‘A vida que a gente quer depende do que a gente faz’, diz David Feffer em palestra no Congresso do CJE

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Errar é um caminho para acertar. Não deixar de ter sempre um olho no peixe e outro no gato. De investir nas pessoas e nas relações estabelecidas entre elas. Tudo isso sem perder o foco nos valores, nos propósitos para seguir adiante. Essas foram apenas algumas das reflexões apresentadas pelo presidente do Grupo Suzano, David Feffer, na manhã desta terça-feira (01/11), em palestra no Congresso do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp: “Reinvenção agora: Crie, ouse, compartilhe”. O evento segue até o final do dia na sede da federação, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Grato pelo convite para participar do congresso e destacando que “a Fiesp é a mais importante federação das indústrias do país” ao lado do diretor titular do CJE, Luiz Hoffman, Feffer falou sobre a sua trajetória de empreendedor. “Cada um de nós tem uma memória de infância”, lembrou. “A minha é de máquinas, de indústria: ia para a fábrica aos sábados, com o meu pai, Max Feffer”.

Assim, começou a trabalhar aos 14 anos, na área de transportes na empresa. “Usávamos transporte terceirizado e, na época da safra da batata, não tínhamos transporte suficiente”, contou. “Sugeri ao meu pai que criássemos uma empresa de transportes e ele me disse para cuidar disso”, explicou. “Foi uma das primeiras lições de empreendedorismo que eu tive: nunca me saiu da memória a noção de ter uma ideia e acreditar nela”.

Também no campo das lições, Feffer lembrou a compra da Bahia Sul Celulose pela Suzano em 2001, “por valor maior do que havia sido autorizado”, após uma longa negociação. “Estava morrendo de medo de contar ao meu pai que havia passado do valor”, disse. “Pois ele me deu os parabéns e disse que, se o negócio é bom por 100, por 105 será bom também”, contou. “Ele me ouviu, confiou em mim. Aprendi a ouvir e a confiar nos times, nos jovens”.

Para Feffer, a inteligência artificial vai revolucionar a sociedade, numa mudança só comparada à revolução industrial. “Daqui a dez anos, nenhum processo industrial será igual ao que é feito hoje”, disse. “Temos esse desafio nas nossas empresas, essa mudança é feita com cabeças que pensam diferente”.

Estimular quem erra

Assim, em sua saga de empreendedor, Feffer diz que aprendeu que “o erro é o melhor caminho para o acerto”. “No passado, era comum punir que errava”, disse. “Hoje a gente tem que estimular quem erra e não taxar de incompetente quem cometeu a falha: há sempre ganho de experiência”.

Outra lição importante: “administrar as empresas com um olho no peixe e outro no gato”. “Cuidar do hoje para que os nossos negócios sejam os mais rentáveis. É assim que se constrói o caminho do futuro”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540266609

Feffer, à direita, ao lado de Luiz Hoffman: lições de empreendedorismo. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Diante disso, não dá para perder de vista os valores. “Não existe empresa bem sucedida sem valores e propósitos”, afirmou. “Não conheço nenhuma empresa sem propósito que deu certo”. E qual o propósito da Suzano? “Ser forte e gentil”, disse. “Somos fortes porque temos que fazer tudo de modo eficiente e gentis para agregar um grande número de pessoas às nossas ações”.

Ainda sobre pessoas, Feffer reforçou a importância de ter profissionais “de alta performance, competentes, alinhados e motivados” nas empresas. “Além disso, é preciso investir em relações de qualidade. O ambiente de trabalho não pode ser desagradável, pesado”, afirmou.  “Temos que ter relações leves, de qualidade, que persistem apesar de todos os percalços do caminho”, disse. “As relações de qualidade são maiores do que todos os problemas”.

Mais duas lições? “Se preparar para o pior e esperar o melhor. Em geral, o melhor acaba acontecendo”, disse. “Aprendi com o meu pai que a vida que a gente quer depende do que a gente faz”.