Mantega diz que governo tem arsenal para conter a valorização cambial

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Guido Mantega, ministro da Fazenda. Foto: Vitor Salgado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira (27) que o governo já conta com um arsenal de medidas para conter a valorização do real. Segundo ele, o Brasil não sofrerá com aumento exacerbado da moeda nacional, mesmo com o fim da capitalização da Petrobras que ativou a entrada de dólares no País.

“O Brasil vive hoje uma guerra cambial internacional, com desvalorização generalizada que tira nossa competitividade. Diversos países estão adotando medidas para desvalorizar suas moedas”, disse Mantega durante evento na Fiesp. O ministro evitou dizer quais seriam as medidas que o governo adotará para conter o avanço do real, mas lembrou que o Brasil está comprando um volume muito maior de dólares.

“Devemos estar com US$ 270 bilhões de reservas mais as reservas do Tesouro. Não deixaremos sobrar dólares no mercado”, explicou. Na semana passada, o governo liberou recursos de U$17 bilhões do Fundo Soberano para a compra da moeda estrangeira.

Questionado sobre a possibilidade de o País começar a impor taxas ao investimento estrangeiro, Mantega afirmou que este tipo de manobra não está nos planos do governo. “Não podemos taxar o investimento estrangeiro, que é muito positivo e benéfico para o Brasil. Pelo contrário, continuaremos estimulando esse tipo de investimento”, disse.

Mantega ainda tentou acalmar o mercado e explicou que após o processo de capitalização da Petrobras, há expectativas de “calmaria”, mas caso isso não ocorra, o governo já tem onde recorrer.

Desindustrialização

Em contraposição à Fiesp, Mantega negou categoricamente que o Brasil esteja enfrentando um processo de desindustrialização. Ele afirmou apenas que houve uma redução da indústria no mundo e que o Brasil não foi exceção.

Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Fiesp

Em seu discurso, de quase uma hora, Mantega mostrou os números da indústria para justificar a ausência da desindustrialização. Dados do governo mostram que a produção industrial representa hoje 17% do Produto Interno Bruto (PIB). “O Brasil está na média mundial (…) Estamos em um marco razoável”, afirmou.

Já Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Fiesp, disse que a indústria vem crescendo bem menos em comparação a outras áreas. De acordo com ele, os números da produção industrial são superestimados pela produção de grãos e minérios de ferro que puxam os números da produção industrial para cima.

Steinbruch afirmou ainda que o governo vem adotando medidas para conter a valorização do real que, segundo ele, é um dos principais obstáculos pela baixa da produção industrial à exportação e aumento da penetração dos importados no Brasil. “Não podemos mais deixar o câmbio escorregar”, afirmou e alertou o governo para outro problema que facilita a entrada dos importados: a guerra fiscal que ocorre atualmente entre os estados brasileiros.

Benjamin explicou que alguns oferecem tratamento preferencial a produtos importados, principalmente aqueles que possuem produção doméstica.

O tratamento, segundo ele, pode ser visto sob diversas formas, seja pela redução direta da alíquota do ICMS para bens oriundos de outros países, sob a forma de crédito presumido, ou ainda pela suspensão do pagamento do imposto, que é efetivado no longo prazo pelas companhias instaladas próximas ao porto.