhorar acesso ao Porto de Santos

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Osvaldo Barbosa. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Principal terminal por via marítima do país, o Porto de Santos foi tema do painel “Caos logístico e o acesso ao Porto de Santos”, realizado nesta quinta-feira (22/05), no último dia da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.). O debate teve a mediação de Martin Aron, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Representante da Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Osvaldo Barbosa, apresentou as ações da empresa para dinamizar o fluxo de carga, eliminando gargalos e outros problemas detectados.

“O Porto de Santos vem fazendo investimentos, mesmo com alguns problemas, como o da dragagem de aprofundamento de 15 metros, para possibilitar navios maiores, mas o contrato com a empresa foi rompido sem que se atingisse os 15 metros. Mas será feita uma nova licitação”, contou.

“O canal também foi alargado para 220 metros, para facilitar a entrada e saída de navios ao mesmo tempo, entre outros projetos em execução e em andamento, a maioria dependendo de licenças ambientais”, disse Barbosa, que também destacou o sistema de agendamento de cargas, o que, segundo ele, trouxe uma situação mais equilibrada para o terminal.

Segundo ele, além das ações da Codesp, é preciso que todos os envolvidos exijam outras ações, como a construção do ferroanel e de uma nova estrada para a Baixada Santista.

Guilherme Quintella. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Guilherme Quintella, presidente da Contrail, falou dos pontos positivos e negativos do Porto de Santos. “A parte boa é porque o Brasil, desde 1860, sempre enfrentou a transposição da Serra do Mar com o melhor da engenharia disponível à época”, afirmou.

Além disso, temos no acesso ao Porto de Santos hoje, estradas concessionadas de primeiro mundo, caso do complexo Imigrantes, como a Rodovia Anchieta”, disse Quintella, que também ressaltou como positivo o reequipamento das concessionárias ferroviárias que acessam o Porto de Santos.

A parte ruim, para o executivo, é que o sistema rodoviário atual é tão bom que está saturado.

Ele sugere que haja um esforço para a realização de três grandes projetos de grande interesse de São Paulo: recapacitação do acesso para o Porto de Santos, tanto no trecho da América Latina Logística (ALL) como no da MRS Logística, segregação de carga e passageiros na região metropolitana do estado – o que inclui a criação do ferroanel –, e o trem intercidades para transporte de passageiros.

José Gonçalves. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Trazendo o ponto de vista da indústria, José Geraldo Gonçalves, gerente da MCassab, acredita que o vem sendo feito hoje no Porto de Santos é relevante, mas ainda insuficiente para aumentar a velocidade e o escoamento das cargas.

Para mudar a situação atual, precisamos trabalhar em outras frentes. O Brasil não pode ocupar uma posição tão significante no ranking mundial da burocracia nos portos”, disse Gonçalves, que citou o Portal Único de Comércio Exterior como uma ação positiva para melhorar a fluidez das operações.

“Precisamos pensar em toda a simplificação de procedimentos de importação e exportação para otimizar a cadeia. Não adianta, por exemplo, implantar o Porto 24 horas, sem aumento de efetivo ou sem simplificação dos processos.”

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

 

Trecho Rio-São Paulo é o mais adequado no mundo para implantar trem de alta velocidade, afirma presidente da ADTrem

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Foto: Luiz Benedito/Fiesp

A densidade populacional das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro faz do trecho um dos mais adequados para a construção de um trem de alta velocidade ligando os dois polos, segundo o presidente da ADTrem, Guilherme Quintella, em sua participação no 8º Encontro de Logística e Transportes, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Grandes trechos como Tóquio, com nove milhões de pessoas, e Osaka, com três milhões, foram ligados através de um trem de alta velocidade, em uma viagem com duração de 45 minutos. Com um trem de alta velocidade, o trecho entre o Rio de Janeiro, com 11 milhões de pessoas, e São Paulo, com 19 milhões, seria percorrido em 99 minutos. É o trecho mais apropriado, em todo o planeta, para a criação de um trem de alta velocidade”, afirmou Quintella nesta segunda-feira (06/05) no painel “Infraestrutura de Transporte Brasileira – Trens de Alta Velocidade e Trens Regionais”.

Para o presidente da ADTrem, o modal é o meio de transporte que mais beneficia a sociedade. “Sendo que as ferrovias possuem o melhor nível de eficiência energética”, garantiu.

“Para termos um projeto grande de ferrovias temos que ter a união entre os órgãos reguladores e dos poderes concedentes. O automóvel não pode ser considerado o único meio de transporte ligando as cidades de São Paulo. É hora de uma visão sistêmica e integrada para um novo ciclo de prosperidade, fortalecendo o crescimento econômico”, disse o executivo.

Investimentos do governo do Estado

Secretário Jurandir Fernandes. Foto: Luiz Benedito/Fiesp

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, fez uma exposição sobre o atual estágio dos projetos e obras de transporte no estado de São Paulo. “Temos muitos desafios no setor de mobilidade de passageiros no estado. A região metropolitana de São Paulo está situada em uma área que representa apenas 0,5% do território nacional. Porém, temos trinta milhões de habitantes concentrados no local”, disse.

Jurandir Fernandes deu um panorama sobre a atual situação dos investimentos no setor. “Entre 2012 e 2015, 45 bilhões de reais serão investidos em obras no estado. Sendo que 23 bilhões já estão com contratos assinados”, informou.

Além disso, Fernandes mostrou como está o andamento das obras nas linhas de metrô e nos trens da Grande São Paulo. “Atualmente temos quatro grandes obras acontecendo. Uma das obras na Linha Amarela. Outra é o monotrilho que liga Congonhas até à Marginal Pinheiros. A linha Lilás, com 24 frentes de trabalho, está a pleno vapor e, por fim, a quarta obra é o monotrilho que vai até a Cidade Tiradentes. Até meados de 2014, teremos certamente sete grandes obras de mobilidade urbana acontecendo”, acrescentou o secretário.

Vicente Abate. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sobre os trens regionais, o secretário afirmou que importantes linhas de trens estão sendo estudadas. Uma delas ligaria a capital à a cidade de Jundiaí, saindo da Estação da Barra Funda, com custo estimado de três bilhões de reais. “Com o trem em funcionamento, um usuário demoraria apenas 25 minutos para realizar o trajeto”, afirmou o secretário. “Além desta, estão em andamento a Linha São Paulo-Santos, saindo da Estação São Carlos.”

O painel foi presidido por Vicente Abate, diretor da Fiesp e presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).