Desafios para a indústria são gigantescos, afirma diretor da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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João Redondo: é preciso refletir sobre as soluções. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Com os marcos regulatórios como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), as boas práticas relacionadas às ações sustentáveis se transformaram em obrigação e os agentes envolvidos precisam refletir sobre as soluções, de acordo como diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Redondo.

“É um desafio gigantesco para a indústria”, resumiu ele na manhã desta quinta-feira (06/11) no seminário “Produção e Consumo Sustentáveis”, evento promovido na sede da entidade.

Ao falar da PNRS, o especialista ambiental da Fiesp Ricardo Lopes Garcia deu um breve panorama sobre os acordos setoriais em logística reversa no país.

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Ricardo Lopes Garcia, especialista da Fiesp: dois setores, o de vidro e o de latas, ainda não chegaram a um acordo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Dois setores, o de vidro e o de latas, ainda não chegaram a um acordo, segundo Garcia. “Cada cadeia tem uma peculiaridade. O setor que fechou acordo foi o de embalagens de óleo lubrificante, em 2012”, informou. “Em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, isso vai se espalhar para todo o Brasil, no sentido de assinar termos de compromissos com todos os estados e municípios.”

Na visão de Ariel Pares, diretor do Departamento de Economia e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a evolução na Política Nacional de Reciclagem é um trabalho coletivo. “É preciso criar um plano nacional de responsabilidade em reciclagem. Reciclamos 1% de matéria seca. Estamos muito distantes do ideal”, opinou.

Segundo ele, para que haja avanços em temas estratégicos relacionados à sustentabilidade é essencial coordenação, recursos e responsabilidade. “Há uma discussão no setor público e outra no setor produtiva. Temos muitos atores”, afirmou.

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Paulo Pompilio, do Grupo Pão de Açúcar: clientes, apesar de aprovarem, nem sempre estão dispostos a pagar mais caro por produtos sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para Paulo Pompilio, diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Grupo Pão de Açúcar, a evolução do varejo é visível no que se refere às práticas sustentáveis. Segundo ele, o varejo já entendeu a necessidade de ofertar produtos e serviços “conscientes”.

“Temos que ofertar produtos conscientes. Isso é um diferencial nas gôndolas. Entretanto, o cliente, apesar de aprovar, não está disposto a pagar mais caro por produtos sustentáveis”, observou.

Pompilio ainda apresentou diversas parcerias e acordos entre o varejo e o setor industrial. Entre eles foi apresentado o projeto Caixa Verde, idealizado pelo Pão de Açúcar, que convidava seus clientes a retornar embalagens para reutilização.





Preços das commodities afetam o crescimento econômico, diz consultor em reunião do Cosag na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Os ciclos de preços das commodities e a demanda por alimentos analisada do ponto de vista do varejo foram os temas da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta segunda-feira (02/09). O debate, coordenado pelo presidente do Cosag, João de Almeida Sampaio Filho, teve como convidados o sócio consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, e o diretor comercial de Perecíveis do Grupo Pão de Açúcar, Leonardo Miyao.

Alexandre Mendonça de Barros abriu a reunião apresentando um panorama dos ciclos de commodities no cenário internacional. Para ele, devem ser chamados de “super ciclos” períodos entre 10 e 40 anos. E as análises em torno do tema mudam conforme as referências de análise. “Se tomarmos 2011 como referência desde 1900, os preços das commodities subiram 252%”, explicou. “Desde 1950 foram 192% de alta e desde 1975% em torno de 46% de aumento”.

Barros: “Se tomarmos 2011 como referência desde 1900, os preços das commodities subiram 252%”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Alexandre de Barros: Entre 1900 e 20011, preços das commodities subiram 252%. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Como tendências de longo prazo, segundo Barros, os preços das commodities agrícolas têm tudo para baixar, enquanto os da energia e dos metais preciosos devem subir. Entre os fatores de influência desses comportamentos estão a maior industrialização e a urbanização em massa. “Por isso hoje vemos o aumento da demanda puxado pelos países asiáticos”, afirmou.

A reunião do Cosag  foi conduzida pelo presidente do Cosag, João de Almeida Sampaio Filho, ao centro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A reunião do Cosag foi conduzida por João de Almeida Sampaio Filho, ao centro. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Diante desses movimentos, de acordo com o consultor, os preços das commodities afetam o ritmo de crescimento econômico. E esses valores tendem a cair nos próximos anos por conta do aumento da produtividade no campo. “As tecnologias serão decisivas”, explicou.

Em termos de oferta de produtos agrícolas, questões como restrições de terra, escassez de água e carência no fornecimento de fertilizantes podem impactar a produção.

Consumo consciente

Diretor comercial de Perecíveis do Grupo Pão de Açúcar, Leonardo Miyao falou sobre a demanda por alimentos no Brasil a partir do ponto de vista do varejo. Executivo de uma rede que vendeu R$ 57 bilhões em 2012, dos quais R$ 31 bilhões em alimentos, Miyao destacou que o setor tem o poder de influenciar o consumo e a produção.

“É crescente a busca por alimentos orgânicos e a preocupação com a origem e o modo de produção”, disse. “Nos últimos cinco anos, as vendas de orgânicos têm crescido a taxas de dois dígitos”.

Outra tendência forte, segundo Miyao, é a “valorização da origem e a busca por autenticidade e familiaridade” em relação à produção. “E os produtores familiares são os protagonistas desse processo”, disse.

Leonardo Miyao: valorização da origem dos produtos pelos consumidores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Leonardo Miyao: valorização da origem dos produtos pelos consumidores. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Nessa linha, os conceitos de sustentabilidade passaram a ser considerados fundamentais por consumidores e varejistas. “Incentivar esse tipo de consumo é um papel do varejo junto à sociedade”, explicou o executivo.

O Grupo Pão de Açúcar tem um programa de acompanhamento da qualidade dos produtos desde a sua origem. “Temos um trabalho de rastreabilidade e um check list de condutas junto aos produtores”, explicou Miyao.

Essas práticas incluem a atribuição de notas aos fornecedores. “Motivamos as cadeias a investir em qualidade”, disse o diretor comercial de Perecíveis do Grupo Pão de Açúcar. “Cerca de 80% das nossas compras são feitas diretamente com os produtores”.

Bananas no pé da serra

Como exemplo do impacto dessas medidas, Miyao citou o caso de produtores de bananas que há três gerações tinham por hábito plantar, entre outras áreas, no pé de uma serra. Parte da produção do grupo era frequentemente devolvida por não atingir os critérios estabelecidos pela rede, mas a identificação precisa do problema só veio com a adoção da rastreabilidade dos produtos. “Só assim, pelos lotes, descobrimos que as bananas devolvidas eram sempre aquelas plantadas no pé da serra”, disse. “Imagine o quanto essa família perdeu durante três gerações por não saber disso”.

Assim, o Grupo Pão de Açúcar tem hoje um percentual de 83% do volume de alimentos vendidos rastreado em suas 1,8 mil lojas em 19 estados brasileiros, mais o Distrito Federal. “Isso porque em alguns casos o controle de qualidade é feito diretamente nas lojas”, explicou.

Empresa é um negócio simples de duas palavras: gente e processo, afirma Abilio Diniz

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar. Foto: Julia Moraes

Transmitir às pessoas, especialmente aos jovens, ensinamentos da vida. Foi com este propósito que Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, subiu ao palco no encerramento do  VII Congresso Paulista de Jovens Empreendedores da Fiesp nesta segunda-feira (28).

Baseado na aula inaugural do curso Liderança 360° – resultado da parceria do empresário com o PEC-FGV (Programa de Educação Continuada da Fundação Getúlio Vargas) -, Abilio Diniz apresentou os tópicos que norteiam sua vida pessoal e empresarial: Valores, pilares, inspirações e gestão.

“Humildade não é usar roupas velhas, nem fazer voto de pobreza. É acreditar que nunca sabemos tudo e que sempre podemos aprender mais”, disparou. Dizendo-se “irritantemente disciplinado”, Diniz admitiu fazer suas próprias agendas e rotinas: “Assim faço muito mais coisas do que poderia se deixasse ao acaso”.

Além da determinação e garra, da disciplina e do equilíbrio emocional que reza em sua mensagem, revelou seguir seus próprios pilares: atividade física, alimentação, controle do estresse, autoconhecimento e espiritualidade.

“Para ser feliz é preciso ter saúde, ela é muito mais importante que dinheiro”, afirmou Diniz, conhecido por manter uma invejável rotina de atividades físicas que o garantem ótima forma aos 74 anos de idade.

Gestão

Para Abilio Diniz, empresa é um negócio simples de duas palavras: gente e processo. “Na minha visão o mais importante é a gente, é o que vai te levar ao processo certo. Hoje, as empresas que colocam emoção no lado humano, são as empresas vitoriosas”, sublinhou.

Sucesso, erros e acertos

“É uma grande dose de inspiração com transpiração, tem que ralar”. É o que garante o êxito da empresa, segundo ele, que conta desconhecer negócio vencedor que não siga esta regra.

Ele contou, porém, que passou por momentos “terríveis” em sua trajetória. Em 1989, foi sequestrado e sofreu com brigas na família, que quase acarretaram a quebra do Pão de Açúcar no começo dos anos 90. “Família mais empresa não dá certo, a chance de estragar os dois é enorme”, explicou. Atualmente o Grupo Pão de Açúcar é o maior empregador privado do Brasil.

Ressaltou também a necessidade de apostar em um mercado multiformato e multicanal, como seus hipermercados, supermercados, lojas compactas e de conveniência, além da entrega em domicílio e das cada vez mais crescentes vendas on-line. “É preciso atuar em todos os bens para o consumidor final”, salientou.

Ao final de sua participação, Abilio Diniz afirmou que o futuro é agora. “O empresário tem que ser objetivo e ter pé no chão. Pode sonhar, mas tem que trabalhar com metas”, encerrou.