Artigo: SelfAzul – Uma surpreendente iniciativa de Responsabilidade Social da indústria

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por João Batista Ferreira*

A Guardian do Brasil é um dos maiores fabricantes de espelhos e vidros planos do mundo, com 2 fábricas no país, sendo a maior delas em Tatuí, no estado de São Paulo. A direção de Marketing da empresa estava empenhada em encontrar caminhos inovadores para sua comunicação institucional. Como construir um programa de Responsabilidade Social a partir dos valores da marca que estivessem presentes na própria atividade?

O consumo de espelhos planos segue uma cadeia de valor que, junto ao consumidor final, era quase impossível estabelecer um vínculo com os propósitos da empresa, já que espelho é uma commodity. A sequência é: fabricação Guardian, indústrias processadoras de corte, vidraçarias e varejo. Como estabelecer uma relação consistente da marca com a sociedade civil?

O espelho tem uma função importantíssima na construção e desenvolvimento da autoperceção, do meu corpo consciente, do Eu, do Self. Por outro lado, as imagens refletidas são as instâncias que se comunicam com a nossa representação física do real. Mas, é na revelação da própria imagem da pessoa que se encontra o outro.

Um dos atributos dos espelhos Guardian é uma tonalidade de azul estampada no verso de seus espelhos e que se constitui numa patente.

Utilizando as técnicas do Design Thinking identificamos uma forte relação entre o espelho e o desenvolvimento do “Eu”, do Self. Os espelhos são utilizados largamente para ajudar na educação infantil, regularmente, como instrumento de ajuda no autopercepção das crianças, enriquecendo a linguagem apreendida.

No tratamento de algumas neuropatologias o espelho é um dos principais instrumentos dos técnicos para ajudar a construir a autoimagem. Nos autistas este é o problema central, já que é exatamente a dificuldade de percepção do Self que impede de um desenvolvimento normal, de estabelecer relacionamentos sociais.

As correlações do espelho com o neurodesenvolvimento, o self e a cor azul da Guardian nos levou para o programa que buscávamos. Em seguida, era preciso apenas uma ocasião para evidenciar estes valores.

A oportunidade aconteceu num evento, “A Virada da Saúde”, realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, de 7 a 12 de abril de 2015. Uma série de eventos espalhados por toda a cidade de São Paulo para conscientizar e aproximar a sociedade para o tema da Saúde de uma forma diferenciada e lúdica, vinculado à urbanidade. Os eixos da ação foram: o Médico-Assistencial o Bem Estar, a Educação e a Cultura.

Assim, uma articulação entre a Guardian e diversos atores entrou em ação: Malkovich Design, Comunica Design, Instituto Saúde e Sustentabilidade, J2b Innovation, CORES – FIESP, Metrô SP, Universidade Paris DescartesSorbonne, USP, Unifesp, Autismo e Realidade, CPA – Centro Pró-Autista Social, Cari Psicologia, Sociedade Civil, população em geral.

O “SelfAzul – A Descoberta do Autista”, num duplo sentido de espelho como ferramenta para ajudar aos portadores do TEA – Transtornos do Espectro do Autista na descoberta do “Eu autista”. Tudo foi pensado com o foco na pessoa portadora, no ser humano concreto. Além disso, a cor que representa o autismo é o azul.

Uma proposição de mobilização da sociedade para acolher e melhor compreender esses milhões de indivíduos especiais, de mostrar como é importante para os pais do autista que, quando diagnosticado precocemente, as perspectivas de uma vida semelhante aos neurotípicos é possível.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que no Brasil existam cerca de dois milhões de pessoas portadoras de TEA –  Transtornos do Espectro do Autista, a maioria do sexo masculino. No mundo, a entidade calcula que são mais de 70 milhões de afetados.

Uma conexão natural emergiu, pusemos a mão-na-massa e a resposta veio num prazo muito curto, em apenas 30 dias durante o mês de abril de 2015. O resultado foi surpreendente, seja pelo gigantismo da repercussão positiva, seja pela exuberância e evidência do quanto somos colaborativos e organizados coletivamente, aos milhões. E quais foram estas ações?

Entidades mobilizadas: FIESP (a casa da indústria) + Metrô SP (mobilidade urbana) + Intervenção urbana (arte de Eduardo Srur na calçada da FIESP) + Fórum internacional na FIESP e na USP (instância conhecimento) + Redes Sociais (nova praça de interação) + Site com tagboard (janela para o mundo).

Somos um coletivo com 7 bilhões de seres humanos únicos, todos especiais. Mas, ainda temos dificuldade de lidarmos com as nossas diferenças e fragilidades. Precisamos amadurecer nosso país e a indústria tem um papel importante de celebrar sua condição de ator de Responsabilidade Social e contribuir para um mundo melhor.

Vejam os números:

Pessoas impactadas no Brasil e em mais de 10 países:

1) Ações digitais: mais de 24.500.000

Facebook: 8.609.000

Google Plus e Youtube: 10.000

Site: 80.000 + Instagram: 3.327.000 + Twitter: 11.695.000 + Twibbon: 808.000

2) Ações no mundo físico: mais de 2.000.000

Fórum Internacional na FIESP: 283

Seminário na USP: 150

Instalação artística na FIESP: 23.000

Metro Trianon e Paraíso: 2.000.000

SelfAzul é uma iniciativa da indústria Guardian do Brasil, que contou com o apoio irrestrito do CORES – Comitê de Responsabilidade Social da FIESP, para os qual presto minhas homenagens. Foi uma honra participar na coordenação e articulação de tudo isto

* João Batista Ferreira é graduado na Escola Fluminense de Engenharia – RJ. CEO da J2B Innovation, Membro do board da Eise – Escola de Inovação em Serviços, em São Paulo. Trabalhou na ONU como diretor geral do Fórum Global na ECO92. É palestrante e articulista da Revista da ESPM, entre outras.