‘Não podemos parar’, diz Skaf em abertura do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Em paralelo a qualquer crise, não podemos parar”. Foi com esse convite ao trabalho que o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, abriu, na manhã desta segunda-feira (22/05), o 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), realizado ao longo do dia, no Hotel Renaissance, na capital paulista. O evento é organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

“Começar a segunda-feira com um evento como esse ‘energiza a gente’”, disse Skaf.

De acordo com o presidente da Fiesp, “vivemos a quarta revolução industrial”. “Primeiro foi a máquina a vapor, depois a eletricidade, o advento digital e a automação”, disse. “Temos que nos adaptar. Em paralelo a qualquer crise, não podemos parar”.

E o que fazer para que o país não pare? “Não se pode brincar com 14 milhões de desempregados do Brasil”, afirmou. “Vamos nos dedicar ao máximo para que essa roda não pare, para que as coisas não parem de caminhar”, explicou. “A necessidade é a mãe das invenções”.

Segundo Skaf, empresário brasileiro é que aquele “que levanta cedo e toca a sua padaria, a sua farmácia, a sua indústria”. “Que muitas vezes não se vê em condições de pagar seus impostos em dia, que tem que renegociar suas dívidas”, destacou.

Ele lembrou ainda que, no Senai-SP, é formada mão de obra “de primeiro mundo, em escolas de primeiro mundo”. “O professor Sunil Gupta, de Harvard, veio ao Brasil e conheceu a nossa escola em São Caetano do Sul”, contou. “Saiu impressionado e dizendo que ia leva a experiência do Senai-SP para Harvard”.

Para finalizar a sua apresentação, Skaf apresentou aos participantes um vídeo com uma declaração do papa Francisco dando uma lição sobre como superar dificuldades. Para ver o vídeo, é só clicar aqui.

>> Ouça boletim sobre o 12º Congresso MPI

Diretor titular do Dempi na Fiesp, Milton Bogus, destacou desafios das pequenas empresas como o acesso a novos mercados e a melhoria na produtividade, entre outras questões. “Não adianta reduzir a Selic se essa redução não chegar às taxas praticadas pelos agentes financeiros que atendem as micro e pequenas indústrias”, afirmou. “É preciso corrigir os gargalos e retomar o acesso ao crédito”.

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Skaf: “Não se pode brincar com 14 milhões de desempregados do Brasil”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Para ele, em 2017 o maior esforço vai ser “renegociar os empréstimos bancários”. “Investimentos em pesquisa e inovação são bandeiras antigas da Fiesp, que traz para esse evento parceiros que ajudam as empresas”.

Questão de foco

Deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Itamar Borges foi outro participante da abertura do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI).

“Essa é uma ótima oportunidade para os empresários debaterem a inovação, a renegociação e a tomada de novos créditos”, disse. “Precisamos ter foco na inovação, na internacionalização e na cultura empreendedora”, afirmou. “A palavra é foco”.

Também atento a essas questões, o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos citou iniciativas de apoio às micro, pequenas e médias empresas como o projeto Crescer sem medo. “Conseguimos a duras penas que o Crescer sem Medo entrasse em vigor a partir de 2018”, explicou. “Passamos de seis para vinte as faixas de faturamento previstas para os pequenos, evitando o efeito caranguejo, de não querer crescer para não mudar de faixa de imposto”.

Segundo Afif, outro problema a ser enfrentado é o do acesso ao crédito. “Nosso sistema financeiro é muito concentrado, não existe competição”, disse. “Só se dá prata a quem tem ouro, só se dá crédito a quem tem propriedades”.

Assim, uma meta é investir no empréstimo de recursos “para a produção local”. “Os gerentes de banco estão amarrados às condições de crédito, não se empresta mais dinheiro olhando no olho”.

Nessa linha, para ajudar os empreendedores, o Sebrae contratou ex-gerentes de banco para dar orientação de crédito em seus escritórios. “São eles quem vão pegar os empreendedores pela mão nesse emaranhado que é a concessão de crédito”, afirmou. “O Brasil é um dos países com a maior força empreendedora em todo o mundo”.

Participou ainda da abertura do evento o secretário especial da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, José Ricardo da Veiga.

Primeiro painel

O primeiro painel de debates do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI) destacou justamente a necessidade de desburocratizar o acesso ao crédito.

Entre os participantes, o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

“O mais importante é sermos pragmáticos. Temos que descobrir como sair dessa crise, fazer as reformas necessárias”, disse. “Quebrar paradigmas: nem o governo nem o mercado resolvem tudo”.

Roriz Coelho lembrou que a recessão atual é a maior que o país já teve e a mais longa, com uma queda de PIB acumulada de mais de 7,5%. “Uma crise desse tamanho e por tão longo tempo afetou o dia a dia dos brasileiros”, explicou. “Só com aumento de investimento para reverter esse processo. Sem crescimento e sem geração de empregos não vamos conseguir”.

Roriz atacou ainda os elevados juros cobrado país e disse que “para sair desta crise, a grande mudança que deve ser feita é no sistema financeiro brasileiro”.

Ministro anuncia portal único para abertura e fechamento de empresa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A partir de julho, um portal único deve ser lançado pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa com a intenção de reduzir o prazo de abertura de uma empresa para até cinco dias, informou nesta segunda-feira (26/05) o ministro da pasta, Guilherme Afif Domingos.

“O portal fará a unificação em um balão único por meio das juntas comerciais. Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias em média. O fechamento [da empresa] será na hora”, afirmou Afif Domingos durante o 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

O evento segue até o final desta segunda-feira (26/05), no Hotel Renaissance, na capital paulista, sendo organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

Segundo o ministro, a criação do portal atende a uma demanda do setor por agilidade nos processos de criação de um CNPJ e, sobretudo, no encerramento dele.

“A Receita quer um CNPJ aberto mesmo com a empresa encerrada, ela quer um balanço anual da não movimentação se você esquecer, é multado em R$560 reais”, disse ele. “Esse é um ponto da perversidade da polícia econômica que nos implantamos no Brasil e nós não precisamos de polícia econômica, mas de política econômica com essa função de desenvolvimento para os pequenos”, defendeu.

Afif Domingos: “Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Afif Domingos: “Vamos baixar o prazo de abertura para no máximo cinco dias”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Segundo o ministro, com a criação do portal único, a secretaria pretende fazer “um grande enterro coletivo exatamente para poder baixar esse estoque que mascara a realidade do número do país”.

Sem programas

De acordo com Afif Domingos, a pasta de Micro e Pequena Empresa não foi criada para implantar programas mas para coordenar as políticas e ações para o setor. “O ministério está aqui para lembrar o tratamento diferenciado ao pequeno”.

O ministro avaliou ainda que o Brasil ainda amarga uma característica de “fazer regra ignorando” a realidade das micro e pequenas empresas, que representam mais 90% do empresariado brasileiro.

“A burocracia no Brasil é feita para o grande aguentar, o pequeno não aguenta. Aqui no Brasil jogam-se  verdadeiros entulhos burocráticos na cabeça dos pequenos”, completou.

Vídeo: confira o INDestaque, resumo do que aconteceu na Fiesp entre 29/07/2013 e 11/08/2013

Agência Indusnet Fiesp

Entre outros assuntos, o boletim da última quinzena destaca o Indicador do Nível de Atividade da Indústria Paulista, que subiu 2,6% em junho, na comparação com maio. E a presença do ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, convidado da reunião de diretoria da Fiesp. Na ocasião, ele falou sobre formas de diminuir a burocracia e aumentar a exportação de micro e pequenas empresas.

Outro destaque do período foi o 14º Encontro de Energia, que teve recorde de público, com cerca de 1.800 pessoas. O evento debateu geopolítica, eficiência energética e, sobretudo, a importância das hidrelétricas com reservatório.

Também na ultima quinzena, aconteceu o 5º Encontro de Telecomunicações, cujo tema central foi o respeito ao consumidor.

Confira todos os acontecimentos de 15/07/2013 e 28/07/2013:

Em reunião com diretoria da Fiesp, ministro Afif Domingos defende ‘janela única’ para a abertura de novas empresas

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O vice-governador de São Paulo e ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, foi o convidado da reunião ordinária da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (29/07).

Recebido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, como “um defensor da iniciativa privada”, Afif explicou seus planos para a redução da burocracia e apoio à exportação pelas micro e pequenas. Entre eles, a criação de uma “janela única” para a abertura de novas empresas e a adoção de um cadastro único para empreendimentos com esse perfil.

Afif (ao centro) e Skaf  na reunião ordinária da diretoria da Fiesp: menos burocracia para as micro e pequenas empresas. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

Na foto, o 2º vice-presidente, João Guilherme Sabino Ometto, o ministro Guilherme Afif Domingos (ao centro) e o presidente Paulo Skaf na reunião ordinária da diretoria da Fiesp: Afid defendeu menos burocracia. Foto: Junior Ruiz/Fiesp


Ao apresentar o convidado, Skaf ressaltou que há uma pauta grande a ser discutida para esse segmento de empresas e reconheceu que muitos dos avanços históricos na área têm a “mão e o coração” de Afif. “Mesmo com todas as limitações, temos você lá, o que compensa tudo isso para conseguir resultados concretos”, disse.

O presidente da Fiesp destacou questões como o faturamento gradual. “Passou um tostão da faixa, que é R$ 3,6 milhões, [e] pronto, perdeu o direito àquelas vantagens, o que estimula a empresa a não se desenvolver ou a sonegar”, explicou. Em seguida, Skaf abriu espaço para que Afif falasse sobre ações e projetos para a pasta.

Afirmando se sentir “em casa” na Fiesp, o ministro lembrou que as micro e pequenas empresas são as grandes geradoras de empregos no Brasil e no mundo. “Hoje, 98% do universo empresarial no país é formado por esse grupo”, disse. “E com uma participação de 57% na mão de obra ocupada”.

Afif explicou que o seu ministério é uma pasta “de articulação” e que assume a “responsabilidade de traçar uma política para a micro e pequena empresa”.

Janela única

Nesse sentido, o principal objetivo, agora, é criar uma “janela única” para a abertura de novas empresas. “O empresário só vai ter que procurar um balcão”, afirmou Afif. “Vamos introduzir um cadastro único, que vai ser respeitado pelo estado e pelo município, por exemplo”.

Além do cadastro, também devem ser simplificados os licenciamentos. “Cerca de 90% das empresas do Brasil são de baixo risco de licenciamento ambiental, da vigilância sanitária ou do Corpo de Bombeiros”, explicou. “Então, por que não facilitar os licenciamentos com o preenchimento de um questionário pela internet? Quem não cumprir com as suas obrigações vai ser punido depois”, disse. De acordo com Afif, a burocracia “não confia, não acredita, não orienta e não capacita”.  “Nós não prestigiamos a boa fé”, afirmou.

Dessa forma, segundo o ministro, será organizado um “mega portal” que facilite a vida do micro e pequeno empreendedor nos próximos meses. “Será o primeiro grande passo para passarmos da era medieval para a era digital”, explicou.

Mais exportações

Nessa linha, serão estimuladas ainda as exportações entre os pequenos. “Por que não temos um tratado para estimular as exportações dos micro e pequenos?”, observou Afif. Segundo o ministro, é preciso investir num sistema logístico para esse grupo, nos moldes do Exporta Fácil dos Correios. “Convido a Fiesp a participar dessa discussão conosco”, afirmou.

O convite foi aceito: “Colocamos a Fiesp à disposição para a realização de um grande debate aqui mesmo, na nossa sede, sobre esses assuntos”, disse Skaf.